Perfume De Anjo

1 Perfume de Anjo - Capítulo 01


***

Era uma tarde quase noite de Novembro, o céu estava começando a se encher de estrelas. O inverno se aproximava daquele lugar; conservador, de damas e cavalheiros socialmente importantes.

Em uma não muito grande mansão perto do centro da cidade, uma bela mulher estava se preparando para dormir, depois de dia cansativo de trabalho.

Ela havia acabado de tomar banho, e estava envolvida em sua toalha cor azul turquesa, indo para próximo de sua cama, quando sentiu uma aguda pontada em seu ventre, o que a fez arriar, e cair de joelhos, segurou forte nos lençóis de sua cama, e de cada um de seus olhos desceu uma lágrima.

Nesse mesmo momento, pôde ser visto, um grande clarão no alto da pequena mansão, visto por pouquíssimas pessoas, que resolveram ficar com aquilo em segredo e apenas fazerem o sinal da cruz, entrando após em uma igreja próxima, essas poucas pessoas oraram com fé, pedindo que aquilo fosse um sinal de bênçãos, e não mais uma maldição como em alguma não muito distante época.

- Lilian? – Uma outra moça, muito bela também adentrou ao quarto, e correu em direção à ela. – O que aconteceu?

- Eu... Não sei , nunca senti isso antes... pareceu uma cólica muito forte mas... eu não estou menstruada... e nem sangrei...

- Precisa ir ao médico, isso pode ser alguma coisa, já que nunca sentiu isso antes... – comentou, olhando agora a moça sentada na cama.

- Hum... – Lilian deu nos ombros, e levantou-se, indo agora vestir –se.

- Lilian, você deveria cuidar melhor de sua saúde...

- Nádia, eu estou ótima... – ela vestiu agora uma camisola rosa, e soltou os cabelos. Nádia pegou a escova sob a penteadeira e insinuou para que Lilian sentasse de frente para o espelho.

- Eu sei que você está bem, só estou preocupada com o que sentiu, foi só. – A bela mulher ruiva, penteava cuidadosamente os cachos muito longos da amiga a sua frente.

- Obrigada... – Lilian olhou para os olhos verdes da amiga pelo espelho e ela retribuiu o olhar com carinho.

- Porque está agradecendo? Eu sempre te ajudo com...

- Por ser minha amiga... – ela interrompeu-a e Nádia parou de pentear, quando Lilian virou-se, para olhá-la.

- Lilian... se não nos unirmos iremos enlouquecer aqui. Já olhou a sua volta, já percebeu o quanto somos desprezíveis? Nossa vida é meio... – ela caminhou até a cama, e parou próximo a ela, virando. – miserável... não era isso que eu queria para mim.

- Acha que eu queria? Mas um dia, eu tenho certeza de que vou conseguir fazer minha faculdade, vou ser uma veterinária de sucesso...

- Você ainda pode pensar dessa forma... e eu não sei o que queria para mim se não estivesse aqui nesse lugar.

As duas conversavam bastante, por pior que fosse seu local de trabalho, a amizade delas invejava muitas das meninas.

Lilian era a mulher mais bonita que havia naquela casa, intitulada pela população masculina do lugar como Casa das Margaridas. Era muito frequentada durante as noites pelos poderosos e não tão poderosos.

Lilian era uma das mais solicitadas e pela sua beleza incomum.

Dona de um corpo esculpido pelos anjos, cabelos muito longos cacheados num tom de cinza forte, que lembrava muito as cinzas de vulcão. Os olhos eram verdes, mas o centro deles era âmbar, uma cor completamente diferente. Não havia uma mulher ou homem que tinha aquela cor nos olhos naquele lugar.

***

Faltavam poucos minutos para meia noite, e as amigas estavam já no quarto para dormir.

Passou-se um mês após aquela forte dor que Lilian sentiu naquela incomum noite onde pessoas viram uma forte luz sobre a casa, intitulada por algumas mulheres como mansão amaldiçoada.

- Nádia... tenho uma coisa para te contar... – Lilian escovava seus cabelos, e logo começara fazer uma grossa trança, posta sobre o ombro esquerdo.

- E o que é? – a ruiva secava os cabelos depois de um banho quente.

- Minha menstruação esta atrasada há duas semanas...

