OAcampamento Meio-Sangue tinha quadras, um arsenal, uma forja, uma arena, campos de morangos, a casa grande (onde eu tinha passado a ultima semana desacordado), o rio de canoagem e uma infinidade de outras coisas. Apesar disso, a minha parte favorita foram os chalés: treze construções que formavam um U com um dos lados um pouco maior, esses eram os chalés dos doze deuses do Olimpo e de Hades.

O primeiro chalé era o de Zeus, parecia um mausoléu. Inteiro de mármore branco com colunas na frente, as portas eram de bronze polido e, dependendo de onde se olhava, parecia que tinha trovões atravessando-a.

O segundo chalé era o de Hera, também feito de mármore, com delicadas colunas encimadas por romãs e flores. Nas paredes havia desenhos de pavões. Na porta o numero 2 em latão.

O terceiro chalé era o de Poseidon. Ele era comprido e baixo, as paredes externas eram de pedra cinzenta salpicada de conchas e coral.

O quarto chalé era de Deméter. Feito de mármore amarronzado, o telhado tinha grama de verdade. Tomateiros adornavam a lateral da construção e vários tipos de arvores cercavam-no.

O chalé numero cinco era de Ares. Vermelho vivo dava a impressão de ter sido pintado à mão. O telhado era forrado de arame farpado e uma cabeça de javali empalhada encimava a porta. Espadas e facões foram desenhados nas paredes e enfeitavam-nas.

O chalé numero seis era de Atena. Fora feito com um mármore pálido e branco, suas colunas grossas eram trançadas e vários galhos da oliveira que fica a oeste do lugar decoravam-nas.

O sétimo chalé era de Apolo. Parecia ser feito de ouro solido. Brilhava de forma tão intensa que fazia meus olhos doerem. Nas paredes havia varias notas musicais, principalmente claves de sol.

O oitavo chalé era de Artemis. Parecia normal durante o dia, mas Rebekah disse que a noite tinha um forte brilho prateado. Imagens de lanças e animais adornavam as paredes.

–O chalé é honorário – disse Rebekah quando passamos por ele – Artemis jurou manter-se casta para sempre.

Depois vinha o chalé de Hefesto, numero nove. Era inteiramente negro. Da chaminé saia fumaça e eu ouvi o barulho de pedra batendo contra aço.

O chalé de Afrodite, numero dez, era rosa pastel com cristais pendendo das janelas. Canteiros de rosas das mais variadas cores estavam por perto. Um leve perfume adocicado emanava do lugar.

–Antes que você me pergunte – Rebekah sorriu – Afrodite tem, sim, filhos homens.

O antepenúltimo chalé era de Hermes. Tinha a aparência de um chalé normal de acampamento, com a pintura descascando. A única coisa que o relacionava com o deus era um caduceu na porta, logo acima do numero onze de latão.

O penúltimo chalé era o de Dionísio. Era cor de vinho, com desenhos de parreiras por toda a parte. Luzes coloridas vinham pelas janelas e uma musica tocava alta (algo animado, como Bad Boys do Bob Marley).

O ultimo chalé era quase inteiro preto, com exceção de alguns ossos pintados de dourado que haviam sido incrustados na parede. O numero treze do chalé era feito de ouro.

Depois das construções principais, uma falange exibia os chalés dos deuses menores. Hécate, feito de pedras com feitiços inscritos. Morfeu, azul escuro adornado com carneirinhos de prata pulando cercas de ouro. Iris, pintado com as cores do arco-íris, o telhado reluzindo de dracmas. Nêmesis, preto e dourado, com as palavras olho por olho, dente por dente inscritas em cima da porta, encima de espadas cruzadas. Perséfone, com paredes verde-claras cobertas de flores variadas e alguns outro que não reconheci.

Rebekah me levou ao chalé onze, de Hermes, e bateu na porta. Um garoto alto, com cabelos cor de areia, olhos azuis e feições de elfo abriu a porta. Percebi que ele me lembrava de alguém, e levei um susto quando percebi que ele parecia o garoto do meu sonho, Luke.

–Oi, Rebekah – cumprimentou ele, depois se virou para mim – Não reconhecido?

– É – suspirou Rebekah – Por enquanto.

–Certo, posso arrumar um cantinho para ele – o garoto sorriu e me deixou entrar – Foi esse que desmaiou e te deixou a semana toda presa na casa grande cuidando dele?

–Não foi assim, ele matou uma Fúria, nunca tinha usado uma espada antes – murmurou Rebekah.

–Pode ir. Acho que eu me viro com o garoto – apontou para mim e sorriu para ela.

–Obrigada – Rebekah se virou para mim – Boa sorte!

O garoto fechou a porta.

–Meu nome é Georgios. Sou o líder do chalé de Hermes – ele sorriu – Meu nome significa deslumbrante, mas não vamos falar sobre isso.

Assenti, como se eu realmente quisesse falar sobre o nome daquele cara. Olhei o chalé. A maioria dos garotos tinha as mesmas feições de elfo de Georgios, mas alguns eram diferentes. Uma garota de olhos cinzentos estava sentada no chão desenhando, um garoto de cabelo loiro brilhante ouvia musica em seu Ipod, dois garotos de cabelo castanho escuro montavam alguma coisa com pedaços de metal e molas enquanto uma linda garota loira pintava as unhas do lado deles.

