Perto do Fim
3 Capítulo 3 - Desculpas.
Notas iniciais
Sophie havia me chamado para uma festa aquela tarde, ela dissera " A Banda da Gun estará lá! Vai ser tão divertido.". Uma garrafa de vodca, amassos e música boa. Minha mãe me mandara uma mensagem avisando que teria de buscar Emily no ballet hoje a noite, pois ela havia ficado lá até agora. Eu estava tão bêbado, tudo girava. Sophie estava quase pior que eu, nos levantamos do banco onde estávamos e fomos em direção ao carro, me esforcei ao máximo para que meus sentidos voltassem logo, e fui em direção a "Russian Academy of Ballet".Ems saiu correndo quando avistou meu carro, seus cabelos castanhos claros estavam presos por um coque com flores ao redor, sua roupa de ballet era completamente rosa, entrou no carro sorrindo. Beijara meu rosto e reclamara de meu cheiro. Eu acordei, estava no meu quarto. Era o mesmo sonho, toda a noite. Matt havia me ligado aquela manhã pedindo desculpa, dizendo que gostaria de poder voltar no tempo pois na noite passada ligou para Katherine Accola alegando sua paixonite à ela. E logo após, me perguntara se gostaria de ir a casa dele jogar video-game. Após nossa conversa, levantei da cama e fui me arrumar. Quando saí do quarto, o cheiro de café infestava a casa. John estava fazendo torradas, e cantava alguma música irlandesa, meu pai fora criado por irlandeses e falava quase fluente. Trocava algumas palavras do inglês para o irlandês quando as esquecia. Ouvindo meus passos até a sala, John virou-se para mim e disse:
– Rupert, me desculpe pelo que falei na ultima noite. Eu, eu estava bêbado. Vivo falando besteiras...Só me avise na próxima vez que for sair.
– Ãn, está bem. E, pai?
– Sim?
– Sobre a Em, eu nunca quis feri-la. A culpa...A culpa é toda minha. Eu nunca pude me desculpar, não posso me desculpar. Mas nunca quis ser o único sobrev...- eu não conseguia pronunciar, agora já estava me esforçando para não chorar- Eu sinto muito. Ela só tinha 9 anos. Eu tirei a vida dela.
John estava mudo, com uma expressão vazia e triste. Agora, caminhando até mim, me abraçou e sussurrou algo em irlandês que eu não havia compreendido. Suas lágrimas caíram sobre minha blusa, me abraçava mais forte e então, finalmente disse:
– Você está vivo, Rupert! Meu filho está vivo! Eu nunca o culpei, Rup. Você e sua irmã sempre foram o que me prendiam ao chão. Uma se foi, você está aqui. Rupert, eu o amo. Jamais esqueça disso. Nunca consegui dizer que sentia muito por tê-los deixado, você cuidou de Em até quando pôde-Eu já não conseguia mais parar de chorar-. Se ela se foi, a culpa foi da vida, não sua. Nunca deixe de viver sua vida por conta do que aconteceu.
E então, beijou meu rosto. Me serviu torradas e café preto. Limpei as lágrimas do meu rosto e respirei fundo. Enquanto comíamos, falei sobre ir na casa do Matt. Meu pai assentiu. John ofereceu seu carro, e disse que depois compraria um que seria somente meu para que eu pudesse andar pela cidade sem depender de ônibus e outros meios. Assenti com a cabeça e fui em direção a porta, o carro de John era um Opala Azul escuro, entrei e dei partida. Fui tentando lembrar do caminho da casa do Matt, tudo naquela cidade era tão igual. As casas se não fossem de pedra e madeira, eram de madeira e pedra. Bem inglesas. Nunca entendi o por quê das pessoas não gostarem de modernizar as casas. Estávamos em 2013 ou em 1900? E avistei uma pequena casa vermelha. Parei bem na frente da casa, saí do carro e fui até a porta. Bati três vezes, até que sua irmã Scar a atendeu. Me olhando do com uma cara meio suspeita, me deixou entrar. Ouvi a voz de Matt de longe "Quem está aí, Scarlett?".
