Notas iniciais
Resolvi dar as caras, HUE. Será que alguém ainda lê isso? Provavelmente não, mas eu odeio deixar histórias inacabadas, então mesmo que eu demore anos, vou terminar isso. oó;

A garota manteve sua boca fechada para cumprir os desejos do outro, ela já teve problemas suficientes por uma noite. Ela analisava os traços suaves e ao mesmo tempo másculos do rosto do loiro já pensando em sua morte. Qual caixão será que comprariam para seu corpo? Que roupas escolheriam? Quem compareceria? Independente de tudo isso, pelo menos ela morreria nas mãos de um homem muito, muito bonito. Sorte?

Outros pensamentos cruzaram sua mente também; será que ele ainda a mataria se ela não tivesse ameaçado-o? Será que ao invés de morrer nos braços de um inglês ela não poderia simplesmente adormecer e acordar com um beijo de bom dia? Tudo aquilo seria muito bom. Mas não, ela preferiu cutucar a onça com vara curta e enfrentar o homem. Claro, ela tinha que desafiá-lo.

Aquela dor em seus ombros, seus olhos inchados de tanto chorar e seus pés doloridos por correr descalça na rua deveriam lembrá-la de ser sutil e sucumbir ao que o agressor pedia, mas mesmo em uma situação de vida ou morte, ela ainda não conseguia se comportar como uma pobre donzela indefesa. "O que você quer?" Ela perguntou amargamente. Seus dentes rangiam com raiva e seus olhos azuis ainda mantinham certo brilho apesar de todo aquele pesadelo.

O jeito como ela perguntou fez Arthur arquear suas sobrancelhas brevemente. Ele nunca teve que lidar com uma garota tão forte como aquela. Não estamos falando da força física de Amy, mas sim de seu gênio forte. Quer dizer, se ele quisesse, poderia quebrá-la como um palitinho de dente fácil, fácil, e mesmo assim ela o enfrentava. Que garota.

"Quero que você me ajude. Não vou te machucar se você o fizer." Ele tentou manter a calma em sua voz, mesmo que por dentro estivesse sentido um monte de coisas ao mesmo tempo, especialmente com o barulho daquelas sirenes ao seu redor.

O quê? A mente da americana estava bagunçada. Ajudar um assassino? Como? Obviamente, ela pensava que ele a queria como serva. Ou que ele talvez estivesse interessado em seu corpo. Porém, Arthur poderia ter qualquer garota que desejasse quando quisesse e um ser imortal não precisa de servos, ele tem todo o tempo do mundo pra fazer o que quer que seja. O que ele queria mesmo era alguém do século XXI que soubesse mexer com as mais novas tecnologias e fosse capaz de ajudá-lo a pesquisar sobre sua espécie e sobre como acabar com ela. Em outras palavras, Arthur Kirkland queria que ela o ajudasse a deixar de ser um vampiro.

"Eu vou te ajudar." Ela disse, estreitando os olhos para olhar bem no fundo daqueles olhos verdes assassinos. "Contanto que você me diga o que você é."

O loiro tentou sorrir em agradecimento, um sorriso gentil que as pessoas normalmente dão depois de receber seu troco ou quando cumprimentam algum conhecido na rua, mas o sorriso que apareceu em seu rosto era cínico e até meio maníaco. "Eu vou explicar tudo." Ele disse. Mesmo tentando manter-se frio, o alívio em sua voz era perceptível.

Uma última olhada no rosto da americana e então uma analisada no local em que eles estavam, só para ter certeza da distância da polícia e para onde correr. Tudo certo, chega de conversa, hora de ir embora; Arthur passou o braço pela cintura dela e ergueu-a.

"Aliás, eu sou um vampiro." Foi a última coisa que ele disse antes de começar a correr em uma velocidade desumana. Seus sapatos atrapalhavam um pouco a corrida, pois eram extremamente desconfortáveis e barulhentos, mas naquele momento qualquer barulho seria insignificante. Até os gritos e protestos da menina que continuava a espernear e a bater com os punhos no peito de Arthur tornaram-se nulos quando comparados à incrível velocidade do vampiro.

Apenas alguns segundos depois, eles estavam na frente de uma enorme mansão. Não uma mansão que se assemelha a um castelo, como os vampiros de filmes moram, mas uma mansão que se assemelhava a uma casa grande, alta e cheia de janelas. Todas elas encontravam-se fechadas.

