Perto do Fim
5 Capítulo 5 - Sophie.
Notas iniciais
Felizmente não tive nenhum pesadelo, ou sonho indesejado. Acordei trinta minutos antes do meu despertador tocar, levantei da cama e fui até janela: Nublado, frio e com cara de morte. É, hoje seria um ótimo dia. Eu fui até meu banheiro, lavei meu rosto e escovei meus dentes. Como hoje vazia frio, decidi ir de calça grossa preta, uma blusa de manga-longa azul marinho e por cima um casaco de moletom, coloquei o primeiro tênis que vi pela frente.Pegando minha mochila, desci a escada. Milagrosamente, meu pai não estava deitado no sofá ou fazendo café. Não me preocupei, ele deveria estar com um super ressaca, considerando que não estava sóbrio a pelo menos quatro dias. Fiz o café, e algumas panquecas. Olhei no relógio da cozinha e já eram 7h. Era melhor eu ir, tomando meu café em um único gole parti para a porta. Meu celular começara a vibrar, e era uma mensagem de Matt, dizendo para eu ir buscá-lo hoje. Matt, sempre tão folgado.
Chegando a casa de Matt, ele estava de calça jeans, blusa de alguma banda que nunca ouvi falar e um casaco grosso preto por cima. Seus cabelos estava muito arrumados, o que era bizarro, considerando o fato de que seu cabelo parecia um ninho de rato na maioria das vezes. Avistando-me Matt veio até o carro e se sentou.
– Bom dia, gay. — Disse ele, sorrindo.
– E aí Matt.
Chegando na escola, pude perceber que ela estava mais cheia que o normal. Meu Deus, como se não fosse ruim o bastante quando vazia. A menina dos cabelos roxos estavam presos e seus olhos inchados, estava sem o gótico assustador. Mais uma menina descartada, você não está só, menina. Acredite. Droga de SFM. Até olhando para alguém completamente diferente, eu me lembrava. Afastei Sam de meu pensamento. Matt estava olhando fixamente para uma menina que estava conversando com uma menina alta, magra e com cabelos vermelhos cereja. Eu nunca havia a visto na escola. Deveria ser novata. Estacionei bem do lado da escola. E então, fomos andando até lá. A menina se virou e logo a reconheci, Katherine. Ela sorriu. E voou nos braços de Matt, e depois me deu um abraço leve.
– Ah, gente essa é a Naomi. Acho que não a conhecem mas....bem. — disse Kath, apontando para menina de cabelos cereja. Seus olhos eram tão verdes quanto grama, eram realmente bonitos. Naomi olhou para nós, sorriu e disse:
– Olá.
O sinal bateu e fomos a caminho de nossas salas, eu estava no corredor de física, que seria minha primeira aula, quando eu vi Samantha Miller rindo e conversando com um cara. Assim que me viu, ela me fitou. Encarando-me, virou o rosto e continuou a conversar com o garoto. Isso só podia ser brincadeira, eu estava me sentindo um lixo completo. Ignorando-a, fui até minha sala. Meu professor já havia passado trabalhos e explicara a matéria. O trabalho era em dupla então decidi convidar uma pessoa legal para faze-lo comigo, assim, chamei a menina de cabelos roxos, que se chamava Melanie. Ela aceitara, incrivelmente. Sua voz era extremamente fina, como de criança, porém não de um jeito irritante, mas sim meigo. Começamos a botar em prática nosso trabalho, em meio a isso perguntei-a o por quê de seus olhos estarem vermelhos e estar aparentando estar triste, felizmente ela não me bateu ou mandou eu ir me ferrar. Ela apenas contara para mim que seu (ex) namorado era na verdade, alemão e que teve de voltar para Berlim por conta de problemas com saúde da mãe. Eu realmente me sentia triste por ela, enquanto contava isso a mim, Melanie dava pausas para conter o choro. Por fim, tentei anima-la fazendo piadinhas alemãs, pela primeira vez, minhas piadas inconiventes fizeram uma pessoa rir. O sinal do intervalo tocou. Eu não estava nem um pouco afim de sair daquela sala, mas fui ao encontro de Matt. Ele estava no mesmo lugar de sempre, sentado num banco do corredor de frente para minha sala. Ao me ver sorriu e acenou. Sentei-me ao lado dele e fiquei calado, escutando sua interpretação do dialogo que tivera com Katherine em sua aula de história. Ao -provavelmente — ver meu rosto, Matt parou e disse:
– O que há de errado com você?