– Ele está lá em cima. — Ela disse.
Subi as escadas até o encontro da porta do quarto de Matt. Ao me ver, deu um sorriso e me abraçou. Por mais que eu tenha o reencontrado a só um dia, já o considero por demais. Matt me convidara para sentar no sofá do quarto dele. Havia uma cama bagunçada, um guarda-roupa semi aberto, e uma parede cheia de mapas da Europa, Ásia, África Do sul, Oceania e um enorme mapa mundi. Havia também uma televisão presa a parede, e um ps3. Ficamos ali durante umas três horas conversando sobre coisas banais, xingando o jogo e falando da SFM/Katherine. Matt, por fim me perguntou novamente das minhas cicatrizes no rosto (quase totalmente curadas, devido ao acidente).
– Você não brigou com um babaca da escola, brigou?
– Não. Eu sofri um acidente de carro. Eu e minha namorada estávamos bêbados em uma festa, minha mãe havia pedido para que eu buscasse Em no ballet. E então, eu fui fazer uma curva, estávamos quase chegando em casa. Mas eu estava correndo muito, meu carro virou e Em e Sophie morreram imediatamente. — Eu podia lembrar, de acordar e ver seu rosto completamente ensanguentado e arranhado, olhando para trás via Em totalmente arranhada, e com o braço quebrado. Quase parecia que estava dormindo, se não fosse pelo fato de que suas roupas não eram mais rosas, e sim vermelhas. Seu peito estava perfurado pelo cinto. Afastei a memória. Matt me olhou e completou:
– Eu sinto muito. Mesmo. — e então me abraçou.
– Está tudo bem, Matt.
Ouvimos um barulho de campainha e descemos, para atende-la. Matt rodou a maçaneta e a porta se abriu. Era Sam. O que ela estava fazendo aqui? Vestia um vestido rodado preto, um coturno florido e seus cabelos estavam presos. Ela estava terrivelmente linda. Parecia até mentira o quão Samantha Miller conseguia ser tão deslumbrante. Matt a encarou e disse:
– O que está fazendo aqui? — perguntou.
– Estava entediada, então decidi chamá-los para um passeio ou algo do tipo.
– Nós dois? Como sabia que eu estava aqui? — Sam, com o dedo indicador mostrou o carro. Matt me olhou e já entendi. Ele topava. Avançamos para fora da casa. Fomos andando porque Sam estava se queixando de auto-móveis. O caminho em que ela nos levava era repleto de árvores altas, casas com cercados de madeiras, flores, a cidade estava cheirando a grama recém cortada. Algumas crianças brincavam pela rua de pega-pega. Sam havia acendido seu cigarro de cada dia, e oferecido para o Matt. Conversamos sobre amores platônicos, dor nos pés e do quão o professor Ben Simion era gordo. Rimos do cabelo Matt que estava completamente bagunçado. Quebrando o silêncio, Matt se virou para Sam e disse:
– Por que fuma tanto? Não tem medo de morrer por conta disso? — Ele falava em tom sério.
– E que fumante em sã consciência fuma para viver, Mattew? Somos suicidas sem pressa.
Ambos ficamos calados. Chegamos finalmente no "Dunorlan Park". Era completamente amplo e repleto de árvores e havia um chafariz enorme de pedra. Mais distante, havia um banco todo trabalhado em mármore. Crianças corriam para todos os lados, e havia muitos cães. Sam nos arrastou para o banco de mármore. Antes mesmo de sentarmos o telefone de Matt tocou fazendo ele se afastar de nós dois. Sentamos então esperando que ele voltasse logo.Então, quebrando o silêncio eu disse:
– Então, Samantha Miller. Qual sua história?
– Podemos pular essa parte da história, e me contar o por quê de me olhar com tanta frequência.
