Personal Case — SwanQueen
2 Chapter 02
Notas iniciais
Nos três dias seguintes, enquanto trabalhavam, Regina e Emma se aproximaram mais e estavam se tornando amigas. Emma estava com medo, no início. Ela não queria se apegar, isso geralmente não acabava bem. Mas por outro lado, estava feliz em ter uma amiga além de Belle.
A investigação estava progredindo e se tornando cada vez mais misteriosa, não estavam nem perto de encontrar o assassino. Ele era esperto, sabia como não deixar rastros. Nem mesmo uma impressão digital sequer havia sido encontrada.
Depois do relatório do legista, foi confirmado que o corte no estômago da vítima, Chloe, tinha o formato da letra "I". A outra vítima, que havia sido morta seis dias antes de Chloe, tinha um "G" cravado no estômago. Esse era o principal enigma. O que aquelas letras significavam?
Regina estava fazendo a maior parte do trabalho, estudando as informações das vítimas e tentando descobrir o próximo passo do suposto serial killer. "Suposto" porque ainda não estava confirmado se era o mesmo assassino, já que o "I" poderia ser apenas um corte mal feito, e a primeira vítima havia sido assassinada na própria casa. Eles não podiam afirmar nada ainda. Enquanto isso, Emma a acompanhava, ou a "escoltava", para todos os lugares. O distintivo da loira era muito útil, já que Regina não era uma detetive, e sim uma estagiária.
As duas haviam parado para tomar um café depois de uma manhã em "campo", quando Emma recebeu um chamado da central. Não tinha a ver com o caso, mas Emma era a policial mais próxima da denúncia. Ela não podia simplesmente deixar Regina na cafeteria, então as duas foram juntas, mas a morena iria ficar na viatura o tempo todo.
Chegando ao local indicado, Emma pode ver que era uma tentativa de assalto. Foi informada pelo rádio que o reforço já estava a caminho, mas já poderia começar a agir.
— Muito bem, Regina, você fica aqui. — disse Emma, tirando o cinto de segurança.
— Cuidado, Emma, o homem está armado.
— Não se preocupe. — disse a loira sacando sua pistola 9mm. — eu também estou.
Emma desceu do carro e se direcionou ao assaltante, ficando a uns sete metros do mesmo. O cara estava apontando a arma para uma mulher, que aparentava estar com seus 40 anos. Assim que viu Emma, ele agarrou a mulher pelo pescoço e a segurou contra o peito, apontando a arma para Emma.
— Rapaz, sugiro que não faça isso. Largue a arma, não queremos que ninguém se machuque aqui. — disse a policial num tom controlado, tentando não transparecer seu nervosismo. Emma não tinha medo de levar um tiro, não era a primeira vez que tinha uma arma apontada para si. Sua preocupação era com a refém, que provavelmente tinha uma família esperando por ela.
— Acho que não, dona. — disse o bandido, a mão que segurava o revólver estava tremendo. — Você vai me deixar escapar.
Regina observava tudo aflita dentro da viatura.
— Isso não vai acontecer. Faça o que eu digo, ponha a arma no chão e podemos negociar sua situação.
— Não! — gritou o ladrão, apontando a arma para a cabeça da mulher em seus braços. — Você vai me deixar fugir, ou então os miolos dela vão colorir a calçada.
Uma gota de suor frio desceu na nuca da loira. Ela respirou fundo, e com a voz controlada tentou mais uma vez:
— Escute, essa mulher não tem nada a ver com isso. Deixe-a ir e vamos resolver isso entre nós.
Em resposta, o ladrão apertou mais a arma contra a cabeça da mulher, a fazendo gemer de dor e deixando algumas lágrimas caírem. — Última chance, policial!
— Tudo bem, tudo bem! — Emma gritou. — Vamos fazer uma negociação, mas não aperte o gatilho.
— Quero que você largue a arma. — comandou o ladrão.
Regina gritou um "Emma, não faça isso!" de dentro do carro, mas o som saiu abafado.
— Você vai ter que soltar ela primeiro. — disse Emma.
