Peter Johnson E Os Olimpianos

14 VISITAMOS O ANTIGO SOGRO DE REBEKAH


Quando Rebekah finalmente entrou no carro, ela ainda parecia em choque e muito abalada, como se estivesse prestes a desmaiar. A única coisa que ela fez foi dizer a Argos que ele já podia ligar o carro.

Por algum tempo ficamos em silencio, mas acho que foi a coisa errada a fazer, já que deu um ar fúnebre ao trajeto. Enfim, Rebekah pareceu voltar ao normal e começou a me contar a historia do Monte Santa Helena.

- Durante a primeira guerra dos deuses contra os Titãs, o monstro Tifão foi um dos maiores desafios que os deuses tiveram que enfrentar. Quando eles o derrotaram, aprisionaram-no sob o Monte Santa Helena. Apesar de essa ser a forja favorita de Hefesto, o deu teve que retirar-se dela porque o monstro estava se agitando quando Cronos estava ressurgindo. Dois anos atrás...

-Porque tudo aconteceu dois anos atrás? – perguntei.

-Porque dois anos atrás houve a segunda guerra dos deuses contra os Titãs, Peter. Muita coisa aconteceu – ela me explicou e depois continuou a historia – Dois anos atrás, o monstro se libertou e atacou os deuses. Eles ganharam e reaprisionaram Tifão. Hefesto finalmente pode voltar a usar sua forja preferida. E fim.

-O monstro pode sair de novo? – perguntou Sophia do banco da frente – Por que isso não ia ser muito legal.

-Ele ate poderia, se houvesse uma grande erupção ou algo do tipo – Rebekah respondeu pensativa – Mas ele não atacaria ate que Cronos estivesse com poder de novo. Sozinho ele não seria tão poderoso. Não seria inteligente se arriscar.

Depois desse comentário extremamente encorajador ficamos em silencio. Argos fez uma curva a esquerda e eu esmaguei Rebekah contra a porta.

- Depois eu que causo acidentes no banco do meio – ela disse rindo.

Eu ia responder, mas ela me interrompeu.

-Chegamos!

Argos parou o carro e esperou que os três saíssem. Depois arrancou em extrema velocidade sem olhar para trás nenhuma vez. O Monte Santa Helena era basicamente um vulcão muito grande, do pico saia uma linha de fumaça.

- Não vamos ter que escalar certo? – perguntei um pouco nervoso.

-Não – respondeu Rebekah encarando concentradamente o chão – Eu estou procurando a marca...

-Que marca?

-Ate três anos atrás...

-Puxa, dessa vez são três anos – exclamei ironicamente.

- Não se anime, também tem a ver com Percy Jackson – ela disse, ainda sem tirar os olhos do chão – Enfim, ate três anos atrás, a entrada do Monte Santa Helena era no Labirinto do Minotauro...

-Minotauro como na lenda do cara que tinha corpo de boi?

-Sim, Peter, o Labirinto do cara que tinha corpo de boi. O Labirinto foi destruído quando Dédalo se matou durante a Batalha do Labirinto – ela percebeu que eu não tinha entendido nada e tentou me explicar de outro jeito – Você sabe quem é Dédalo?

Assenti, eu não sou idiota.

-Então, o Labirinto era ligado a força vital dele. Ou seja, se ele morresse o Labirinto seria destruído. Por isso mesmo que ele se matou – eu estava prestes a perguntar o que isso tinha a ver com ela estar encarando o chão como uma retardada, mas ela me interrompeu – Como o Labirinto não existe mais, não havia entrada para o Monte Santa Helena. Acontece que Hefesto construiu outra entrada e marcou nela o símbolo de Dédalo para homenagea-lo.

-Então você esta procurando a marca de Dédalo? Para entrar no vulcão sem precisar escalar o...

-Achei! – ela gritou me interrompendo – Aqui!

Ela tocou o chão e uma marca em forma de triangulo começou a brilhar em azul. Um buraco apareceu no lugar em que a marca estava e foi se alargando ate o tamanho de um fusca. Eu podia ver o inicio de uma escada descendo pela terra, mas depois ficava muito escuro.

