Peter Johnson E Os Olimpianos

7 UMA FILHA DE AFRODITE ME BEIJA


Os gêmeos me levaram para a arena, onde os chalés de Afrodite, Apolo e Hermes treinavam esgrima. Cada um segurava uma espada e, em duplas, lutavam. Theron disse que ia lutar comigo e me puxou para perto das outras duplas. Assim que ele começou a brandir a espada que tinha escolhido, percebi que ele lutava muito bem.

Lutar com Theron era bem mais difícil que lutar com a Fúria. O garoto se mexia extremamente rápido, me deixando com tanto trabalho na defesa que nem tinha tempo de atacar. Pouco tempo depois Rebekah chegou e foi lutar com Demon do outro lado da arena.

Eu já estava começando a ficar cansado com a luta quando, de algum lugar da arena, Georgios gritou que trocássemos de duplas. Todos começaram a escolher seus novos parceiros. Ele gritou que começasse a luta. Eu estava sozinho.

-Ei, bonitinho! – olhei para trás e sorri. Sophia vinha em minha direção, a espada em mãos, pronta para duelar – Acho que você é meu novo par!

-Oi, Sophia – ela sorriu para mim e começamos a lutar.

-Disseram que você matou uma Fúria. Você não luta bem o suficiente para isso, sabia? – ela perguntou, bastante amigável. Dei de ombros.

Sophia não lutava tão bem quanto Theron. Na verdade, eu consegui derrubá-la duas vezes nos vinte minutos que passamos lutando. Ela ria e levantava, como se não ligasse em ser derrotada. Quando Georgios nos mandou trocar de dupla de novo eu me despedi de Sophia e olhei em volta. Consegui ver Rebekah em meio aos campistas. Dirigi-me para onde ela estava.

-O que eu preciso fazer para receber um pouco de atenção por aqui? – perguntei. Ela se virou e me viu.

-Um pouco de atenção? – ela perguntou e eu percebi que ela estava meio irritada – Na minha opinião, parecia que a senhorita loira e perfeita do chalé 10 estava te dando atenção suficiente.

-Ei, qual é? Eu não tenho culpa se todo mundo me ama, certo? – perguntei rindo – Alem disso, queria dizer sua atenção.

-Então você queria um pouco de atenção de alguém que acabou de passar uma semana inteira cuidando de você? – ela perguntou — Mesmo?

-Aquilo não conta! Eu estava desacordado! – disse, me irritando também.

Georgios gritou que começássemos a lutar.

-Ótimo! – Rebekah parecia agora irritada com ele também – Então parece que eu tenho que lutar com você.

-Eu já disse que odeio quando você me trata feito uma criança? – soltei, enquanto erguia a espada.

Ela encarou minha espada, como se nunca tivesse visto uma antes.

-Certo então você vai lutar comigo? – ela riu, como se a ideia parecesse estúpida demais – Acho melhor não.

-Você pode tentar lutar comigo. – disse.

Eu confesso que provavelmente só disse aquilo porque estava confiante com a luta com Sophia e por conta da minha irritação, alem disso, tinha me esquecido de como Rebekah lutava. Rebekah tinha razão, eu não devia ter lutado com ela.

Lutar com Theron não fora nada comparado com lutar contra minha melhor amiga. Eu não tinha a menor chance. Ela me derrubava em bem menos de um minuto e varias vezes teve que parar o que estava fazendo para não me machucar muito. Perdi a conta de quantas vezes cai no chão da arena e de quantas vezes levantei só para ser derrubado de novo.

Todos foram guardar suas armas, depois saíram da arena. Eu fiquei no chão, machucado e arrependido. Rebekah apareceu do meu lado com uma garrafa térmica na mão e me mandou beber.

-É nectar – disse enquanto eu bebia – Vai fazer com que se sinta melhor.

-Obrigado – devolvi a garrafa a ela – Eu sei que sou um idiota, mas não fique brava comigo.

-Não estou brava – ela sorriu – A luta tirou minha irritação e depois, eu também sei que você é um idiota.

Acho que eu tive milhões de aulas nesse dia. Canoagem, arco e flechas, equitação com pégasos, e tantas outras. Quando finalmente fomos jantar, joguei minha comida no fogo e me sentei à mesa.

Antes do jantar, dois garotos não reconhecidos haviam sido encaminhados para o chalé de Hefesto e Georgios me contou que a garota de olhos cinzentos fora para o chalé de Atena. Agora só restávamos eu e o garoto de cabelo loiro brilhante.

-Meu nome é Cyrus – disse o outro não reconhecido durante o jantar.

-Peter – respondi.

-Quem você acha que vai ser reconhecido primeiro? – ele me perguntou – Eu acho que vou ser eu.

Eu não respondi então ele continuou.

-Eu sou realmente bom em arco e flecha – ele fez como se estivesse atirando – e também em musica. Eu sou especial. Sei que vou ser reconhecido. Meu pai é Apolo!

