Phaeleh I

33 Capítulo 33 – A impaciência de Skylar


Notas iniciais
Miky: Olá meus amores *-* Postando esse capítulo em comemoração ao meu niver o/ hahaha, espero muito que gostem! Apreciem a leitura ♥

Svan tinha estado muito mais alegre até meia hora passada. No entanto agora, sentia-se em um mar de pesadelos, em que sempre seu Meine seria levado embora.

– Estou agradecido desde que resgataram Hayliel em sua propriedade quando ele estivera em uma situação um tanto desafortunada. Os elfos das trevas estão rondando esta aldeia e eu não quero estar aqui sob sua hospitalidade por mais tempo. — Darius dizia de forma implacável. Ele não parecia que aceitaria bem um não. — Mas vamos ao que realmente interessa. Estou aqui pelo Phaeleh. E pelo direito dos elfos, eu o levarei sob os meus domínios.

Svan suspirou e cruzou os braços sobre o peito. Aquela situação certamente não terminaria da melhor forma.

No entanto ele não tinha ideia dos olhos que da janela os observava.

– Então se veio apenas por este propósito, eu sinto que tenha que recusar suas intenções, caro líder dos elfos. Meine continuará sob minha proteção e não irei negociá-lo ou entregá-lo de qualquer forma.

– Você irá recusar mesmo quando sua aldeia está dessa forma? — Darius gesticulou ao redor dele. — Me poupe que esteja falando realmente sério. Você está afundado, líder dos Berserkers. Não há forma de que possa resistir a uma guerra quando seus aldeões estão feridos, suas casas destruídas, sem dinheiro ou comida. Eu reparei em tudo enquanto estive neste lugar, eu sinto muito que tenha que começar uma guerra que para mim não há fundamento... mas Phaeleh é nosso, dos elfos brancos.

– Phaeleh pode ser um elfo, mas ele não pertence a ninguém, Darius. Os deuses me colocaram como seu guardião, pergunte ao seu oráculo, nós também temos um.

Darius estava surpreso, e fora a primeira vez que Svan viu essa reação nele.

– Desde quando?

– Nós descobrimos um entre nossos escravos. Um ser humano.

– Isso é um absurdo! — Darius pareceu fortemente considerar isso. — Traga-o a mim, necessito consultá-lo.

Svan não gostou nada disso. Embora eles estivessem apenas ambos de frente ao chalé de Wray, sabia muito bem que os elfos que vieram em segurança de Darius, estavam escondidos muito próximos e esperando para atacar caso fizesse qualquer movimento contra o líder deles.

– Deve me prometer que não irá nos atacar. Dê-me sua palavra de honra.

– Por agora não farei absolutamente nada para prejudicá-los Berserker, mas não posso garantir que o faça desde que o seu oráculo responda ao meu questionamento.

– Muito bem. — Svan se mostrou irredutível. — Antes de qualquer coisa, deixarei muito claro a você, Líder dos elfos. Meine veio para mim como um escravo pessoal, no entanto em momento algum nós o prendemos como um prisioneiro impedindo sua fuga. Dei-lhe o total direito de ficar e usufruir, assim como deixar o meu clã no momento em que desejasse. Mas ele não o fez, e eu não permitirei que ele faça nada contra a sua vontade.

Svan terminou com suas palavras e seguiu para sua casa principal, deixando para trás o líder dos elfos. Darius teve um impulso de olhar para a janela do chalé de Wray, notando que um garoto albino olhava para ele com curiosidade. E no momento em que fora flagrado, desapareceu atrás das cortinas.

– Muito interessante. — Disse a si mesmo. — Necessito conhecê-lo.

–*-*-

A chuva tamborilava no teto na choupana, e não se saberia dizer se era apenas o seu início ou se já era seu final. Quando Sky emergira para a consciência, aquele som tão tranquilizador o envolveu e sentiu que o ar ao seu redor estava um pouco frio, ressaltando o forte cheiro de terra molhada, floresta e madeira velha. Ele apenas repousou, envolto por algo quente e macio, descansando com os olhos fechados sem se preocupar com onde estava.