"Desculpe." Ele disse, colocando a dama no chão e abrindo a porta para ela. Ele precisava tratá-la bem agora, afinal ela poderia ajudá-lo a se livrar da terrível maldição que o assombraria para sempre: a imortalidade.

Em situações normais, uma mulher ficaria no mínimo encantada por ter um inglês alto, loiro e de olhos claros sorrindo aos seus pés e abrindo a porta de uma mansão para ela. Porém, naquele momento Amy só se sentiu irritada, assustada e nervosa. "Desculpas não aceita." Ela murmurou sem olhar para o rosto do agressor e seguindo em frente, entrando na mansão.

Obviamente, ela não iria admitir, mas a mansão era incrível. Tudo parecia grande, chique e limpo. As escadas eram de mármore branco e seus corrimãos, extremamente detalhados. As paredes eram limpas com alguns poucos quadros. A decoração era linda, e seria mais bonita ainda se estivesse recebendo luz do sol — coisa que era extremamente raro naquele lugar por motivos óbvios. Realmente, parecia um cenário de filme. Quem diria que um dia ela estaria ali? Mas bem que ela podia estar ali sem ter machucados, arranhões e cortes em seu corpo...

"Onde é o banheiro?" Ela se virou para perguntar ao outro, que acabara de fechar a porta. Dessa vez, Amelia estava com os braços cruzados enquanto encarava-o. Não por estar brava, era mais uma pose defensiva caso ele resolvesse carregá-la por aí de novo. "Preciso me limpar."

O vampiro tinha uma postura ereta, seus pés colados um no outro. Um de seus braços estava junto do corpo enquanto o outro era esticado para indicar uma única porta para a garota. "Ali." Ele disse, um sorriso levemente ressurgindo no canto de seus lábios. "Leve o tempo que precisar." Ele realmente parecia um homem tentando cortejar uma dama, se não fosse pelo sangue em suas luvas e seu sorriso um pouco sádico demais.

"Ah, eu com certeza vou." Ela respondeu com sua língua afiada enquanto andava para o banheiro. Antes de entrar, Amy virou-se para encarar o homem. "Só pra te avisar, estou esperando novas roupas, já que você destruiu as minhas, e jantar." Quando já estava dentro do banheiro, apoiou-se na porta ainda aberta para dar mais um último recado. "Ah, e se acontecer mais alguma coisa... Outro arranhão, mordida, grito, corte, machucado... Qualquer coisa. Apenas uma. Se acontecer mais alguma coisinha que possa me ferir, minha família ficará sabendo. Pior, meu pai ficará sabendo. E ele vai te achar e te caçar até o inferno de onde você veio e te dar um fim. Então se você valoriza a sua vida, mantenha sua palavra. Eu manterei a minha." A loira sorriu, deu uma piscadela e fechou a porta com força.

Arthur não pôde evitar mas rir do que ela disse. Valorizar a vida... Tinha que ser uma piada. Ele manteve o sorriso no rosto quando foi cuidar de tudo que a madame pediu. Roupas não seria um problema, Arthur já tinha recebido muitas mulheres naquela mansão e depois de dar um fim nelas, as roupas acabaram ficando com ele. O que seria difícil de conseguir é comida. Não tinha comida na mansão Kirkland, por que teria? A única coisa que ele deveria ter era chá, porque convenhamos, que tipo de britânico ele seria se não tivesse chá em sua própria residência? Desse modo, o homem dirigiu-se à cozinha.

Enquanto isso, no banheiro, Amelia estava tentando processar tudo que tinha acabado de acontecer. Você está um bagaço, Jones. Ela pensou consigo mesma se olhando no espelho e vendo os cortes em suas pernas, os arranhões em seus braços e a maquiagem completamente arruinada em seu rosto. Pode até estar em uma mansão maravilhosa, mas tá parecendo um lixo. Nem um vampiro iria querer-- Ela mesma interrompeu seus próprios pensamentos. Vampiro. Não podia ser verdade... Vampiros não existem, é o mais natural a se pensar. Mas ela viu uma mulher morrendo nos braços daquele homem. Ela viu o sangue escorrendo da boca dele. Ela viu tudo. Que outra explicação poderia ter? Engolindo em seco, a americana abriu a torneira e passou água por todos os machucados que ainda estavam abertos, deu uma limpada no rosto e descansou um pouco os pés que estavam repletos de cortes. Não tinha a mínima vontade de sair daquele banheiro, mas sabia que não poderia ficar lá pra sempre, infelizmente.

