Persona
5 Um mascarado no meio do caminho
O caminho que seguia a montanha branca era cheio de curvas, como se fosse dando voltas e mais voltas como se fosse uma gigantesca espiral, cada vez que fazia uma curva na trilha que fazia parte de lá parecia estar cada vez mais estreita, ele não sabia como iria terminar cada vez que subia só tinha a ponte como referência, mas ela estava cinza e não parecia que estava fazendo a diferença, tudo ao redor era um branco claro, mas ao olhar a sua base era apenas escura ,mas o seu caminho ficava mais difícil cada vez mais tinha que ficar de lado e se apoiar para a montanha para não cair, olhou para baixo apenas uma vez e sabia que não conseguiria olhar de novo para aquela escuridão, não sabia se a queda iria mata-lo ou não, não queria descobrir.
Ele sentia novamente o vento passando pelo seu corpo, mas não era como o que aconteceu na ponte que tentou, e conseguiu, derruba-lo era uma força que o empurrava em direção à montanha, como se agora estivesse tentando evitar com que ele caísse e estivesse do seu lado, ficando com as costas encostada à montanha, mas isso não era para perguntar o que havia com os ventos e tudo ao redor desse lugar, só queria subir essa montanha e assim atravessar novamente a ponte, ele sentiu algumas pedrinhas caírem em cima dele, olhou para cima e viu que havia alguém lá, também estava tentando subir a montanha, não podia perder tempo parando para pensar ou falar com ele naquele momento, não podia cair, estava na mesma situação que o homem.
A curva era o que mais lhe causava medo, parecia que iria o derrubar, olhando para o lado ele preferia manter o olhar com a ponte do que olhar aquele vazio do outro lado do horizonte onde havia o nada, mas quando deu mais um passo a sua mão encostou-se a algo que não era rochoso, e sim em uma mão e depois se afastou,se desequilibrou e com o pé esquerdo com um passo em falso quase que caiu, se não fosse pelo braço da pessoa que o ajudou a se manter:
–Obrigado você me salvou.
–Eu salvei nada, só te poupei de subir isso tudo de novo.
Não conseguia ver o rosto, ou melhor, máscara, da pessoa que o segurou, precisava andar mais um pouco para que pudesse vê-lo, só conseguia ver um pé e sua mão e estava parado, não tentando avançar ou se afastando :
–O que houve? Tem algo no caminho?
–Não.
–Então por que está parado no meio do caminho?
–Porque eu não sei se eu continuo ou se eu desisto.
–Como assim?
–Você é surdo ou coisa do tipo? Eu não sei o que quero fazer, eu acho que quero fazer isso, mas eu não sei se vale a pena, entendeu agora?
–Mas logo agora? Não acha melhor subir isso e depois pensar se realmente continua ou não?
–Sim, eu fiz umas decisões e não sei se realmente eu quero saber o que acontece depois.
–Depois do que?
–Eu não quero saber o que pode estar lá no céu – Apontou com o braço direito para o alto onde havia os pilares segurando aquele lugar branco como a neve que sustentava aquele “céu” – Não sei se é um lugar bom ou pior, eu não quero saber.
–Porque não ficou na cidade então?
–Que cidade? Você está falando aquela de onde todo mundo acordou? Aquilo iria me ajudar em que? Dormir e o que?
O homem estava certo, não havia nada naquele lugar só aquele homem com máscara de gato e sua provável filha, mas não sabia o que poderia ter além daquelas duas pessoas e do que podia ter além daquelas casas, não sabia o que fazer para convencer aquela pessoa:
–Mas, mesmo que você não saiba o que fazer é necessário atrapalhar a minha atenção para poder se decidir? Provavelmente logo outros poderão querer subir e você estará atrapalhando a todos.
–Eu não me importo, ninguém se importou antes com o que fazia antes, não será hoje que irão me se importar são é capazes de me entender.
–Com esse pensamento você vai para lugar nenhum, tente se lembrar do que você fez, o lugar que você queira ir pode ter as respostas de lá.
–Eu sei o que fiz! – Gritou e viu que o homem estava se movendo -É por isso que eu sei que não devo ir para lá, eu fiz muitos erros.