Por um ínfimo momento, temeu que estivesse de volta ao local onde o tinham torturado. Esperou encontrar o odor rançoso e áspero de vômito, urina e fezes, mas tudo o que havia era... Fresco. Ah, sim. Era tão fresco e delicioso. O cheiro da natureza, que já executava sua magia de cura em seu corpo. O som da chuva o acalmava e lhe trazia lembranças há muito esquecidas – Wray e ele, tão jovens e tão imaturos, banhando-se na chuva que açoitava a aldeia. Naquela época, Wray possuía cabelos curtos, na altura dos ombros, e seu rosto era muito mais jovial do que o que era agora. Eles riam, molhados e nus, sem qualquer traço de constrangimento.

Niels observava de longe, o rosto contorcido por uma careta de desprezo – momentos antes de Svan agarrá-lo e arrastá-lo para debaixo da água que caía torrencialmente. Enquanto Niels resmungava, eles riam. Niels não gostava muito de se sujar ou de brincar com eles. Ao final, inclusive ele se divertiu.

Sky suspirou. Sentia-se cansado.

Não havia um odor pungente ou vozes que destilavam escárnio... Então, onde ele estava?

–- Sinto que nosso convidado despertou – ouviu uma voz cantarolada de homem. A contragosto, Skylar se esforçou para erguer as pálpebras e parecia que havia areia em seus olhos, tornando o movimento doloroso. Pestanejou, engolindo um gemido de dor. Sua visão, por um segundo, esteve desfocada e todas as imagens dançavam diante de si, uma sobrepujando a outra, bailando descoordenadamente, até se fundirem e ele conseguir discernir o que se passava. Surpreendeu-se ao se deparar com o mais brilhante par de olhos dourados fitando-o. O desconhecido possuía o estranho aroma de floresta impregnado em cada parte do corpo e seu longo cabelo carmesim era cortado desfiado e levemente volumoso. A palidez de sua pele o fez pensar em Meine e toda sua brancura. – Olá, olá, olá.

Sky grunhiu, tentando reconhecer aquela face, mas nenhum daqueles delicados traços lhe recordavam qualquer pessoa que já havia visto. Era um rosto fino, ovalado, de nariz orgulhoso e cinzelado e altas maçãs do rosto. Os detalhes eram perfeitamente desenhados, como se os deuses estivessem inspirados no de sua criação. Sua estatura era mediana e o físico não era corpulento como o de Svan, tampouco delicado e diminuto como Meine, apesar de sua notável magreza de traços andrógenos. Ele usava roupas espalhafatosas, com uma camisa branca por debaixo de um gibão de couro fechado e um lenço vinho por dentro do colarinho. Sua calça era curta e justa, até os joelhos, onde se iniciava o cano de uma bota negra.

Sky nunca havia visto aquele tipo bizarro de vestimentas.

–- Você sabe falar, caro espécime masculino?

Sky pestanejou, confuso. Então, seus olhos pousaram nas orelhas pontudas por entre os lustrosos fios vermelhos e um rosnado escapou por entre seus dentes quando se forçou a se sentar e colar as costas à parede atrás de si.

–- Elfo! – bradou.

Uma súbita tontura o acometeu e ele sentiu o mundo gravitando em milhares de direções diferentes e simultâneas, fazendo seu estômago se revolver e dar um nó. O enjoo violento arrancou a cor de seu rosto e ele gemeu, incapaz de se manter firme enquanto o gosto ácido preenchia sua garganta, impregnando em sua língua, indicando que, caso se movesse abruptamente mais uma vez, ele cuspiria os órgãos para fora.

–- Que ofensa – o ruivo resmungou, empinando o queixo e aprumando orgulhosamente os ombros – Não me compare aos elfos!

–- Heike! – uma voz simpática, porém repreendedora, soou no aposento e Skylar estremeceu, abraçando o próprio corpo com força, como se assim fosse deter a náusea que o açoitava. Com os olhos semicerrados, viu uma senhora caminhar para dentro do quarto no qual estavam. Os pés pequenos dentro de botas de pele faziam o soalho gemer a cada passo. Inalando cuidadosamente o ar, Sky se deu conta de que ela era humana. – Heike, não acosse o rapaz. Ele ainda está se recuperando.