Quando saiu, Arthur estava segurando uma bandeja de prata com um conjunto de chá em cima. Ele fez um gesto com a cabeça e ela o seguiu para outro cômodo com um sofá, uma lareira e uma mesinha de centro sobre a qual ele apoiou a bandeja.

Amy sentou-se no sofá e olhou para o chá à sua frente. "Não está envenenado, está?" Ela perguntou, cuidadosamente pegando a xícara com um olhar de desgosto.

Arthur riu do comentário dela, sentando-se ao seu lado. "Se você achou que eu poderia envenenar sua comida, por que me pediu para preparar o jantar?"

"Cuidado nunca é demais." Ela respondeu, dando de ombros e dando um gole no chá. "Então, você é mesmo um vampiro? Não tô muito convencida."

"Sim, eu sou." Ele deu de ombros. "Eu também não iria acreditar em mim se eu fosse você. Mas infelizmente, sim, eu sou um vampiro. Como aqueles que você já deve ter ouvido falar em histórias infantis." Ele suspirou. "É por isso que eu gostaria de contar com sua ajuda, senhorita...?"

"Amelia. Só me chame de Amelia. E como diabos você virou um vampiro? Espera-- Isso quer dizer que você é um velhote que nem o Edward Cullen, de Crepúsculo?" Ela levantou uma sobrancelha e antes de esperar por uma resposta, continuou a reclamar. "Ótimo. Fui sequestrada por um reluzente e brilhante auto-proclamado vampiro. Ainda não acredito em você. Prove que você é um vampiro, e não, eu não quero dizer me morda, não sou tão estúpida."

O sorriso que Arthur tentava manter para agradar a donzela não resistiu àquele insulto. Ele não podia acreditar que ela estava comparando-o a Edward Cullen. "Não, eu não sou como aquilo." Seu tom era ríspido, era possível perceber a raiva em sua voz. Ele torceu o nariz e continuou, tentando recuperar a calma. "E não me chame de reluzente ou brilhante. Eu não sei o que faz os humanos pensarem que vampiros realmente brilham sob a luz do sol. É a coisa mais patética que eu já ouvi. Sem mencionar que naquele livro eles nem ao menos bebem sangue huma--" O britânico estava se exaltando. "Enfim..." Ele pigarreou antes de prosseguir. "Tornei-me um vampiro sendo mordido por outro vampiro, é assim que acontece. E como caralhos você quer que eu prove isso?" A conversa sobre Crepúsculo o fez perder um pouco sua pose de cavalheiro. "Você me viu matando aquela mulher assim como também me viu bebendo o sangue dela, do que mais você precisa?"

Como resposta, Amy apenas deu outro gole no chá, pois ela sabia que ele estava certo. Ela viu mesmo tudo aquilo que ele disse. A loira levantou seus olhos azuis novamente para dar uma melhor olhada no rosto de seu mais novo anfitrião, ousando olhar nos seus olhos pela primeira vez. Um calafrio percorreu suas costas, pois ela podia jurar que estava encarando para a própria morte. E é como dizem mesmo; a morte é linda e sedutora.

"Certo... Então qual é o seu nome? E não me venha com nenhum nominho mequetrefe, é justo eu saber seu nome já que você sabe o meu. A não ser que prefira que eu te chame de Edward." Só a pronúncia daquele nome fazia Arthur ranger os dentes. A humanidade do século XXI realmente estava perdida. "Meu nome é Arthur Kirkland." Ele não disse como ela deveria chamá-lo porque ele realmente não se importava se seria Arthur, Kirkland, Artie, 'ei você', tanto fazia. Exceto, é claro, por Edward.

Satisfeita, ela colocou a xícara de volta na mesa. "Há quando tempo você é um vampiro?" Perguntou a menina, voltando o rosto para ele.

