Perto do Fim
2 Capítulo 2 - SFM.
Notas iniciais
Acordei com uma batida na porta.
– Rupert? Rupert! — Era John.
– Sim? Pode entrar. — disse meio sonolento.
– O que está fazendo ainda dormindo? Você tem 17 anos, meninos de 17 anos estudam! E suas aulas já começaram a 2 dias. Sua mãe não lhe avis...- antes de terminar se interrompeu e completou- Bom, vá se arrumar.
Levantei o mais rápido que pude, e me arrumei. Coloquei uma calça preta, blusa cinza, e um casaco de capuz preto. Ignorei minha cara de acabado ao me olhar no espelho. E desci. John, estava sentado no sofá a minha espera. E se levantou ao me ver chegar e disse:
– Comprei isso para escola, não sou muito bom mas comprei coisas simples...se precisar de mais alguma coisa, é só você p...- O interrompi e disse:
– Está tudo bem. — Peguei a mochila preta, que ele havia comprado. E lá dentro estavam um caderno, uma caneta, um lápis e uma borracha. E partimos para o carro. Chegando lá, John começou a falar coisas como "boa aula" "se cuide" e parou no mesmo minuto que começou, pelo simples fato de eu sempre ter sido um idiota, que se envolvia em brigas na escola. Ele parou bem perto da escola, era um grande prédio de pedra, do tipo velho. Aquela cidade toda era velha. Quando eu estava saindo do carro meu pai puxou meu braço.
– Rupert, não sei se lembra do Matt. Vocês brincavam o tempo todo....Bom, eu avisei a ele sobre sua chegada e ele me prometeu que te mostraria tudo, e te ajudaria aí.
– Tá. — eu disse num tom de indiferença. Ele quer que eu encontre um cara que não vejo a 6 anos. Ok.
Caminhei em direção a escola, observei as pessoas que ali estavam. Havia uma garota com o cabelo completamente roxo, ela estava falando com o cara todo vestido de preto e fazia caras de dor. Um grupo de caras típicos atletas e suas vadias ao lado, como toda escola tem. E quando olhei para frente, um cara alto — mais alto que eu- de cabelos pretos, e pele tão branca quanto mármore e olhos intensamente escuros, caminhava em minha direção sorrindo. Era o Matt?
– E AÍ, RUPS! — Disse com sua voz grossa, na maior animação.
– Ãn, e aí. — respondi.
– Quanto tempo! Uns 5 anos, talvez 6 eu acho. Bom, eu vou tentar te ajudar a se acostumar com isso aqui.
Não respondi, apenas assenti com a cabeça. Matt estava falando de coisas tão aleatórias que mal pude entender, mas respondia sim para tudo. Eu temia que ele estava falando de peitos e garotas gostosas, mas não conseguia processar. Estávamos andando até a porta da escola, quando eu a vi. Foi como se todos os meus nervos congelassem. Ela tinha cabelos enrolados, castanhos, olhos intensamente azuis e o sorriso mais perverso e intensamente sexy que já vi. Matt me deu um tapa nos ombros.
– EI CARA, VOCÊ ESTÁ ME ESCUTANDO? ALÔ?
– Ãn? Eu só estav...Qual nome daquela menina? — Gesticulei com as mãos tentando mostrar a ele sem que ela perceba.
– Acho que o nome dela é Samantha Miller. Ela tem aula de história comigo. Ela me assusta as vezes.
– Ela é bem bonita.- eu respondi.
– É, ei, vamos nos atrasar para as aulas. — disse me puxando para dentro da escola, e logo após me empurrando para uma sala, onde seria minha classe. imagino. Na porta estava escrito "Inglês". Pior matéria possível. Pelo menos não era Física ou Biologia. Passei pela porta, e a classe estava quase completamente vazia. Eu me sentei na ultima fileira, na ultima carteira que ficava ao lado de uma janela enorme. Os alunos estavam entrando, e alguns eu reconhecia de vista quando cheguei mais cedo. A menina de cabelo roxo entrara agarrada em seu possível namorado, gótico com cara de "vou te matar". Agora a classe já estava preenchida. A professora entrou e escreveu seu nome "Melinda" no quadro negro. E logo após veio até mim e entregou o horário dizendo:
– Simon, o coordenador da escola se atrasou mas pediu para que eu lhe entregasse seus horários. — disse, fria.