Um silencio tomou o lugar. Nádia deixou a toalha cair no chão e boquiabriu-se. Podia-se ver o pavor nos olhos da moça.

- Sabe o que acontece se...

- Não... essa hipótese está descartada, eu uso preservativo sempre... eu me cuido sabia? – Lilian terminou a trança e amarrou um laço de fita preto na ponta. Deixou a escova sob a penteadeira e levantou-se. Nádia a acompanhou com os olhos.

- Se... se não é isso, então o que pode ser? – ela falava como em um sussurro.

- Não sei... amanha eu vou ao médico, e ver o que está acontecendo... eu ando muito indisposta, com muita dor de cabeça... mas não adianta tomar comprimido pra dor, ela não passa...

- É melhor que não seja mesmo... sabe o que acontece se ela descobrir...

- Eu sei sim... – Lilian suspirou pesadamente, e sentiu uma ponta de preocupação. Seu coração estava um pouco pesado.

- Desculpe, eu só estou preocupada com você, não quero que te aconteça nada de ruim, sério. – Nádia aproximou-se e abraçou a moça com carinho, mas logo foram interrompidas, quando a porta se abriu, não muito silenciosamente.

- Lilian, tive duas reclamações sobre você essa semana, quero saber o que está acontecendo... – uma mulher, aparentava seus cinquenta e poucos, olhava feio para Lilian, e depois para Nádia.

- Só não ando muito disposta senhora Margoth. – ela falou simplesmente, e Nádia sentiu um frio percorrer a espinha.

- Disposta? Acha que aqui você pode se sentir ou não disposta? – a mulher a sua frente foi rude com as atitudes. Segurou Lilian pelo braço e a obrigou a sentar-se na cama. Lilian alisou o braço onde ela segurou, a pele ardia no lugar e seu músculo doía pela pressão imposta. – Você não tem condições de querer ou estar disposta aqui. – ela continuou, estava bastante brava. – Se eu a expulsar, onde vai trabalhar hã?

- Senhora... – Lilian olhou-a nos olhos, mas não terminou, pois seu rosto foi brutamente jogado para o lado, com uma bofetada.

- Amanha, eu quero vê-la totalmente composta, ou estará na rua... – a mulher se virou, e viu Nádia encolhida perto da porta. – e isso serve para você também garota... – Margoth apontou o dedo para Nádia que quase chorava naquela hora. Logo saiu do quarto, e seguiu para seus aposentos.

Nádia fechou a porta maquinalmente, e encostou-se nela, suas pernas tremiam.

- Imagina se... – ela calou-se e observou Lilian chorar.

Todas as margaridas da casa temiam Margoth, ela era uma mulher amarga e de pouca paciência. Gostava de ser a dona da mansão e mostrava a todas ali que eram apenas o que eram, nada mais.

- O que vou fazer Nádia? – Lilian estava em parte desesperada, tinha quase certeza do que estava acontecendo.

Se estivesse mesmo grávida iria ter grandes problemas. Mas por outro lado, tinha certeza absoluta que tomara todas as precauções existentes para não acontecer qualquer acidente.

Certamente, depois daquele momento com Margoth, tinha certeza de que a ultima coisa que queria naquela altura de sua vida é estar grávida, e pior ainda, não sabia a quem recorrer se no caso estivesse mesmo. De quem seria? Porque aconteceu justo com ela?

Eram quase seis da manha quando a porta da frente da Casa das Margaridas se fechou, lenta e silenciosamente.

Lilian não dormira direito na madrugada anterior e eram bastante visíveis as olheiras, ela estava abatida e muito preocupada.

Embarcou no primeiro ônibus para o centro da cidade que achou. Não queria se tratar no hospital local, pois os médicos a conheciam, ia periodicamente fazer exames exigidos pela “patroa”, e não queria que ela soubesse que ela iria ao médico sem que fosse a uma consulta marcada pela própria Margoth.

Durante toda a viagem, Lilian não sabia o que pensar, ela estava bastante tensa, mas teria o dia todo para relaxar, já que só começaria trabalhar às oito da noite.

Ajeitou-se para desembarcar no próximo ponto, onde depois andaria mais meio quilometro até a chegada do hospital.

