Phaeleh I

5 Capítulo 5 - O Phaeleh


Notas iniciais
Ilustre eu: Hey, peoples! Mais um capítulo para vocês com muito carinho. Espero que amem ainda mais o Meine ♥ e meu lindo Wray! Obrigada por lerem e comentarem! Boa leitura!

Capítulo 5

Chamas serpenteavam para o alto, esticando-se como tentáculos. As labaredas crepitavam intensamente, lançando uma dança de sombras sobre o piso de pedras brancas. Tudo que Meine via com notável terror era a muralha de fogo que o cercava em seu cerne, prendendo-o e enclausurando-o naquela jaula de selvagem destruição.

Ele olhava para todos os lados, incapaz de entender como tudo aquilo começou. A escuridão o cercava, não pela noite, pois ali nunca escurecia, e ele não sabia como possuía aquele conhecimento. A escuridão que o sufocava era uma densa névoa negra que se avultava sobre sua cabeça, sibilando para ele, aproximando-se cada vez mais.

Mesmo cercado pelo calor abrasador, a pele de Meine gelou pela proximidade da escuridão e seu coração galopou no peito. O medo era uma saraivada de agulhas em seu coração. A parede de chamas ganhou força, estalando para o céu, buscando-o, enquanto as sombras silvavam para ele, mais e mais próximas, tentando toca-lo para...

Meine abriu os olhos abruptamente, agarrando as peles com tanta força que os nódulos dos dedos ficaram brancos. Sugou o ar para os pulmões pela boca em uma audível e brusca inalação. Seu peito subia e descia rapidamente e sentia a mente tão aérea que parecia ser incapaz de construir um coerente pensamento.

Demorou a se acostumar com a luminosidade quase nula do quarto e estremeceu involuntariamente. Estava tão assustado, que respirar que uma tarefa que já era mecânica, agora era extremamente difícil. Um punho de gelo parecia se fechar em seu coração, enchendo-o de terror. Sentia na boca o gosto rançoso da fumaça e a língua seca apenas acrescentava um sabor pior.

Meine não costumava ter pesadelos, mas aquele, sem dúvida foi o mais assustador de todos.

Abriu a boca para falar, mas não encontrou a própria voz. Estava para chamar por sua avó, quando compreendeu que não estava mais em seu clã de nascença. Rolou na cama, tateando o espaço vazio em busca de Svan, mas estava totalmente abandonado no quarto gélido e silencioso.

Meine se encolheu, aproveitando a solidão para dar vazão ao próprio medo. Estava aterrorizado, e não entendia por quê. Provavelmente era pelo estresse ao qual fora submetido nos últimos dias – o ataque ao seu clã, a separação da avó, a ferida no braço, o leilão, Svan, toda a história de ser escravo sexual, a quantidade de estranhos que o cercavam... Tudo pesava em seus ombros. Ele tinha aceitado bem sua situação, mas realmente...

Em seu âmago, ainda não tinha, de fato, engolido tudo aquilo. Procurava não pensar a respeito, pois sabia que seria muito pior se tentasse fugir ou se rebelar, então empurrara todas as suas preocupações para algum recândido secreto em sua mente.

Agora? Agora se encontrava tão emocionalmente instável que poderia chorar e gritar como uma criança desconsolada enquanto tentava fugir.

Sentou-se na cama, passando as mãos pelo rosto, mordendo o lábio inferior. Agitou a cabeça e se arrastou para fora da cama. Precisava respirar, precisava ver o céu. Forçou os pés a se moverem e abriu a porta do quarto. Tudo estava escuro e sepulcralmente silencioso.

Não havia ninguém na casa?

Meine não se preocupou. O que começou com um caminhar arrastado se tornou uma corrida, e logo estava disparando para fora da casa. Os pés descalços tocaram a terra fria, o vento frio acariciando a pele desnuda. Não se importava por vestir apenas a calça que secara no corpo. Ignorava os dentes que tiritavam. Ele não era resistente ao tempo gélido, portanto, sentia-se agredido pelas aguilhoadas do vento.

Meine correu, sem rumo, totalmente perdido naquelas terras estranhas. Não sabia onde estava, para onde iria, para quem correria para conversar – Wray! Sim, Wray era seu único amigo naquele lugar.

Ele correu com todas as forças as pernas em direção à casa de Wray, que ficava mais distante das outras moradias do clã. Para seu total desalento, tudo estava escuro quando chegou e Wray também não estava lá. O lugar parecia abandonado.

Meine voltou a correr, agora sem um real objetivo. Não queria dormir e não queria ficar largado na casa grande e silenciosa de Svan.

