Pernico!
3 Cap 2 - Claustrofobia
Os sete escolhidos já estavam se preparando para partir em sua missão quando Hazel apareceu correndo. Ela chorava histericamente. Antes que pudessem perguntar o que houve, começou a gritar.
– Nico sumiu!
– Como assim?
Ela contou a cena que havia testemunhado, embora não houvesse muito a ser dito: o quarto de Nico no dormitório da coorte 5 estava vazio, no chão havia uma única mancha de sangue. Era óbvio que alguém havia agredido Nico e o sequestrado ainda inconsciente, pois não haviam sequer sinais de luta. O estranho era que, seja lá quem foi que fez isso, não deixou rastros e muito menos foi visto. Parecia que o sequestrador e Nico haviam desaparecido por meio de alguma magia.
Inicialmente aquilo era apenas um mistério, ninguém poderia relacionar a fatalidade a missão. Até que Piper viu a verdade em sua adaga.
***
Nico estava muito consciente. Enclausurado dentro do vaso, após muito chutar aquelas paredes até se dar conta de que eram inquebráveis, ele achou melhor fingir dormir para economizar energia e não irritar seus sequestradores. Mas não poderia dormir de verdade, a claustrofobia que ele havia acabado de descobrir não permitiria.
De repente o mundo se resumia aquela pequena tumba. Ele podia ouvir ruídos indistinguíveis e vozes vindos do lado de fora. Ouvia as vozes cavernosas de gigantes planejando alegremente sua morte e ficou bem atualizado sobre os planos de Gaia. Ninguém pensava no quanto era absurdo enfiar um semideus num pote como se ele fosse um condimento. Era difícil respirar lá dentro e se não fosse pelo seu limitado e único alimento, as sete sementes de romã que ele sempre carregava consigo por precaução, ele provavelmente morreria de fome antes que fosse sacrificado ou algo assim.
Ficar isolado do universo lhe deu muito tempo para pensar, coisa que ele não precisava. Sua mente vagava por todos os assuntos. Ele imaginava o que acontecia no exterior. Contava com Hazel para resgatá-lo, mas sua esperança diminuía a medida que o tempo passava. Pessimista, terminava pensando em suas questões pendentes mais íntimas, que ficariam eternamente em hiato caso ele não sobrevivesse. A maior delas eram seus sentimentos por Percy Jackson. Precisava contar que não o culpava mais pela morte de Bianca, e pedir desculpas por ser tão cabeça dura. Aí talvez, embora a ideia lhe parecesse arriscada e ridícula, falar sobre o que sentia. Antes, na prática, nunca teria feito nada disso, mas agora que estava praticamente diante dos portões do Submundo, se arrependia de não ter realizado um dos objetivos da sua breve vida.
Nico havia perdido a noção do tempo, mas ao consumir sua última semente de romã, soube que estava ali há uma semana. E o tempo havia acabado. Já estava conformado de que iria morrer quando alguém empurrou o vaso no chão, que apesar de tão sólido se quebrou em um milhão de pedacinhos, e a luz do dia ofuscou seus olhos. Ele cobriu o rosto e se encolheu de volta a posição fetal. Não havia percebido que estava tão fraco. Teve de ser carregado por pessoas que em sua maioria não conhecia, e estes o levaram a bordo de um navio em cujo casco estava pintado em dourado: Argo II. Soube que estava seguro. Mas mal tentou apoiar os pés no chão, desmaiou novamente.
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