Peter Johnson E Os Olimpianos
16 PERSEFONE REENCONTRA A MAE
Quando olhei em volta, percebi que eu estava em um campo de trigo. Rebekah parecia bastante assustada.
-MAE! – chamou Perséfone.
-Aqui querida! – respondeu Demeter.
Seguimos a voz ate uma mulher mais velha que era obviamente mãe de Perséfone. Ela tinha o mesmo cabelo e os mesmos olhos. Ela usava um vestido dourado, da cor do campo em que estávamos. Seu cabelo estava trançado com palha seca.
-Mamãe! – gritou a rainha do submundo enquanto corria para abraçar a mãe.
-Ola, minha querida – disse Demeter retribuindo o abraço da filha. Me perguntei se ela era assim tão próxima de seus filhos do Acampamento e tive certeza que a resposta era não.
Quando as duas se separaram, a deusa mais velha olhou-nos.
-Quem são esses? – ela perguntou enquanto nos analisava.
— Peter Johnson, filho de Poseidon. Sophia Beauregard, filha de Afrodite... – Perséfone começou a apresentar-nos. Sophia se encolheu quando a deusa pronunciou seu sobrenome e Thales e Rebekah encaram-na com assombro – Thales Antunes, sátiro. E Rebekah Brunette, aquela filha de Hades.
-Certo, prazer em conhecê-los – cumprimentou-nos Demeter – Agora, por que estão aqui?
-Temos algo para você – eu disse entregando-lhe seu convite. Agora faltavam cinco.
-Vocês parecem com fome, por que não entramos e vocês fazem um lanche.
Imaginei que ela fosse nos levar para um castelo e fossemos comer hambúrgueres com refrigerante. Estava muito enganado. Demeter nos conduziu para fora do campo de trigo ate uma casinha simples de fazenda. Depois ela nos entregou tigelas com cereais e foi conversar com a filha na varanda.
— Voce eh irma de Silena Beaurgard? – perguntou Thales para uma Sophia extremamente envergonhada– Mesmo?
— Tipo, a Silena Beaurgard? – completou Rebekah.
-Sou – respondeu Sophia se encolhendo ainda mais – Mas não conto para as pessoas por causa disso. Passam a esperar grandes coisas de mim, mas eu não sou como ela. Heroica e... Incrível.
Ela mexeu em sua tigela e suspirou.
-Será que poderíamos, por favor, mudar de assunto – ela pediu.
— Não acredito que você ficou feliz por ser filha de Hades! – reclamei feliz de poder tocar no assunto – Quer dizer, ele é Hades!
— Não é eu tenha ficado feliz – ela se defendeu – Eu só queria ajuda-lo. Ele realmente precisa de ajuda, sabe?
Balancei negativamente a cabeça.
— É melhor do que não saber quem é meu pai! Além disso, ele não escolheu ser o Senhor dos Mortos, foi banido para lá! – ela reclamou – E ele é minha família, não podia deixa-lo daquele jeito tão triste e dizendo que ele não era importante.
-Rebekah, ele é do mal! – exclamei – Você não pode querer ajuda-lo! Se ele fosse bom eu ate entenderia, mas não é!
— Certo, me desculpe senhor filho do deus dos mares! – ela gritou e saiu batendo a porta.
-Qual é o seu problema? – perguntou Sophia – Cara, você não pode fazer essas coisas. Você vive ficado irritadinho e dizendo um monte de besteira para ela. Acha que ela tem culpa de ser filha de Hades? Acha que já não está sendo o difícil o suficiente sem você ser um imbecil?
-Você não devia odiar ela ou algo assim? – eu resmunguei.
— Não, seu idiota! Ela só não gosta de mim por que eu te beijei! E alias, só fiz isso porque eu sou uma das complicações, o presente de Afrodite para ela! – ela congelou por um instante – E eu não devia ter dito isso. Voce não podia saber.
-Espera, do que você está falando? – perguntei.
— Esquece, eu não posso te explicar – ela voltou a mexer na tigela.