Queria conversar com alguém. Desejava companhia e distração.

Mas onde?

Ele voltou para o centro da aldeia, vendo como se assemelhava a um local fantasma, totalmente abandonado pelos deuses. Estava ofegante, os músculos das pernas doloridos e retesados pelo exercício ininterrupto. Abraçou a si mesmo, tremendo de frio.

Aonde iria? Na verdade, aonde pensava que poderia ir?

Deixou a mente vagar enquanto os pés simplesmente se arrastavam adiante. Não teve ciência de quanto tempo se passou, até que, por fim, encontrou-se entrando em um amplo estábulo. Havia incontáveis baias vazias e outras com cavalos dormitando. Exausto, seguiu para a baia mais distante da entrada, abrindo a portinhola e entrando. O cavalo ao lado do seu espaço despertou e relinchou, batendo os cascos no chão.

– Shh – Meine sussurrou, esticando a mão por sobre a frágil mureta de madeira que os separava. O animal reagiu com selvageria, tentando mordê-lo, agitado – Não precisa me temer. Na verdade, eu busco um amigo.

Meine amava animais, só esperava que o gigantesco e musculoso cavalo malhado também soubesse.

– Não acho que Van nomeie seus cavalos. Você tem um nome? – ao som de sua voz, o animal se serenou minimamente. O bastante para farejar sua palma estendida. Meine sorriu – Eu sou Meine, apesar de apenas Wray me chamar assim. Posso te chamar de Einar?

O cavalo o cheirou, e logo se afastou.

Mas já não fazia barulho. Satisfeito, Meine se deitou em uma pilha de feno e suspirou, ignorando as espetadas em sua pele nua. Estava cansado e não voltaria a ficar isolado naquela casa sombria, onde tinha pesadelos.

– Eu sinto falta da minha avó, sabe? E do meu tio, mas ele realmente não é meu tio. Ele me viu crescer e sempre foi muito gentil. Sabe, Einar, ele me contava muitas histórias quando eu era criança. – o cavalo resfolegou do outro lado – Posso te contar uma um dia. Não é que eu não goste daqui, mas eu me sinto sozinho. Wray é um bom amigo e creio que é a pessoa mais gentil daqui, mas... Quero meus tempos de paz de volta. Posso me sentir assim, certo? Sei que devo ser agradecido aos deuses por toda a minha sorte... Quero dizer... – ele bocejou – Não que ser escravo é uma sorte, mas porque meu dono é Van. Ele pode ser irascível e bastante difícil, mas nunca me bateu. Isso é bom, certo?

O cavalo não lhe respondeu daquela vez. Meine relaxou sobre sua nova cama, olhando para o teto de madeira. Não sabia explicar porque o contato dos pés na areia fria e o feno nas costas lhe eram tão aprazíveis. Seu medo se dissipava gradativamente conforme era embalado pelas sensações. Era como se uma boa energia fluísse da terra para ele.

– Você sabia que de onde eu venho se pode ver o mar? Você já viu o mar, Einar?

Meine não soube por quanto tempo falou, tampouco soube quando finalmente dormiu.

–*-*-

A lua estava no alto do céu enquanto Svan e seus guerreiros Berserkers — que se resumiam praticamente em toda o vilarejo, homens e mulheres, jovens e adultos — se dirigiam à fronteira de seu território. Os demais estavam conduzindo toda a magia de seus corpos em oração ao deus Odin, no templo do alto do morro, próximo a vila.

Svan tinha estado ciente de que seu território havia sido invadido, ele só não imaginava ter de encontrar três povos para ameaçá-lo. Os Berserkers eram muitos, e conhecidos por sua força e raiva. Eram lutadores de ponta, temidos por todo o continente. Normalmente eles também não era vistos por bons olhos, até mesmo como homens cruéis que despedaçavam pessoas em batalhas e bebiam seu sangue em sinal de vitória.

Poderia até concordar sobre ter seus inimigos mutilados durante a batalha, porém beber sangue estava completamente fora de seu ritual vitorioso.

– Vejo que temos uma visita muito especial hoje. O que dar-lhes as graças de estarem em meu território tão tarde da noite?

Estavam presentes os lideres das tribos vizinhas. De Ulfhednar, do clã dos elfos das trevas e do clã dos elfos das sombras. Faziam muitos anos desde que os quatro grupos haviam se encontrado cara a cara. Ele havia até mesmo esquecido como se pareciam seus irmãos lobos de Ulfhednar e os elfos que tanto batalhavam à floresta de Saranmir.

