Um mês se passou, e a política de Corona sofreu o que os historiadores chamariam de O Efeito Satoru. Se o Rei e a Rainha esperavam que o salvador da sua filha fosse um cavaleiro estoico e silencioso, eles receberam o oposto exato.

​Eu estava sentado na mesa do Grande Conselho, com os pés em cima da madeira esculpida de carvalho secular, equilibrando uma taça de vinho na ponta do dedo usando o Infinito. À minha frente, o Duque de Weselton (que estava de visita) parecia prestes a ter um aneurisma.

​— Mas Senhor Gojo! — protestou o Duque, as veias da testa saltando. — É uma violação direta do protocolo real flutuar três centímetros acima do trono durante a recepção dos embaixadores!

​— Protocolo é apenas uma sugestão para quem não consegue dobrar o espaço, Duque — respondi, dando um gole no vinho sem usar as mãos. — Além disso, o chão estava meio frio.

​Rapunzel entrou na sala, usando um vestido real que ela claramente detestava, acompanhada por Flynn — que agora atendia oficialmente por José Bezerra e usava uma capa de capitão da guarda que o deixava terrivelmente convencido.

​— Satoru, pare de torturar os diplomatas — Rapunzel disse, embora houvesse um brilho de diversão nos seus olhos. — Temos um ensaio de casamento.

​— Graças aos céus! — O Duque fugiu da sala, quase tropeçando na própria capa.

​Flynn se aproximou, batendo as luvas de couro no parapeito.

— Você sabe que o Rei quase teve um infarto quando viu você ensinando os guardas reais a usarem energia amaldiçoada para abrir garrafas de cerveja, não sabe?

​— Eles precisam de habilidades práticas, Flynn. O mundo é perigoso — pisquei para ele.

...

​No dia seguinte, o reino parou. Não era apenas o casamento da princesa perdida; era a união de dois mundos. O povo de Corona lotou as ruas, e Maximus, usando uma sela de ouro puro e parecendo o cavalo mais importante da história da humanidade, liderava a procissão.

​Eu estava no altar. Pela primeira vez, troquei minha roupa escura de feiticeiro por um uniforme de gala branco e dourado do reino. Eu ainda usava a venda, mas ela era de seda fina, bordada com o sol de Corona.

​Flynn estava ao meu lado, como padrinho.

— Tente não explodir a catedral se ficar emocionado, ok? — ele sussurrou.

​— Vou tentar, mas não prometo nada, Rider.

​Então, as portas se abriram. Rapunzel apareceu, e o mundo pareceu ficar em silêncio. Seus cabelos, agora curtos e castanhos (depois de um incidente necessário para quebrar o vínculo final com a magia da bruxa), emolduravam seu rosto de uma forma que a deixava ainda mais radiante. Ela não era mais a Bela Adormecida ou a Garota da Torre. Ela era a rainha do seu próprio destino.

​Quando ela chegou ao altar e pegou minhas mãos, eu desativei o Mugen. Eu queria sentir o toque dela, o calor, a realidade de estarmos ali.

​O bispo começou a falar sobre dever, honra e eternidade, mas eu só conseguia olhar para ela.

​— Satoru Gojo — ela sussurrou, enquanto trocávamos as alianças. — Você prometeu que eu seria feliz.

​— E eu sou um homem de palavra, Rapunzel — respondi, a voz firme para que todo o reino ouvisse. — Eu dei o infinito para você, mas você me deu algo muito maior: um lugar para chamar de casa.

​O beijo que selou o casamento não foi apenas um protocolo real. Foi o som do fechamento de um ciclo de solidão que durou séculos. O céu de Corona explodiu, não com a minha técnica, mas com as lanternas que o povo soltou em massa, pintando o dia com o brilho da esperança.

​...

​Durante a festa, os nobres tentaram manter a compostura, mas eu não facilitei. Teletransportei o bolo de casamento de uma mesa para outra toda vez que o Duque tentava pegar uma fatia. Ensinei Rapunzel a flutuar para que pudéssemos dançar no ar, acima da cabeça dos convidados boquiabertos.

​— Você é um pesadelo para a etiqueta, sabia? — Rapunzel riu, rodopiando nos meus braços enquanto flutuávamos sob o teto da catedral.

​— Eu sou o Mais Forte, querida. E o Mais Forte faz o que quer. E agora, o que eu quero é passar o resto da minha vida vendo você sorrir.

​Flynn estava lá embaixo, brindando com uma taça de sidra, finalmente em paz com o fato de ser o segundo melhor amigo da rainha. Maximus estava comendo a decoração floral do altar.

​E em algum lugar, no fundo da minha mente, senti uma risada familiar de um certo monge budista no aeroporto, aprovando o caos.

​Eu não era mais apenas Satoru Gojo, o xamã. Eu era o Príncipe Consorte de Corona, o terror dos diplomatas, o amigo de um ladrão e o marido de uma sol. O infinito nunca pareceu tão pequeno diante da vida que tínhamos pela frente.