Assim que ele chamou o nome do deus, o símbolo de Apolo começou a brilhar acima de sua cabeça. Cyrus sorriu e se encaminhou para sua mesa. Percebi que eu era o ultimo não reconhecido. Isso não parecia nada bom.

Depois do jantar, nos juntamos ao redor da fogueira.

-As chamas variam de acordo com o nosso humor – disse Rebekah, eu levei um susto já que não tinha percebido eu ela estava ali – Hoje devemos estar de ótimo humor.

-Quando você chegou ai? – perguntei e olhei as chamas, que estavam extremamente altas fazendo com que alguns marshmellows pegassem fogo. A fogueira tremulava em varias cores diferentes, principalmente rosa, laranja e azul.

-Faz tempo – ela sorriu – Você não precisa se preocupar, sabe?

-Com o que?

-Com seu pai. Ele vai se manifestar – ela se virou para mim – Eu sei que vai.

Não perguntei como ela sabia que eu estava preocupado, nem porque parecia ter certeza. Rebekah era assim, sempre dizendo a coisa certa.

-Quem você acha que ele é? – assim que fiz a pergunta me arrependi. Ela não podia ter resposta. Eu não parecia me encaixar em nenhum dos grupos de campitas.

Ela percebeu que eu estava olhando em volta.

-Eu realmente não devia te contar isso – ela disse – Se Quíron souber, ele vai ficar furioso. Não concorda comigo e acha que eu não devia te dar falsas esperanças.

-Contar o que?

-Que eu acho que seu pai pode ser um dos Três Grandes deuses – sussurrou.

-Um dos caras da promessa de não ter filhos e a coisa toda? – perguntei.

-Exatamente.

-Não, porque e alguém quebraria uma promessa por mim? Não faz sentido.

-Na verdade, teria sido pela sua mãe. Mas Peter, eles já quebraram a promessa antes – ela suspirou – Dois anos atrás, um filho de Poseidon chamado Percy Jackson salvou o mundo de...

-Luke!

-O que!? – ela perguntou em choque.

-Nada – respondi, não queria que ela soubesse sobre meus sonhos com ela e Theo – Continue.

-Certo – ela assentiu – salvou o mundo de Cronos, que queria retomar o Olimpo. A questão eh que Percy pediu a eles que desfizessem a promessa e passassem a poder ter filhos...

Mas eles acharam que seria muito perigoso e refizeram o acordo! – agora o sonho fazia sentido – Jurando de novo pelo Estige que não teriam filhos!

-Como você sabe disso? – ela perguntou e eu percebi que ela estava mais preocupada com a informação sobre Luke do que sobre o acordo dos deuses.

-Eu... eu sonhei – soltei meio sem querer, não costumava mentir para ela.

-Essa não. Sonhos não... – ela murmurou.

-Esquece – disse e voltei rapidamente ao assunto – Mas mesmo com essa historia isso seria impossível. Eu não tenho dois anos de idade!

-Você não entendeu! – ela riu – A parte importante é: um filho de Poseidon. Ele havia sido uma quebra na promessa. Demon e Theron também, eles são filhos de Zeus. Você pode ser filho de um dos Grandes Deuses também.

-Não. Acho que não.

Ela ia protestar, mas Sophia apareceu e sentou-se ao meu lado.

-Ei, bonitinho – ela riu – Como vão as coisas?

-Ahn – respondi. Certo, eu sou um gênio.

-Que bom – ela riu – tudo continua igual.

Sophia se inclinou e olhou sobre meu ombro, encarando Rebekah.

-Essa é... –comecei a dizer, mas ela me interrompeu.

-Ola, Rebekah – ela disse. Preciso me lembrar que todos já se conhecem.

-Sophia, como vai? — cumprimentou Rebekah sem animação. As chamas que estavam perto dela ficaram escuras, quase pretas.

-Bem. Sabe, eu ganhei um novo....

-Nossa, que interessante – interrompeu-a Rebekah, encarando as chamas com irritação – Muito interessante.

Porque ela estava tratando Sophia desse jeito? Quer dizer, a garota não havia feito nada a ela e realmente não merecia toda essa grosseria.

Sophia se encolheu, com uma expressão estranha. Era... medo? Depois, ela sorriu, virou em minha direção, se inclinou e...

Juro que não fiz nada. A culpa não foi minha. Ela se inclinou. Sophia. Eu só sei que de repente eu estava envolto em cabelos loiros platinados e cheiro de jujuba de morango enquanto beijava-a, Sophia.

Quando nos separamos, ela estava sorridente e parecia genuinamente feliz. Eu estava um pouco atordoado, quer dizer, Sophia tinha me beijado. Por algum motivo quis virar para olhar Rebekah. Não a encontrei. Ela havia sumido completamente. Levantei-me e fui procura-la.

Sei que foi estúpido largar a garota linda que acabada de me beijar para ir procurar minha amiga. Mas eu precisava encontra-la, não sei por quê. Corri o acampamento inteiro e como não a encontrei, fui dormir mais cedo.



Notas finais
Um pedido: nao odeiem a Sophia ainda, ela nao eh tao ma quanto parece no inicio. Comentem, comentem, comentem...