O homem estava retornando, o jovem foi obrigado a andar para trás para que os dois não trombassem e caíssem, e viu o homem olhando para ele e finalmente conseguiu ver a pessoa, era baixa, sua máscara como todas as outras era diferente das outras, mas ela tinha uma fissura no meio dela, era o formato de um monstro, era um rosto triste mas tinha um aspecto assustador com dentes a mostra como se fossem presas, havia três chifres nelas, tudo que era para achar que essa pessoa fosse algum demônio ou pessoa horrível era de cor cinza, não estava com medo dele:
–Eu não consigo me ver como alguém bom sabe? Eu quero ajudar, eu ajudo, mas no fim eu atrapalho ou não sei se realmente ajudei muito, sempre levo uma facada nas costas caso eu peça algo ou quando faço outra coisa.
–Não é para pensar assim, você pode tentar ajudar, é melhor nós tentarmos sair daqui, está ventando cada vez mais forte e parece ruim ficar aqui, pode acabar caindo ou coisa do gênero.
–Você iria cair, eu consigo pensar em algo até lá, eu posso me dar bem aqui.
–Mas isso não ajudaria ninguém você tem que se decidir logo, não pode ficar em cima do muro.
–Pensei que você pudesse me ajudar, mas acho que só sei que estou atrapalhando novamente – O homem se aproximava dele, forçando o jovem a se afastar, sabia que tinha evitar isso – Mas parece que novamente eu estive errado, só acabo atrapalhando as pessoas.
–Você pode ajudar, se for para o caminho de cima.
–Mas eu sei que eu devo ir lá para baixo, eu não mereço viver naquele pedaço de céu.
–Você tentou ajudar, isso é bom o suficiente, o que vale é a intenção.
–Então eu estou te ajudando nisso?
–Era para eu subir, e não tem como você subir? Poderia ser até bom para vo...
–Estou apenas te atrapalhando – O homem se afastou dele, olhou para a queda – Eu devia saber, eu sou um otário, mas eu posso te ajudar, logo preciso fazer o que posso para ajudar, a queda da ponte não me machucou mesmo pela queda ter sido extremamente aula, no entanto nós estamos perto dela então nada de ruim ira acontecer comigo.
–Não precisa se preocupar com isso, eu me...
–Não – o monstro triste não deixava o jovem terminar a frase – Eu conheço um jeito mais fácil de descer.
–Não faça isso!
–Não precisa se preocupar, você me ajudou a fazer isto, espero que chegue nesse céu, não gostaria de ver você lá embaixo, adeus.
O jovem tentou agarrar o braço do monstro triste, mas não conseguiu, quase caiu também, mas se manteve graças ao vento, algo que este não fez nada para o homem que pulou, Não podia fazer nada a não ser olhar o corpo cinza cair naquela vastidão de branco que cobria a montanha até virar um simples ponto e não saber mais reconhecer se ele havia caído tudo ou se continuava a cair, se sentia culpado, não era isso que ele queria ter feito aquela pessoa, não queria induzir alguém para isso, no entanto continuariam ali se não tivesse convencido o mascarado no meio do caminho a decidir a fazer algo estariam no meio do caminho, ele continuava, mas era ele quem estava no meio do caminho.
O caminho não era longo, não tinha como saber o tempo que passava, mas parecia ter sido curto, podia andar sem precisar se espremer, estava fácil o caminho, mas o vento parou, um momento ele viu que conseguia olhar para um caminho que não pertencia para a montanha, conseguia ver que era a ponte em que estava procurando, ele começou a correr em direção a ela, conseguia ver um caminho ligado com ao caminho perto da ponte, mas antes dele continuar viu que conseguia ver a cidade de onde ele havia saído, mas ela estava no outro lado:
–Como assim? – pensando alto – Mas o caminho que fiz com Adriano era poder para chegar pelo lado de onde eu vim, como assim?
–Sempre se perguntam as pessoas que chegam aqui não se preocupe, só existe dois caminhos para chegar até aqui.
O jovem gritou pelo susto que levou, ele não tinha percebido que havia uma pessoa ali se aproximando pelo caminho que podia ver, o que mais o surpreendia é que ele não gritou e conseguiu escutar perfeitamente pela distância que havia entre os dois:
–Surpreso? Não se preocupe quando cheguei aqui também achei isso.
