Peter Johnson E Os Olimpianos
15 DESCOBRIMOS QUE HADES TAMBEM QUEBROU O JURAMENTO
Estávamos no Submundo. Eu tinha certeza absoluta disso. Como havíamos chegado ali em menos de um segundo? Não tenho a menor ideia.
-Como... Você... Fez... Isso? – perguntei a Rebekah.
-Eu... Não sei – ela respondeu – Eu só queria muito ir embora e depois eu não sei.
- Por mais improvável que seja, acredite, todos queríamos sair do vulcão entrando em erupção com um deus irritadíssimo dentro – ironizou Sophia – Não é incrível?
- O cheiro daqui. É horrível! Simplesmente horrível! – reclamou Thales – Monstros, em todos os lugares!
Não sei bem se alguém ia dizer alguma coisa, mas naquela hora três fúrias apareceram e nos carregaram pelos braços. Alécto, a Fúria que eu encontrara na chegada ao Acampamento estava carregando dois passageiros, Rebekah e Sophia. As outras duas carregavam a mim e Thales.
As meninas se balançavam e batiam na Fúria que as carregava e ela quase derrubou as duas.
-Só uma dica – disse Alécto irritada – Se eu morrer, vocês caem.
Estávamos voando a vinte metros e uma queda não podia acabar bem.
- O que vocês querem? – perguntei.
-Você vera! – respondeu a Fúria que me carregava – Sim, vera!
Elas nos soltaram-nos no meio do jardim assim que chegamos ao castelo. O lugar era absolutamente indo e assustador. Haviam vários canteiros cheios de plantas douradas e pedras preciosas. Arvores brancas e esqueléticas estavam dispostas em bacias de mármore.
Em uma varanda com vista para os campos de Asfodelos estavam dois tronos. Hades estava no trono feito de ossos e sua esposa, Perséfone, no prateado.
O deus dos mortos era alto, seus olhos e cabelos eram negros. Sua pele era quase tão branca quanto seu trono. Ele usava o mano que eu vira em meu sonho, aquele com os rostos de almas atormentadas.
- Finalmente! – disse o deus sorrindo de um jeito sinistro – Eu estava bastante curioso para conhecê-los.
A rainha estava me encarando com curiosidade.
- Pode entregar o convite a Alecto por gentileza? – ele pediu.
Peguei o convite e o ergui no ar. A Furia passou voando por cima de mim levando o convite.
- Eu ia fazer alguma coisa importante não ia? – Perguntou Hades.
-Sua filha – resmungou Perséfone.
-Certo – lembrou-se o deus – Obrigado meu amor.
Ele alisou o manto.
-QUER IR LOGO COM ISSO? – irritou-se a rainha – Já é o suficiente que tenha que fazê-lo e ainda fica demorando!
-Desculpe, querida – ele respirou fundo e olhou em nossa direção – Rebekah, você é minha filha.
A recém descoberta filha de Hades se sentou no jardim. Parecia que ela ia desmaiar.
-Não havia lhe contado antes porque era muito perigoso, mas acho melhor que você saiba logo – ele se mexeu desconfortavelmente no trono – Não muito animante. Filhos dos Grandes Deuses espera-se sempre ser filho de Zeus ou Poseidon, mas Hades? É uma piada não?
Rebekah levantou a cabeça e encarou-o ameaçadoramente.
-Desculpe – ele se encolheu – Só quis dizer, que é desapontante. Eu sei.
- Isso não eh desapontante – ela falou pela primeira vez. Sua voz estava tremida – O problema eh que os três quebraram o juramento! Os três!
Hades suspirou envergonhado. Persefone sorriu.
-Conte a ela – pediu ao marido – Conte logo!
- Não, é melhor assim! – respondeu Hades.
- Então eu já posso leva-los? – ela perguntou.
-Levarmos onde? – perguntei.
-Persefone pode leva-los a Demeter. Ela sempre sabe onde a mãe está – me contou o senhor dos mortos.
-Podemos ir? – ela insistiu.
-Espere –pediu Rebekah, depois se dirigiu ao pai – Você pode vir aqui em baixo um momento?
Ele desapareceu e voltou a aparecer onde estávamos. Sua filha havia se levantado.
Rebekah abraçou o pai deixando todos, incluindo ele mesmo, chocados.
- Não é — ela disse – Desapontante, eu quero dizer.
O deus sorriu e eu tive a impressão de que aquela era a única vez que veria isso.
- Muito bem – disse a rainha – Agora já podemos ir?
Assentimos e ela começou a brilhar.
-Segurem-se em mim.
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