Num piscar de olhos, o ar fresco de Corona foi substituído pelo cheiro de asfalto molhado e luzes de néon. Eu estava no meio de Shinjuku. Eram cerca de sete da noite no Japão — o horário de pico.

​As pessoas passavam por mim, apressadas, sem notar o homem de cabelos brancos e uniforme de gala real (eu tinha esquecido de trocar de roupa, mas em Tóquio, ninguém estranha um cosplayer bem feito). Meus Six Eyes mapearam a cidade instantaneamente até encontrar o que eu queria: uma pequena confeitaria tradicional que sobreviveu à modernidade, famosa pelo melhor Daifuku Mochi de morango da região.

​Entrei na loja, o sininho na porta anunciando minha chegada.

​— Irasshaimase! — a senhora atrás do balcão disse, arregalando os olhos ao ver minhas roupas douradas.

​— Boa noite! — respondi em japonês, com meu sorriso mais charmoso. — Vou querer três caixas do seu melhor mochi de morango, duas de chá verde e... sabe de uma coisa? Levo tudo o que tiver de mochi de chocolate também. É para uma rainha. Literalmente.

​Enquanto ela embalava cuidadosamente os doces, olhei pela vitrine. Vi a Escola de Feitiçaria ao longe, no topo da colina. Por um segundo, senti saudades daquela confusão, mas então lembrei do chute do bebê contra minha mão e do sorriso da Rapunzel. O meu lugar agora era outro.

​— Aqui está, senhor — disse a senhora, entregando as caixas amarradas com um lenço de seda.

​Paguei com um punhado de moedas de ouro de Corona. Ela olhou para o ouro, depois para mim, e eu apenas pisquei.

— Considere uma gorjeta real.

​Saí da loja e fui para um beco escuro. "Um minuto", pensei, olhando para o relógio imaginário. "Ainda dá tempo de pegar um refrigerante de melão."

​O Retorno Triunfal

​03:14 AM – Quarto Real em Corona:

​O ar estalou e eu reapareci ao lado da cama. Rapunzel ainda estava mastigando o último pedaço de queijo, e Flynn estava encostado na parede, quase dormindo em pé.

​— Voltei — anunciei, balançando as sacolas com o logotipo da confeitaria japonesa. — Direto de Tóquio. Ainda estão macios.

​Abri a caixa e o aroma doce de arroz e morango preencheu o quarto. Rapunzel pegou um mochi rosado com os olhos brilhando. Quando ela deu a primeira mordida, soltou um gemido de satisfação que fez todo o teletransporte interdimensional valer a pena.

​— Satoru... isso é um milagre em forma de doce — ela disse, com um pouco de farinha de arroz na ponta do nariz. — Experimenta, José!

​Flynn, curioso, pegou um de chá verde. Ele mastigou, fez uma careta pensativa e depois seus olhos se arregalaram.

— Ok, Gojo. Eu retiro o que disse. Se você pode trazer essas coisas desse tal "Japão" em segundos, você é oficialmente o melhor companheiro de viagem que eu já tive.

​— Eu sei, Rider. Eu sou incrível — sentei-me na beira da cama e limpei o rosto da Rapunzel. — Mais algum desejo? Quer que eu busque neve do Himalaia para esfriar o seu suco?

​— Por enquanto, estou satisfeita — ela riu, encostando a cabeça no meu ombro. — Mas não vá muito longe. O bebê parece que gostou do açúcar, ele não para de pular.

​Ficamos ali os três, dividindo doces de outro mundo no silêncio da madrugada de Corona. Eu podia ser o homem mais forte de dois mundos, mas naquele momento, meu maior triunfo era ter garantido que minha esposa e meu filho tivessem o lanche perfeito.