Assenti com a cabeça e sorri. Ela saiu e voltou ao quadro. Ouvi uma batida na porta, e a professora foi até ela e a abriu. Eu mal pude acreditar, era ela. A menina que vi mais cedo. Ela falou algo com a professora que não compreendi. E então olhou diretamente para mim, e virou o rosto.
– Seus livros serão entregues após o intervalo.- A professora disse.
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Após três horas o sinal do intervalo tocou e fui ao encontro de Matt. Ele estava conversando com uma menina ruiva, de olhos claros e magra. O que me fez lembrar de Sophie, quase me deixei levar pela lembrança, mas Matt me chamou e logo, "acordei". Nos minutos seguintes, conversamos sobre nossos 6 anos afastados, ele me contou sobre suas namoradas, sobre seu campeonato de natação, terapias e que fora diagnosticado com transtorno de ansiedade. Vivera um breve romance com Katherine Accola do qual ainda era absurdamente obcecado até nos dias de hoje. Me contara que meu pai, havia se tornado o bêbado solitário da pequena Wells, e que se aposentara por conta disso, o que não foi nenhuma novidade. Me alertou sobre um cara chamado Bradley Still, o "cara malvado que quase me afogou" (atual namorado de Katherine). E sobre meninas gostosas do colegial. Eu contei como fora meus anos até oito meses atrás. Matt havia me perguntado sobre minhas cicatrizes no rosto, menti falando que havia brigado com uma babaca da minha antiga escola. Não tocamos mais no assunto. O sinal tocou e tivemos que ir de volta as classes. Geografia, seria a próxima aula. Sentei na carteira ao lado da janela, logo de cara o professor cujo o nome estava escrito no quadro negro "BEN SIMION", pediu um trabalho sobre os protesto da Ucrânia. E eu teria mais duas aulas seguintes com esse cara, eu não aguentava mais. Passaram as duas e longas horas, e o sinal final tocou. Matt me esperava do lado de fora da sala, ele conversava com Katherine. Quando cheguei, ela se afastou e foi embora. Matt me olhou e disse:
– Ela me ama, cara. Sei disso.
– Claro que ama, vem, temos que ir. Me leva em casa? Não tenho carro e minha paciência para aguentar ônibus não está das melhores.
– Claro, cara. Mas antes, vamos numa festa! PORQUE HOJE FELIZMENTE É SEXTA-FEIRA. — Gritou.
– Sabe, estou meio cansado ainda, nem estou muito afim.
– Qual é!!!!!!NÓS VAMOS! Com certeza a SFM irá...
– SFM? — perguntei.
– Samantha Fucking Miller.- Nós dois rimos e fomos até o carro, Matt dirigia devagar e acabei prestando atenção no caminho. Apenas 20% da cidade era moderna. Os outros 80%, pareciam mais velhas que qualquer coisa. Chegamos até uma casa totalmente branca, com portas que imitavam pedras. Matt bateu na porta e uma loira peituda atendeu. Ele a cumprimentou e me apresentou:
– Clare, esse é o Rupert. Ele se mudou recentemente para cá.
– Ei rups. — ela deu um sorriso malicioso.
Entramos na casa dela. Para uma cidade minúscula, os adolescentes até que eram bastante animadinhos e nada monótonos. Havia duas meninas se beijando enquanto um cara as observava. Matt quando avistou, quase teve o colapso. Haviam algumas meninas dançando, algumas beijando caras atletas. Alguns caras, subiam para os quartos de cima com suas namoradas, havia bebida e copos para todos os lados. E então eu a avistei. SFM está de fato, lá. Ela fumava seu cigarro, e observava todos a sua volta. Quando me viu, deu um breve sorriso. E caminhou até mim.
