Peter Johnson E Os Olimpianos
8 A CAPTURA DA BANDEIRA
Sonhei com a gruta de Cronos, a única coisa que eu podia ouvir era um grito de dor infernal.
Quando acordei, me levantei e fui procurar Rebekah, desejando que isso não virasse um habito. Resolvi ir ate a floresta. Em uma clareira, encontrei minha amiga dormindo. Uma garota da minha idade estava sentada perto dela, os cabelos lisos repicados de um tom de preto muito escuro quase se encostavam ao solo da floresta, já que ela estava sentada. Seus olhos estavam fechados e ela se balançava para frente e para trás.
Sem querer, eu pisei em um galho, que estalou e se partiu. A garota tremeu e abriu os olhos, que eram tão pretos quanto seu cabelo e me mantiveram hipnotizado por alguns segundos.
–Quem... – comecei a falar, mas ela me interrompeu.
–Silencio, vai acorda-la – ela apontou para Rebekah.
– Porque vocês se incomodam tanto em acorda-la? – perguntei, irritado – Ela só esta dormindo, não vai morrer!
Ela me encarou, dando a entender que minha amiga podia mesmo morrer que eu acordasse-a.
–Isso é ridículo!
Rebekah começou a se mexer, abriu os olhos e se sentou. Depois, ela me encarou, confusa.
–Eu tentei impedi-lo, eu juro! – a garota de cabelo preto começou a se explicar – Mas ele simplesmente não cala a boca!
–Tudo bem, Zoe – Rebekah disse enquanto se levantava – Não tem problema.
–Certo. – Zoe se levantou e correu para fora da floresta.
–Thales! – chamou Rebekah – Vamos embora.
–Não podemos ficar mais um pouco? – ele perguntou – Por favor!
Ela se levantou e foi na direção da voz. Eu fui atrás.
Encontramos Thales sentado embaixo de um grande carvalho. Ela abraçava uma garota que parecia ter a nossa idade, mas era baixinha e muito magra. Ela era ruiva, com o cabelo quase laranja e olhos verde claros, como uma folha colocada contra o sol.
–Ola, Chloe – Rebekah se aproximou deles e sentou ao lado da garota.
–Oi, Rebekah – ela sorriu e uma leve brisa percorreu a floresta.
–Thales, vamos! – ela sacudiu o sátiro, que grunhiu.
–Só mais um minuto! – pediu ele – Por Favor!
–Certo, mas eu vou agora – dizendo isso ela se levantou – Tchau, Chloe!
–Tchau, Rebekah! – disse a garota rindo – Obrigada!
Segui Rebekah para fora da floresta.
–Quem era aquela? – perguntei.
–A namorada de Thales. Uma ninfa. Chamada Chloe – ela respondeu rapidamente.
–E a outra garota? Zoe?
–Minha amiga. Filha de Morfeu. Ajuda-me a sonhar. – ela respondeu como da primeira vez. Percebi que ela estava brava, porque respondia rápido e com frases curtas.
–Você precisa de ajuda para sonhar? – perguntei, ignorando sua irritação.
Ela parou de correr e me encarou.
–Não te interessa! – certo, ela estava muito irritada.
–Se não interessasse eu não teria perguntado – respondi.
–Odeio quando você faz isso – ela resmungou um pouco mais calma.
–Eu sei – disse e sorri.
–Então não devia fazer!
– Me desculpa – pedi.
–Desculpar por quê? – ela perguntou desconfiada.
–Por fazer uma coisa que eu sei que você odeia – respondi.
–Por isso?
–É, tem mais alguma coisa? – parei para pensar um pouco.
–Idiota – ela murmurou e correu na direção de seu chalé.
Passei o resto do dia deitado em meu beliche tentando entender o que eu havia feito de errado. Quando Georgios nos chamou para jantar, eu ainda não tinha descoberto.
Enquanto todos se dirigiam a suas mesas usuais eu procurei Rebekah. Ela não estava na mesa de Zeus, mas os gêmeos disseram que ela estava no chalé.
Corri ate o chalé e bati na porta. Minha amiga atendeu e me encarou, confusa.
–O que você...