O cara assim o fez, devagar, afastou a mulher de seu corpo e essa saiu correndo para o outro lado da rua assim que ganhou liberdade. Agora o ladrão apontava a arma para Emma: — Sua vez, policial. Largue a arma e eu vou sair daqui sem machucar ninguém.
Emma começou a abaixar a arma, nesse momento Regina saiu do carro e se aproximou um pouco de onde estavam os dois.
— Emma! Não abaixe a arma!
Emma congelou.
— Regina — a loira respirou fundo. — Volte para o carro agora.
Regina não se moveu, apenas olhou de Emma para o ladrão, e vice versa.
— Volte para o carro agora, Regina! — Emma gritou furiosa.
— Já estou perdendo a paciência! — falou o ladrão revezando a mira da arma entre as duas mulheres.
O desespero começava a tomar conta do corpo de Emma.
— Olha, moço- Regina começou a falar com calma. — o reforço já está vindo. Você não vai ter chance de escapar, então é melhor para você se entregar agora. Podemos negociar sua condição, já que o que você fez foi apenas uma tentativa de assalto. Mas se atirar, a sua situação vai ficar bem pior. — Regina falava como se estivesse lidando com um animal encurralado, não com um bandido que apontava uma arma para ela. O ladrão pareceu considerar suas palavras.
O sangue de Emma congelou. Estava acontecendo tudo de novo.
— Regina, saia daqui agora. Eu cuido disso. — sussurrou.
Antes que um dos três pudesse fazer alguma coisa, ouviram sirenes da equipe de reforço se aproximando e logo duas viaturas dobraram a esquina.
O ladrão se desesperou e avaliou suas possibilidades de fuga. Não encontrando nenhuma, voltou-se para as duas mulheres com uma expressão furiosa no rosto.
— Vocês me pagam! — com isso, apontou a arma para Regina e puxou o gatilho.
O mundo de Emma parou a sua volta, e tudo ficou em câmera lenta por alguns segundos. Quando voltou ao normal, olhou para Regina que tinha uma cara de choque, mas não tinha nenhum ferimento. A arma do ladrão estava descarregada.
A equipe de reforço foi rápida em imobilizar o bandido, que estava confuso por não ter notado que estava sem balas, mas Emma não estava prestando atenção. Ela nem mesmo podia se dar ao luxo de ficar aliviada, um sentimento de fúria invadiu sua cabeça quando virou para Regina, que ainda tinha o rosto pálido.
— Você ficou maluca? Qual é o seu problema?! — Emma gritou.
— Emma, calma, eu...
— Calma?! Como pode pedir pra eu ficar calma? Onde estava com a cabeça? Eu não falei pra você ficar na droga do carro?! – a loira gritava, fazendo Regina se assustar. Mas ela não ligava, não ligava para as pessoas em sua volta também. — O que você fez foi muito estúpido, Regina!
Regina apenas se encolheu e deixou Emma falar. A loira grunhiu e chutou o pneu do carro com força, apoiando suas mãos no capô em seguida, abaixando a cabeça com a respiração pesada.
Ficou assim por quase quatro minutos inteiros, até que sua respiração foi acalmando. Regina finalmente se aproximou, colocando sua mão no ombro da loira, com cuidado.
— Emma, me desculpe. Eu sei que isso foi estúpido. Eu só estava muito assustada por você, não consegui pensar direito. — falou calma, como se estivesse falando com uma criança assustada. — Mas pela sua reação, eu suponho que isso tenha a ver com o fato de você não me querer como parceira. Talvez... Tenha a ver com seu último parceiro... — Regina arriscou, falando com o máximo de cautela.
Emma fechou os olhos com força e lágrimas começaram a cair livremente em seu rosto.
— Meu Deus, sinto muito, eu não devia ter pressionado. — Regina a abraçou de lado e a guiou para a porta da viatura, do lado do passageiro. — Vem, vamos entrar.
Assim que entraram, Emma desabou. Aquela armadura que vinha construindo por tanto tempo rachou e só restou uma frágil Emma. Por vários minutos, as duas ficaram em silêncio. Emma chorava, e Regina fazia círculos em suas costas tentando passar algum tipo de conforto. Achava-se a pessoa mais idiota do mundo por ter colocado a policial naquela situação, e ainda a pressionado sobre um assunto desconfortável. “Maldito espírito de detetive, Regina!”