Ao chegar, Lilian foi direto a marcação de consulta, e após pagar por esta, foi para a sala onde aguardaria ser chamada. Faltavam poucos minutos para às nove da manha. E pouco depois dela, finalmente a médica, uma oriental muito simpática, chamou o nome de Lilian, sorria, o que transmitia um pouco de confiança para ela.

Após entrar, Lilian fechou a porta, e sentou-se frente à médica.

- Sinto que está acuada, o que há? – ela perguntou, pegando seu estetoscópio e aproximando-se da moça a sua frente.

- Dutora... – ela olhou a plaquinha em cima da mesa da moça, continuando em seguida. – Haruhime... eu... eu estou muito apavorada, eu preciso de sua ajuda e...

- Calma Lilian, fique calma... – Ela segurou na mão de Lilian, e a guiou para o leito posto alí. – Agora me conte, o que está acontecendo, o que tem sentido.

- Ok... – Lilian suspirou fundo, e começou.- Eu acho que estou grávida... mas não posso estar entende?

- Hum – a médica colocou a mão no queixo e caminhou até sua mesa, sentou-se e escreveu algumas palavras em um receituário. Logo levantou-se e seguiu para onde a moça estava. – Não se desespere, está bem. Olha vou examiná-la e depois preciso que faça esses exames, daqui a quatro dias você volta que o resultado estará pronto, e você volte aqui para eu te dizer o que está acontecendo com seu corpo por dentro, está bem?

- Sim...

- Então, o que tem sentido?

- Há um tempo atrás, eu senti uma cólica muito forte, e algumas semanas depois veio a indisposição, vertigens... Minha menstruarão está atrasada a quase três semanas...

- Bom, isso é um sinal claro de gravidez... – a médica comentou simplesmente, e Lilian tremeu por dentro. – Mas pode ser um sinal de outras coisas também. Mas a primeira hipótese é quase certa.

- Não posso Doutora Haruhime, eu não tenho condições para isso... – Lilian começara a desesperar-se e as lágrimas a brotarem de seus olhos.

- Fica calma mocinha, isso não é o fim do mundo... – Lilian não esperou mais, pegou a receita da mão da médica.

- Para mim Doutora Haruhime, é o fim do mundo... não entenderia meus motivos... – ela saiu em desespero, e caminhou para a área onde iria fazer o exame de sangue. Entregou a receita para a enfermeira, ela tremia muito.

A enfermeira retirou o sangue e logo em seguida ela encaminhou o material para o laboratório, e marcou a data de retorno.

- Quando a senhorita vier pegar o resultado, estará junto ao pedido de pagamento, gostaria que nós o enviássemos para sua casa?

- Não, eu venho buscar, tenho que me consultar novamente... – ela disse secando as lágrimas.

- Certo... – a enfermeira a olhou mais uma vez antes dela sumir ao fechar a porta da enfermaria.

Eram quase três da tarde quando Lilian chegou em casa, com um ar de pavor, passou pela porta dos fundos e fez de tudo para que não fosse vista por ninguém. Mas Nádia sempre atenta, sentiu alguma movimentação nas escadas e saiu da sala onde estavam as meninas comentando sobre os clientes mais poderosos.

Ao chegar no quarto, viu Lilian vestida com um roupão, ela estava com as olheiras bastante fundas.

- O que aconteceu? Porque demorou tanto? – Nádia a olhava, mas ela nada respondia.

- Prepare-se Nádia, vai passar um furacão nesse Jardim amaldiçoado.

- Do que você está falando Lilian? Você está... grávida?– ela sussurrou a ultima palavra.

- Com quase toda certeza... – Lilian virou-se para a amiga. – E eu não vou ter sorte.

- Calma tá, vamos dar um jeito...

- Não tem jeito Nádia... – ela comentou sem esperança.

- Têm economias certo?

- Nádia... isso não importa, não vou conseguir sustentar meu filho com pouco dinheiro... sem emprego decente... isso é impossível na minha vida...

- Lilian, não se abata dessa forma... olha, vamos dar um jeito tá? – Nádia aproximou-se e pegou nas mãos de Lilian, a confortando.

