Peter Johnson E Os Olimpianos
11 EU APRENDO A USAR MEUS PODERES
A lanchonete tinha duas garçonetes e pouquíssimos clientes que paravam na estrada. Argos quis ficar no carro, então eu, Thales, Rebekah e Sophia entramos sozinhos. Pegamos uma mesa e Thales pediu enchiladas e refrigerantes. Quando terminamos de comer, Rebekah colocou vários papeis que estavam na sua mala em cima da mesa. A maior parte eram mapas com anotações sobre as ultimas localizações dos deuses.
-O Sr D disse que temos ate o solistico para entregar os convites – disse Thales – Podemos esperar e entregar durante a reunião.
-Se não entregarmos – respondeu Sophia – Não vai ter reunião, Thales.
-Não podemos encontrar todos os deuses! – exclamei – É impossível! Faltam apenas seis dias. Teríamos que encontrar dois deuses por dia!
- Não é impossível. Não pode ser – Rebekah pegou novamente o papel com a profecia e leu-o – A missão, em sucesso, será acabada! Temos que conseguir. De algum jeito...
- Se fosse para eles nos procurarem – murmurou Sophia – Acha que eles conseguiriam?
-É isso! É isso! – Rebekah começou a gritar e procurar algo na mala – Sophia, você é um gênio.
-Obrigada, eu acho...
Rebekah encontrou seu celular e começou a fazer um ligação. Segundos depois, um homem com feições de elfo usando roupa de corrida azul claro e tênis reebok entrou no restaurante e veio em direção a nossa mesa.
-Ola, querida – ele cumprimentou Rebekah – Quer mandar uma correspondência?
-Ola, Hermes – ela sorriu para ele.
Certo, não nos cumprimente! Disse uma voz na minha mente Afinal, somos apenas cobras!
George! Pare de irritar a garota! respondeu uma voz feminina, as duas vozes eram meio arrastadas, como se estivessem sibilando.
-Ola, George – disse Rebekah rindo – Martha, como vão?
Como sempre respondeu George Você nos trouxe algum rato?
É claro que ela não trouxe ratos! reclamou Martha Pare de incomoda-la.
- Ignore-os. É o que eu faço – disse Hermes rindo – Qual a sua entrega?
Rebekah mostrou-lhes os envelopes dourados.
-Desculpe, não posso – respondeu Hermes – Zeus decretou que esses convites são muito importantes para serem entregues como correspondência normal.
Rebekah ia guardar os convites, mas Hermes pegou um deles. Depois suspirou.
- Não posso entrega-los, mas pelo menos posso pegar o meu.
Dizendo isso, Hermes começou a brilhar um pouco e Rebekah virou minha cabeça bem na hora que ele assumiu sua verdadeira forma e desapareceu.
-Esta tentando morrer? – ela perguntou irritada. Lembrei-me que qualquer mortal que visse a forma real de um deus morreria instantaneamente.
-Obrigado – murmurei. Ela começou a sorrir – Por que você esta tão feliz? Seu plano não funcionou!
-Meu primeiro plano não funcionou – ela respondeu – Mas agora sabemos que não precisamos encontrar os deuses. Eles podem nos encontrar.
-Ela ficou louca – reclamou Thales – Simplesmente louca.
-Não, ela pode ter razão! – exclamou Sophia – E ninguém disse que os convites tem que ser entregues pessoalmente aos deuses, certo?
-É claro! – respondeu Rebekah – A missão vai ser muito mais fácil do que nos pensávamos!
-Só precisamos pensar – completou Sophia. As duas sorriram.
-Mais alguém não entendeu nada? – perguntei.
-Peter, eu chamei Hermes para entregar o convite a ele – explicou Rebekah – Podemos tentar algo parecido com os outros deuses.
-É um plano brilhante! – comentou Sophia.
-Vocês estão sendo amigáveis? – perguntei – Tipo uma com a outra?
-Não! – responderam as duas e começamos a rir.
-Gente, sem querer ser chato nem nada – murmurou Thales – Mas não tem uma esfinge encarando a gente?
Olhamos pela janela. Sentada sobre as patas trazeiras estava uma criatura com corpo de leão e cabeça de mulher. Ela poderia ate ser bonita, se não fosse pela maquiagem forte que usava e por seus dentes, que eram presas.
-Corremos agora? – perguntou Sophia.
-Não – respondeu Rebekah enquanto se levantava e ia para o jardim.
-O que ela esta fazendo? – eu disse quando percebi que ela não havia levado seu celular – REBEKAH!
Saímos correndo atrás dela. Encontramos a Esfinge ainda sentada. Rebekah estava em pé na sua frente. E parecia muito contente, ela se virou para mim.
