Notas iniciais
"Ah, cruéis Três! Naquele preguiçar,
Sob um tempo ameno, estival,
Implorar uma história, e de tão leve alento
Que sequer uma pluma pudesse soprar!
Mas que pode uma pobre voz
Contra três línguas a trabalhar..."
Lewis Carroll

Uma de três filhas congênitas abençoada pela noite iluminada

Será profetisa da morte que acompanha a magia proibida.

A lâmina caiu sobre esta

Levando-a para as terras brancas

Brilha em seu cenário

Com uma cachoeira azul-turquesa

Com uma beleza interior

O Eternamente Livre

Guarde-me debaixo da tristeza

Balançando a lâmina, minha canção de ninar

Sob a mesma lua pálida

Da qual a luz guia te escolheu

Esta carregará em sua pureza

Os segredos ocultos da arte dos mortos.

E apenas está é capaz de proferi-los

Optando pela destruição ou compaixão do eterno ser

E quando a morte lhe vier

Ela a colherá de bom grado

E pelo semblante de seu protetor

Despertará

A necromancia é uma magia antiga e muitos de seus segredos se ocultaram com o tempo para que por motivos errôneos não alimentassem uma causa insensata. Fallen almejava este poder proibido, contudo não tinha como encontra-lo, foi então que por uma cigana de rua, ouviu uma lenda e nela baseou seu massacre.

Albert Collins era um homem simples de 35 anos, cabelos castanhos claros pouco cumpridos amarrados num pequeno rabo de cavalo, as roupas inata de sua condição simplória com um colete de couro. Elizabeth, Cornelia e Dianne suas três meninas, as três gêmeas de uma maldição profetizada pela própria lua.

Ele cuidara das três assim que a mãe morreu quando ambas tinham seis anos. E mantendo este segredo tentou protege-las do mal que sabia que um dia lhes perseguiria, do segredo que uma delas guardava.

- Elizabeth feche a porta e não abra para ninguém. — Disse Albert de feição preocupada e temerosa a uma de suas filhas, a empurrando para dentro de um quarto escondido no pequeno casebre de uma aldeia pequena num vale.

- Mas pai... – Elizabeth trazia um semblante tristonho. Mesmo tentando não demonstrar, algumas lágrimas insistiam em cair e percorriam seu rosto lentamente.

- Não discuta e cuide de suas irmãs. – Ele olhava a porta do casebre freneticamente com atenção. Depois voltou-se para suas gêmeas e as olhou com ternura, Albert pensava na maldição que recaíra sobre sua família – Prometam que vão se cuidar.

- Pai vem com a gente. – Pediu-lhe Dianne, conforme batidas na porta como murros soavam pelos fundos.

- Por favor. – Concluiu Cornelia, mas as batidas aumentavam em força e volume até que uma última batida ecoou com a porta no chão.

Albert bateu a porta do cômodo pequeno, bem a tempo de ver cerca de três soldados de Fallen invadirem a cabana. Três criaturas corpulentas com armaduras negras deixando apenas aparente o pelo alaranjado da parte inferior dos braços, com marcaras negras trazendo expressões de pavor, tristeza e terror.

- Com licença senhor. – Disse um dos seres levantando a mascara e deixando aparente o focinho alongado com o mesmo pelo laranja dos braços, com olhos pequenos de um brilho cruel e atormentador, característicos das raposas. – Procuramos três jovens de 17 anos. – Buscava com o olhar pela casa trazendo uma das mãos um a clava pesada e usando a outra para derrubar uma estante. – Uma delas é amaldiçoada pela magia das sombras e quem trará a nossa rainha o poder dos mortos. – O olhar preocupado de Albert denunciou uma pequena falha na camuflagem da porta. E quando terminou sua sentença, a criatura se prostrou nos segundos seguintes para empunhar a clava.

Com um golpe forte acertou Albert que desviou habilmente se abaixando e virando de lado. Numa bainha pendurada na parede tirou uma espada larga, defendeu dois golpes diagonais da clava daquela primeira criatura. A segunda lhe acertou um corte de raspão com sua espada, mas como contra-ataque Albert lhe acerou em cheio o abdômen deixando um rastro de sangue seguir pelo ar cortado com o golpe rápido até cair no chão.

