Pernico!
2 Cap 1 - Um estranho no ninho
A mudança de ares fez bem a Nico. Muito bem. Sua personalidade continuava sendo a mesma, mas os romanos foram bastante acolhedores, não tinham nada dos bárbaros que os gregos imaginavam que eles fossem. Perceberam que Nico era grego de imediato pela forma como ele andava e falava, mas não o trataram com preconceito, como se ele fosse um estranho no ninho ou um invasor. E embora ele afirmasse que estava de passagem, ninguém o pressionava para deixar o acampamento estrangeiro, e ele também não tinha a mínima intenção de partir daquele porto seguro.
O melhor de seu novo lar foi que lá ele conheceu uma irmã. Outra filha do deus do Submundo como ele, embora de origens romanas, descendente de Plutão, o equivalente de Hades. Ninguém jamais substituiria Bianca, mas aquela garota conseguia preencher um pouco do vazio que havia no coração de Nico. Seu nome era Hazel, ela tinha calorosos olhos cor de néctar, pele morena e uma alegria contagiante. Ela não se assemelhava a Nico e Bianca em nada, exceto pelo fato de que nascera e fora congelada no tempo na década de 40 e sentia-se deslocada na modernidade. Ela não hesitara em partilhar com Nico seu segredo bizarro: estava morta, fugira pelos portões sem vigia do Mundo Inferior, e provavelmente estava sendo procurada pela polícia dos mortos. Nico não estranhou e garantiu que ela estaria segura ao lado do Príncipe do Submundo. Ela apenas riu nervosamente e mudou de assunto.
Nico sentiu-se grato por estar junto de Hazel quando Percy Jackson chegou ao Acampamento. Ele parecia um mendigo espancado, mas Nico sentia o mesmo formigamento ao vê-lo. E reconheceu-o de imediato apesar dos ferimentos e da sujeira, mas percebeu no seu olhar que por algum motivo ele não o reconhecia de volta. Não se lembrava sequer do porquê de estar ali. A deusa Juno o havia trazido junto com uma profecia ameaçadora. Aquela deusa estava sempre ligada a alguma confusão e Percy foi recebido como um mau agouro. Nico decidiu se aproveitar egoistamente do fato de ele não se lembrar de quase nada, e quando Hazel o apresentou como seu irmão e semideus romano, ele não desmentiu. Apertou a mão de Percy como se fosse pela primeira vez, abusando de seu talento como ator. Quando Reyna o chamou para um conversa, Nico puxou Hazel para um canto e resolveu ser honesto com ela também.
– Eu... conheço aquele garoto.
– Sério? Você conhece o graecus? – Ela semicerrou os olhos, pensativa. Nunca havia ousado questionar as origens de Nico, mas talvez ele viesse mesmo do Acampamento Meio Sangue. Talvez fosse um espião. Ela não duvidaria de seu adorado irmão, mas mesmo assim...
– Nós viemos do mesmo lar de semideuses, mas ele não se lembra. – Nico omitiu o Acampamento Meio Sangue. Uma coisa era ser um semideus grego sem teto, outra coisa era vir do Acampamento oposto.
– Por que não contou a ele, então?
– Porque ele não entenderia. Além disso, não pode voltar agora. Ele veio aqui com uma missão, embora não se lembre. – Ele não podia contar a verdade. Estava consciente de seu ato egoísta, mas temia que Hazel se irritasse caso ele admitisse.
– Ok... Uma hora você vai ter que contar para ele. – Hazel retrucou, em tom descrente.
– Eu sei. – Nico tinha medo de que a verdade escapasse se ele voltasse a encarar Hazel, portanto desviou o olhar para além dos portões da pretoria. Perguntou-se sobre o que Reyna estava conversando com Percy aquele tempo todo. Ela pareceu reconhecê-lo também. Mas Nico decidiu que seria melhor manter distância e esquecer o assunto enquanto fosse possível.
Os dia se passaram rotineiros e Percy estava começando a se enturmar no Acampamento Júpiter. Fez amizade com Hazel e Frank, que o ajudaram durante sua chegada. Poucos o encaravam como um estranho no ninho aquele ponto. Recebera a tatuagem de SPQR que o oficializou como semideus romano, meio contra a sua vontade. Reyna havia até lhe oferecido a vaga de pretor, alegando que ele era especial e digno de governar ao seu lado. Mas ele recusou. Parecia saber aonde pertencia. Nico o invejava por conseguir se dar bem em qualquer lugar.
Nico procurava ignorar sua existência, não podia evitar admirá-lo de longe como fazia no Acampamento Meio Sangue. Às vezes se pegava pensando em como Annabeth deveria estar fazendo um estardalhaço no Acampamento, organizando toda uma equipe de busca com seu jeito de líder. Ninguém devia ter sequer notado a ausência de Nico, e se notaram, deviam estar relacionando-o ao desaparecimento de Percy, sem se preocupar realmente com seu paradeiro. Era questão de dias até que descobrissem o caminho até o Acampamento Júpiter. Nico pretendia já estar longe dali quando isso acontecesse. Não percebiam que ele não queria ser encontrado?
***
Nico estava folheando um velho álbum de família em sua coorte quando algo acertou sua cabeça por trás e tudo ficou escuro.
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