-É a charada! – exclamou – Eu sei a resposta para a charada da Esfinge.
-Rebekah! – reclamei – Você não pegou sua espada. Esta tentando se matar?
-Eu sei mesmo! – defendeu-se ela – O que tem quatro patas de manhã, duas de tarde e três de noite? O homem!
-De novo não! –resmungou o monstro – O enigma costumava ser esse mesmo, mas como todos descobriram a resposta, mudamos para um caderno de perguntas para serem respondidas. Dois anos atrás uma garota maluca quebrou minha maquina de correção automática. Então mudamos de novo o enigma.
-O que? – perguntou Rebekah irritada – Você não pode ficar mudando. É... errado!
-Por que vocês ficam me criticando!? –perguntou a Esfinge enquanto mostrava as garras – Que seja!
Ela pulou em cima de Rebekah e as duas caíram. Minha amiga estava sem espada nem escudo, por isso levou vários arranhões e mordidas do monstro.
Seu celular se transformou em espada em minha mão e eu resolvi entrar na luta. A Esfinge estava ocupada tentando matar Rebekah e não me viu chegando. Fiz um corte em suas costas, e ela saiu de perto da minha amiga me olhando com raiva.
-O que veio primeiro – recitou a Esfinge – a galinha ou o ovo?
-Serio? – perguntou Sophia – Esse é o enigma novo?
-A galinha – respondi.
-Um ciclo não tem inicio – disse Thales. Encarei ele – O que foi? Eu li em algum lugar que era essa a resposta!
-Calem a boca! – pediu Sophia – Se derem a resposta errada não terão oura chance!
-Mas eles já deram a resposta errada – respondeu a Esfinge sorrindo – Agora vão todos morrer!
-Não! – gritou Sophia – O enigma não era deles! Era de Rebekah. A resposta deles não pode ser considerada.
-Certo – resmungou a Esfinge – A garota morta responde!
Não tinha entendido o que ela quis dizer com a garota morta ate olhar para Rebekah. Ela continuava deitada onde a Esfinge atacara-a. Seus braços tinham inúmeros arranhões e o monstro havia mordido sua perna, onde havia uma marca sangrando.
O mais assustador era que ela estava pálida e respirava com muita dificuldade. Me perguntei como ela podia ter saído viva de uma luta com uma Esfinge irritada sem usar uma espada ou um escudo.
Olhei novamente para a Esfinge. Um liquido verde escorria de seu dentes: veneno. Senti raiva, muita raiva. Quis mata-la, mas havia algo mais importante a fazer.
Corri de volta para nossa mesa da lanchonete e comecei a mexer ma mochila preta. Peguei a garrafa térmica azul que eu sabia que continha néctar. Quando voltei ao jardim, a Esfinge brincava com algumas flores, impaciente. Sophia e Thales haviam ajoelhado ao lado de Rebekah e encaravam-na.
Consegui fazer minha amiga beber o néctar. Ela abriu os olhos devagar e sorriu.
-Eu sou bem idiota não? – ela disse, quase rindo – Como você me aguenta?
-Você não é idiota – respondi feliz por ver que ela estava viva – E ei, você é minha melhor amiga. Adoro sua idiotice.
-Cala a boca! – ela sorriu de novo – Você esta ficando sentimental demais!
-É claro, eu espero mais um pouco! – gritou a Esfinge – Garota, você pode responder logo o enigma?
-Espere – refletiu Rebekah – Uma Esfinge sempre guarda alguma coisa, um caminho, uma porta... Alguma coisa! Então, o que você guarda?
-O rio, é claro! – respondeu o monstro – para que você não possam convocar a Náiade e mandar o convite de Poseidon!
-Obrigada pela ideia – ironizou Thales.
-O que veio primeiro, a galinha ou o ovo? – recitou novamente a Esfinge.
Rebekah pensou um pouco.
- O ovo – respondeu por fim – Afinal, os dinossauros já punham ovos muito antes das galinhas existirem.
-Está... – a Esfinge parou para analisar a resposta – CERTA!?
Com a ultima palavra ela voltou a pular na direção de Rebekah. Eu não estava mais com a espada e não tinha tempo de busca-la.
-Peter, o lago! – gritou minha amiga.
Não sei como, mais consegui fazer com que a água se movesse formando uma parede entre nós dois e o monstro. A Esfinge encarou a água, depois, com um susto, se desfez em pó. Quando ela desapareceu por completo, vimos Sophia segurando um arco pintado de azul. As flechas com ponteira de bronze celestial espalhadas no chão a sua frente. Ela havia matado a Esfinge com um único tiro.
-Obrigada – murmurou Rebekah – Para os dois.
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