Perverso ᝰ'Satoru Gojo
21 Capítulo 21
A vitória sobre a maldição de Gothel trouxera uma paz ainda mais profunda ao reino, mas, passadas algumas semanas, notei que algo não estava bem com a minha rainha. Rapunzel, que normalmente acordava com a energia de um sol nascente, começou a preferir as sombras dos lençóis e o silêncio das manhãs tardias.
Estávamos no grande salão de jantar quando o cheiro do banquete real — normalmente o momento favorito dela — pareceu atingi-la como um golpe físico.
— Rapunzel? — perguntei, deixando cair a minha habitual pose descontraída enquanto ela levava a mão à boca, empalidecendo subitamente.
— Eu... eu já volto — murmurou ela, saindo apressada em direção aos jardins.
Flynn, que estava a devorar uma coxa de peru, parou a meio e olhou para mim.
— Gojo, tu notas tudo com esses teus olhos mágicos. Não vês que ela está... estranha?
— Eu vejo o fluxo de energia dela, José — respondi, levantando-me e seguindo-a com o coração a bater num ritmo desconhecido. — Está... diferente. Mais densa. Mais brilhante.
Encontrei-a junto à fonte de pedra, tentando recuperar o fôlego. Aproximei-me lentamente e, pela primeira vez, não usei o meu poder para flutuar ou brincar. Apenas a envolvi nos meus braços.
— Outro enjoo? — sussurrei, retirando a venda para a olhar nos olhos com toda a clareza.
— Satoru, eu não percebo — disse ela, encostando a cabeça no meu peito. — Sinto-me cansada, a comida não me cai bem e o meu coração parece que está a bater por dois.
Ao ouvir aquelas palavras, parei. Foquei os meus Six Eyes não na aura geral dela, mas no seu centro. E lá, no meio daquela luz dourada que eu tanto amava, vi um pequeno ponto de energia. Era uma chama minúscula, mas tão pura e resiliente que me deixou sem ar.
Era uma mistura perfeita da minha energia infinita com a luz solar da Rapunzel.
— Rapunzel... — a minha voz falhou, algo que raramente acontecia. — O teu coração está a bater por dois porque... há realmente dois corações aí dentro.
Ela afastou-se, olhando-me com os olhos arregalados. — O quê? Tu queres dizer que...
— Tu estás grávida — disse eu, e um sorriso, o mais genuíno da minha vida, abriu-se no meu rosto. — Vamos ter um pequeno problema de cabelos brancos ou dourados a correr pelo castelo em breve.
Rapunzel soltou um suspiro que foi metade riso, metade choro. — Um bebé... Satoru, nós vamos ser pais.
A notícia espalhou-se pelo castelo mais rápido do que um teletransporte meu. O Rei e a Rainha ficaram radiantes, mas quem entrou em pânico total foi o Flynn.
— Um bebé Gojo?! — exclamou ele, a meio do pátio. — Vocês têm noção do perigo? Se ele herdar a tua mania de flutuar e a força dela com a frigideira, este castelo não dura uma semana! Eu vou ter de mandar reforçar as paredes!
— Relaxa, Rider — ri-me, enquanto via Rapunzel a escolher tecidos macios para o berço. — Eu vou ser um pai exemplar. Vou ensinar-lhe o básico: como dominar o espaço e como irritar capitães da guarda.
— É exatamente disso que eu tenho medo! — resmungou Flynn, embora tenha sorrido logo a seguir e batido no meu ombro. — Parabéns, Satoru. De verdade.
A gravidez da Rapunzel mudou tudo para mim. Eu, que sempre fui o escudo de Corona, agora passava horas sentado ao lado dela, com a mão sobre a sua barriga, sentindo aquela pequena energia crescer.
À noite, enquanto ela dormia, eu ficava de guarda na varanda, olhando para as estrelas. Já não era apenas sobre proteger um reino ou uma promessa. Era sobre proteger o futuro.
— Sabes — sussurrei para a noite, sentindo a presença de Geto algures no horizonte da minha mente — eu achava que o Vazio Ilimitado era a coisa mais vasta que eu alguma vez conheceria. Mas este pequeno ser aqui dentro... ele é muito maior.
Rapunzel mexeu-se durante o sono e segurou a minha mão, mesmo dormindo. Eu não era apenas o Mais Forte. Eu era um pai em espera. E o mundo nunca pareceu tão bonito.
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