Peter Johnson E Os Olimpianos
2 EU APRENDO COMO MEIO-SANGUES FAZEM A MALA
Corremos todo o caminho ate a minha casa. Rebekah me explicou tudo sobre os deuses, o acampamento meio-sangue e tudo mais que era possível se explicar enquanto se corria cinco quadras. Quando chegamos, bati desesperadamente na porta e minha mãe abriu.
–Peter, vá para o seu quarto e comece a arrumar a mala – Rebekah entrou e se sentou no sofá, depois se virou para minha mãe – Sra. Johnson, temos que conversar...
Andei ate meu quarto. Meu quarto não era muita coisa, quer dizer moramos em um apartamento relativamente pequeno, mas como éramos só nos dois ate que nos virávamos bem. Minha mãe era bonita, olhos verdes, ruiva (mais ou menos o que se pode imaginar de uma sereia, mas com pernas) apesar de tudo isso ela nunca mais teve nenhum namorado nem nada. Ela diz que ninguém chega a altura do meu pai, faz sentido agora que eu sei que ele é um-deus-grego-e-tudo-o-mais.
Simplesmente me joguei na cama tentando digerir todas as informações que recebi hoje.
Rebekah entrou no quarto e me encarou por alguns segundos. Depois ela andou ate o meu armário e puxou uma mochila verde incrivelmente velha. Outra coisa que ela fez, virou sua própria mochila de cabeça para baixo e jogou tudo o que tinha dentro no chão. Uma garrafa térmica azul, um chaveiro de ouro em forma de sol com apenas uma chave, um arco de ouro e meia dúzia de flechas também de ouro, mas as flechas tinham ponteiras de bronze celestial, um bracelete de bronze celestial, um frasco transparente com um liquido cor de vinho e o iphone branco.
–O que é tudo isso? – me sentei perto das coisas
–Presentes dos deuses – ela abaixou os olhos e sorriu – dos deuses para mim.
–Certo... – peguei o chaveiro – e o que é isso?
–A chave de uma moto – ela tirou-o da minha mao e guardou-o em sua mochila preta – presente de Apolo
–Você tem uma moto e me fez correr ate aqui? – peguei o frasco – E isso?
Continuei assim por todos os objetos. A garrafa tinha néctar. O arco e as flechas haviam sido um presente de Artemis, as flechas sempre voltariam para o atirador. O frasco fora um presente de Dionísio e com apenas uma gota surgiria uma refeição individual. Zeus e Hera não lhe deram presentes. Poseidon concedeu-lhe a habilidade de respirar embaixo da água. Atena abençoara-a com um perfeito raciocínio em lutas (o que explica a batalha da Hidra). O iphone fora um presente conjunto, Hermes dera-a o celular com internet ilimitada e serviço de correio dos deuses embutido. Hefesto forjara a espada em que o celular se transformava e deu-lhe o nome de aíma (o grego de sangue), alem disso fizera o bracelete de bronze celestial que virava um escudo. Ares fez com que sangue fosse a espada mais leve do mundo mesmo sendo de lamina dupla, de um lado reluzia o bronze celestial e do outro o negro aço estígio, a bainha continuava com os metais. Hades lhe dera uma tiara de bronze celestial que, percebi pela primeira fez ela sempre usava. Sempre.
–Apolo, Artemis, Dionísio, Poseidon, Atena, Hermes, Hefesto, Ares, Hades. Zeus e Hera não te deram presentes – falei enquanto contava os deuses nos dedos – E Afrodite?
–Ela... ela me de um presente – Rebekah torceu o nariz e mexeu no rabo de cavalo nervosamente – Um deles foi... bom, ela disse que era um presente. Que como gostava muito de mim ia “Complicar muito a minha vida amorosa”.
–Desde quando isso é um presente?
–Porque você não faz a sua mala e me encontra na sala? – ela se levantou, pegou a mochila preta carregada com os presentes dos deuses e saiu correndo do quarto.
Joguei algumas roupas limpas na mala e me deitei na cama. Estava extremamente cansado, o que era estranho já que eram apenas onze da manhã, mas mesmo assim dormi.