– Porque você é, provavelmente, a menina mais bonita que já vi em meus 17 anos. — disse, mesmo com medo da reação. Sam se inclinou até mim, e me puxou para perto. Nossas bocas se tocaram. Sentia gosto de cigarro e laranja. Ela acariciava minha nuca enquanto me beijava mais fortemente. Sam mordia meus lábios enquanto os beijava. E então ela se afastou e sorriu. Não o sorriso de sempre, um sorriso vazio e distante porém sexy o bastante para quase me fazer perder o fôlego. Matt vinha com a feição triste. Provavelmente acontecera algo enquanto eu e SFM nos agarrávamos.
– Eu preciso ir.
– O que houve? — perguntei.
– Bradley...Ele agrediu Katherine, preciso vê-la. Agora! Ela precisa de mim, me ligou chorando avisando para não ligar para seus pais. Eles a matariam ele e a ela. Eu preciso ir, Rupert. Desculpe, Sam...eu, eu tenho que ir. — E saiu em direção a saída do parte. Eu e a Sam, nos levantamos e os seguimos. Fomos até a casa de Matt para que eu pudesse pegar o carro, e o levar ao hospital.
O hospiral tinha a estrutura de tijolos brancos, haviam dois andares e quadro blocos o hospital era enorme. Fomos a procura do Bloco "B", seria "Emergência". Fomos até a recepcionista e pedimos para ela nos guiar até o encontro de Katherine. Entramos em um quarto completamente verde e branco, havia uma teve, uma cama e um armário. Katherine estava sentada na cama, seus estado era menos grave do que achei mas seu olho esquerdo estava inchado e roxo, sua boca estava com um corte enorme. Katherine, tinha cabelos castanhos, olhos escuros e pele bronzeada. Seu rosto estava com uma expressão vazia. Matt ao vê-la, correu para seus encontro e a abraçou. Eu não sabia o que havia provocado a fúria de Bradley, mas com certeza ele era um psicopata sádico.
– Matt! Eu, eu não sabia que você viria mesmo. — Ela gaguejou e disse, enquanto o abraçava forte. Olhando para nós com espanto — Quem são?
– É claro que eu viria, Kath, meu deus...eu fiquei tão preocupado! O que houve? O Bradley fez? Eu vou acabar com esse cara. Esses são Rupert e Sam, amigos. Eles não me deixaram vir até aqui sozinho. Desculpe. — disse Matt.
– Desculpe, Katherine...Nós, nós vamos deixá-los sozinhos. Melhoras. — Disse Sam me puxando. Saindo do quarto, havia bancos de espera. Sentamos e Sam, mexia em seus cabelos , impaciente. Eu mal acreditara no que estava acontecendo. Observando o hospital, pude ver pessoas com braços quebrados, crianças chorando por farpas nos dedões do pé. Odiava hospital, faziam meses que eu não entrava em um. O cheiro, as pessoas. Parecia tortura, me lembrara o dia em que acordei sem saber onde estava e o que ocorrera. Lembro-me de sentir minha cabeça girar e cada músculo do meu corpo doer. Matt saiu do quarto tão rápido que mal pude perceber que era ele. Levantei da cadeira e disse:
– O que houve?
Matt explicou o que ocorrera. Bradley havia parecido na casa da Katherine bêbado, dizendo besteiras e estava muito alterado. Katherine contou que ele se aproximara dela e a beijara a força, e assim, ela tentou fazer com que Bradley fosse embora. Ele a beijou mais uma vez, pedindo por sexo e então ela o negou e deu-lhe um tapa. Desse modo, Bradley a socou forte o bastante para fazer o que ela caísse, após isso, pediu-lhe desculpa e chorara. Matt estava tão furioso que quase não dava para reconhecer, suas pupilas estavam pequenas e seu rosto quase totalmente contraído. Sam trazia água para tentar acalmar Matt.
– Matt, precisamos sair daqui. É melhor...- disse Sam.
– Eu vou levar Kath pra casa, nos vemos amanhã? Por favor podem ir, ela está com carro.
– Só nos avise quando chegar, ok? — Respondi.
E de lá partimos para a saída do hospital indo assim, para o carro.
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