Perto do Fim
4 Capítulo 4 - Wisky, Cigarro e Menta
Notas iniciais
Sam olhava para o chão séria. Por mais preocupado com o Matt, eu não consiga parar de observar o quão Samantha Miller era bonita. Seus olhos, por mais que estivesse observando fortemente o chão, estavam mais azuis que o normal. Havia uma pequena mecha que sempre estava caindo no olho.
– Você precisa mesmo parar de me encarar enquanto caminhamos. É ainda mais assustador pelo fato de olhar mais para minha boca, do que para qualquer outra coisa. Não precisa olhar para ela para me beijar, é bem mais simples do que parece. — Sam disse, com seu olhar divertido e perverso, e seu sorriso de lado extremamente sexy. Ela tinha esse efeito sobre mim, fazer com que eu só pensasse na sua boca sobre a minha, suas mãos sobre minha nuca, seus dedos mexendo em meus cabelos e seu sorriso que denominei "pré-beijo" por ser diferente dos outros "dez sorrisos de SFM". Me mantive calado o caminho inteiro até o carro. Sentada no banco passageiro, Sam acendia seu cigarro e brincava com a fumaça. Então, quebrando o silêncio, disse:
– Para onde vamos? — esperando alguma ideia incrível, considerando seu ótimo conhecimento de diversão.
– Eu quero realmente ir para casa, se quiser me acompanhar. — Sam sorriu.
Sem dizer nada, ouvi suas coordenadas me guiando até sua casa. Percebi então que sua casa era, literalmente, do lado da casa do Matt. Sua casa era de madeira vermelha, contornada em branco. Saímos do carro e Sam convidou-me para entrar. Sua sala era tão confortável, a mobília totalmente branca com algumas flores rosas desenhas. Me lembrava a sala de minha avó. Havia uma luminária enorme e antiga no canto da sala. Ao lado, um grande sofá creme completava a sala. Sam me guiou até escada, dando ao tipo de escritório com três portas, ela abriu a primeira porta, me arrastando para seu quarto. Haviam pôsters de pinturas famosas, seu quarto era todo trabalho em um papel de parede de rosas minúsculas. Sua cama era de madeira creme, e na cabeceira de sua cama haviam piscas-piscas azuis. Uma estante repleta de livros, um caixa cheia de discos vinis. Sam me puxou para perto, e me beijou forte.
– Sam, tem certeza de que — ela me interrompia com um beijo e me calava.
– Não há ninguém aqui além de nós dois, agora cala-se e me beije. — obedecendo-a, eu a beijava, suas mãos consumiam minhas nucas, eu levava minha mão esquerda ao rosto dela, deixando a direita em sua cintura. Sam deslizava suas mãos até minha barriga, e assim, tirando minha blusa. Me puxava cada vez mais forte, e então me empurrou para sua cama, fazendo-me cair sobre ela, revisava entre beijar meu pescoço e minha boca. Deslizei minhas mãos ao seu quadril e tirando seu vestido preto. Agora só restava sua lingerie, meia-calça e seu cortuno florido. Sam abriu o zíper de minha calça jeans, tirando-a. Ajudei-a tirando meus sapatos, e ela os dela. Beijei-a forte, desci minha boca até sua nuca e depois até sua clavícula. Tirei seu sutiã a deixando quase completamente nua, ela me beijou. Seu corpo todo se contraria com o meu, fazendo-o nosso corpo um só, ela beijava meu corpo quase por inteiro, acariciava minha nuca e mordia meus lábios, sussurrava para eu puxar seu cabelo levemente, fazia eu beijar seus seios. Ela era mais linda nua do que de qualquer outra forma. Sam puxava meus cabelos enquanto me beijava, dizia meu nome. Tendo assim, a tarde mais incrível que já tive em toda minha vida. Sam deitou-se ao meu lado, abraçando-me. Seus seios nus tocavam aos meus, fazendo-me arrepiar. Beijou minha bochecha, sorrindo disse:
– Acho melhor você ir agora. — Falou, em um tom indiferente.
– Ãn, o que? Mas....- Sam se levantou e vestiu uma blusa jogada ao chão.