O homem usava uma máscara de um gato idêntica ao da primeira pessoa que havia encontrada com ele, o homem que estava com a filha, existia uma única diferença nela é que era da cor branca, usava shorts cinza e uma camiseta sem manga branca e sandálias pretas:
–Só existem dois meios para chegar aqui, uma seria passar pela ponte obviamente e o outro seria que após cair tentar retornar por onde começou para poder assim avançar e assim você consegue chegar aqui, incrível não?
–Então você pode me dizer como eu faço para chegar para lá? – apontando para o pilar que onde estava conectado com aquele “céu” que cada vez mais parecia um teto para ele – Ou você também não sabe?
–Diferente de certo louco que pensa que aqui é o céu que deveria continuar em certa cidade cinza, eu tentei chegar até lá.
–Mas você sabe chegar lá?
–Eu tentei – Ele levantou os dois braços – Mas eu não sei como chegar, existe um lugar que eu não fui, mas isso não é para você agora, deixe-me mostrar a cidade que nós construímos.
–Nós?
–Eu e meus companheiros que me ajudaram a chegar aqui e as pessoas que chegaram depois de nós, acha que foi o único que veio por aqui ou que ninguém passou pela ponte? Não são muitos que passam por aqui, mas vivem aparecendo.
–Você sabe por acaso se uma garota atravessou a ponte?
–Como ela era?
–Longos cabelos negros, um vestido bran...
–Não isso meu filho, a máscara, não adianta tentar descrever a pessoa se eu apenas presto atenção pela máscara da pessoa, isso sim é o que importa e dá para diferenciar.
–Não seria o rosto?
–O rosto é apenas uma máscara, nossa máscara é o que nos define.
–Mas isso não é certo.
–Talvez, mas é o que acho.
O jovem sabia que estava errado, o homem que havia caído da montanha, sua máscara era diferente do que aparentava, ao artista que possuía a cor vermelha em sua máscara tinha outras intenções do que uma simples e feliz máscara, as máscaras escondiam quem eles eram, mas isso não os impedia de agirem assim essa pessoa também pode agir do que ele é não simplesmente se escondendo, mas havia Adriano e a garota eles não mostraram pelo que ele viu, o que de fato estava atrás daquelas máscaras:
–Diga como era a máscara – cortando o seu pensamento – Talvez eu possa ter visto e você gastando saliva.
–Ela era branca havia dois riscos para mostrar os olhos, com um pequeno circulo para mostrar a boca – Ele se lembrava da máscara como se tivesse sido a coisa mais fácil do mundo, mas não entendia então de como era incapaz o que tinha acontecido antes – com quatro traços cinza na parte de cima de sua mascara e um no canto esquerdo e direito onde ficava no final da mascara dela.
–Desculpe desaponta-lo, mas eu não a vi, mas mesmo assim você fez uma excelente descrição até consegui imaginar de como era essa máscara! Você sabe o seu nome garoto?
–Não – Como aquele homem poderia saber sobre a garota, ele estava ali no caminho da montanha, ficou pensando ela pode estar na ponte ainda, mas também poderia estar depois esperando por ele em outro lugar caso tivesse alguém parecido com ele.
–Você se lembra de alguma coisa?
–Mais ou menos, só consegui ver umas coisas ou outras, mas nada que pudesse me lembrar de tudo.
–Há! – O homem começou a rir um pouco – É típico dos novatos que chegam aqui lembram de todas as coisas, mas nada antes de ter acordado aqui, venha comigo irei lhe mostrar o vilarejo que vivo com os meus companheiros.
Ele não sabia se podia confiar no gato branco, ele no fim podia estar de volta no início do caminho e ser que nem o artista, uma pessoa que perdeu juízo, mas não havia indícios para ele ser assim, se fosse de volta para a cidade cinza,, poderia refazer o caminho da ponte e ter certeza que desta vez não iria cair e precisava saber da garota, ela estaria lá esperando por ele? :
–Podemos passar no inicio pela ponte antes?
–O que teria de tão importante lá?
–A garota que eu falei.
–Ela é a sua namoradinha, garanhão?
–Não é isso é que falei com essa garota que era para me esperar no final da ponte.
O homem deu de bruços e começou a andar em direção à ponte, era totalmente diferente daquele que havia encontrado, mas parecia que esse o conhecia também por citar o que havia dito. O caminho que ligava até a ponte era diferente, não era reto e com uma grande altura das montanhas bloqueando para escalar ou passar por elas, mas continuava com a cor preta, o chão variava da cor branca e cinza, mas conseguia olhar de longe a ponte e o vazio ao redor dela, era cheio de curvas retas ou circulares, parecia não ter fim como a base ponte, mas só foi o jovem pensar nisso que ele chegou para poder ver a ponte, ela continuava a mesma de sempre:
–Se eu quisesse voltar para lá eu passaria facilmente ou eu faria uma longa caminhada novamente?