– Nada, é só que...Sam nem falou comigo quando me viu , depois de, você sabe...Eu esperava que ela — me interrompi- ãn, deixa para lá. Continue falando sobre sua futura relação com Katherine.
Matt tentou desviar o assunto umas três vezes, tentando me fazer falar sobre Sam porém eu o cortava sempre. Por fim, ele desistiu. O sinal tocou e voltando a sala, vi então Naomi ao lado de Sam, com aquele cara do começo do período. Naomi, então, veio até minha direção entrando em minha sala. Não sei muita bola a ela. Nas três horas que se passaram, eu passei ou vegetando/mofando/quase virando parte da cadeira de madeira daquela sala ou rabiscando meu caderno. Conversara um pouco com Melanie e então, o sinal tocou. Finalmente. O ruim disso é eu tinha quase certeza de que Matt, ao me ver, iria me chamar para algum lugar com pessoas bêbadas, ou para ficar bebendo em algum bar afastado da cidade, e eu não estava nem um pouco afim de cuidar de bêbado hoje, ou encontrar SFM. Por mim, eu não teria nem saído da cama. Só queria deitar e ficar o resto da tarde ouvindo The Smiths e pensando em maneiras de não me suicidar por tédio. Matt veio até mim com uma cara divertida, sorrindo. Por favor, queira apenas ficar o dia todo jogado no sofá, por favor.
– E aí, cara? Saiu da depressão ou o que? — disse ele.
– Sem festas hoje? — perguntei.
– É, pensei em ficarmos em casa tomando chá e vendo os canais de compra. — disse em tom irônico — Katherine vai passar o dia estudando então preciso M-E-S-M-O ocupar minha cabeça, vamos sei lá, entrar de penetra em alguma festa. Essa cidade é tão pequena que é bem capaz de eu invadir a festa da minha tia. — Brincou Matt. Rimos.
– Está bem...Mas é a última vez que me arrasta para essas festas e nem pense em dar pt. Sofri um bocado para te deixar em casa, seu babaca.
– O.k, senhor chatice. Você era bem mais engraçado e divertido quando tinha 7 anos.
– Cala a boca. — Retruquei, brincando.
Matt insistiu em dirigir enquanto me fazia mandar mensagem para quase todos seus contatos no celular, a procura de festas. A primeira mensagem respondida era de uma tal de Charlotte, dizendo que Scott Bones iria dar uma festa. Scott Bones, quem diabos era "isso"? Ceús. Partimos para a casa de Scott alguma coisa. Matt me explicara que Scott era um grande jogador de baseball, da cidade, é claro. Ou seja, era terrível comparado a qualquer melhor jogar de uma cidade com menos de 20 mil habitantes. Meu dia estava uma merda porém até assim, Matt conseguia melhora-lo, fazendo piadas infames e idiotas. Me perguntava constantemente se esse tipo de amizade imediata era normal. Atrapalhando meu raciocínio, chegamos a casa do jogador fracassado. Era enorme. Parecia aquelas casas mansões de filme, sabe? Se ela fosse um pouco mais extensa, ocuparia quase a cidade toda.
– Festa, festa, festaaaaa! — Matt cantarolava, animado.
Entramos na humilde mansão, 50% da casa era de mármore e a outra de madeira com cheiro e aparência de dinheiro. Sério, o banheiro daquela casa deveria ser do tamanho da minha sala mais a cozinha. Um cara alto, bombado e com jaqueta de couro atendera a porta, ali percebera que Scott, era o cara com quem Sam passara o intervalo conversando e rindo. Ele nem nos cumprimentou, apenas fez um gesto com a cabeça indicando para seguirmos em frente. A sala estava quase sem móvel nenhum, só havia uma enorme — tipo, enorme mesmo- mesa de madeira, com copos e copos de bebida. Observando as pessoas ali em volta, pude ver Stacy — eu acho que o nome dela era esse — que fazia geografia comigo, Naomi, e Sam. Naomi usava um vestido colado e florido. Sam estava de calça jeans preta, coturnos pretos e uma jaqueta preta. Seus olhos estavam pintados de preto, realçando ainda mais seus olhos azuis. Desviei o olhar. Matt foi cumprimentar alguns de seus colegas me apresentando-os. Penny, a garota ruiva. Kevin, um cara muito estranho. Gus, jogador de baseball. E alguns outros que preferi não memorizar o nome.