Levantei e me vesti o mais rápido que pude. Sim, eu estava muito puto. Tive a tarde mais incrível do mundo, com a menina mais incrível e ela simplesmente me dispensa após 3 minutos? Ou eu fui muito ruim, ou sei lá. Sam sempre fazia isso, acontecia algo impactante entre nós e logo após, era indiferente. E no dia seguinte me provocava. Sempre. Saí do quarto sem nem mesmo dizer tchau, parti dali para a porta de sua casa. Ao sair, quase trombei com um homem que estava na porta. Tinha os mesmos olhos de Sam, seus cabelos eram negros como a noite e aparentava ter de 37 á 40 anos. Ele me fuzilou com os olhos e sem dizer uma única palavra entrou, batendo fortemente a porta. Aquilo tudo que estava acontecendo, tudo tão depressa me fez pensar muito. Peguei meu carro e dei partida, para onde eu iria? Eu não queria ficar em casa, não agora. Decidi então, sair vagando pela cidade até meu tanque estar em "0". Coloquei um dos cds velhos que estavam no porta-luvas. Estava tocando Pigs On the Wing, do Pink Floyd "If you didn't care what happened to me, and I didn't care for you...[...]" minha cabeça girava. Samantha me tirava o chão e me segurava nele ao mesmo tempo. Eu não conhecia ela a uma semana atrás. Ela não fazia nem ideia de quem eu era. E em dois dias, me fez sentir o que Sophie só conseguiu em um ano. Ela me tinha a qualquer hora que quisesse, e o pior é que ela sabia disso. Cada músculo do meu corpo a deseja. Relances vinham em minha cabeça, ela beijando minha barriga, mordendo meus lábios. Como é possível? Eu não podia estar mesmo apaixonado por uma menina que mal conhecia, se não fosse por Matt, eu jamais saberia o sobrenome dela. A única coisa que eu sabia de Samantha Miller era seu desejo suicida de fumar o tempo todo, como ela mesma dizia Suicida Sem Pressa, de seu sorriso encantador. Do seu cheiro de wisky, cigarro e menta. Do seu gosto de laranja, e de seu ódio não definido por carros. E ainda havia Matt, fazendo com que eu confiasse nele em apenas dias de convivência. Nada disso parecia real ou normal. Nas primeiras semanas da notícia da morte da Em e Sophie, eu sempre as via, disseram que era normal ter alucinações pós acidente, quando me encontraram minha cabeça quase havia virado panqueca, o que não explica o fato de eu ter ficado consciente por alguns segundos para observar Emily em seu último momento e quando a sensação da presença de Emily sumia, um vazio se formava em mim, meus sentidos paravam e a tristeza virava aliada. Era assim, que eu me sentia agora. Eu não vazia ideia do aquilo significava. A música já acabara faz tempo, e quando parei para observar minha volta, eu estava parado num sinal a pelo menos dez minutos.
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Meus olhos estavam cansados então tudo virava um borrão se eu não prestasse bem atenção. Olhando para a rua, agora, vazia. Senti meu celular vibrar e atendi:
– Rup? — era a voz de Matt.
– Ei Matt, você está bem? Está tudo bem com Katherine?
– Sim, está tudo bem. Eu só liguei para saber onde estava, fui até sua casa mas estava vazio então...
– Ah, é...Eu estava -gaguejei- passeando. Conhecer a cidade, sabe? Eu estava procurando um café ou algo assim. Ou algum lugar que não parecesse ter cem anos.
– Estava com a Sam né? Até parece, sabe, eu também agarraria ela enquanto meu único amigo está passando por uma situação complicada com a ex namorada, que estava hospitalizada, esse tipo de coisa acontece. Ainda mais sumir por mais de 3 horas, deus sabe o que vocês fizeram, o que que eu quero dizer é: QUANDO IA ME CONTAR SEU, VAGABUNDO? — Matt ria e falava em seu tom irônico.
Ambos rimos, eu definitivamente adorava aquele idiota. Matt conversou comigo até eu chegar em casa, Matt me contou que passou horas conversando com Katherine e que ela estava quase melhor. Contou também que Bradley chorou ao telefone pedindo desculpa, o que fez eu pensar o por quê desse cara ainda existir. Ele me contara que passara o dia com Kath e que estava fazendo o possível para ajudá-la, ainda mais depois de seus pais descobrirem que ela havia "apanhado" do namorado. Aquilo tinha virado uma grande bagunça, todos da cidade já comentavam, e ele havia me dito que Katherine estava envergonhada e que se sentia muito mal por tudo aquilo. Eu queria ajudá-lo a ajudá-la mais que qualquer coisa. Matt já havia desligado o celular. Ao chegar casa, logo de cara, avistei meu pai sentado no sofá, e ele me olhou fixo e disse:
– "Se tiveres as palavras, existe sempre uma hipótese de que irás encontrar o caminho.".Sabe quem disse isso?
– Ãn, não.
– Seamus Heaney. Ele sim era um cara que sabia das coisas. Você sabe das coisas?
– Pai? Você tá bêbado?
– É óbvio. Hoje é domingo.
– Mas ontem era sábado e você também estava.
– Agora entendeu a coisa — sorrindo, respondeu.
– Boa noite, John.
Fui para meu quarto, tirei minhas roupas e fui para banho. De lá, deitei em minha cama e comecei a processar meus dias em Wells. Ou esse ano iria ser incrível, ou seria uma merda total. Eu queria desesperadamente a manhã, veria Matt. E evitaria Samantha o máximo possível.
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