Rebekah desceu primeiro segurando o celular, depois ligou-o para que pudéssemos enxergar. O túnel continuava para frente.

-Não gosto daqui – murmurou Thales – Odeio o subterrâneo. O cheiro é tão forte.

Sátiros podem sentir o cheiro de monstros. O problema é que no subterrâneo esse cheiro eh muito mais forte por causa do submundo e tal.

Assim que Sophia terminou de descer as escadas e chegou onde estávamos, o buraco se fechou, prendendo-nos no túnel. Seguimos em frente.

Depois de pouco tempo, o túnel começou a subir. A subida era bastante íngreme, mas durou pouco tempo. Quando ter como iluminação apenas a fraca luz do Iphone de Rebekah começou a me irritar, eu vi o fim do caminho. O tune terminava em uma plataforma sustentada por correntes e ficava alguns metros acima da lava fervente que ainda parecia estar ativa no vulcão.

Na plataforma havia diversas invenções diferentes, incluindo alguns autômatos. Alguma coisa muito grande estava coberta por um lençol gigante meio sujo. Onde o lençol terminava, podíamos ver que alguém estava deitado embaixo da coisa grande.

Hefesto saiu debaixo de sua invenção e encarou-nos com curiosidade. Ele vestia um jaleco de mecânico, sua barba e cabelo chamuscavam em vários lugares. O que realmente me chamou atenção foi seu rosto. Ele era incrivelmente deformado.

-E então? – ele disse, como se tivesse feito alguma pergunta e esperasse a resposta faz tempo – Quem são e o que querem?

-Eu... Thales – apresentou-se o sátiro tentando ser corajoso.

-Sophia – ela seguiu o exemplo dele – Ei, eu sou uma filha de Afrodite! Legal,, não?

-Minha esposa – o deus grunhiu – Pense em uma mulher complicada! E ainda tem toda aquela confusão com Ares... Enfim, os outros dois vão se apresentar ou preferem que eu conserte seus cérebros?

-Rebekah – apresentou-se Rebekah – Já nos conhecemos, senhor.

-Sim, Rebekah! – reconheceu Hefesto – Você era a namoradinha do Theo não era?

Rebekah corou quando assentiu. Percebi que Hefesto não falava de Theo com tristeza, ele parecia lidar bem com a morte.

-Senhor? – eu chamei. O deus virou-se em minha direção – Theo era... seu filho?

-Sim – ele respondeu – Mas o que quer dizer com era? Theo ainda é meu filho!

-Claro senhor... – eu tentei me corrigir, então ele não lidava bem com a morte, apenas não acreditava que o filho tivesse morrido.

- E quem eh você? – interrompeu-me Hefesto.

-Peter – respondi.

- Peter Johnson? – ele me perguntou. Aquilo realmente não parecia bom.

-Sim, senhor...

-Minha mulher me contou sobre você – ele disse com desprezo – Ela anda muito interessada, sabia? Ela disse que sua vida amorosa eh muito interessante...

Recuei alguns passos ate encostar-me ao parapeito. Conforme Hefesto ia ficando mais irritado, a lava borbulhava em baixo da plataforma.

-E que a ultima vez que ela viu uma vida amorosa tão interessante foi com Percy Jackson – continuou o deus – E que agora, esta em um ponto critico... VOCE ACHA QUE EU ME IMPORTO? NÃO LIGO PARA VOCE E PARA SUAS NAMORADINHAS ESTUPIDAS!

-Senhor... – parecia que Rebekah ia tentar acalma-lo, mas Hefesto se voltou contra ela.

-E você, nem tente falar comigo! Como você ousa trazer um namorado aqui? – agora, o calor estava praticamente insuportável por causa do movimento da lava, mas ele não parecia perceber – COMO OUSA?

De repente, Rebekah começou a brilhar como Atena fizera para desaparecer.

- Deem as mãos – pediu ela. Nos apenas encaramos ela, ainda em choque pelo brilho – Por favor!

Relutantes, demos as mãos enquanto o brilho aumentava. Por reflexo virei o rosto bem na hora que a luz ficou ofuscante. Desaparecemos quando a erupção começou.