Tive um sonho estranho. Eu estava em um túnel escuro que acabava em um abismo. Tinha a sensação de estar no subterrâneo. Um garoto estava parado na beira do túnel olhando para baixo. Ele parecia ter dezesseis anos, tinha cabelos pretos lisos, era magro e forte. Uma voz falava vinda do escuro, era fria e terrível, como aço raspando em pedra:
– ... Minha filha, a garota será reconhecida, em breve. Por enquanto parece que tenho que lidar com outros problemas.
–Senhor, não seria melhor se...
–NÃO QUESTIONE MINHAS DECISOES! – o garoto se assustou e quase caiu no abismo, recuou cambaleando – Sente a presença dele?
–De quem, Senhor?
– Calado! — a voz se voltou claramente para mim – Ola, semideus.
Meu sonho mudou.
Eu estava em outro corredor no subsolo, mas parecia que este era mais acima. Duas pessoas se encaravam, prontas para lutar. A primeira era um garoto loiro de olhos azuis que eu nunca tinha visto antes. A segunda era Rebekah, mas ela parecia ser dois anos mais nova, o cabelo castanho acobreado estava preso em um rabo de cavalo, a tiara de bronze celestial cintilando sinistramente na meia luz do túnel e a espada, sangue, erguida. Os dois pareciam tristes, mas ela estava irritada enquanto ele estava mais suplicante.
–Por favor, Rebekah, não quero lutar contra você. Sabe disso, você tem que entender! – ele largou a espada e começou a andar na direção dela – ele vai te explicar. Quando o Senhor te contar você vai entender! Eu sei que vai!
– Eu nunca vou entender! Como você pode? Todos confiavam em você! – ela recuou, se afastando dele – Traidor! Eu te odeio!
–Você sabe tão bem quanto eu que isso não é verdade – seus olhos ficaram dourados e sua voz se tornou fria, como a voz na caverna – Rebekah, eu posso lhe explicar. Pense minha querida. Junte-se a mim! Seremos invencíveis!
– Cronos – ela recuou ainda mais – Eu nunca me juntaria a você!
O titã pareceu sinceramente triste, o que não combinou nem um pouco com os temíveis olhos dourados.
–Rebekah! – gritou uma voz familiar vinda das sombras e o garoto do sonho anterior apareceu correndo pelo túnel, ele também parecia dois anos mais novo – No que você estava pensando?
Ele arrastou-a para o túnel do qual veio. Cronos urrou de raiva e dor, caindo no chão, os olhos voltando a ser azuis. O garoto do outro sonho encarou Rebekah e os olhos castanho-bronze dela encontraram os cinza tempestuosos dele.
–Nunca mais fuja sem me avisar! Ficou louca? Você podia ter morrido! – ele pegou uma caixinha no bolso da calça e apertou um botão nela, que cresceu e mudou ate virar um capacete – Promete ficar em segurança?
–Theo...
–Prometa – interrompeu-a Theo
– Prometo – ela estava assustada, quase em pânico. Ele colocou o capacete nela – o que você...
–Eu inventei, vai te deixar com sono – ele sorriu – Ainda temos alguns segundos antes de você apagar.
–Theo! – ela tirou o capacete e tentou se levantar, mas o garoto impediu-a e puxou ela para um beijo.
–Neoqeav – ele sacou a espada e correu na direção do garoto de olhos azuis.
–Neoqeav – murmurou Rebekah e desabou, dormindo.
Os dois guerreiros se encararam.
–Luke, como pode colocar Rebekah em perigo? – gritou Theo – Como pode!?
– Eu não a pus em perigo! Ela veio atrás de mim – defendeu-se Luke – Pensou que podia lutar contra Cronos...
–Você sabe que se alguém pode lutar contra Cronos é mesmo ela.
–Então deixe-a lutar!
–Não, eu nunca poderia deixa-la correr perigo. Se ela se... se... – gaguejou incapaz de terminar a frase – Eu não suportaria que algo acontecesse a ela.
– Eu não ia machuca-la! Mesmo que por algum milagre ela perdesse, ainda assim não a machucaria – ele encarou o garoto dos olhos cinzentos e apanhou a espada do chão – E acredite Theodore, você não pode lutar contra MIM!
Com a ultima palavra, seus olhos votaram a ser dourados e ele atacou. As espadas se chocaram e tudo escureceu.
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