Logo que os dias se passaram, Lílian voltou aos hospital onde havia feito os exames, e o que ela mais temia aconteceu. Ela estava grávida de quase dois meses. Quando recebeu a notícia, uma vertigem muito forte a fez apagar por completo. Acordou alguns minutos depois, e mais calma seguiu para casa. Mil pensamentos tomava-lhe a mente. O que faria dessa vez?

Ao chegar, ela trancou-se no quarto e chorou até dormir.

Após algumas horas, Lílian acordou com as batidas insistentes na porta. Queria que tudo fosse um pesadelo, mas novamente aquele enjoo a fez lembrar, do grande furacão que ia acontecer. Levantou-se de vagar e caminhou até a porta, abriu-a e voltou para a cama.

- Lílian, você está meio pálida... – Nádia caminhou rápido até ela e sentou-se bem próximo.

- Eu estou, Nádia... – ela afirmou muito decepcionada.

- Mas... você já sabia...

- Só a confirmação do que eu desconfiava. O que eu vou fazer, daqui a pouco ela vai descobrir... o que vai acontecer comigo?

- Calma, vamos dar um jeito tá? – Nádia a acariciava nas costas. – Você almoçou hoje? Lanchou?

- Não... eu não quero nada, eu quero que isso não esteja acontecendo.

- Lílian, Nádia! – Margoth entrou de surpresa, assustando as duas, principalmente Lílian que estava completamente acuada. – Aprontem-se, os clientes começaram a chegar cedo hoje... sexta-feira tem bastante movimento... vocês tem cinco minutos, principalmente você Lílian, o Capitão vira hoje... é a favorita dele.

Ela era bastante enérgica e não ligava se estava ou não passando mau, ela nem ao menos percebera que Lílian estava com os olhos um pouco inchados.

- Vamos... eu te ajudo... – elas se aprontaram, e Nádia fez uma maquiagem mais escura naquela noite em Lílian, para disfarçar um pouco das olheiras.

Ela estava linda, com um vestido preto curto, e saltos alto. Um laço de fita preta prendia seus volumosos cabelos cinzas cacheados em um charmoso rabo baixo que ela usava para a frente do ombro, deixando parte da franja jogada em seu rosto. O batom era rosa cintilante, e seus olhos completavam sua beleza sem igual. Lilian era uma mulher autêntica, muito bonita, a favorita de muitos frequentadores do lugar, e Margoth sabia que ela era bastante valiosa.

- Me desculpe Capitão Laurence... – Ela estava sentada em um pequeno divã aos pés da cama. – Eu estou passando muito mau hoje... eu não sei o que...

- Não se preocupe... – O homem um pouco rústico levantou-se da cama e sentou-se ao lado dela no divã. Eu entendo seu lado... – ele foi carinhoso e tirou uma mecha da parte longa da franja de Lílian e pôs atrás da orelha dela, depois deu um carinhoso beijo na bochecha dela. Logo acariciou a com o polegar onde havia beijado.

O homem não era o tipo atleta, mas estava em forma. Tinha cabelos grisalhos muito lisos e os olhos eram um tom azul muito bonito.

- Não quer deitar-se um pouco, eu aprecio ficar só em sua companhia também, posso pedir um vinho...

- Obrigada, mas eu não quero beber, não esta noite, estou tão péssima do estômago...

- Ok, ok... então venha... – ele a tomou pelos ombros e deitou-se com ela na cama, e a abraçou carinhosamente. Ela se aconchegou em seu ombro e ele passou a acariciar a cabeça dela.

- Você é uma mulher muito bonita... porque não sai dessa vida?

- Não tenho para onde ir... ninguém daria um emprego para uma ex-margarida. –ela comentou simplesmente.

- Em outra cidade talvez... – ele comentou e ela levantou-se o olhando.

- Não teria condições de me manter até arrumar um emprego... minhas economias dão para pagar apenas uns quatro aluguéis, e dos baratos. – ela sentou-se na cama e ele ficou deitado, com as mãos atrás da cabeça, a olhava com um ar misterioso.

Logo ele levantou e pegou seu paletó que estava sob a cadeira e retirou de lá a carteira, e de dentro uma quantia em dinheiro, logo voltou para a cama e sentou-se de frente para Lílian.

- Algo me diz, que você ainda vai ser alguém de sucesso... – ele estendeu a mão e pegou a de Lílian, e colocou o dinheiro na mão dela.

