Persona
4 Sangue
Notas iniciais
A trilha que era feita por uma cor diferente chamava a atenção do jovem, ele não conseguia nem ver os seus braços pela cor escura que estava ao seu redor, mas podia ver claramente o rastro de cor diferente não lembrava o nome da cor, mas sabia que havia um nome para esse rastro, sangue, era uma linha, não havia nada além dessa cor se não seguir provavelmente não ira encontrar a saída desse lugar, não tinha outra opção.
O caminho que seguia era assustador, aquela linha vermelha, havia tentado se aproximar do chão e via que sobre a linha eram apenas as cabeças, não passava em nenhum outro lugar, apenas nas cabeças sempre no meio das máscaras não era possível ver os olhos das pessoas mesmo que suas máscaras estejam quebradas a risca passava por cima cobrindo-os, não havia mudança era uma longa linha reta, o jovem olhou para trás a trilha que tinha passado não foi longa a linha tinha aquele inicio, mas no seu final a luz estava voltando e lá encontrou que a linha não seguia uma ordem, fazia curvas, o que o assustou foi o final, havia uma sombra no final disso tudo, não conseguia ter certeza se era Adriano, mas a pessoa estava ajoelhada e parecia estar batendo no chão com algo:
–Adriano é você?
O vulto parou de bater no chão se levantou lentamente, conseguia escutar que estava cantarolando alguma música que não se lembrava do nome e nem de sua letra, mas a conhecia, mas não era nenhum pouco parecido com a voz de Adriano, ao passo que a pessoa se aproximava conseguia perceber que a sua roupa estava manchada com aquela cor, a sua máscara era a coisa mais diferente que já tinha visto, no lugar dos olhos havia duas flores com a cor e o traço que deveria cobrir a sua boca estava manchada formando um sorriso extremamente assustador e sua grande altura o parecia fazer mais assustador:
–Eu não sou Adriano, quem é você?
–Eu não...
–Pouco importa – cortando a sua fala, levantando a mão fazendo o gesto de silêncio – O que realmente importa é o que você achou da minha obra de arte?
–Obra de arte?
–Olhe a seu redor – levantando os braços sujos de sangue e girando – É a única coisa que você consegue enxergar no meio dessa escuridão!
–Como você conseguiu fazer isso?
O homem começou a rir e colocar as suas duas mãos na barriga como se essa pergunta não passasse de uma bela piada, e apontou em sua direção com uma das mãos algo que não tinha visto, um objeto curto pontiagudo e afiado o seu cabo era de cor cinza, mas a sua ponta estava com aquela cor:
–Foi essa coisa, eu não lembro se estava comigo quando havia caído, ou se achei só sei que estava ao meu lado quando acordei, eu o vi em cima de uma desses cadáveres e o que mais me chamou atenção foi quando tirei quando estava presa, essa linda cor saiu e comecei a me perguntar se outros iriam fazer sair essa cor e realmente deu certo – depois aproximou a perto de seu rosto e com a outra mão ficou mexendo em sua ponta e a girou como um brinquedo — então decidi fazer uma obra de arte, o mundo precisa de mais cores do que aquilo, tanto que meus olhos e meu rosto estão melhores não concorda?
O jovem não respondeu, sabia que o homem apenas tinha matado aquelas pessoas não era algo certo, o artista continuou fitando a espera de alguma resposta, mas depois se cansou e continuou a manusear o objeto e depois se agachar e colocar sua ponta em uma máscara que estava no chão que não estava coberta por aquela cor, o homem continuou até que não fosse mais possível ver a máscara que possuía símbolos estranhos até ficar coberta inteira de sangue:
–Sabe de alguma forma para sair daqui e voltar para a ponte?
–Agora você voltou a falar – olhou para o jovem e se levantou e ficou balançando o item para vários lados – Sabe de uma coisa? Nunca tentei fazer minha obra de arte com alguém que estava se mexendo ou que pudesse gritar, você sabe de alguém que ande e saiba gritar? Pode ser você, o que acha?
–Olá? Onde está você cara? Está tudo bem?
Uma pessoa estava se aproximando deles, a voz vinha atrás do jovem, era capaz da pessoa ter encontrado a trilha e ter seguido o sangue, o problema não era a pessoa, o problema é que sabia de quem era a voz da pessoa:
–Ora, ora, ora – disse o artista apontando a faca para o jovem – Parece que tivemos sorte em encontrar alguém se voluntariando já que você iria ficar mudo do nada não é?
O jovem nunca torceu tanto desde do momento que chegou que não fosse alguém que conhecia aparecesse, mas parecia como se o destino estivesse planejando acabar com todas as suas esperanças, o vulto era de seu companheiro, estava andando devagar, o artista estava indo na direção dele:
–Você não vai machuca-lo – segurando o seu braço para não ir até Adriano, com um tom sério – Não pode sair machucando as pessoas.
–Me dê um motivo que eu não machuque vocês, qualquer um dos dois pode falar.
O jeito que o artista respondeu o fez lembrar algo, novamente viu imagens, não eram a mesma sensação que a garota em cima da ponte havia lhe dado, era m imagens que lhe traziam raiva, era um homem que o irritava, conseguia ver ele sendo falso, enganando, mentindo, como ele conseguia ver não sabia como, conseguia ver a felicidade daquele homem acabando com a felicidade de todos assim fazendo-o ser feliz, não conseguia ver o rosto do homem mas as imagens sempre mostravam um homem de longo cabelos negros presos usando um terno e conseguia ver o sorriso daquela pessoa, era uma pessoa totalmente diferente do que a garota, mas conseguiu ver uma pessoa discutindo-o parecia odia-lo, conseguia ver que se parecia com Adriano, mas não sabia dizer, mas por um momento podia entender a preocupação que estava tendo por seu amigo e talvez houvesse mais coisas envolvidas do que um cara simplesmente machucar a outra sem razão.
