Persistência

2 Capítulo 2 - Dia 23 de Abril.


Tiraram minhas armas e condimentos de mim. Fui capturado.

Estava vagando por ai quando uma gangue me abordou, obviamente que cinco homens contra mim teriam uma certa vantagem.

O mundo está um caos, nem parece que somos seres civilizados, pessoas matando, contrabandeando, aprisionando as outras, tudo por dinheiro, e se me permite dizer, por sobrevivência.

Estou num caminhão, junto com cerca de 25 pessoas, aparentemente todas foram capturadas como eu, pois cada uma delas era diferente um do outro. Pensei que estava sozinho, mas havia uma garota, do outro lado do "depósito", que parecia ser como eu, mas de longe não conseguia ver muito bem, e não poderia me levantar pois estava acorrentado. Eu era considerado uma ameaça por portar armas, mas eles não sabiam que eu não sabia usa-las.

Finalmente paramos, eles abriram as portas daquele lugar escuro, senti as luzes fortes do dia diante dos meus olhos claros. Nos retiraram um a um, e eu finalmente vi o rosto daquela garota que queria tanto saber como era. Assim como eu sua pele era clara e tinha duas pequenas marcas vermelhas nas bochechas, cabelos negros e assim como eu ela tinha heterocromia, com as mesmas cores, azul e verde, mas a única diferença entre nós além obviamente de nosso sexo, era que os olhos dela chamavam muito mais atenção do que eu já percebi me vendo no espelho esse tempo todo. Os olhos dela eram lindos, mesmo eu só tendo os visto nesse momento.

Nos colocaram em fila, ela estava do meu lado. Iríamos ser vendidos como se fossemos objetos.

Uma serie de homens bem vestidos nos analisavam. Um homem parou na minha frente, fiquei mais sério que normalmente já sou, ele chamou dois homens, que me forçaram a me ajoelhar. Eu ajoelhei, ele disse que iria me comprar e que também queria compra-la.

Era como a hierarquia de antigamente que estudávamos nas escolas, homens eram vendidos a procura de mão de obra escrava, e mulheres como objetos sexuais.

Chegamos numa especie de fazenda, com grandes estruturas, era maior do que qualquer casa que já tinha visto na minha vida. Havia um galpão e foi para lá que fomos levados, junto com os outros.

Nunca tinha visto algo do gênero, um lugar sujo, e nos tratavam como lixo. "O que eles pensavam? Que eram superiores? Nos podemos ser diferentes, mas isso não te faz melhor que nos!" Apenas coisas que não posso dizer, afinal, eu já tentei, não me deram ouvidos, e ainda fui castigado como revolta.

"Eu quero sair daqui, eu tenho um objetivo maior." — Isso era tudo que eu conseguia pensar, até que aquela garota veio falar comigo.

–Você é muito corajoso por desafia-los assim.

Ela mal sabe que isso aconteceria muitas vezes, que eu ia até mesmo fugir. Decidi que iria leva-la comigo, ela não merecia tudo isso.