O terceiro ser trazia como arma um machado pesado, que lhe acertou bem de frente. Albert teve de se manter firme e forte para manter a lamina do machado longe de sua cabeça. Do outro lado, a primeira criatura se recuperava do súbito de ter visto a morte visto a morte de um de seus companheiros e atacava por trás o pai da profetisa, urrando com raiva e imaginando em sua mente suja o corpo enfim morto do protetor das gêmeas – o alimento do mal inimaginável e incontido que sua rainha tanto desejava.

Albert ouviu o urro da criatura e tentou pressionar o machado com a espada mais para cima para poder sair dali. A primeira criatura se aproximava mais e mais rápido cada vez mais perto, enquanto que do outro lado, o protetor se esforçava para se livrar do golpe da criatura com o machado.

Com mais e mais força até se livrar no segundo em que a clava acertaria suas costelas. O machado do terceiro ser desceu até o chão, cravando no piso de madeira, e o golpe da clava não fora desviado a tempo, acertando em cheio a cabeça da criatura com o machado, esmagando-a e a fundindo ao ferro do capacete e da mascara. A terceira criatura caiu moribunda sobre o chão ensanguentado do casebre.

- Dois já foram. – Disse Albert em certo tom de provocação e desafio. Virando e estalando o pescoço, embora tremesse levemente com a espada em mãos.

- Dizem que você é o único que sabe. Sabe qual das três é a profetisa. Dizem que ela é especial, e vê coisas além do compreensível. – A percepção que estes seres traziam de seus símbolos era inegável, e a mão tremula de Albert, dera aquela criatura, a confiança que precisava. – Já faz tanto tempo que deixou de seguir nossa rainha que duvido que sua lealdade um dia tenha existido.

- Ela é insana e corrupta. Você é um dos que ainda creem em suas promessas infundadas. O que lhe fará bem matar três jovens de 17 anos? – Em suas palavras, ele buscava a firmeza necessária pra manter a esperança de que a criatura desistisse, sabia que não poderia lutar contra ela.

- Vou entregar a profetisa para Fallen e matar as outras duas, mas primeiro precisarei de uma diversão. – Ele sorriu. – Talvez elas sirvam melhor que as prostitutas das tabernas em que bebo. Falam que a maldição da lua lhes dá uma beleza única.

Albert ouvia cada palavra com pesar e temor, ao mesmo tempo em que uma mescla de ódio crescia em seu coração, tomando seu corpo, até que atacasse de novo. Com um primeiro golpe, motivado pela ira, atingiu de leve, a parte do flanco desprotegida. Porém os outros golpes não lhe deram muito sucesso, sendo bloqueados sem muito esforço de seu adversário imundo.

O ser ainda trazia nos lábios o sorriso desdenhoso e desafiador de sua imaginação perversa e suja. A lamina da espada tilintava e faiscava ao tocar a clava pesada, a cada golpe protegido. Albert e a criatura caminhavam pela sala, esquivando-se dos objetos e dos corpos, tentando freneticamente abater o inimigo.

Mas um deslize fez com que Albert deixasse a clava acertar seu braço direto e a espada caiu no chão, enquanto ele despencava pela dor do golpe. Caído no chão e segurando o ombro quebrado, ele se arrastava para frente da porta enquanto a criatura andava vagarosamente.

Quando encontrou novamente o protetor — ele tentava se levantar com dificuldade, se apoiando em um braço -, a criatura lhe acertou a clava num golpe forte na perna que o sustentava, acertando repetidamente mais três golpes fortes. Deslocando seu osso para fora do curso onde um pedaço deste pendia pela pele e a calça esfarrapada.

- Por que ainda tenta? – Dizia a criatura, ignorando a expressão de dor do adversário. Então lhe acertou mais um forte golpe no outro braço em que se apoiava para tentar levantar de novo, fazendo-o despencar no chão mais uma vez.

- Por favor. – Sussurrava Albert, tentando usar o braço em qua a dor estabilizara para colocar o osso da perna no lugar, mas a dor era insuportável.