- Não posso receber seu dinheiro... só a Margoth pode pegar isso...

- Lilian, eu já dei o que tinha de dar aquela velha caquética insuportável! – ele ouviu Lilian dar uma risada. – Esse eu estou dando a você, é uma ajuda... só para se um dia você resolver sair desse lugar. Gosto muito de você Lilian... Eu...

- É... todos dizem que sou “a margarida favorita do Laurence” – Ela comentou sarcasticamente.

- Mas não pelo trabalho que você faz... Lilian... eu a considero muito... e... queria a convidar para jantar qualquer dia desses.

- Oh! – ela surpreendeu-se, mas voltou a realidade novamente. – O que diriam todos na cidade, você um homem importante, jantando com... ah você sabe...

- Preciso ir agora... já são quase cinco... nossa conversa se estendeu dessa vez... – ele deu um meio sorriso. – se cuida... – o homem piscou para ela e alguns minutos depois, ele deixou o quarto.

Lilian levantou e caminhou até onde ficava sua caixinha de joias, e guardou todo o dinheiro que o Capitão tinha dado à ela. Depois foi banhar-se e após pentear seus longos cabelos, finalmente se deitou.

- Eu realmente podia sumir daqui...

- Está falando sozinha?

- Ah não, eu só estava pensando alto. – Ela comentou simplesmente.

- Você demorou hoje com o Capitão... algo especial? – Nádia quis saber mais.

- Não... Nada demais, ele só dormiu e perdeu a hora. – Lilian mentiu e continuou deitada.

- Sei... mas mudando de assunto, você como está?

- Bem... um pouco enjoada, mas isso é normal.

- Lilian... – ela aproximou-se e sentou na beira da cama. – Já decidiu o que vai fazer sobre sua gravidez?

- Sim... vou tê-lo... e ele vai ser um lindo menino... tenho certeza...

- Você está maluca?

- O que pensou que ia fazer, abortar meu filho?

- Mas... ela vai ficar louca.

- Que fique... eu não estou ligando.

Nádia suspirou fundo, e afastou-se de Lilian.

Um dia após o outro, estava cada vez mais difícil de esconder a barriga. Nádia a ajudava a apertar mais a roupa, mas estava cada vez mais perceptível e as meninas estavam muito desconfiadas

***

Muitos rumores se seguiram entre as meninas. Lilian estava com as pernas mais roliças e seu quadril bastante alargado.

Em um dia de consulta de rotina, no hospital próximo dalí, Lilian se preparava para fugir.

- Preciso ir ao banheiro antes, vão seguindo, eu não tenho pressa... – Ela disfarçou, e conseguiu fugir pela porta lateral à sala de espera.

Ela caminhava rápido, e não demorou muito a chegar em casa. Foi onde ao maior surpresa a esperava.

A porta de seu quarto, estava entreaberta. Ela sentiu um frio muito intenso percorrer sua espinha. Deu dois passos para trás e virou-se, tentando sair sem ser notada.

- Ate quando ia me esconder isso? – Margoth a olhava fulminante.

- Eu... – ela não teve tempo de resposta.

A mulher a pegou pelo braço e praticamente a arrastou para dentro do quarto, um de seus sapatos ficara no corredor. Margoth a obrigou sentar-se na cama e puxou a cadeira sentando-se de frente para ela. Os olhos daquela mulher eram mais assustadores quando estavam com raiva.

- De quem é? Do Laurence?

- Eu não sei... – Ela comentou em murmúrios.

- Não sabe que tem que usar preservativos? – Mrgoth não foi gentil, e forçou Lilian a olhar, a segurando pelo queixo com força. – não sabe?! Vai abortar entedeu?

- O... o que? Vai me obrigar a...

- Você não tem escolha... ou eu faço você abortar a força, lhe dou uma surra por dia, o que acha?

- Não quero isso... eu...

- NÃO TEM ESCOLHA SUA VAGABUNDA! – Ela gritou em tom de aviso. A voz daquela mulher ecoou pelos corredores, e as meninas que haviam acabado de chegar ouviram, e tremeram.

Nádia correu em direção aos gritos, e deparou-se com a cena amarga. A amiga encolhida sob a cama, tremula e com o nariz sangrando.

