Perverso ᝰ'Satoru Gojo
22 Capítulo 22
Eram três horas da manhã quando senti um puxão suave no meu braço. Eu estava flutuando a alguns centímetros da cama (um hábito difícil de largar), mas acordei instantaneamente.
— Satoru... — a voz da Rapunzel era doce, mas tinha aquele tom que eu aprendi a temer mais do que uma maldição de nível especial.
— Sim, meu sol? É o bebê? Alguma contração? — perguntei, já pronto para teletransportá-la para a ala médica.
— Não, não é nada disso — disse ela, sentando-se e acariciando a barriga proeminente. — É que... eu tive um pensamento. Você se lembra daquele fruto que você mencionou uma vez? Aquele que cresce nas ilhas do Sul, que tem gosto de creme de baunilha, mas é salgado como o mar?
Eu pisquei, processando. — O Fruto de Coral das Ilhas Subtropicais? Rapunzel, isso fica a cinco mil quilômetros daqui.
— Eu sei... — Ela fez um biquinho e os seus olhos brilharam com uma lágrima solitária que ela sabia exatamente como usar contra mim. — Mas o bebê realmente, realmente quer comer isso com fatias de queijo de cabra das montanhas do Norte. Aquelas que ficam cobertas de neve o ano todo.
Eu suspirei, mas já estava colocando a minha venda.
— Um fruto do sul e queijo do norte gelado. Entendido. Volto em dez minutos.
Para qualquer outra pessoa, isso seria impossível. Para mim, era apenas uma quarta-feira.
03:05 AM – Ilhas do Sul:
Aterrei numa praia de areia branca sob o luar. Localizei a árvore exata com os Six Eyes, peguei três frutos e os envolvi no Mugen para que não perdessem a temperatura. Um macaco local tentou me atacar, mas eu apenas flutuei para longe. Desculpe, amigo, ordens da rainha, murmurei.
03:08 AM – Montanhas Geladas do Norte:
O choque térmico teria matado um homem comum, mas eu nem senti o frio. Entrei numa cabana de pastores que já estavam acostumados com o homem voador de cabelos brancos. Peguei o queijo, deixei um saco de moedas de ouro de Corona na mesa e desapareci antes que o pastor pudesse dizer bom dia.
Quando voltei para o quarto real, às 03:12 AM, encontrei Flynn (José) no corredor, vestindo um pijama de seda e parecendo exausto.
— Ela pediu as lulas secas com mel de novo? — perguntou ele, bocejando.
— Pior. Fruto do coral com queijo das neves — respondi, balançando a sacola.
— Cara, você é um herói — Flynn bateu no meu ombro. — Eu tentei oferecer para ela as maçãs do pomar real e ela quase me arremessou da janela com o cabelo.
Entrei no quarto e entreguei a iguaria para a Rapunzel. Ela começou a comer com uma satisfação que fazia todo o esforço valer a pena.
— Satoru, isso é perfeito — disse ela, de boca cheia. — Mas... agora que eu provei... você acha que conseguiria encontrar aqueles doces de arroz que você disse que comia em Tóquio? Aqueles redondinhos e macios?
Eu olhei para o teto, rindo baixo. Cruzar dimensões e mundos apenas para satisfazer um desejo de mochi era exatamente o tipo de absurdo que definia a minha nova vida.
— Sabe, Rapunzel — eu disse, sentando-me ao lado dela e sentindo o pequeno chute do bebê contra a minha mão. — Eu já lutei contra o Rei das Maldições, já mudei o destino da humanidade e já fui selado num cubo mágico. Mas garanto: nada foi tão desafiador quanto o seu apetite de grávida.
Ela riu, me dando um pedaço do queijo gelado.
— É o preço de ter o marido mais forte do mundo. Você pode ir para o Japão agora?
— Prepare o chá — respondi, estalando os dedos. — Eu volto antes de você terminar esse queijo.
Enquanto eu desaparecia no espaço-tempo, percebi que essa era a minha verdadeira Expansão de Domínio: um mundo onde o meu poder infinito servia apenas para trazer um sorriso ao rosto da mulher que eu amava e para garantir que o herdeiro de Corona (e do clã Gojo) tivesse o melhor café da manhã de todos os reinos.
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