As horas passavam e todos já estavam bêbados, Matt agarrava Penny, Gus estava jogando copos de plástico na cabeça de uma garota loira , até Kevin — o bizarro — estava se divertindo e bêbado. Eu não bebia desde o acidente, até eu ver Scott beijando Sam. Nesse momento, eu já estava no apse da merda. Uma garota estava com um copo de vocda em uma das mãos, passando por mim. Apenas o peguei e virei-o todo. E então logo vieram, o segundo, terceiro, quarto e depois perdi totalmente a conta. Agora tudo estava girando, eu estava tonto. Fui andando até a porta de vidro que dava uma "área de lazer", havia uma piscina enorme, e um jardim quase tão grande quanto a casa. Lá fora, estava ainda mais cheio que a parte de dentro da casa. Pelo menos estava longe da Sam. Eu bebia mais e mais. Acho que eu já estava no meu limite, tentei levantar umas três vezes para pegar mais bebida porém eu sempre quase caía, tentei mais uma vez porém um borrão me segurou, no caso, um alguém. Provavelmente, o borrão mais lindo possível.
– Rupert, céus, você está péssimo. — A voz era de Sam.
– Me deixa em paz.
– Que coisa deplorável, vem, vou tirar você daqui. — Sam me guiou até a saída de casa.
– Eu to de carro, sua... — antes mesmo de eu terminar de falar, vomitei tudo o que comi, bebi e respirei em um dia.
– Ai que romântico.- Sam segurava meus ombros com uma mão e colocando um cigarro na boca com a outra, e assim revisando de mão para conseguir acende-lo, agora, suas duas mãos estava em meus ombros fazendo massagem, para que facilitasse e vomitasse tudo. Após uns dez minutos, consegui ficar melhor. E então Sam foi me guiando pela calçada, e me fez colocar na boca um um chiclete de menta.- Não vamos de carro nem ferrando, não sei dirigir e no estado que está, bateria o carro em segundos.
– Não se preocupe, eu sou especialista nessa área. Não seria a primeira vez. — respondi. A música vinha na minha cabeça "Why do you come here ? And why do you hang around ? I'm so sorry....I'm so sorry" Sophie estava ali, me abraçava e dizia que estava com saudade. Seus olhos verdes estavam tão bonitos, mas sem brilho.
– Fiquei sabendo. Vem cá. — Sam me puxou para perto dela, fazendo-me ficar na sua frente.Levou uma de suas mãos até meu rosto e o acariciou. Jogando o cigarro fora, completou — Está tudo bem, ei, Rup. Rup! — em meio de seus chamados pelo nome, eu me perdia em meio a música. Sam apertava meus pulsos tentando me fazer voltar, me abraçava forte, falava coisas que não compreendia. Seu rosto parecia assustado. Sophie ainda estava ali, "Me desculpe, Sophie, eu te amo" tentava gritar, mas nada obedecia, "Sophie, eu tentei parar".
– Rupert! Eu estou aqui, Collins! — Sam me puxou novamente e me beijou. A música parara e eu percebi que estava de joelhos no chão, lágrimas escorriam pelos meus olhos.
– Me d-d-desculpa, Sam, eu...desculpa, não. O que? — Eu gaguejava, não sabia o estava acontecendo.
– Rup, Deus do céu, você está bem? Você parou do nada e começou a chorar, e então ajoelhou e não me respondia. Você está bem? Está drogado? RUPERT! — Ela gritava e me balançava. E me abraçava. Sam olhou em meus olhos, e me beijou mais uma vez. Colocou sua cabeça em meu ombro e sussurrou: " Eu estou aqui, Rup. Desculpe, fui uma idiota."
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