– Algo está errado, irmãos. — Disse Skoll, o líder de Ulfhednar, à Svan. Eles eram um povo que cultuavam os lobos como seus descendentes, e respondiam diretamente a Odin assim como eram os berserkers. Eles eram parecidos, porém os berserkers não cultuavam diretamente os ursos, mas eram construídos como eles. — Nosso oráculo tem previsto grandes tragédias em nossas terras, se não encontrarmos Phaeleh. E diz ele que está em suas terras, caro Svan.

Svan foi surpreendido ao saber disso. Phaeleh, era o nome sagrado dado àquela criatura que era considerada aos deuses como uma fada santa, o equilibro entre o bem e o mal das criaturas élficas.

Ele não gostou de saber que um maldito oráculo havia previsto isso. Foi tão óbvio de quem suspeitar esta posição, embora seu coração, mente e alma não quisessem de maneira nenhuma acreditar que a maldita responsabilidade tinha caído em suas costas.

– Sabe muito bem como temos batalhado por nossas terras há seculos desde que temos fronteiras uns com os outros. — Pronunciou Yusuf, o elegante líder do clã elfo das trevas. Ele era um enganador, Svan sabia, sua aparência pequena e frágil mentia sobre um homem com o poder de mover montanhas e esmagar vilas inteiras. — Mostre-nos o que tens escondido, maldito Berserker!

– Yusuf! — Gritou Darius do forte clã dos elfos de luz. Ele era um verdadeiro homem a ser admirado, embora não tivesse qualquer ligação com o clã de Svan ou qualquer iniciação de amizade ou parceria. Eles também nunca haviam sido inimigos, Svan havia feito o seu máximo nas negociações violentas de Yusuf e tentando não envolver-se com Darius.

Este era o pior fato sobre suas terras. A divisão quase tão exata contra três bandos de espécies distintas, dois deles sendo inimigos mortais que brigavam dia e noite por sabe lá o que, que Svan não compreendia.

Mas ele não estava dando o Phaeleh a estes homens, muito menos oferecendo-lhes uma xícara de chá. Ele estava preparado para qualquer luta, e iria proteger seu território se eles contra atacassem.

Mas era claro que ele iria evitar isto, todo o seu clã estava aqui disposto, mas ele não queria feridos ou mortos. Ele os queriam intactos, pois seu clã era sua família, e Svan faria o máximo para poupá-los enquanto fosse possível agil racionalmente em uma negociação.

– Não faço ideia do que falam. Nós apenas conseguimos uma cota de escravos trabalhadores há alguns dias. Nada de especial. — Svan declarou, tentando o seu máximo para parecer sincero e mentir sobre estar curioso. — Mas o que o oráculo de vocês quis dizer com Phaeleh? Todos nós sempre soubemos que se trata de um mito!

– Não é um mito seu maldito urso nojento! — Gritou Yusuf em uma raiva constante, e inquieto como se estivesse louco por uma batalha sem motivo.

– Yusuf, cale a boca! Svan é nosso vizinho, não o destrate se quer poupar seus guerreiros de uma batalha sem motivos! — Darius retrucou, este sim era de acordo com como seu clã dizia ser, "elfos da luz". Ele era construido elegantemente, porém forte e tendo os músculos certos. Svan tinha certeza que uma luta com o homem de longos cabelos loiros e barba acentuada, iria lhe ser uma dor na bunda.

– Não se meta, maldito intromedito! Você e seus elfos florzinha não devem se dirigir a palavra a mim. — Yusuf tinha um gosto por xingamentos, a cada vez sendo mais criativo. Ele não gostava de repetições.

– Calem-se vocês dois. — Skoll protestou, ignorando toda a chuva de reclamações de Yusuf e a carranca de Darius, para continuar com Svan. — Tens certeza irmão? -Nosso oráculo nunca nos desapontou antes... Ele inclusive nos fez previnir os elfos sobre esta tragédia que nos acerca. Ele diz que não sabe o que exatamente nos acontecerá... Mas que Phaeleh é o único que pode salvar a todos nós de passar por isso.

– Ele diz que Phaeleh está em nossas terras? — Svan cruzou os braços sobre o peito, sua pele pintada com a simbologia de seu clã reluzia apenas pelas tochas acesas pelos seus guerreiros e a lua. — Lembre-se que estamos numa fronteira entre quatro clãs... Isso pode significar que Phaeleh pode estar se escondendo em qualquer das aldeias.

Skoll era um homem de mesma estrutura de Svan, e embora ele fosse confiável em sua palavra e um grande homem, ele não supria forças quando tinha que batalhar, e Svan estava suspeitando se talvez eles não acreditassem nele e tentassem invadir seu clã para buscar Phaeleh.

