Perverso ᝰ'Satoru Gojo
4 Capítulo 04
A manhã seguinte começou com Rapunzel tentando desembaraçar três quilômetros de cabelo enquanto eu tentava convencer Pascal de que ele não ficaria bem de óculos escuros. O clima de paz, porém, durou pouco.
O som de cascos galopando contra a terra úmida ecoou pela floresta, seguido pelo tilintar de armaduras.
— Rapunzel, atrás de mim — eu disse, a voz perdendo o tom de brincadeira por um milésimo de segundo. — Temos companhia.
De entre os arbustos, não saiu uma maldição, mas algo muito mais intimidador: um cavalo branco, musculoso, com uma expressão facial que gritava eu sou a lei e você está detido. Ele usava o arreio da guarda real e cheirava o chão como um cão de caça.
— Um cavalo? — Arqueei uma sobrancelha. — Ele parece... focado demais para um herbívoro.
O cavalo parou. Ele nos encarou. Ou melhor, ele encarou a mim. Seus olhos se estreitaram de uma forma assustadoramente humana.
— Satoru, ele parece bravo — sussurrou Rapunzel, agarrando sua frigideira.
— Relaxa, é só um pônei com complexo de superioridade. Deixa que o mestre resolve.
Caminhei em direção ao animal com as mãos nos bolsos, exibindo aquele meu sorriso que geralmente desarma qualquer um.
— E aí, amigão? Perdeu o seu cavaleiro ou está apenas fazendo uma ronda matinal? — Estendi a mão para dar um tapinha no focinho dele.
NHAC.
Maximus — o cavalo — tentou abocanhar meu braço. O Infinito parou os dentes dele a milímetros da minha pele, mas a intenção assassina estava lá. Ele não recuou; ele bufou, as narinas dilatadas, e começou a patinar no chão, preparando uma investida.
— Opa! — Eu ri. — Reflexos rápidos! Gostei de você. Mas escuta aqui, Maximus — li o nome no arreio —, eu não sou um criminoso comum. Eu sou Satoru Gojo. O teto do mundo. O...
Maximus simplesmente ignorou meu discurso e tentou me dar um coice giratório. Eu me desviei com um salto flutuante, ficando suspenso no ar.
— Viu só? Eu voo! — provoquei, fazendo um sinal de paz. — Você consegue fazer isso, Marshmallow?
O cavalo relinchou de fúria, empinou e começou a morder o próprio ar, tentando entender por que não conseguia me tocar. Ele era metódico. Ele começou a procurar ao redor e, com uma inteligência diabólica, viu a mala da Rapunzel. Ele avançou para morder a bagagem dela.
— Ei, ei! — Desci num flash, ficando entre ele e a mala. — Aí já é falta de educação. Rapunzel, sua frigideira, por favor!
— O quê? Você vai bater nele?! — ela gritou, horrorizada.
— Não, vou tentar a diplomacia gastronômica!
Peguei uma maçã que Rapunzel tinha guardado e a equilibrei na ponta do dedo. Maximus parou instantaneamente. Ele olhou para a maçã. Olhou para mim. A tensão era palpável. Era como um duelo de titãs em Shinjuku, mas com mais frutose.
Lentamente, Maximus se aproximou. Ele pegou a maçã da minha mão com uma delicadeza suspeita. Enquanto ele mastigava, tentei montar nele com um salto acrobático.
Maximus não queria um cavaleiro; ele queria um lanche e silêncio. No momento em que encostei no seu dorso, ele começou a saltar como se estivesse possuído pelo próprio Sukuna.
— U-U-UHUUUL! — eu gritava, enquanto era sacudido para cima e para baixo. — Melhor que as montanhas-russas de Tóquio! Vai lá, Totó! Mais rápido!
— SATORU, VOCÊ ESTÁ DE CABEÇA PARA BAIXO! — Rapunzel gritava, sem saber se ria ou se corria.
Depois de cinco minutos de um rodeio sobrenatural, Maximus parou de repente, exausto e indignado por não ter conseguido me derrubar. Eu desci, ajustei minha venda (que agora estava meio torta) e limpei a poeira da jaqueta.
— Ok, entramos num acordo — anunciei, ofegante mas divertido. — Ele não me morde mais, e eu não conto para os outros cavalos que ele come maçãs de um estranho.
Maximus soltou um bufo de desdém e virou o rosto, mas não saiu do nosso lado. Ele agora nos seguia, mantendo um olho em mim e outro na floresta, agindo como um guarda-costas rabugento.
— Viu só, Rapunzel? — Pisquei para ela. — Tenho um dom com animais.
— Você quase foi devorado por um cavalo, Satoru.
— Detalhes técnicos, minha cara. Detalhes técnicos.
Continuamos a caminhada, agora com um cavalo de elite altamente treinado e um camaleão desconfiado. Eu sentia que, em algum lugar, Geto estava assistindo a isso e chorando de rir. Pela primeira vez, eu não era o Mais Forte protegendo os fracos; eu era apenas um cara estranho tentando não ser chutado por um cavalo em um reino de contos de fadas.
E, honestamente? Eu não trocaria isso por nada.
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