Entrei e fechei a porta.
–O QUE VOCE ESTA FAZENDO? – ela gritou enquanto tentava me empurrar em direção à porta – ISSO EH CONTRA AS REGRAS!
–Eu sei! – respondi. Ela parou de me empurrar e se sentou em uma poltrona de veludo preto que eu não tinha visto antes.
–Certo. Então, o que você esta fazendo aqui? – ela perguntou – É hora do jantar. Você tem filhas de Afrodite para beijar não tem?
–Você esta brava por isso? – perguntei, tentando não rir – Por causa da Sophia!?
–É... é claro que não! – ela respondeu, mas não foi muito convincente.
–Certo.
Encaramos-nos e depois, caímos na risada. Esse tipo de coisa sempre acontecia com a gente. Saímos do chalé juntos e fomos para nossas mesas. Não sei por que, mas eu estava feliz por ela ter ficado brava com o meu beijo na Sophia.
Depois da cerimônia de queimar comida, Rebekah veio à mesa de Hermes.
–Ola – disse Georgios, se levantando rapidamente.
–Oi, Georgios – respondeu Rebekah e sorriu para ele.
–O que te traz a minha mesa? – o que te traz a minha mesa, esse cara é retardado ou o que?
– Na verdade, vim falar com o Peter – ela se virou para mim – Tem umas pessoas que eu quero que você conheça.
Levantei-me e segui ela ate a mesa da Casa Grande. A mesa continha quatro pessoas, Quíron, um sátiro, o Sr D e uma garota de cabelo ruivo usando roupas nas quais havia desenhos e manchas de tinta.
–Peter, esses são Grover e Rachel – ela apontou para o sátiro e depois para a garota – Grover, Rachel, esse é Peter.
–Prazer em conhecê-lo! – disse Rachel – Eu sou a portadora do espírito do Oráculo de Delfos.
–Ela adora dizer isso – sussurrou Rebekah.
–Ola – respondeu Grover – Eu sou um membro do Conselho dos Anciãos de Casco Fendido e um Senhor do Mundo Selvagem.
–Ele também adora dizer isso – sussurrou Rebekah, de novo.
Afastamos-nos da mesa e percebi que todos haviam voltado a seus chalés. Resolvi acompanha-la. No caminho conversamos sobre coisas bobas, como costumávamos fazer antes e foi realmente divertido. Assim que chegamos, bati na porta. E começamos a nos despedir.
–Então boa noite – disse e comecei a me afastar.
–Ei! – ela chamou – Eu realmente não ganho mais abraços por aqui não é?
Eu ri e voltei para onde ela estava. Assim que cheguei ela sorriu e eu abracei-a.
–CAPTURA DA BANDEIRA! – gritou Demon, abrindo a porta.
Separamos-nos, assustados. Encaramo-nos e começamos a rir como apenas melhores amigos conseguem fazer: parecendo dois idiotas.
–Demon, quem era? – perguntou Theron parando ao lado do irmão e encarando-nos – Qual é o problema deles?
–Não tenho a menor ideia – ele disse – Mas acho que é serio, quer dizer, ela nem me ouviu falar sobre a captura da bandeira!
Rebekah parou de rir e ficou em choque.
–Captura da bandeira! Quando!? – ela perguntou.
–Daqui a uma semana – responderam os dois.
–Deuses! – ela entrou correndo no chalé e me puxou com ela – Vamos.
Rebekah parou em frente à parede com papeis grudados e procurou algo.
–Achei! – exclamou enquanto puxava um mapa que eu reconheci como sendo do território da floresta do acampamento – Os grupos vão ser os mesmo?
–Sim – responderam os gêmeos.
Demon pegou uma caixa preta e abriu. Dentro dela havia vários bonequinhos coloridos.
– Zeus, Hermes, Morfeu, Hecate, Dionísio, Hefesto e Atena – conforme ela chamava um nome, um grupo de bonequinhos da mesma cor ia da caixa ate a beira do mapa – Certo.
–Quatro chalés estão vazios: Hades, Perséfone, Artemis e Poseidon – me contou Demon – Então sobram catorze. Cada equipe da captura a bandeira tem sete chalés.