– Então vai ser assim? Você me olha dá alguns sorrisinhos e não passa disso?
– Meu nome é Rupert Collins. — tentei puxar algum assunto.
– Sam. Então, você veio de Londres não é? — Em intervalos de cada fala, Sam tragava seu cigarro e deixava a fumaça interromper nossa conversa.
– Sim, eu sou sim.
Ela se aproximou de mim, e jogou o cigarro no chão. Agora eu podia sentir até seu cheiro e tudo o que sentia era cigarro, wisky e menta. Esse era o cheiro de Sam Miller. Sua boca estava a 3cm da minha, ela estava fechando os olhos. Eu fechei os meus, e então ela se afastou — pude sentir-. Quando abri meus olhos, ela estava sorrindo. Matt estava vindo até nós, com a loira peituda, Clare. Aparentemente ela estava mais bêbada que qualquer coisa, Matt estava com os olhos vermelhos, e com cara de chapado. Eles caminhavam tropeçando no ar. Os cabelos loiros de Clare, voavam em meio aos pulinhos que davam. Ao chegar na nossa frente, Matt vomitou a metade do almoço mais vodca e algo azul. Peguei-o pelo braço, apoiando-o sobre meus ombros. Sam me ajudou a levá-lo ao banheiro. Matt vomitou mais 1 litro de coisas não-identificadas. Sam lavou seu rosto, e dizia para ele respirar fundo. Matt pedia desculpa o tempo todo, e ria sem parar. E então, ele dormiu. Com a ajuda da SFM, levamos ele até o carro, e deixamos Matt deitado no banco de trás. E eu entrei para dar partida no carro. Sam se sentou do lado e disse:
– Eu te indico o caminho até a casa dele.
Assenti com a cabeça e o levamos até uma casa vermelha, com um jardim bem cuidado. Sam me ajudou a tirá-lo do carro, e nós tocamos a campainha e eu rezei para que quem atendesse fosse qualquer menos a mãe dele. Uma menina de mais ou menos 12 anos, atendeu a porta e nos deixou entrar após ver o estado irmão, nos guiando até o quarto dele. Deitei-o na cama e tirei os sapatos do Matt. Sam me ajudou.
– Ei, qual seu nome, mocinha? — disse Sam, para a menina pequena.
– Scar.
– Você precisa jurar que não vai contar isso para seus pais, ok? Onde eles estão?
– Foram ao cinema, logo voltam. Tudo bem...- ela afirmou com medo.
Saímos e fomos andando até a minha casa, perguntei umas três vezes aonde era a casa da Sam, mas ela dissera que me levaria até em casa e dela iria para dela. Chegamos a porta de casa.
– Pode ir agora. -Eu disse.
Ela sorriu, me abraçou e foi embora. Sem dizer tchau. Quando me dei conta, eram 1h34. E eu não havia avisado ao meu pai que iria sair depois da escola. Estava preparado para morrer. Respirei fundo e entrei pelos fundos da casa, esperando que meu pai não fosse perceber.
– Collins, me diz uma coisa. Você sabe o que é um celular? Tem noção do quão preocupado fiquei? Sua mãe sempre que eu ligava para falar com você e sua irmã, me dizia que você não estava em casa, provavelmente bebendo, e que estava arrumando alguma confusão. Eu pensei que depois de provocar aquele incidente tomaria mais jeito. Pensa que não sinto cheiro de álcool? Por onde andou? — Suas palavras me atingiram como facões. Ele estava bêbado.
– Pai, vá deitar. Está tarde. — Ignorando o que ele havia falado, fui para meu quarto. Tomei uma ducha, e novamente adormeci pensando na morte de minha irmã Em cuja a culpa fora totalmente minha.
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