- Você tem uma semana para resolver isso, ou eu vou te surrar todos os dias. – Margoth levantou-se e saiu, esbarrando em Nádia que estava na porta simplesmente atônita com a situação.

Sem pensar muito, Nádia correu e abraçou a amiga. Lilian estava gelada e tremula, sem saber o que fazer apenas abraçou a amiga e chorou mais forte.

Algumas das meninas observou da porta o que acontecia.

***

Semanas se passaram e Lilian fazia de tudo para fugir do que era quase um mandato de prisão, Margoth a cercava em cada corredor, e a alfinetava com palavras duras e maldosas. Amaldiçoava a gravidez de Lilian e a deixava cada dia mais deprimida.

Estava faltando apenas cinco dias para o inicio da primavera. A noite estava gélida e chovia um pouco. Lilian estava posta a janela e pensava o que ia fazer no dia seguinte. Ela estava agora com quase cinco meses de gestação, e cada dia ficava mais difícil recusar a tentadora opção de fazer o aborto.

Tomou um banho relaxante, e vestiu uma de suas camisolas favoritas, jogando o echarpe por cima, caminhou pelos corredores extensos do casarão, pensando em uma bela maça verde que havia visto em uma das fruteiras da cozinha. Seus lábios rosados mostrava a pele crua, cheia de desejo pela fruta suculenta.

“-Será seu último desejo, ok?” – Lilian pensou desgostosa. Seu coração estava apertado e doía demais não poder decidir pela sua vida.

- O que faz acordada Lilian? – Uma moça, loira de cabelos cacheados, apareceu de repente, segurando um cacho suculento de uvas entre os dedos.

- Laura... você me assustou... – Lilian levou a mão esquerda ao peito e a outra ao pé da barriga.

- Não deveria se apegar a essa coisa que esta crescendo dentro de você...

- Não fale desse jeito... ele é um pedacinho...

- De lixo... – ela ironizou, comendo algumas uvas do cacho

- Você é imunda... invejosa...

- Inveja? De que querida? De ver você com o buxo cheio sabe se lá d quem, e não se importar com isso, na verdade, eu até ficaria feliz se acontecesse comigo, e o pai, comprovadamente fosse o Laurence, ele é gostoso e rico... adoraria ser paparicada por um grã-fino desses...

- Porque você não morde na língua, e morre com seu próprio veneno?... – Lilian saiu da cozinha, brava, magoada... Porque ela tinha que falar do Laurence daquela forma...

A loira sorriu de lado, vitoriosa por ter conseguido aborrecer Lilian... todos ali queria que ela perdesse o bebê.

Ao dia que se seguiu, Lilian acordou antes que o galo cantasse naquele dia. Chamou um taxi e enquanto aguardava a condução, ela se vestia.

Um vestido não muito longo, flores alegres, e uma fita azul no cabelo delicadamente arrumados de lado. Uma farta trança caia sobre seu ombro e na ponta dela, outra fita azul segurava em um delicado lacinho.

Ao ouvir o som do motor, Lilian desceu, e adentrou o carro. Deu um profundo suspiro, e olhou para o retrovisor da frente. O motorista do taxi era negro e estava de cabeça baixa.

- Eu... preciso ir a clínica do centro da cidade... por favor. – Ela comentou quase em murmúrios.

- É um pouco longe senhora... tem reservas?

- Sim...

- Deveria levar um casaco, e também uma sombrinha, vai cair um temporal daqui a alguns minutos... – Ele comentou, e Lilian baixou o vidro. O céu ainda estava escuro, mas haviam muitas estrelas ali.

- Tem certeza? O céu está tão bonito...

- Sim... eu vou aguardar a senhorita ir buscar... prometo não rodar o taxímetro até que volte! – ele olhou para Lilian distraída no céu escuro. Seguidamente ela saiu, e rapidamente pegou um casaco longo, cor de rosa claro, ele era bem felpudo e quente, um de seus favoritos, e sua sombrinha vermelha.

O carro começou a mover-se, e faltavam muitos quilômetros para chegar à cidade. Lilian olhava para fora da janela do carro constantemente, sabia que não queria fazer aquilo, mas sua vida estava um inferno...

- Deveria rever seus conceitos moça... – ele a tirou de péssimos pensamentos.