O líder dos Ulfhednar olhou para os outros líderes, o olhar intenso do grande Darius e o revirar de olhos entediado de Yusuf.

– Você pode estar certo... Mas não deixe de nos informar caso encontrem-o. — Disse com um olhar penetrante, tentando encontrar brechas no olhar de Svan, como se pudesse revelar a verdade através deles, porém nada conseguiu do líder Berserker.

Skoll subiu em seu cavalo cinzento e vestiu a pele de lobo sobre seus ombros, com uma enorme caveira do canino sobre sua cabeça.

– Nos vemos! — Disse ele com um adeus, antes de dirigir-se longe em seu cavalo, e lobos deixaram as sombras para seguí-lo, dentre seus guerreiros que o tinham aguardado com espectativas.

Yusuf não pensou duas vezes em seguir sua própria rota para a direção oposta. Já Darius fitou Svan com certa desconfiança e uma intensidade em seu olhar, que quase — quase mesmo — fez Svan engolir em seco. Ele o assistiu ir pela direção oposta de Yusuf e sumir em meio a escuridão com seus guerreiros élficos.

Enfim Svan suspirou, guardando a si próprio o conhecimento de que aquele maldito oráculo havia visto Meine. Que outra explicação teria? Meine era o único novo integrante de seu vilarejo, o único elfo deles e um albino misterioso.

Ainda não queria acreditar que uma guerra era capaz de ser travada porque ele sentiu o dever de proteger um escravo.

Onde estava sua dignidade? Sua honra e zelo pelos seus semelhantes? Ele estava defendendo um escravo!

Frustrado e indignado consigo próprio, Svan ignorou os chamados de seu povo e seus amigos guerreiros, para subir em seu grande cavalo negro e galopar a frente e rápido, cortando qualquer ligação com os outros enquanto sua mente tentava determinar o que ele faria agora.

Entregaria Meine a Skoll ou qualquer um dos outros líderes de clãs diferentes? O que iria acontecer com seu clã se agora revelasse que estava escondendo um elfo misterioso que provavelmente eram do qual eles falavam? O que aconteceria com Meine?

Svan balançou a cabeça, tentando ignorar a dúvida e acreditar que Meine era apenas uma suposta coincidência. Ele não era o Phaeleh... Ele não poderia ser, certo?

Apenas se inclinou em seu cavalo, deixando o mesmo liderar a corrida de volta para casa e pelo campo. A brisa gélida o fez desvanecer um pouco de suas preocupações. Só esperava que sua paz, até pouco cultivada em sua amada tribo, permanecesse por um longo tempo.

–*-*-

Quando Wray voltou para o clã, ele levou o seu cavalo e os demais para o estábulo ao lado leste. Este era um pouco mais afastado da vila, exatamente por haver espaço suficiente para os cavalos pastarem durante o dia. Skylar tinha estado com ele neste trajeto, estranhamente quieto.

– Deixe alguns já saírem para pastar, o sol nascerá em breve.

Skylar assentiu, abrindo os portões de madeira para o pasto reservado aos cavalos, o mesmo era rodeado por cercas de madeira branca, evitando assim a fuga ou perca dos animais. Os Berserkers eram um povo que não costumava ser nômade, eles tinham então o seu próprio meio de agricultura, moeda, assim como a pecuária da qual eles cuidavam muito bem.

– Wray... Você ouviu claramente o que os líderes estavam discutindo?

Wray olhou para ele enquanto preenchia o cocho, esvaziando um balde de água dentro. O cavalo dourado que ele costumava montar, bebeu avidamente pelo cansaço. — Claro. Você tem suspeitas?

– Eu não sei. O que poderia ser o Phaeleh? — Skylar evitava o olhar de Wray por algum motivo. — Talvez ele... — Apontou para a baia do outro lado de onde Wray estava.

Forçando as vistas para tentar entender do que Skylar dizia, o arqueiro encontrou uma cabeça branca contra o monte de palha amontoado sobre um canto. Ele deixou o que fazia, e caminhou lentamente para a baia onde Meine estava deitado de forma desengonçada sobre o feno e ressonava tranquilo. Suspirou fundo ao se tocar de que se tratava do garoto. Mas que diabos fazia ele aqui?

– Está se perguntando por que ele está aqui, não? — Skylar perguntou divertido. — Será que ele ficou solitário enquanto estivemos fora?

Wray sabia que esta pergunta provavelmente também era uma resposta. Todos os mais fortes do vilarejo se juntavam para proteger seu território em momentos como foram os dessa noite, sendo que os mais fracos iriam se entregar a Odin no altar do monte. Meine provavelmente não tinha sido avisado sobre tal fato.

