Perverso ᝰ'Satoru Gojo
12 Capítulo 12
Rapunzel ainda tinha a mão no meu rosto quando ouvimos o estalar de um galho seco. Afastámo-nos lentamente, mas não rápido o suficiente. Flynn estava parado à beira da clareira, a lanterna na sua mão tremia, projetando sombras erráticas nas árvores. O seu rosto, antes confiante, estava pálido, uma mistura de mágoa e fúria.
— Eu sabia — sibilou Flynn, caminhando em nossa direção. — Eu sabia que este encanto todo era apenas uma questão de tempo.
Rapunzel deu um passo à frente, tentando intervir. — José, não é o que parece, eu só precisava conversar...
— Conversar? — Flynn riu, uma risada amarga. — Você veio procurar o homem que te trata como se fosses uma curiosidade cósmica! Eu te ofereci uma vida, Rapunzel! Eu te ofereci o meu coração, o meu nome... e você foge para o meio da escuridão para tocar no rosto de um... de um monstro?
Ao ouvir a palavra monstro, algo em mim estalou. A máscara de alegria que eu tinha usado o dia todo desintegrou-se. O ar ao meu redor começou a vibrar, uma pressão gravitacional tão intensa que os insetos pararam de cantar e o som do riacho pareceu silenciar.
Caminhei calmamente até ficar entre a Rapunzel e o Flynn. Não havia sorriso. Não havia piadas.
— Monstro? — perguntei, a minha voz saindo num tom baixo que fez os pelos do braço do Flynn se arrepiarem. — Tem razão, Flynn. Eu sou algo que a tua mente pequena não consegue processar. Mas vamos falar sobre oferecer uma vida.
Flynn recuou um passo, instintivamente, mas tentou manter a pose. — Você não a ama. Você só quer protegê-la porque ela é o seu novo projeto! Você é frio, Gojo! Você vê o mundo como se fosse um juiz e nós fôssemos apenas poeira!
Parei a centímetros dele. Desta vez, não usei o Infinito para me afastar. Deixei que ele sentisse a pressão da minha presença.
— Eu tentei — disse eu, e cada palavra pesava como chumbo. — Eu tentei ficar de fora. Tentei convencer-me de que um ladrãozinho de beira de estrada poderia dar-lhe a felicidade que eu, na minha solidão, talvez não soubesse como dar. Eu fingi que estava feliz por vocês.
Agarrei o colarinho do seu colete com uma rapidez que ele nem viu.
— Mas a verdade é que você quer cortá-la para que ela caiba na sua caixa. Você quer que ela seja normal para não se sentir inferior ao lado dela. Você ama a ideia de ser o herói dela, mas tem medo da luz que ela realmente emite.
— Satoru, para! — Rapunzel exclamou, mas eu não desviei o olhar do Flynn.
— Eu não sou frio, Rider. Eu sou o Infinito. E o Infinito não aceita substitutos baratos. Você teve a sua oportunidade. Você a beijou, e o que ela sentiu? — Olhei para ele com um desprezo glacial. — Ela sentiu que estava de volta à torre.
Larguei-o com um empurrão que o fez cambalear. Flynn olhou para a Rapunzel, procurando negação nos olhos dela, mas encontrou apenas a verdade e a dúvida que eu tinha acabado de expor.
— Acabou o teatro — anunciei, virando as costas para o Flynn e olhando para o céu escuro. — A partir de agora, não finjo mais. Rapunzel não é tua, nem minha. Ela é dela própria. Mas, se voltares a tentar sufocar quem ela é com essa tua ideia medíocre de normalidade... eu vou te mostrar por que até as maldições têm medo de mim.
O silêncio que se seguiu foi cortante. Flynn estava humilhado e furioso, mas o medo nos seus olhos era real. Ele percebeu que, contra o Satoru Gojo, ele não passava de um homem comum a lutar contra um tsunami.
Rapunzel olhava para mim, assustada com a minha intensidade, mas havia algo mais no seu olhar: um reconhecimento. Ela finalmente tinha visto o Gojo sem filtros. O homem que não aceitava menos do que a alma inteira.
A tensão estava no ápice. O triângulo estava estilhaçado. E algures na escuridão, escondida entre as árvores, uma gargalhada sinistra ecoou, aproveitando-se da nossa distração.
A bruxa estava finalmente pronta para atacar.
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