–Os chalés que atualmente lideram os times são Ares e Zeus – completou Theron – Obviamente, o time de Zeus ganhou as ultimas capturas.
–Pronto! – exclamou Rebekah. Ela havia arrumado os bonecos no mapa – A bandeira será colocada no punho de Zeus, aquele conjunto de rochas ali. Na clareira em volta dele ficarão os chalés de Morfeu e Hecate, fazendo com que qualquer um que tente passar caia dormindo ou enfeitiçado. Na margem do rio que serve para dividir o território ficara o chalé de Atena com arco e flechas. Hefesto e Dionísio ficarão misturados na floresta, acionando armadilhas e prendendo os inimigos em plantas. É um sistema defensivo forte. Hermes e Zeus farao o ataque. Sugestões?
–Plano perfeito, como sempre – comentou Theron.
No dia seguinte, os grupos foram separados, o plano de ataque montado e os projetos de armadilhas desenhados. Ainda nesse mesmo dia, começamos a treinar nossas posições.
Nos próximos dois dias, as armadilhas foram forjadas e os treinos, intensificados. O quarto, o quinto e o sexto dia consistiram em ensaios de ataque e defesa no território da floresta.
Quando o dia da captura a bandeira chegou, estávamos todos ansiosos e nervosos. Reunimos-nos no meio da floresta e Quíron passou-nos as regras.
-Não se pode sair da floresta durante a captura da bandeira. O time liderado pelo chalé de Zeus será o azul, e o time liderado pelo chalé de Ares será o vermelho. Dividam-se.
Chegamos a nosso território em segundos e tomamos nossas posições. Rebekah se aproximou de onde eu estava.
-Mudei de ideia.
-Com o que? – perguntei nervoso, não era uma boa hora para se mudar de ideia.
-Você – ela respondeu – Não vai mais para o ataque. Fique na defesa, linha de frente, perto do lago.
-Quer que eu morra?
-Eu sei o que estou fazendo – ela disse. Aima se transformou em espada bem na hora que a concha soou avisando o inicio do jogo — Boa Sorte!
O chalé de Hermes apareceu em falange e partiu para o ataque. Na mesma hora, campistas de Ares atravessaram nossa linha frontal de defesa, apenas para cair no sono assim que pisaram na clareira. Era a vez do chalé de Afrodite atacar. Sophia tentou passar por mim, mas barrei-lhe com a espada.
-Precisamos conversar – eu disse.
-Agora? – perguntou ela – Eu estou meio ocupada sabia?
-É sobre... – travei, envergonhado.
-O beijo? – ela riu – Esquece, não quis dizer nada.
Ela levantou a espada e lutou, surpreendentemente melhor do que na ultima vez em que me enfrentou. Sophia conseguiu me machucar de verdade, foram cortes, hematomas e tantos outros tipos de ferimentos. Ela me deu uma rasteira no fim, e eu cai.
- Sem ressentimentos! – gritou e tentou correr para a clareira, eu segurei seu tornozelo e ela caiu.
-Certo, sem ressentimentos – murmurei enquanto me levantava.
Quando Sophia ia começar a se mexer, uma sombra pulou de uma arvore acima de mim. Preparei-me para lutar, mas o sol iluminou-a e eu percebi quem era. Rebekah vinha com o cabelo preso em um rabo de cavalo, tinha pequenos cortes nos braços e carregava a bandeira de Ares, que tremeluziu e se tornou a de Zeus.
Certo, ela tinha passado de arvore em arvore bem acima de nossas cabeças e ninguém percebera. Quem pensaria em olhar para cima no meio de uma luta? Ninguém. Ela fora genial, e por isso, ganhamos.
Não tinha percebido o quanto estava machucado ate que cai dentro do lago.
Senti-me muito melhor assim que me encostei à água. Meus machucados começaram a se cicatrizar. Percebi que todos me encaravam, quer dizer, não me encaravam. Olhavam um pouco acima da minha cabeça, onde um tridente cintilava em verde, o símbolo de Poseidon.
-Eu disse! – gritou Rebekah – Disse a eles!
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