Peter Johnson E Os Olimpianos
6 CONHECO O CHALE DE ZEUS
Notas iniciais
Sai do chalé com meus tênis ruins e uma careta de irritação. Andei pelo Acampamento procurando Rebekah e simplesmente não a encontrei. Ocorreu-me finalmente a ideia de perguntar a alguém onde eu podia encontra-la. Uma garota estava andando na direção do lago e eu fui atrás dela. Perto da margem, ela parou e olhou para mim.
-Posso te ajudar em alguma coisa ou você só esta apreciando a vista? – ela deixou bem claro que “a vista”, não era o lago.
Ela se virou e eu percebi que ela era mesmo linda. Tinha cabelos loiros platinados que iam ate a cintura, olhos azuis claríssimos e um corpo que bom, era digno de Afrodite. Eu respondi algo extremamente inteligente como ahm uua. Ela sorriu.
-Meu nome é Sophia – ela disse estendendo a mão – líder do chalé de Afrodite.
Isso explicava algumas coisas. Apertei sua mão, Sophia tinha cheiro de jujubas de morango.
-Peter – me apresentei – Não tenho a menor ideia de quem é meu pai ainda.
Ela riu.
-Pai? – refletiu – Então não tem chance de você ser do meu chalé. Uma pena, Peter, já que você é um garoto bonito... Mas acho que isso não é de todo ruim.
Corei, lembrando-me do que Rebekah me explicara uma semana atrás: pessoas do mesmo chalé não costumavam namorar, pois se consideravam irmãos, já pessoas de chalés diferentes não tinham problemas com namoro, afinal, os deuses namoravam seus irmãos.
-Então, Peter, queria me dizer alguma coisa ou só estava me perseguindo mesmo?
- Eu queria saber onde eu posse encontrar uma garota chamada Rebekah – Percebi, constrangido, que tinha esquecido totalmente o motivo de estar ali.
-No chalé de Zeus – ela apontou para o prédio com portas de bronze polido – Não sei se ela já acordou, mas você pode ir ver.
-Obrigada, Sophia.
-De nada, Peter – ela sorriu.
Corri ate o chalé de Zeus e bati na porta. Ninguém atendeu. Percebi que ela estava destrancada, então entrei.
O interior do chalé era basicamente um quarto e sala muito grande com uma porta de bronze que levava ao banheiro. De um lado do quarto havia um beliche preto e do outros, uma cama de casal também preta. A parede de frente para a porta era inteira coberta por mapas, papeis com anotações, projetos, desenhos, listas, partes de mitos gregos, paginas arrancadas de livros e, em um canto, uma lista enorme de nomes com o titulo Antroponímia. Do teto, pendiam diversas invenções diferentes. A parede oposta era uma pequena biblioteca: estantes atravancadas de livros, a maioria com títulos em grego. O beliche estava vazio e na cama de casal dormia Rebekah.
–Caso esteja se perguntando, ela dorme sozinha. Mas se meche muito durante a noite – quase tive um ataque cardíaco. Em pe ao meu lado estava um garoto que parecia irmão gêmeo de Rebekah, mas menos bonito – Oi, eu sou o Demon.
–Peter – estendi a mão para ele e apontei para Rebekah – Vocês são irmãos?
Eles não podiam ser, quer dizer, eu sei que ela não tem irmãos.
–Não – ele passou na frente da janela e eu percebi a diferença entre ele e minha amiga. O cabelo e os olhos dela tinham detalhes cor de bronze e os dele não. – Mas eu tenho um irmão.
–É, ele tem – um garoto igual a Demon saiu do banheiro – Mas eu sou mais bonito.
–Theron, nos somos gêmeos idênticos! – reclamou Demon – Você não pode ser mais bonito!
–Quer calar a boca? – pediu Theron – Vai acorda-la!
Ele apontou para Rebekah e eu voltei a olha-la.
–E quem é você? – perguntou o gêmeo que não me conhecia.
–Peter – respondi.
–Então, Peter, quer parar de encarar minha irmã dormindo? – Theron reclamou – É estranho.
–Mas você não disse que ela não era sua irmã? – perguntei a Demon.
–Não é irmã de verdade – disseram os dois.
–Mas mesmo assim você não pode encara-la dormindo! – exclamou Theron.
–Ele não estava encarando – explicou Demon – Estava olhando de um jeito mais apaixonado.
–Eu não estava olhando de um jeito apaixonado – murmurei.
–E agora você quer mata-lo por “olhar de um jeito mais apaixonado” o amor da sua vida! – provocou Theron.
–Eu não estava olhando de um jeito apaixonado – murmurei de novo.
–CALA A BOCA! – gritou Demon para seu irmão.
–CALA A BOCA VOCE! – replicou Theron – ASSIM VAI ACORDA-LA!
–EU VOU ACORDA-LA? – reclamou Demon – VOCE GRITA E EU QUE VOU ACOR...
–Certo, acordei – murmurou uma Rebekah sonolenta enquanto levantava da cama – Agora o que...
Ela parou e me encarou em choque, como se não acreditasse que eu estava mesmo ali. Eu nunca tinha visto-a acordando. O cabelo castanho-bronze comprido estava bagunçado e foi a primeira vez que eu vi o cabelo dela solto. Ela usava uma calça de moletom preta com bolinhas coloridas e uma blusa branca de algodão. Não conseguia acreditar em como ela ficava linda assim.
–Bom-dia! – ela me abraçou, cheirava a chocolate, canela e água quente.
–Espera, porque ele ganha bom-dia primeiro? – perguntou Demon, ou talvez tenha sido Theron.
Ela riu e abraçou os gêmeos.
–Bom-dia, criaturas! – os dois sorriram – Da próxima vez que alguem aparecer e eu estiver dormindo, me acordem!
–Foi culpa dele! – disse Theron, ou talvez tenha sido Demon e apontou para o gêmeo.
–Certo – murmurou o outro.
–Vou tomar banho e depois encontro com vocês na arena – ela foi para o banheiro e gritou enquanto fechava a porta – Com todos vocês.
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