O ruivo franziu o nariz esnobe e deu de ombros, virando o rosto e se afastando da cama, rumando elegantemente para perto de uma lareira apagada.

–- Eu estava sendo educado, sabe, Mona – replicou o ruivo – Mostrando a ele que estava sendo acolhido. E sabe o que essa massa de músculos fez? – ele emitiu um ruído de desprezo que mais se assemelhou ao sibilar raivoso de um gato – Comparou-me a um elfo! Um elfo!

A tal Mona agitou a cabeça de lado a outro, desprezando o drama do ruivo com um aceno de sua mão. Skylar, desconfiado, observou cada movimento dos dois, sondando-os. Se fossem uma ameaça, ele teria de lutar. Não estava totalmente recuperado, tampouco forte o bastante para enfrentar uma batalha, mas jamais se renderia. Ele havia prometido a si mesmo que conquistaria Wray se sobrevivesse e assumiria sua sexualidade. Bom, ele sobreviveu. Chegara a hora de mostrar a Wray seus sentimentos e não poderia morrer até lá.

Será que ele sente minha falta?

Tentou se desvencilhar daquela linha de pensamentos, mas suas dúvidas eram muitas e não pareciam desejar deixá-lo em paz. Ele sentia uma ânsia desesperada para sair dali, não por seu instinto urrar ameaça, mas por um inexplicável desejo de estar em casa, em sua aldeia.

De consertar a merda que havia feito.

Focou-se nos dois estranhos diante de si – a mulher, mesmo idosa e humana, ainda poderia representar algum perigo e ele não a subestimaria. Ainda sentia na carne a dor que aqueles humanos lhe causaram e seu desprezo por essa raça estava crescendo a níveis incomensuráveis. O ruivo... Se não era elfo, o que era? Possuía a mesma compleição esbelta e forte, de movimentos ágeis e majestosos, quase felinos. E as orelhas... Aquelas orelhas eram de elfo. Sky não entendia.

Por que aquelas pessoas o salvaram de morrer? Também queriam informações sobre Phaeleh? Queriam conquistá-lo para fazê-lo confessar, optando por um método mais sutil de persuasão?

A humana, Mona, foi até uma espécie de panela de barro em forma de U, usando uma tigela para tirar o conteúdo líquido de seu interior e derramá-lo sobre uma terrina. Ela encheu o recipiente antes de abandonar a panela e se voltar para ele, caminhando lentamente, como se suas pernas não suportassem uma velocidade mais elevada. Ela se mostrava frágil e bondosa e Sky não confiou nisso. Não tirava de sua mente que ela poderia representar uma ameaça.

–- Aqui, querido – ela disse carinhosamente, estendendo a terrina com o caldo estranho para ele. As narinas de Skylar dilataram e contraíram quando farejou, e ele grunhiu, o estômago apertando pela fome que fez seu corpo se acender abruptamente. – Coma para recuperar suas forças.

Ele exibiu os dentes para ela e rosnou ameaçadoramente.

–- Cuidado, Mona, se ele morder, você pode adoecer.

–- Heike! – a mulher repreendeu novamente, lançando um olhar quase aborrecido para o ruivo estranho. Ele arqueou as sobrancelhas como se não esperasse aquele tipo de reação.

–- Por que sinto que me acusa?

–- O menino está doente, deixe-o em paz!

Heike rangeu os dentes.

–- O que há de menino nisso? – ele gesticulou para abranger todo o corpo de Skylar – Ele é todo macho alfa reprodutor – desdenhou – Não há nada de menino.

–- Elfo – Sky rosnou.

A careta de Heike, inclusive, foi cômica – ele ficou boquiaberto em ultraje, logo rangeu os dentes em irritação novamente e se aproximou da cama baixa na qual Sky repousava. Mona arqueou uma sobrancelha para ele e foi o bastante para que interrompesse seu avanço na metade do trajeto.

–- Me chame de elfo novamente e vou cozer seu pênis para o almoço de amanhã.

–- Heike! Os modos, Heike!

