Peter Johnson E Os Olimpianos

13 ARES E ATENA ENTRAM UMA BRIGA


Acordei no dia seguinte com uma das freadas bruscas de Argos.

-Bom dia – Rebekah me passou um copo de café e um saco com muffins. Onde eles podiam ter conseguido aquilo?

Comi em silencio, pensando sobre meu sonho e totalmente alheio ao que acontecia a minha volta. Não é como se eu tivesse muito sobre o que pensar, mas por algum motivo, que realmente não gostava daquele cara. Não gostava mesmo dele. Talvez fosse porque eu vira ele conversando com Cronos em um abismo, mas é só um palpite.

-Então – disse Rebekah quando eu terminei meu muffin – Você teve mais algum sonho do qual eu deva saber?

Porque ela tinha que ser tão gênia? Na boa, ela não podia saber do meu sonho.

-Não – depois que menti me senti realmente culpado. Mas o que eu podia fazer? Contar para ela? Acho que eu tive vários sonhos sobre você com seu ex-namorado morto, alias em um deles ele morre não ia soar muito bem – Nenhum.

-Ótimo – ela respondeu sorrindo.

Depois disso, Rebekah começou a pegar vários mapas da mochila e procurar os deuses. De vez em quando, ela dizia alguma coisa como Estamos indo muito bem! ou Já foram três deuses!, mas ela não parecia muito segura de que as coisas estavam indo bem.

-Zeus não pode, sei lá, chamar todos os deuses com um trovão mágico ou algo do tipo? – eu perguntei.

-Pode – Sophia respondeu – Mas ele prefere que os convites sejam entregues de um jeito especial. Não foi isso que Hermes disse?

-Peter, você já terminou de usar o saco de muffins? – perguntou Thales.

-Já – entreguei-lhe o saco e o sátiro devorou-o em segundos.

-Sabe, eu prefiro latas – comentou Thales – Mas realmente não recuso nada.

Nos rimos.

— Aqueles são Ares e Atena? – gritou Rebekah – Argos pare o carro, por favor.

Ela saiu correndo na direção dos deuses. Realmente, ali estavam, em uma estrada no meio do nada, os deuses da guerra. Ares tinha a aparência de alguém muito forte e usava óculos escuros e uma jaqueta de couro, o seu lado estava estacionada uma Harley-Davidson. Ele estava com uma expressão de extrema raiva e me deixou com medo e raiva em medidas iguais.

Atena vestia uma armadura completa, mas segurava o elmo em uma das mãos. Seus cabelos negros estavam presos em uma trança e seus tempestuosos olhos cinzentos mostravam desprezo. Sua expressão de raiva era igualmente assustadora. Apesar do desprezo e raiva que mostrava, tive a sensação de que ela me lembrava de alguém.

-Você não pode ser o único deus da guerra, Ares – disse a deusa – É impossível!

-Não é! – respondeu o deus – Não preciso de você! Não preciso de ninguém!

Os dois levantaram suas espadas e começaram a avançar.

-ESPEREM! – gritou Rebekah se pondo entre os deuses. Achei que ela fosse ser esmagada, mas eles pararam e encararam-na.

-Rebekah? – Atena deu um passo na direção dela – O que faz aqui? Não te vejo desde que Theo...

Theo! Era ele que a deusa me lembrava! Mas ele não era filho de Hefesto? Não era possível, quer dizer, ela era muito parecido com a deusa para não ser filho dela.

-Eu estava indo para o Monte Santa Helena e acabei vendo vocês aqui.

-Monte Santa Helena – ironizou a deusa. Eu estava entendo aquilo direito? Theo era filho de Atena e Hefesto? Impossível!

-Eu só queria entregar-lhes isto – ela entregou a Atena o convite e depois se virou para Ares e fez o mesmo.

-Ola – ele cumprimentou-a e sorriu – Como vai meu presente? Já matou muitos monstros com a espada?

-Ola – ela respondeu – A espada é ótima, muito obrigada.

-Porque você esta falando com ele – eu disse, irritado. Confesso que não foi meu melhor xingamento – Vamos embora!

-Peter – murmurou Sophia – Cala a boca! Sua raiva é efeito do poder de Ares!

Segui o conselho dela e fiquei quieto, mas o deus já havia me ouvido.

-O que disse meio-sangue insignificante? – ele tirou seus óculos escuros e eu vi que em seus globos oculares brilhavam chamas.

-Senhor? – chamou Rebekah devagar – Ele nunca esteve em sua presença suprema, não conhece seu poder. Só estava sucumbindo ao efeito de sua magnitude.

Ares sorriu. Rebekah havia salvado minha vida, de novo.

-Com certeza, ele estava apenas... sucumbindo ao poder supremo de minha magnitude! – concordou ele.

-Não acredito que ele caiu nessa – murmurou Atena revirando os olhos – E você garoto, quem é?

-Peter – respondi assustado – Peter Johnson, senhora.

-Você é o novo filho de Poseidon não é, Peter? – ela perguntou simpaticamente.

-Sou – eu consegui forçar-me a dizer.

Ela olhou para Rebekah, depois para mim e então sorriu.

-Certo Peter – a deusa disse – Você tem minha benção.

-Desculpe senhora – eu gaguejei – Mas eu tenho sua benção para o que?

Ela riu, mas não me respondeu.

-Se... Se vocês me permitem perguntar... – começou Rebekah.

-Claro que permitimos! – interrompeu-a Ares.

-Obrigada – ela agradeceu e continuou – Por que estavam brigando?

-Ares quer ser o único deus da guerra – explicou Atena – Mas ele não pode. Sem mim não haveria guerra com raciocínio, seriam apenas disputas estúpidas.

-Eu não preciso de você! Já disse isso! – reclamou Ares – Não preciso de ninguém!

-Nem de minha mãe? – murmurou Sophia.

— Filha de Afrodite – disse Ares, reparando nela pela primeira vez – Como é linda, puxou a mãe, com certeza...

Atena aproveitou o momento de distração do deus, começou a brilhar e desapareceu. Olhei em volta, todos vivos. Apesar de estarmos todos vivos, Rebekah encarava o lugar em que a deusa estivera um momento antes, extremamente assustada, como se estivesse esperando o momento de morrer.

-Eu estava... Estava olhando – ela gaguejou – Vou morrer! Vou...Morrer!

Eu congelei, em choque. Ela não podia, quer dizer, Rebekah não podia me deixar e simplesmente morrer. Ela não podia morrer só porque se atrasou um pouco para virar o rosto, seria... Seria errado. Continuei encarando-a, percebi que eu não era o único chocado. Thales, Argos, Ares e ate Sophia também olhavam para ela sem acreditar.

-Você não vai morrer – disse Ares finalmente – Seria morte instantânea. Já se passaram cinco minutos, se morresse não seria instantaneamente. Ou seja, por algum motivo você não vai morrer.

-Ou minha morte esta atrasada... – ela começou, mas ele interrompeu-a.

-Você não vai morrer. Acredite. Agora olhe para o outro lado esta bem? – ele esperou Rebekah cobrir o rosto. Depois se virou para mim – E você, garoto, da próxima vez que eu lhe encontrar... Está MORTO!

Com a ultima palavra ele desapareceu.