- O que foi?... – ela perguntou, acordada de seus pensamentos.

- Deveria rever seus conceitos, acho que isso não passa de um grande erro, vai se arrepender se continuar... – De repente, ouviu-se uma grande trovoada, Lilian assustou-se e olhou para frente.

- Como podia saber disso? – ela olhou-o incrédula apontando para fora do carro, grandes e densas nuvens de chuva se acumulando.

- Sei de muitas coisas... – ele levantou o rosto, e Lilian pode ver os grandes e azuis olhos daquele homem. – Eu acho que deve pensar melhor...

- Mas... como, seus olhos... – Ela estava muito confusa – Do que está falando?

- Ele irá te levar a um lugar de descanso, onde haverá um grande bosque, você não o verá, mas ele levará sua marca até o fim de seus dias...

- Hã? Por favor, pare o carro, agora... – o Homem deu uma brusca freada, e a chuva começou a cair muito densa. Ele olhou para trás, e observou os olhos assustados da mulher, ela estava acuada.

- Não precisa ter medo, não de mim, eu sou apenas um mensageiro. Não faça nenhuma besteira para não se arrepender depois... esse bebê é muito especial...

- Como sabe que... –Lilian estava muito assustada, e com esse sentimento, ela saiu do carro em meio ao temporal, vestiu rapidamente seu casaco e abriu a sombrinha. O homem desligou o motor, e saiu também. Alto, muito forte, vestia roupas pretas. Os olhos, não havia como não olhar para eles, eram bem azuis, e ele, tão negro.

-Entre no carro, não pode ficar nessa chuva, ela vai piorar, temos que chegar logo a cidade.

- Eu não vou entrar aí... e depois... – ela baixou a cabeça.

- Eu sei... você não vai mais... – ele deu um vago sorriso. Seus dentes pouco apareceram.

- Mas...

- Pode confiar em mim... vocês irão ficar bem... – ele entrou no carro, e abriu a porta do outro lado para que ela entrasse.

Ele não seguiu o caminho que a tempestade piorava, mas fez o contorno e voltou para a casa onde ela morava. Lilian observou as nuvens se afastando ao sair do carro. Os cabelos um pouco molhados. Ela ouviu apenas o carro se afastando, e o som desaparecendo na próxima curva.

Suspirando fundo, ela apertou o casaco que segurava e começou a caminhar. O vestido que usava, dava para mostrar o ventre um pouco volumoso. Ele estava crescendo cada dia mais.

Lilian, entrou em seu quarto, e fechou a porta.

As horas se passavam rapidamente naquele dia, e Lilian estava ansiosa para que Margoth viesse falar com ela, de alguma forma. E isso não demorou muito, pois a hora do expediente já estava chegando.

— Então Lilian... fez? – ela aproximou-se de Lilian, que se levantou. Ela estava de costas para a cafetina.

- Não... e nem farei. – ela a desafiou, não a olhando.

- Como é? – Margoth mostrou um absurdo nervoso na voz.

- Isso mesmo. Eu não vou abortar o filho que estou esperando, e tem mais, ele será um menino, e me trará muitas alegrias... – Quase que a ultima palavra não saiu dos lábios de Lilian, que foi interrompida por uma bofetada agressivamente forte, que a fez cair.

- Não se atreva...

- Não se atreva você, sua velha mal amada! – Lilian levantou-se furiosa, e aumentou um pouco o tom da voz. Algumas das Margaridas aproximaram-se da porta para ver o que acontecia no momento da discussão.

- O que você disse? – Margoth começou a caminhar em direção a ela, que não se moveu com a ameaça. – Aliás, nem precisa responder... Junte suas tralhas e suma da minha casa, antes que eu te jogue na rua. – a mulher sentiu-se ameaçada com a voz ativa de Lilian, que não deixou uma lágrima se quer correr de seus olhos.

De vagar, ela juntou suas coisas poucas que tinha e quando ia saindo, Nádia chegou.

- O que você está fazendo Lilian, pra onde vai? – Ela perguntou, mas Lilian apenas sorriu pra ela. – responde mulher, onde você vai?

- Vou criar meu filho, longe desse antro! – Ela começou a andar e Nádia apenas a olhava, decepcionada, e sem entender os motivos de sua amiga.

