Persistência
3 Capítulo 3 - Dia 15 de Junho
Acordamos com o céu bem escuro, parecia que ainda estava de noite, mas era apenas uma neblina. Pensei comigo mesmo que era a oportunidade perfeita para escapar, então tinha que ficar o mais próximo possível da garota.Observei com cautela como os nossos "superiores" nos tratavam e observavam, concluí que teria de ser rápido se não eles poderiam me pegar. Esperei o momento certo. Eles viraram de costas, peguei a garotinha no colo e sai correndo. Um plano totalmente improvisado, mas funcionou. Eles nem perceberam que eu fugi.Não poderíamos ir para a cidade, haviam muitos guardas lá, eles nos prenderiam e nos levariam de volta para aquele lugar.Ela não tinha dito nada até agora, e nem eu, mas ela pensou mais rápido que eu e decidiu falar:
–Não temos pra onde ir.–Temos sim, temos que ir para outra cidade.–Eu não vou aguentar andar até outra cidade.–Não precisamos andar, podemos pegar carona com alguém.–Ninguém daria carona a fugitivos.–Eles precisam saber que somos fugitivos?Ela entendeu perfeitamente minha ironia, apesar de ser pequena ela era bem esperta, coisa que nunca imaginaria, acho que a subestimei de mais.Nos distanciamos um pouco da cidade pela floresta, e parecia calma de mais para mim, mas não comentei nada, achei que eram só os meus pensamentos gritando alto de mais para sair.Eu via muitos espíritos no mato, mas não queria assustá-la, aparentemente ela não via, então imaginei que não passavam de alucinações.Eu podia me conter, então não tive tantos problemas em continuar.Depois de um tempo decidimos parar para descansar e comer um pouco, corremos tão longe daquele lugar, e tão rápido que supus que estávamos na metade do caminho. Então ela começou a encarar uma árvore, eu não entendi porque, então também olhei para aquela árvore. Tinha um espírito lá, nada de comum para mim que estava tendo alucinações quase desde que pisamos nessa floresta. Pensei que fosse só uma coincidência, até ela dizer:–Pai? Você não está morto?Aquilo me gelou. Não eram alucinações, ela também via. Talvez essa fosse uma tal floresta espiritual que tanto falaram naquela fazenda.Eu não tive medo mas fiquei realmente instigado com a forma que ela agiu ao ver isso; completamente diferente da minha, ela estava tão calma, e confiante que se dirigiu ao espírito. Eu tive que pará-la.–Não vá! Pode não ser quem você pensa!–Você também esta vendo? Por isso estava tão estranho?–Você notou?Não pensei que tinha deixado tão claro a ponto de ela ter notado.–Você não sabe esconder as coisas tão bem assim. -Respondeu ela bem confiante e com um sorriso audacioso no rosto.Ela era astuta, e isso me surpreendia muito nela.
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