–O chalé de Hermes abriga os meio-sangues não reconhecidos – Georgios mostrou os garotos de cabelo castanho e deu de ombros – Antes era muito pior. Agora que os deuses prometeram que reconheceriam todos os seus filhos, ninguém fica aqui por muito tempo. Faz dois anos que todos que chegam, são dirigidos a seus respectivos chalés em uma ou duas semanas. Mas a gente sempre sabe para que chalé eles irão.

–Todos são reconhecidos? – perguntei.

– Sim, quer dizer – ele colocou as mãos no bolso nervosamente – Quase todos. Sua amiga Rebekah é a única pessoa eu conheço que não foi.

Assenti, e olhei para os não reconhecidos, desejando de verdade que descobrissem quem eram seus pais em breve. Uma concha soou no Acampamento e Georgios sorriu.

–Hora do jantar! – ele disse para todos no chalé – Se tivermos sorte, um de vocês pode ganhar uma casa nova.

Fomos para um pavilhão a céu aberto. Varias mesas no estilo grego se dispunham em volta de uma grande fogueira. As mesas estavam nas mesmas posições que os chalés, por isso não foi difícil localizar que mesa era de quem. Na frente das mesas dos chalés ficava a mesa da casa grande, que era mais comprida que as demais, apesar de conter menos gente.

Procurei entre as mesas, tentando encontrar Rebekah e percebi que ela realmente não se encaixava em nenhum dos grupos. Acho que Georgios percebeu o meu olhar.

–Ela pode não ter vindo jantar. Ela faz isso as vezes – ele disse e deu de ombros.

Perguntei-me como ela podia estar em outro chalé que não o de Hermes se não sabia quem era seu pai ou mãe do lado grego. Olhei de novo as mesas. As únicas vazias eram de Zeus, Hera, Poseidon, Hades e Artemis.

Depois que nos servimos, todos os chalés fizeram filas ate o fogo seguindo seus lideres.

– Jogamos um pedaço para os deuses. Como tributo – ele jogou seu melhor file nas chamas – Então rezamos para nosso pai ou mãe deus e pedimos que eles aceitem a oferta.

Joguei a comida no fogo. Não sabia para quem rezar, então pedi que fosse reconhecido e voltei para minha mesa.

Depois que todos terminaram de comer, um homem levantou da mesa da casa grande. Ele tinha a aparência de um querubim que crescera. Vestia uma blusa neon com estampa de pele de leopardo, calças de seda roxa e tênis vermelhos.

– Quíron acaba de me informar que temos um novo campista conosco – ele acenou e uma diet-coke apareceu na mesa, tomou um gole e continuou a falar – Eu sou o senhor D, mas você provavelmente me conhece por Dionísio então se comporte ou eu te transformo em pó. Bom, bem-vindo Percy Jackson.

Reconheci Roxane quando ela se levantou.

–Papai – com um susto, percebi que ela se dirigia a Dionísio, quer dizer, eles não eram nada parecidos – O nome dele é Peter Johnson.

Ela sorriu para mim e senhor D revirou os olhos.

–Que seja, Peter Johnson – ele deu mais um gole – todos sabem que eu só sei o nome dos meus filhos.

Ele me encarou, como se estivesse me desafiando a ser filho dele e se sentou novamente.

Quando estávamos no caminho de volta para nossos chalés, Georgios me cutucou e apontou para a garota loira que eu vira mais cedo pintando a unha no chalé de Hermes. Ela havia parado de andar e sorria. Em cima de sua cabeça, o símbolo de Afrodite brilhava em rosa. Quando se apagou, ela correu para seus novos companheiros de chalé, que foram muito receptivos cumprimentado-a.

Não pude deixar de me perguntar para que chalé eu irei quando for reconhecido. Isso é, se eu fosse reconhecido. Lembrei-me de Rebekah e me senti mal por ela, imagine ficar para sempre sem saber de onde veio? Desejei de novo que aquilo não acontecesse comigo.

Quando voltamos ao chalé, Georgios me mostrou o beliche no qual a garota loira antes dormia e disse que eu podia dormir ali, e foi o que eu fiz.

No meu sonho, eu estava no pavilhão de refeitório do Acampamento Meio-Sangue. Rebekah segurava uma mortalha cinza claro ornamentada com uma coruja feita de ligas metálicas. Ela chorava muito. Roxane e Thales abraçavam-na.

–É minha culpa. É tudo minha culpa – repetia ela entre soluços – Se não fosse por mim ele nunca teria lutado contra Cronos e...

–Não é sua culpa! – tentou reconforta-la Thales – Quer dizer, não é só porque nós estávamos indo atrás de você que...

–Thales! – repreendeu-lhe Roxane – Cala a boca!

Rebekah se levantou e jogou a mortalha no fogo. Enquanto queimava, o manto liberou uma fumaça que se juntou no céu com a forma de uma coruja.

–Theo – murmurou minha amiga – Me desculpa.

Acordei no dia seguinte com vontade de vê-la. Levantei-me, troquei de roupa e procurei meus sapatos na mala. Não os encontrei. Ocorreu-me um pensamento: Hermes era deus dos mensageiros, viajantes e dos ladrões.



Notas finais
Se algum meio-sangue quiser se apresentar, acho uma otima ideia (tenho uma paixao suprema por filhos dos Tres GRandes Deuses ou de Atena). Enfim, comenteeeeeeem :)