Finalmente, Emma se acalmou, respirou fundo e começou a falar.
— O nome dela era Ruby — começou devagar, com a voz trêmula. — Ela era policial como eu, éramos uma dupla.
Regina achou melhor não interromper e deixar Emma falar até o final.
— Éramos mais do que isso, na verdade. Ela era minha melhor amiga. Você devia ter conhecido ela, era tão engraçada, fazia piadas sobre as coisas mais inoportunas. — Emma sorriu triste. — Mas apesar disso, fazia seu trabalho como ninguém. Ela se achava indestrutível. Um dia, fomos chamadas numa ocasião de assalto como esse, Ruby era a única armada e estava sem o colete. Ela tentou falar com o bandido, tentou fazer com que ele se entregasse. Mais ou menos como você estava fazendo. — com isso Regina sentiu seu estômago revirar. — Ele disse que abaixaria a arma, se ela abaixasse primeiro. Eu estava com tanto medo. Queria dizer pra Ruby não fazer isso, que não podia confiar. Mas não consegui dizer nada. — mais uma lágrima escorreu pelo rosto de Emma. — Ela deixou a arma no chão, e a equipe de reforço ia chegando. O bandido se irritou e atirou no peito de Ruby antes de ser rendido pelos outros policiais. — Regina segurava as mãos da loira, mas havia desviado o olhar enquanto duas lágrimas escorriam de seus olhos castanhos. — Eu vi tudo em câmera lenta: ela sendo atingida, caindo no chão. Eu tentei conter o sangramento, gritei por ajuda, mas ela estava sangrando muito. Minhas mãos estavam cheias de sangue. Eu pedia pra ela não me abandonar, pra ficar comigo, mas ela apenas sorriu fraco como se estivesse pedindo desculpas, e fechou os olhos. Eu não pude fazer nada. Nada!- Emma fechou o punho com força. — E hoje eu vi tudo acontecer de novo. Eu não sei o que eu faria se aquela arma estivesse mesmo carregada. — terminou com um soluço.
— Emma, eu sinto muito mesmo. — Regina abraçou a loira, e as duas ficaram assim por um bom tempo. Era por isso que Emma preferia trabalhar sozinha. Não conseguiria perder mais uma pessoa, sem poder fazer nada para evitar isso. O sentimento de impotência era a pior coisa.
Depois de mais alguns minutos, as duas se separaram e Regina dirigiu a viatura até a central. As duas encerraram o trabalho pelo dia.
Sozinha em seu apartamento, Regina passou a noite chorando abraçada a seu travesseiro ao se lembrar da história de Emma.
....
Emma acordou na manhã seguinte com um sentimento diferente. Depois de uns minutos encarando o teto, rolou da cama e foi até o banheiro, fez sua higiene matinal e vestiu o seu uniforme azul. Emma se olhou no espelho.
— Pare de pensar nela, sua idiota. — falou para o seu reflexo.
A verdade era que Emma não conseguia parar de pensar em Regina desde o ocorrido no dia anterior. Era um sentimento estranho, um frio na barriga toda vez que pensava na outra mulher. Queria vê-la de novo, estar perto dela, abraçá-la... O tempo todo. Emma balançou a cabeça negativamente, olhou mais uma vez para seu reflexo e saiu.
Ao chegar ao trabalho, notou que o lugar estava mais agitado que o normal. Grupos de policiais saíam em viaturas e as pessoas andavam apressadas.
— Emma! — chamou a voz que não saia de sua cabeça recentemente. Emma se virou para ver Regina andando apressada em sua direção.
— O que está acontecendo?- perguntou à morena, mas no fundo já sabia a resposta.
— Houve mais um assassinato. Estamos indo para lá agora. — Regina falou, agarrando o braço de Emma e a puxando para fora. Mesmo com a notícia de mais uma morte, tudo em que Emma conseguia se concentrar no momento era na mão da outra mulher em seu braço.
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