–O que você acha? Eu não volto para lá, não tem nada de bom naquele lugar.
–Porque tanta raiva de lá?
–Você não estava atrás de uma garota, cara?
Ele foi olhar para a ponte, não havia ninguém, continuava com aquele chão branco, mas isso apenas significaria apenas uma coisa, de que ela ainda estava na ponte, ele deveria andar novamente pela ponte para poder acha-la e leva-la de novo, quando iria começar a andar por cima da ponte, o homem segurou-o pelo ombro:
–Se eu fosse você não acho que seria uma boa ideia, meu caro.
–Eu falei que iria acha-la e que ela iria esperar por mim.
–Quais são as chances de que ela teria conseguido atravessar a ponte ou se ela não caiu e acabou como todos os outros que desistem e não querem mais fazer algo que formam aquele chão?
–Como você sabe disso? – perguntou surpreso – Você caiu da ponte também?
–Eu tenho a minha história, não se preocupa homem, eu sei me virar e tenho meus contatos, quanto a sua garota? Você consegue enxerga-la daqui?
O jovem olhou e não conseguia vê-la, mas ele se lembrou do que havia dito a ela que esperaria por ela até chegar o outro lado ou vice versa, mas não sabia se ela esperou por ele, quanto tempo ele ficou desacordado, quanto tempo levou para poder chegar até onde estava, e o homem com a máscara de felino branca não a viu, mas poderia estar mentindo, mas não via motivo para mentir para ele e apenas limitou-se a falar:
–Não, mas isso significa nada é tudo questão de perspectiva.
–Perspectiva? É uma linha reta comprida e fim, você pode esperar na cidade que eu e meus amigos construímos.
–Mas...
–De um jeito ou de outro ela pode passar pela ponte e depois de esperar desistir entre aspas de você, continuar o caminho e assim te achar lá!
–Porque você quer tanto me levar para lá?
–Precisa perguntar ainda? Para mais aonde que você vai? Eu preciso te apresentar para o pessoal, cara!
O jovem observou a ponte novamente, não sabia o que fazer, ela podia ter caído e ficado para trás, mas ela tinha dito algo que não conseguia entender e talvez ela soubesse de algo,mas os companheiros do homem da máscara de gato branco poderiam dizer como tentaram ou o que tem no “céu” :
–Não adianta ficar no meio do caminho pensando no que fazer, decida-se de uma vez, o pessoal vai começar a beber sem a gente e você vai perder um copo se não chegarmos lá.
–Beber?
–Sim! Tem como bebermos aqui não sabia cara? É a coisa mais essencial que precisamos! Vai ver que ela pode estar lá, não sei.
–Como assim pode estar lá?
–Mano, nunca se sabe , vai que ela esperou cansou e foi enquanto eu estava voltando para a montanha?
–Como assim não conseguir vê-la? O caminho em que estava dava para ver os dois lados.
–Diz isso como se eu tivesse quatro olhos, três ouvidos e duas bocas, não sou muito de prestar atenção você chamou a minha atenção a tal garota poderia ter passado devagar ou de forma que eu soubesse e já pode estar lá na boa bebendo com os meus companheiros.
O jovem sabia de que o homem não iria parar de incomoda-lo até o fazer ir junto até a vila que ele construiu, sabia que ela poderia ter esquecido, não sabia muito dela, só fizeram uma conversa bem curta, mas sabia que ela continuaria, não sabia se esperaria o companheiro dela subir ou se ela iria atravessa-la, não podia esperar eternamente:
–Está bem, me mostre onde estão os seus amigos.
–Ótimo! – o jovem percebeu a empolgação da voz que vinha do gato branco — Tenho certeza de que não ira se arrepender! Vamos é aqui do lado!