"Estamos em 2014, então..." O inglês abaixou o olhar para fazer as contas. Enquanto pensava, ele olhou para as mãos da moça ao seu lado e lembrou-se que ainda precisava lhe dar as roupas que ela pedira. "126 anos, creio eu. Tornei-me um vampiro em 1888." Ele levantou-se antes de poder ver a expressão de choque no rosto da menina. "Posso responder todas as suas perguntas, mas antes não gostaria de trocar esse vestido como você mesma disse antes? Tenho algumas roupas femininas no andar de cima."

Ela não questionou o fato de um homem ter roupas de mulher em casa, mas achou estranho. "Seria legal, já que você detonou o que eu tô vestindo."

"Perdoe-me. Não era minha intenção." Mas é claro que Arthur respondeu-a com escárnio, desdém e muita ironia. Não era só ela que podia jogar aquele jogo.

Ele levantou-se e começou a andar, esperando que a menina seguisse-o. Subiram as escadas e entraram em um corredor longo e escuro com diversas portas, todas fechadas. Eles pararam em frente à última porta de tal corredor.

Mais uma vez, o cavalheiro abriu a porta e gesticulou para a mulher entrar. "Escolha o que quiser."

Amy entrou no quarto e ouviu a porta atrás de si ser fechada. Lá dentro, havia apenas um grande armário, um tapete — que parecia ser bem caro, assim como tudo naquela casa — e um baú. Sem camas ou mesas. Ela deu de ombros e caminhou até o armário. Quando o abriu, deu de cara com diversos vestidos de todos os tipos; desde aqueles bem longos e cheio de frufrus que usavam no século XIX até aqueles super curtos que mais parecem camisas que as mulheres usam no século XXI. Todo o tipo. Era impossível escolher apenas um! Ela estava maravilhada e por um segundo pôde até esquecer onde estava, especialmente quando seu olhar pousou sobre um certo vestido que estava dentro de um plástico. Não é nem preciso dizer que ela realmente pegou o vestido e tirou-o do plástico. O vestido era lindo: era longo, branco, com alguns babados e detalhes na frente, porém nada exagerado. Parecia até um vestido de noiva. Amy não pensou duas vezes antes de prová-lo, todas querem ser noivas. E ficou bom. Um pouco apertado no busto, mas nada muito incômodo. Depois de uma última olhada no espelho da porta do guarda-roupa, a menina saiu do quarto. "Pode me mostrar onde vou dormir? ...Tô meio cansada."

Arthur olhou maravilhado para a mulher. Ela estava linda! Inconscientemente, o vampiro arregalou os olhos, fitando-a da cabeça aos pés. Realmente, nem parecia a mesma garota. Devia ser efeito daquele vestido. Não era à toa que ele era o único em um saco plástico, ele tinha um significado muito importante para o homem. Por isso que depois de uma primeira olhada na menina, o vampiro procurou desesperadamente pelo chão. Tinha medo do que poderia fazer se continuasse a olhar para ela e para aquele vestido.

"Claro... Siga-me." Ele disse, olhando fixamente para o chão e dando meia volta para guiá-la até o próximo cômodo. A menina nada disse e apenas segui-o.

Em poucos instantes eles já estavam em frente à outra porta. Arthur abriu-a, revelando um quarto grande, maior do que o anterior, com uma cama de casal no meio. Em cada lado desta, um criado mudo sobre o quais havia um relógio. A cama tinha véus que desciam desde o teto até o chão. A janela era enorme, mas obviamente se encontrava fechada. Também havia um armário nesse quarto, junto com um sofá. Mas para Amelia, tudo que realmente importava era a cama. Ela estava exausta, e precisava sentir aquele colchão em suas costas o mais rápido possível. A loira entrou no quarto sem dizer nada ao outro. Mas ele quebrou o silêncio: "Se precisar de alguma coisa, é só me chamar. Meu quarto é no fim do corredor, mas você provavelmente me encontrará na sala." Quando terminou a frase, ele lentamente levantou seu olhar para dar uma última olhada nos olhos da menina.

"Certo. Boa noite..." Ela murmurou, olhando de volta fixamente nos olhos verdes do homem à sua frente antes de fechar a porta, se jogar na cama e finalmente adormecer.

Notas finais
Não sei quando postarei de novo... Perdão. Mas espero que tenham gostado do capítulo. ;w; Até!