O homem soltou-se das mãos do jovem, continuou em direção a Adriano:
–Amigo! Você está bem!
–Que reunião mais amigável não concorda? Vocês dois amigos num lugar como esse?
–Quem é você?
–Pouco importa o que você achou da minha obra de arte? É maravilhosa!
–Não entendi, que obra?
–Como assim você não a viu?! – gritou – Não reconhece uma obra? Ou é apenas um idiota?
O artista pegou o braço do jovem e o trouxe perto dele e aproximou o seu objeto afiado perto de seu pescoço:
–É fácil reconhecer, você verá como se faz a arte!
Adriano se aproximou correndo para tentar evitar o corte, a faca estava próxima do pescoço do jovem, ele estava com medo de fazer algum movimento brusco, mas quando seu amigo se aproximou ele apontou a faca em direção ao peito de seu companheiro.
Tudo aconteceu de forma lenta, à faca atingindo a parte esquerda do peito de seu amigo, ele viu o sangue saindo da camisa cinza e se lembrou do nome da cor, vermelho, viu o vermelho sair, escutou o artista começar a rir com todas as forças o derrubou, a risada do homem foi algo aterrorizador de se escutar, o jovem socou com toda a força, o homem continuava a rir:
–Eu consegui! Minha obra realmente é um sucesso!
Depois de mais três socos, deixou o homem deitado rindo, não iria mudar, se virou para Adriano, ele estava ajoelhado segurando o objeto com a cor avermelhada, depois olhou para ele:
–Você está bem?
–E-estou, ele não te machucou não é?
–Não – Ele se aproximou e olhou o seu ferimento, o sangue não parava de sair – Você tentou me ajudar mesmo sabendo que você iria se machucar, por quê?
–Nós somos amigos, o que mais queria que eu fizesse? Nada? Não -Adriano quase caiu, mas o jovem segurou-o -Me desculpa, estou ficando cansado.
–Vai ficar tudo bem, vamos dar o fora daqui! Me desculpa!
–Não precisa se desculpar.
Quando olhou para trás onde era estava seguindo o caminho ele viu que não estava mais escuro, o artista havia parado de rir, mas parecia estar como os outros que estavam deitados, o que parecia ser a montanha ela estava logo ali não era necessário nem andar cinco minutos que conseguiriam chegar, não sabia que estava tão perto assim:
–Viu só, nós já estamos na ponta, vamos poder subir!
–Que ponta? Ainda está tudo escuro, amigo.
–Como assim? Estamos perto não vai levar muito tempo para encontrarmos alguém para ajudar.
–....É mesmo? – Se afastando dele tentando andar sozinho sem ajuda – Estamos tão perto assim? Vamos então, quanto tempo então?
–Acho que uns cinco minutos, por quê?
–Só para saber – colocou a mão na ferida – Sabe, minha cor favorita era a cor da água, mas não lembro o nome dela e nem como é a água, mas eu sei que é totalmente diferente dessa.
Os próximos minutos foram quietos, a base da montanha estava ao lado deles e parecia haver um tipo de caminho para subir até o topo, não seria necessário escalar e passarem por mais dificuldades, logo estariam em um lugar seguro, nunca esteve tão feliz:
–Chegamos Adriano! Viu só?! Falei que iríamos conseguir!
–Fico feliz que você conseguiu chegar até montanha, pode ir à minha frente que te alcanço depois.
–Como assim? Você vem comigo, você não pode simplesmente ficar para trás! Além do mais...
–Eu não posso subir essa montanha.
–Por que não? – Viu que seu amigo estava com os punhos fechados totalmente trêmulos – O que iria te impedir?
–Porque eu preciso achar aquela garota, não posso subir enquanto não tiver certeza de que ela estará segura!
–Você só pode estar de brincadeira né?!
–Quem me dera, mas eu não posso simplesmente subir a montanha sem saber se ela não esteja bem! Prefiro descobrir que ela não está aqui do que subir isto e depois ver que não está mais lá e não pude fazer nada!
–Mas você está ferido! E nem sei como vai conseguir achar o caminho de volta!
–Eu me viro – fazendo o sinal de positivo com o braço direito — do mesmo jeito que te achei eu posso acha-la e achar o caminho de volta.
–Mas...
–Nada de mas, cara isso não é um adeus, vamos nos ver de novo! — Adriano apertou a mão do garoto – A gente se vê por aí, não se atreva voltar e tentar se perder, continue!
No momento que as suas mãos se soltaram e o viu indo para o lado contrário vendo as suas costas e seu cabelo de cor cinza, as imagens voltaram só que dessas eram de uma pessoa parecido com a sua idade, sempre próximo em vários momentos, via o sorriso dele, sensação de felicidade, risadas, uma sensação de confiar na pessoa, ele viu Adriano dando um último olhar para ele não tinha certeza de se era imaginação ou não, mas podia enxerga-lo sem a máscara com um sorriso e depois voltando para o seu caminho e vê-lo sumir na escuridão que estava após o limite dessa claridade, ele sabia que talvez não iriam se ver de novo podia confiar nele, então o jovem olhou para montanha e seguiu o caminho para lá e não sabia o porque mas havia algo escorrendo dele colocou a mão era algo molhado, não havia cor, mas sabia do que se tratava, não podia desistir de subir a montanha agora como Adriano não havia desistido daquela garota, mesmo que se arrependesse sabia que não havia outro caminho.
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