O caminho o qual o homem o levou era cheiro de curvas e totalmente diferente do qual tinha ido quando estava voltando, não conseguia entender como isso acontecia, mas às vezes o questionamento poderia causar mais dúvidas e poderia resultar no que aconteceu com aquele homem com máscara de monstro, o homem ficava exaltando o lugar que ele e seus amigos haviam construído, como eram bom e calmo o lugar de com bebiam e eram felizes:
–Se vocês queriam tanto sair de um lugar para outro e não procurar as respostas porque abandonaram a cidade em que acordaram?
–Sabia que nossas casas foram nós que construímos com as pedras que haviam por perto do lugar, diferentemente do que daquele lugar?
–Você conheceu o outro homem com uma máscara parecida com a sua só que em vez de branca era preta a cor de sua máscara?
O homem pareceu não ter escutado ou fingiu que não escutou a nova pergunta, o caminho não era de fato longe o lugar, quando chegaram as montanhas cobriam uma grande área circular como se fosse um campo, havia um caminho cinza indo reto, mas em seu arredor haviam casas de pedra de coloração preta, mas não era as de concreto como no lugar em que havia acordado, eram bem simples e de um tamanho um pouco maior do que aquelas, mas seu estado lembrava como se fossem desabar a qualquer momento por uma rajada de vento como aquela em que havia recebido na ponte, mas tinha algo que chamava atenção também, era o que estava próximos a da casas, era de um material diferente e nela havia uma estranha forma branca :
–Então o que achou? – perguntou com a voz excitada o homem – Lindo esse lugar não é?
–Diferente daquele outro lugar em que acordamos.
–Com certeza que é! Totalmente diferente daquele lugar ridículo – disse andando depressa em direção a uma das casas de pedras – Venha o pessoal inteiro deve estar esperando!
–O que são essas coisas brancas?
–Não vai me dizer que não se lembra nem do que era uma tocha? Se bem que você não se lembra de nem do próprio nome, até que explica um pouco, não encoste ou você ira se queimar.
Antes de seguir o caminho viu por mais um pouco e olhou para o caminho cinza levava em direção e de lá estava algo no final do caminho como se levasse as montanhas algo, não conseguia saber distinguir daquela distância, mas havia mais tochas do que o homem havia dito ligando aquele caminho:
–Como conseguiram achar e manter essas tochas? E o que é aquele caminho?
O homem ignorou as perguntas feitas pelo jovem, apenas abriu a porta fazendo um amigável de entrar para a casa:
–Pode entrar não haverá nenhum problema em apresentar aos outros – disse o gato branco – Tenho certeza que irão gostar de você ou se entender com você!
–Está bem- disse após pensar que alguém de dentro poderia saber de algo de cima.
–Há eu sabia! – disse em um tom alto alegre – Você vai gostar deles, tenho certeza!
O homem olhou para dentro da casa:
–Quero ver se você consegue ganhar desta vez, Jack! – depois riu olhou para o jovem – Temos um convidado, sei que vão se dar bem, vamos entre.
Assim que entrou na casa ele percebeu que não era o que esperava do jeito que o gato branco apresentou, não havia bebida como estava dizendo diversas vezes, não havia comida também, as janelas estavam cobertas e não conseguia ver muita coisa, havia uma longa mesa cinza vazia, não havia pratos, copos, tinha sete cadeiras arrumadas e enfileiradas que, tirando o homem com a máscara de gato branco, ninguém as ocupava, ao lado do jovem havia uma chapeleira cinza com nada guardado sobre o objeto, um tapete preto embaixo da mesa e uma lareira perto da mesa era tudo que podia ver pela claridade da porta:
–Onde estão seus amigos? Por que as janelas estão cobertas? Onde estão a comida e a bebida que disse que teria?
–Você não está vendo? Isso é muita descortês de sua parte – disse em tom de irritação – Se quer ignora-los tudo bem, nós iremos jogar um bom jogo de pôquer e beber até não poder mais, não é pessoal?
Silêncio:
–Escutou? Eles concordaram, é você que está perdendo.
O Gato Branco virou seu rosto para a mesa vazia e fez um movimento de estar bebendo algo, só que o copo não existia para haver algo para ser tomado, o jovem observou-o fazer um movimento com as duas mãos como se fosse de embaralhar cartas e de distribuí-las em várias partes da mesa, algo que só ele podia ver:
–Agora eu ganho esta, Jack, estou com uma mão muito boa!