— Porque você não vai pedir desculpa? – sugeriu Thales – O maximo que pode acontecer é ela não aceitar, certo?
— Certo – respondi, pensando que aquele não era o pior, considerando que ela tinha uma espada e lutava muito melhor do que eu.
Encontrei Rebekah sentada perto de um rio no meio do campo de trigo. Ela parecia ter chorado recentemente e eu percebi que nunca tinha visto-a chorar.
— Você tem ideia de como é difícil procurar alguém em um campo de trigo? – eu tentei faze-a sorrir, não deu certo.
— O que você quer? – ela perguntou enxugando o rosto – Veio me culpar por mais alguma coisa?
— Na verdade, eu queria te pedir desculpa – me sentei a seu lado – E, por favor, me diga que você não está chorando por causa do que eu disse.
-Não – ela respondeu – Não estou. Eu só estava pensando em algumas coisas.
— Theo – eu adivinhei. Ela assentiu tristemente – Você precisa esquecer esse menino. Ele morreu Rebekah, dois anos atrás e não vai voltar.
— Mas a profecia – ela balançou a cabeça negativamente – Diz que ele...
-Profecias são traiçoeiras sabia? – eu disse dessa vez fazendo-a sorrir – Alem disso, você deveria pensar em coisas que ainda estão aqui.
-Como assim? – ela perguntou levantando a cabeça e me encarando.
-Bem, Sophia me disse uma coisa. Que só me beijou para te deixar irritada – eu disse um pouco nervoso – Você... Tem alguma explicação para isso?
Ela sorriu e ia dizer alguma coisa, mas Demeter apareceu ao nosso lado.
— Encontrei vocês! – ela exclamou. Era engraçado como seu vestido se camuflava com a plantação – Eu me lembrei!
— Do que? – perguntei.
— De para onde Artemis estava indo quando passou por aqui um pouco antes de vocês chegarem – ela disse como se fosse a coisa mais obvia do mundo – Ela foi para aquela floresta!
A deusa apontou para o conjunto de arvores que começava onde a plantação terminava.
— Vocês sabiam que o solo das florestas é extremamente fértil? – contou-nos Demeter – Por causa das folhas em decomposição!
Juntamos nossas coisas e entramos na floresta a procura de uma nova deusa. As copas das arvores eram bastante abertas e se juntavam nas pontas, deixando o lugar escuro e frio. Não encontramos Artemis, o mais próximo disso que chagamos foi a descoberta de algumas flechas com ponteiras de bronze celestial que Sophia apanhou e colocou em seu porta-flecha.
— É impressão minha, ou tem alguma coisa ali atrás? – perguntou Thales apontando para algumas arvores.
— Não é impressão, eu também estou vendo – disse Rebekah.
Antes que alguém pudesse fazer mais alguma coisa, Sophia acertou a sombra escura com algumas flechas. Um pégasus inteiramente preto saiu das sombras cambaleando.
-Blackjack? – perguntou Rebekah – Não acredito!
Ola, chefe disse uma voz em minha mente você pode me ajudar? Acho que vou cair.
Dizendo isso, ele desabou.
Sentamos-nos em volta dele e Thales começou a tocar uma melodia em sua flauta de bambu dizendo que ajudaria a curar o ferimento. Enquanto isso, Rebekah e Sophia tiraram cuidadosamente as flechas e fizeram compressas de néctar no cavalo voador. Eu fiquei conversando com ele e ouvi varias de suas historias com Percy Jackson (Porque esse cara está em todas as historias?) enquanto montava o acampamento.
Já estava escurecendo quando começamos a ouvir passos. Um grupo de garotas de variadas idades lideradas por uma menina que aparentava ter dezesseis anos surgiu. Todas elas tinham arcos em mãos. A que parecia liderar a caçada tinha cabelos pretos espetados e usava um arco prateado na cabeça que não combinava nem um pouco com sua camiseta que mostrava um zumbi devorando uma bailarina.
-Zeus! É a Thalia Grace! – gritou Rebekah e correu para abraça-la.
-Ola, pessoa que eu não conheço – cumprimentou a garota com a camiseta do zumbi.
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