O ser o empurrou com o pé para longe, como se faz com um peso morto. Tirando a camuflagem da porta, e tentando abri-la. Assim que viu que estava fechado, forçou a fechadura algumas vezes e ouviu alguns sons de choro vindos de dentro do cômodo pequeno.

Do outro lado da porta, Elizabeth, Cornelia e Dianne ouviam aos sons dos golpes, dos gritos e urros, das falas da criatura medonha e as argumentações inúteis de seu pai. Com uma mão na boca, Cornelia tentava conter os sons de seu medo, se escondendo atrás de Elizabeth junto a Dianne que mais parecia em choque – ela olhava para as paredes e para o teto como se não participasse daquela cena e estivesse em outro lugar, acenou uma ou duas vezes para o ar e continuou sentada no canto.

Durante um instante as tentativas de abrir a porta pararam e de dentro do cômodo só se ouviu um grito sufocado ou engasgado. Era Albert sucumbindo à morte depois de um corte que a criatura fizera em sua garganta. Depois os barulhos e o movimento frenéticos da maçaneta voltaram mais fortes.

Dianne voltou a olhar para uma parede, mas como se olhasse através desta. Se despedindo mais uma vez com um aceno singelo, mas desta vez deixando uma lágrima solitária percorrer seu rosto.

Por fim, as tentativas de romper a fechadura cessaram, mas não foi um alívio. A fechadura fora arrombada com o machado manchado com o sangue de seu protetor, e ao fundo o corpo mutilado deste.

Elizabeth caiu no chão em sua dor, tapando a boca com a mão tentando conter o grito agonizante preso no nó em sua garganta. Cornelia estava estática, olhando freneticamente a criatura e sua arma, pensando no que esta dissera e no que ela faria com ela. Dianne se mantinha estática e encolhida olhando para um ponto fixo na parede, mas não parecendo perceber a realidade a seu redor.

O ser sorriu novamente, prazeroso pelo pavor eu via nos olhos atônitos de suas vítimas e já identificara sua presa. De trás dele, mais um ser surgiu, com a armadura negra e a marcara cobrindo o rosto de raposa.

- Está é a profetisa. – Apontou para Dianne no canto. – Convoque os outros e diga que as pilhagens, faremos depois. Por enquanto temos nosso objetivo.

- E você senhor? — Perguntou o outro ser.

- Já estou indo imbecil. – Disse no mesmo sorriso largo que demonstrava seus pensamentos imundos.

Dianne foi arrastada de lá, ignorando as suplicas de suas irmãs, até que Elizabeth tomou uma decisão. Pegou uma adaga na bainha que trazia na bota e atirou na criatura que carregava Dianne, já na porta da cabana, e foi só então que está pareceu entender a realidade e a gravidade dela.

A criatura urrou de raiva e usou o machado para degolar Elizabeth, o qual o corpo pendeu para o piso de madeira podre, o ensanguentando. E logo depois a cabeça despencou junto deste, em meio a poça de sangue.

Mais cinco ou seis soldados chegavam para encher o casebre, Dianne agarrou a espada do pai caída no chão e a empunhou. Cornelia ainda estava dentro do quarto, atônita e com medo. Dianne derrubou com um golpe e uma esquiva a primeira criatura, se abaixando para se esquivar do golpe da segunda e defendendo mais um ataque atrás, depois cortando o dorso do ser que gritou e caiu no chão junto às outras carcaças.

Quando chegou na terceira criatura defendeu três golpes na diagonal da clava de seu adversário, mas a força era desigual então aproveitou um segundo de distração e cortou o tendão da perna do ser, derramando o sangue de suas artéria femoral .

Um circulo de oito soldados se formou a sua volta e ela sabia que não podia lutar contra tantos, então prostrou a lamina prateada sobre sua própria garganta e olhou para dentro do quarto onde Cornelia, lhe olhava derramando mais e mais lágrimas, balançando a cabeça em um sinal negativo.

Então ela respirou fundo e balbuciou um adeus silencioso para a irmã.

- Que o diabo amaldiçoe a rainha. — Com força pressionou a lamina sobre sua garganta e despencou no chão engasgada pelo próprio sangue, com os olhos ainda abertos em sua expressão de pavor e coragem.

Notas finais
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