Ao ouvir essa frase e as cartas imaginárias sendo distribuídas, lhe veio uma dor de cabeça, novamente imagens passaram rapidamente diante de seus olhos, difíceis de assimilar todas, conseguia ver estar em um lugar escuro, com pouca, numa mesa, diante de várias pessoas também sentadas, cartas de baralho, música alta, sendo observado por várias pessoas, mas não conseguia ver seus rostos, escutava risos, vozes alegres, sentia-se vazio no meio de todas essas pessoas sentia um vazio, escondendo no meio de todos e de ninguém ao mesmo tempo, uma falsa felicidade, não era que nem as imagens que tivera quando ocorreu com Adriano ou com a garota.
A garota lhe veio em seus pensamentos, ele havia prometido que estaria ali, junto com ela, não podia esquecer-se dela, saiu correndo de volta para a ponte, não escutou o que o homem com a máscara de gato gritou para ele, sabia que aquela garota era mais importante do que um louco, ela havia o chamado de algo que não tinha entendido, ela pode saber de mais coisas, ela tinha as respostas e sentia que ela era importante para ele, não podia desistir, o caminho que antes era cheio de curvar, era reto, porém bem longe, não importava para ele, para o jovem só precisava chegar até ela, o caminho que antes deixava na encosta da montanha, não estava mais lá, isso o surpreendeu, as montanhas não se moviam e nem os caminhos mudavam suas curvas, nunca conseguia as respostas, só apareciam mais dúvidas, isso só dificultava a compreensão desse lugar, até que ele chegou à ponte, ela não estava lá, havia um abismo que mostrava o cinza e o preto que havia caído anteriormente e sabia que não poderia voltar nem para achar Adriano e que a garota sumiu e capaz de nunca mais a vê-la, as únicas pessoas que de fato foram boas com ele e que pareciam saber de algo a mais e que ele sabia que elas de alguma forma, tinham alguma relação com isso tudo e a ele se foram, ele não aguentou, ele gritou o mais alto que podia, ajoelhou-se e começou a socar o chão branco em que estava, não tinha mais volta, sentia culpa por não conseguir cumprir a promessa e agora não sabia se ela estava bem ou não ninguém o estava esperando:
–Agora você entende, não é? Não tem como atravessar a ponte para voltar ou por qualquer outro caminho que chegou aqui, simplesmente não tem como, pode acreditar, eu tentei achar, mas chega uma hora que você aceita isso- O homem com a máscara de gato branco colocou a mão em seu ombro – no primeiro momento que você atravessa ela está normal, mas quando volta, não está, foi assim comigo e com meus amigos, foi estranho, mas é sempre bom não questionar muito de como as coisas funcionam aqui, depois de um tempo eles foram explorar a caverna, pouco a pouco iam e não retornavam, nunca voltaram.
Apontou para a casa dele que não parecia ser distante do que andou, foi o mesmo efeito que tivera ao ter andado na ponte:
–Eu achei um lugar para ficar, aqueles na minha casa são confiáveis, eu tinha medo da caverna e do que podia estar, você pode ficar comigo aqui também, não precisa admitir que tem medo dela, você pode se acostumar com o Jack, William, Bruno, pode sentir-se feliz e seguro dentro da casa, isso te garanto.
–Posso ter perdido meus amigos, posso ter falhado em minha promessa, mas meu objetivo continua o mesmo – disse o jovem com um tom de indiferença – Irei até o fim.
–Até o fim com o quê?
–Chegar ali em cima – apontando para o céu determinado – Ali é como se fosse outro andar, ali deve ter alguém com as respostas, posso saber o que esta acontecendo, você não quer vir junto?
–Prefiro os meus jogos de carta, são mais divertidos.
–Prefere ficar no meio do caminho com ninguém do que decidir o que pode melhorar ou piorar essa situação, quem estou me enganado? Você já decidiu ficar aqui mesmo.
Ele não respondeu, ele apenas acompanhou o jovem até a porta da casa dele e o observou pegar uma tocha e vê-lo adentrar na caverna, como Jack, William, Bruno e muitos outros fizeram, sabia que o jovem que conversou não retornaria como os amigos dele não retornaram para busca-lo como prometeram, tudo que ele disse foi verdade, ele tem medo do que pode ter ali dentro e também tem medo de voltar e não sabia outra forma a não fazer o que gostava, jogar cartas, ele sabia que ali não o fazia feliz, mas o seu medo e sua incerteza mostravam a razão, a razão de que esse dia não iria chegar.
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