Perverso ᝰ'Satoru Gojo
8 Capítulo 08
A manhã no Reino de Corona nasceu dourada, mas o clima no café da manhã não era dos mais ensolarados. Estávamos sentados em uma mesa de canto em uma taverna local. Rapunzel olhava para o prato de panquecas com uma expressão aérea, os dedos traçando padrões abstratos na mesa.
De um lado, Flynn Rider tentava, com um esforço hercúleo, parecer o homem mais interessante do mundo.
— Sabe, loirinha, se você gostou das lanternas, esperte até ver o festival das flores. Eu conheço os melhores lugares, sem guardas, sem multidões... apenas a elite. — Ele lançou um olhar de soslaio para mim, ajustando o colete.
Do outro lado, eu apenas girava uma colher de prata no ar usando o Infinito, observando a física do objeto com um tédio proposital.
— Elite, Flynn? Você quer dizer os becos onde você se esconde para não ser preso? — Dei um sorriso de lado, sem tirar a venda.
Rapunzel suspirou, olhando para Flynn e depois para mim. Seus olhos verdes estavam nublados por uma confusão genuína. Flynn era familiar, humano, um herói que ela conseguia compreender. Eu era... outra coisa. Uma força da natureza vestida de homem.
— Eu vou... buscar mais água — ela murmurou, levantando-se apressada.
No momento em que ela se afastou, o sorriso de Flynn desapareceu. Ele se inclinou sobre a mesa, o rosto a poucos centímetros da minha barreira invisível.
— Escuta aqui, Cabelos de Neve — ele sibilou, a voz carregada de um ciúme que ele não conseguia mais esconder. — Eu não sei de onde você veio ou que tipo de truque de salão você usa para flutuar e repelir coisas, mas a Rapunzel não é um brinquedo.
— Truque de salão? — Ri baixinho. — Você tem coragem, Rider. Eu te dou crédito por isso.
— Eu estou falando sério! — Flynn bateu na mesa. — Ela passou dezoito anos trancada. Ela precisa de alguém que a mostre o mundo de verdade, não de alguém que a trate como se ela fosse uma protegida em uma nova torre feita de... seja lá o que for essa coisa que você faz. Você é intenso demais, cara. Você a assusta tanto quanto a fascina.
Eu parei de girar a colher. As palavras dele atingiram um nervo que eu não sabia que ainda sentia. Ele tinha razão? Eu era apenas outra versão da torre?
— E você acha que um ladrão fugitivo é o que ela precisa? — perguntei, minha voz perdendo o tom de deboche e ficando fria.
— Eu sou real — Flynn rebateu. — Eu erro, eu sangro, eu corro. Eu posso segurar a mão dela sem que ela sinta que está tocando um deus. Você? Você é um monumento, Gojo. E monumentos são frios.
Nesse momento, Rapunzel voltou. Ela olhou para nós dois, sentindo a tensão elétrica no ar — literalmente, já que minha energia amaldiçoada costuma vazar quando fico pensativo.
— Está tudo bem por aqui? — ela perguntou, a voz incerta.
Flynn rapidamente recuperou o Biquinho e o sorriso charmoso.
— Claro, loirinha! Eu só estava explicando para o Satoru as regras de etiqueta deste reino.
Eu me levantei, as mãos nos bolsos.
— Na verdade, eu estava pensando em dar uma volta sozinho. Ver se encontro alguma coisa... interessante.
Rapunzel deu um passo à frente, sua mão hesitando no ar, dividida entre querer me seguir ou ficar com a segurança leve de Flynn.
— Satoru, espere...
— Fique com ele, Rapunzel — eu disse, com uma suavidade que a surpreendeu. — Explore a cidade. Coma um bolinho. Seja uma garota normal por algumas horas. Eu volto logo.
Caminhei em direção à saída, sentindo o olhar de Rapunzel queimando minhas costas. Eu podia ouvir o batimento cardíaco dela — rápido, errático. Ela estava confusa. Ela amava a luz que Flynn trazia, mas estava presa na gravidade que eu exercia.
E pela primeira vez na minha vida, eu não usei os Six Eyes para prever o resultado. Eu apenas caminhei, deixando que ela decidisse qual caminho seu coração queria seguir: o caminho do homem que a faria rir, ou o do homem que moveria o céu por ela.
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