Sky abriu um meio-sorriso desdenhoso.

–- Está querendo me comer, elfo? Sinto muito, mas não gosto dessa sua espécie magrela. Ossos não me alimentam.

Mona colocou o recipiente com a comida sobre a mesa e pôs as mãos na cintura, oscilando o olhar entre ambos, como se estivesse se decidindo quem merecia uma sova primeiro. Heike, por sua vez, jogou o cabelo bonito por sobre o ombro e se aproximou da cama, pisando no colchão com uma bota e apoiando o cotovelo em um joelho enquanto se debruçava na direção de Sky. Seus olhares se encontraram e se prenderam inexoravelmente, travando ali uma silenciosa escaramuça de vontades, onde o primeiro a ceder perderia terreno. Sky era muito cabeça-dura para se deixar ser subjugado, principalmente por uma criatura de origens não definidas.

–- Criatura horrenda – replicou Heike, empinando o nariz aquilino novamente – Quer que te jogue uma maldição para esse seu... – ele olhou com asco para o membro de Sky sem sequer corar de constrangimento pelo Berserker estar nu e tão próximo – aparato de merda nenhuma nunca mais subir? Oh! – ele riu forçadamente – Ele não funciona, não é?

–- Meninos! – Mona gritou em tom de repreensão.

–- Isso tudo porque não quero essa bunda gordurosa, elfo?

–- Os modos! – Mona gritava – Tenham modos!

–- Mas que gritaria é essa?

Todos eles se voltaram para o homem que abriu a porta de supetão, batendo-a violentamente contra a parede. Ele era velho como Mona, mas o que chamava a atenção em seu semblante era a carranca que deformava suas feições, acrescentando dezenas de rugas a mais que não deveriam ainda estar ali. Ele semicerrou os olhos para os três e, por um momento, isso fez Sky pensar no pai de Svan. Havia o mesmo ar e autoridade e respeito através do medo exalando daquele homem. Era humano como a mulher, mas... Perigoso, de alguma forma. Sky instantaneamente despertou para um estado em alerta que retesou cada músculo em seu corpo e o deixou tenso.

–- Os meninos precisam ter a boca lavada com sabão! – Mona alfinetou, encarando os dois como se fossem duas crianças brigando por um brinquedo – Isso não é coisa que se diga!

O velho caminhou até eles, os olhos fixos de forma cruel nos dois. Sky notou que Heike engoliu em seco e havia uma pitada de medo exalando dele, como se o velho, mesmo humano, de certa forma o aterrorizasse. Heike se afastou da cama e iniciou o intrigante processo de alisar as próprias vestes, como se, magicamente, elas se encontrassem amassadas. Sky manteve a atenção voltada para os três, principalmente no velho ameaçador.

–- Estava eu alimentando os cavalos quando escuto toda essa balbúrdia – resmungou o homem – Os animais estão assustados agora. – ele apontou um longo esquálido dedo pálido para Sky, como um osso direcionado para seu nariz – E você, Berserker, é bom que se comporte, pois estes dois salvaram sua vida – e ele mudou o foco do dedo ossudo para o elfo que não era elfo – E essa fada maldita cuidou da sua bunda enquanto estava ferido demais para saber seu próprio nome.

–- É, bom... – Heike ainda alisava as roupas nervosamente – Foi apenas um pedido de Mona – balbuciava quase ininteligivelmente e Sky franziu o cenho – Quem sou eu para negar, não é? – então, seu rosto se ergueu rapidamente e os olhos muito claros e muito brilhantes se abriram gradativamente conforme as palavras do velho se assentavam em sua mente – Fada de novo?

–- Oh, deuses – Mona cobriu o rosto com as mãos, exasperada.

Ao que parecia, as pessoas daquela choupana possuíam uma quantidade infindável de energia para discutir.

–- Sim, fada – repetiu o velho – Não é o que você é? Fada, elfo, duende, o que seja – ele deu de ombros com indiferença e bufou – Mesma coisa.

–- Está me ofendendo novamente! – Heike esbravejou, batendo a bota no piso de madeira – Já disse que fada é um termo pejorativo criado por humanos para se referir a nossa nobre espécie.

