Peter Johnson E Os Olimpianos

10 O PRIMEIRO VERSO SE REALIZA


Quando subi a Colina Meio-Sangue no dia seguinte, estava correndo e atrasado. Thales usava os pés falsos e sua toca rastafári branca para esconder os chifres. Rebekah tinha o cabelo preso em um rabo de cavalo alto e carregava sua mochila preta.

Um carro esperava na base da colina. Entramos. Levei um susto ao olhar o motorista, ele tinha olhos por todo o corpo.

-Ola, Argos – cumprimentou Rebekah – Poderia levar-nos ao Monte Santa Helena?

Ele assentiu e pisou no acelerador. O carro de Argos era muito mais rápido que os veículos normais. Não costumava ser assim, mas ele comprara um carro novo ano passado.

-Monte Santa Helena? – perguntei.

-Sim – respondeu Rebekah – É a forja que Hefesto mais gosta. A chance de ele estar nela é muito grande.

-Como você sabe disso? – Thales me deu uma cotovelada. Arrependi-me da pergunta.

-Theo costumava visita-lo ali e levar seus projetos – ela respondeu e eu não perguntei mais nada.

Passamos vários minutos sem dizer nada. Às vezes Thales tocava sua flauta de bambu, fazendo com que as plantas na beira da estrada crescessem como loucas. Rebekah tirava vários papeis de dentro da bolsa e fazia anotações, xingando toda vez que o carro freava e ela sem querer borrava o que estava escrevendo.

-Como vamos encontrar os deuses? – perguntou Thales de repente.

-Estou tentando descobrir – respondeu Rebekah – Hefesto estará no Monte Santa Helena. Zeus e Hera devem estar no Olimpo. Hades, no submundo.

-Então nosso plano é montar um plano? – perguntei.

-Mais ou menos isso – disse Rebekah e pegou doze envelopes dourados na mala – Dionísio já pegou o convite dele no Acampamento.

-Faltam doze – conclui – Hermes, Poseidon, Atena, Ares, Hefesto, Hades, Demeter, Artemis, Apolo, Zeus, Hera e Afrodite.

-Já sabemos onde encontrar quatro – suspirou Thales – E temos uma semana. Ótimo.

-Eu estou tentando encontrar os outros! – defendeu-se Rebekah – Mas não é muito fácil.

Ela guardou os convites e pegou um mapa que tinha varias anotações. Começou a escrever e o carro freou de novo. Quando um carro com velocidade muito acima do normal freia, o movimento é muito mais brusco do que seria normalmente já que tem mais velocidade para reduzir.

Dessa vez, estávamos indo muito mais rápido, por isso quando Argos freou, eu e Thales fomos esmagados contra os bancos da frente. Rebekah estava no meio, por isso foi arremessada em direção ao vidro. Eu a puxei de volta para trás e ela caiu em cima de mim. Acho que ela ia me agradecer, mas estávamos tão perto um do outro que acabamos apenas nos encarando.

-Ai – gritou uma voz familiar vinda de trás dos bancos.

Saltamos do carro correndo para ver quem era. Encontramos Sophia deitada no porta-malas com uma mochila e reclamando do impacto.

-Vocês tem ideia de como é viajar em um porta-malas? – perguntou, irritada.

- O que aconteceu? – perguntou Thales ignorando-a.

Argos apontou para uma limusine branca que se distanciava rapidamente na estrada.

-Aquela é o carro de Afrodite? – perguntou Rebekah – Não acredito! Estávamos tão perto!

Lembrei-me do momento no carro, mas não estava pensando em Afrodite.

-Mamãe! – exclamou Sophia – Porque faria isso?

-Não tenho a menor ideia – resmungou Thales – Mas toda essa confusão me deixou com fome. Podemos comer e depois manda-la de volta para o acampamento?

Ela apontou para Sophia, que cruzou os braços e bateu os pés.

-Não podem me mandar de volta! – pediu – Eu quero ficar!

- Odeio dizer isso, mas ela esta certa – disse Rebekah – Temos que ficar com ela.

-O que? – perguntei chocado – Você está ajudando ela? Vocês não se odeiam ou algo assim?

-Não estou ajudando – respondeu Rebekah irritada – O viajante clandestino no grupo será aceito. Não podemos manda-la de volta.

Ela pegou um papel no bolso e eu vi que nele havia a profecia.

- O próximo verso é sobre a mentira – disse, enquanto riscava o primeiro verso – Thales, se ainda estiver com fome acho que podemos comer ali.

Ela apontou para uma lanchonete de beira de estrada que eu não tinha visto antes.

EU APRENDO A USAR MEUS PODERES

A lanchonete tinha duas garçonetes e pouquíssimos clientes que para