O arqueiro se ergueu e se aproximou de Skylar, apontando o dedo para o peito dele. — Não ousa pronunciar estas mesmas suspeitas para qualquer outro do clã, entendeu?

Skylar ergueu as mãos em defesa. — Acalme-se Wray, não direi nada a ninguém. Dou minha palavra... Mas não compreendo como Svan não entregou Meine prontamente aos outros clãs... Afinal eles ainda nem mesmo compartilharam qualquer intimidade.

Ele estava enganado, mas não sabia de tal fato.

– Eu não sei ou compreendo os motivos de Svan, isto é de importância somente dele. — Disse Wray sem rodeios. — Meine é inocente... Imagine que coisas desagradáveis poderiam vir a lhe acontecer caso fosse entregue logo de primeira aos outros clãs. Eles provavelmente iriam querer sacrificá-lo para algum deus ou quem sabe o tomariam com violência... Nunca se sabe.

– Você sempre pensa e diz o pior, Wray. — Sky balançou as sobrancelhas.

– Eu apenas estou sendo realista!

Nisso o garoto havia acordado e esfregava os olhos.

– Que horas são?

– Está amanhecendo, Meine. — Wray disse lhe com carinho em suas palavras. Sky revirou os olhos.

– Não entendo você Wray. Como pode ser tão manhoso com um mero escravo? Ainda por cima o escravo pessoal de Svan. — Sky se afastou quando o punho de Wray quase acertou-lhe em cheio a mandíbula. — Ei! Eu não disse por mal!

– Eu sei bem como é a sua forma mesquinha de pensar, Sky. — Wray estava apontando para ele e franzindo as sobrancelhas e Skylar tinha estado completamente desarmado com essa expressão. Nunca antes ele tinha visto seu amigo Wray esboçar uma expressão de raiva, no máximo indignação, porém não ódio. — Meine não era para ser um escravo... Ele tem valor, ele não é como uma casca vazia sem alma, ou algum fedelho imundo... Ele é... Ele é... — Wray olhou para o menino que estava espantado pela forma como ele tinha reagido. — Ele é importante para mim.

Skylar riu em deboche, porém Wray não se revoltou ou sequer olhou para ele. — Isso é hilário... Você sempre foi o mais sentimental de nós... Por que será hein? — Sky lhe provocou com um toque amargo em sua voz. — Será que você quer tomá-lo como um amante longe dos olhos de Svan? Isso não vai lhe cair bem, já vou avisando.

Meine assistiu com horror quando Wray se virou tão rápido quanto o vento e esmurrado Skylar bem ao seu lábio para fazer sangrar e ter o homem jogado contra a porta de uma das baias em um baque duro.

– Ouc! — Gritou ele massageando sua própria mandíbula. — Maldita força... Você realmente pode surpreender as vezes, não? — Sky não estava nada feliz depois de ser esmurrado. Ele se levantou ainda massageando seu queixo. — Eu vou ter minha vingança... Me espere! — E saiu a passos largos do estábulo.

O albino apenas observava Wray de costas para ele. Ele estava com as mãos tremendo.

– Você está bem?

Wray se virou para ele. — Eu não o vejo como um suposto amante. Saiba disso, Meine.

Meine sorriu para ele. — Você é meu amigo Wray... Agora meu único amigo. — Acrescentou com tristeza. — Mas eu ainda tenho você, e isso é suficiente para eu querer ficar.

O arqueiro se aproximou e se agachou próximo a onde o albino estava sentado sobre o feno seco.

– Por que diz isso? Você pretendia ir embora?

Meine fitou-o por um momento. — De verdade eu não pensei nisso desde que cheguei aqui... Apenas desejei poder encontrar minha avó de novo, sejá lá onde ela estiver.

Wray sorriu de lábios apertados e afagou os cabelos loirinhos de Meine. — Você cheira como esterco e cavalos, vamos para minha casa? O que acha de um banho ao ar livre? Nunca lhe contei, mas conheço um pequeno riacho secreto.

O sorriso que o menino lhe deu fora tão inocente e infantil que fez o coração de Wray derreter de um carinho bom, fazendo lhe esquecer de sua discussão com Sky.

Apenas esquecer um pouco, pois estava doendo bem fundo em seu peito. E mais uma vez não eram os seus pulmões fracos, mas sim seus sentimentos frouxos.

Isso é hilário... Você sempre foi o mais sentimental de nós... Por que será hein?

Estas palavras realmente o pegaram em cheio e continuavam se repetindo em sua mente.

Continua...

Notas finais
Miky-san: Espero que tenham gostado do capítulo!! Obrigada a todos por lerem Phaeleh ♥ Até a próxima!