Sky, então, pousou um olhar mais atento ao rapaz esbelto. Não havia nada em sua fisionomia que indicasse ser um pertencente das Cortes Seelie e Unseelie. Basicamente, assemelhava-se a um elfo, entretanto, não possuía a mesma magia de pureza que os envolvia. Ou a maldade crua. Heike era... Uma energia em movimento, como uma presença magnética, atraindo o olhar de quem estivesse em sua cercania. Sky não saberia dizer a qual Corte ele pertencia, talvez por ser a primeira vez que estava diante de um fae. A emoção da descoberta o percorreu e ele sequer se deu conta de que sua reserva em relação aos estranhos estava arrefecendo por conta do deslumbramento de encontrar uma criatura celta.

Heike se voltou para ele, parecendo constrangido pela primeira vez, como se notasse, então, que Sky mantinha os olhos postos em sua figura e sequer pestanejava ao olhá-lo.

–- O que foi? – indagou acidamente, não perdendo o fogo nos olhos e na voz.

–- Você é celta?

As sobrancelhas ruivas se ergueram pela inesperada pergunta e os lábios finos se entreabriram. Seus olhares se conectaram novamente e Sky tentava buscar nele qualquer traço que indicasse sua origem.

–- Oh – ele passou a mão pelo cabelo escarlate e logo as comissuras de seus lábios se repuxaram em um sorriso desdenhoso – Então, a criatura da mata sabe um pouco dos celtas. – e riu, esnobe. Sky revirou os olhos ante seu atrevimento – Sim, eu sou uma das muitas criaturas mágicas celtas. Sou um fae da Escócia. – e ergueu o queixo orgulhosamente.

–- Os fae não deveriam ter asas?

Seus olhos se estreitaram.

–- Eu tenho. Mas vocês não podem vê-las.

Sky arqueou uma sobrancelha, provocador.

–- Isso me soa como uma mentira.

O velho humano anuiu com a cabeça.

–- Também acho isso.

–- Não zombem do menino – advertiu Mona – Heike não é mentiroso.

Ele balançou a cabeça, concordando.

–- Obrigado, Mona – aquiesceu.

–- Mas ainda parece uma mentira – disse o velho – Apenas você pode ver essas asas?

–- Muito suspeito – disse Sky.

–- Querem parar? – vociferou Heike, esbaforido – As asas mágicas de um fae são sua fonte de poder e... Ah, esqueçam! – ele levou as mãos aos cabelos e bagunçou as mechas, impaciente e aborrecido. Sky quase riu disso, pois o fez lembrar de Niels quando zombavam dele – Ignorantes rústicos.

Sky enrijeceu quando o colchão tremulou quando Mona se sentou ao seu lado e colocou amorosamente a mão sobre a dele, que era tão maior, tão mais bruta. Ele notou o contraste – a pele enrugada e de veias salientes em contato com a dele, que era calejada e cheia de cicatrizes. Ela o afagou distraidamente, como se ele fosse um filho que, após tantos anos, houvesse retornado para casa. Skylar não conseguia compreender aquela bondade despropositada, aquele gesto tão singelo.

Como poderia não haver um interesse malicioso nisso?

–- Mona – o velho falou duramente e, tanto ela quanto Skylar ergueram a face para fitá-lo. Sky sentiu o cheiro de tristeza da mulher como se fosse a chuva que caía fracamente lá fora, e estava tão perto, tão próximo... que uma parte dele se condoeu. Era uma dor crua.

–- Você sente, não é? – Heike perguntou baixinho. Skylar encontrou seu olhar, mas nada disse. De repente, até o fae parecia um tanto quanto deprimido e ele dirigiu os olhos incomuns para a senhora humana – A tristeza dela.

Então, Heike também sentia?

Ele não se atreveu a perguntar o que era aquele sufocante sentimento que crescia dentro da mulher. Resguardou-se em si mesmo, rogando aos deuses para se recuperar mais rapidamente e poder voltar para sua aldeia.

Continua...

Notas finais
Miky: Obrigada por ler ♥ Espero que tenha gostado! Até breve! Beijinhos