Nádia começou andar, mas foi detida por Margoth que a segurou pelo braço.

- Deixe-a ir, ela não vai muito longe...

Nádia puxou o braço, e olhando para a mulher, saiu, sem mais falar uma palavra, subiu para o quarto e sentou-se na cama, onde passou a observar o baú onde Lilian guardava pouca de suas coisas.

A Casa das Margaridas deixou de ter luz naquele dia em que Lilian saiu, os clientes foram se afastando um por um, e o que mais dava lucro agora, era o bar que o local mantinha no hall espaçoso que havia.

Meses foram se passando, e ninguém tinha notícias de Lilian. Nádia procurou em vários lugares, e em nenhum deles a achou. Pensou por várias vezes em largar tudo e seguir o que a amiga havia feito. Não era o fim do mundo, mas sim o início de uma nova vida.

Alguns muitos meses depois, uma carta chegou na Casa das Margaridas, e por sorte Nádia a recebeu naquele dia, Nádia a abriu por curiosidade, pois no envelope só havia o nome “Casa das Margaridas” e um selo com a imagem de uma igreja.

Nela, Lilian pediu para que Nádia procurasse Laurence, pois ela iria precisar muito de sua ajuda naquele momento. E estava ali o lugar onde ela estava.

Sem muito pensar, Nádia juntou um pouco de roupas em uma pequena bolsa e saiu, seguindo o endereço que estava na carta. Chegou aos pés de um grandioso e isolado lugar, era um antigo convento daquela cidade. Nádia de início ficou totalmente sem graça, mas foi gentilmente cumprimentada por uma senhora, com a pele bem branquinha e enrrugadinha, que estava acompanhada com outra freira, que a gentilmente guiava pela mão.

Nádia subiu alguns vãos de escadas e adentrando o grande lugar, encontrou uma noviça, que parou.

- Olá... Posso lhe ajudar em alguma coisa? – A gentil moça, que a abordou, perguntou.

- Ahn... sim pode, eu estou procurando por uma moça, ela veio morar, ou passar uma pequena temporada aqui, ela é um pouco mais alta que eu, e tem cabelos bem longos e acinzentados...

- Você fala da... Lilian? Que estava grávida...?

- Sim... mas você parece estranha quando fala dela... aconteceu alguma coisa?

- Pode aguardar um pouco, eu vou chamar a Madre superior para falar com você... – a moça não esperou muito e correu pelo longo corredor. Nádia estava naquele momento completamente preocupada, e não sabia o que pensar... ou se teria sido uma boa ideia ter ido procurar por Lílian.

Logo, voltaram aquela moça e mais umas cinco freiras junto, entre elas uma que aparentava a mais velha de todas.

- Qual seu nome minha filha? – A mais velha olhou-a com carinho.

- Nádia. – (?)

- Nádia, venha comigo que precisamos ter uma conversa bem séria... – Aquela senhora a chamou e segurou em sua mão. Adentraram em uma saleta logo à frente. Havia cheiro de livros velhos e os móveis eram muito antigos e bonitos. Nádia estava agora bem preocupada, a senhora a guiou até a cadeira frente a mesa, onde havia uma bíblia aberta no salmo 91.

- A senhora deve ser a madre superior certo?

- Sim... — ela suspirou fundo e encostou-se na mesa frente a Nádia. — Sua amiga faleceu algumas horas depois de ter dado a luz... ela pediu que nós procurássemos esse homem, o Senhor Laurence... – Nádia estava em choque e arrastou-se da cadeira e caiu no chão abraçando os joelhos. Algumas lágrimas correram em seu rosto.

A senhora em sua frente, ajoelhou-se, e a acariciou nos cabelos.

- Como ela pode me deixar, eu não sei o que fazer agora. – Nádia choramingava, lamentando, sentindo a dor da perda daquela pessoa tão querida.

- Fique calma... agora eu preciso que você nos ajude encontrar o senhor Laurence, ela pediu que entregasse o pequeno Noah para ele...

- Noah? – ela olhou para a senhora a sua frente, com lágrimas abundantes, mas um pequeno sorriso.

- Sim... ela escolheu esse nome para o menino... ele é lindo e se parece muito com ela.

Alguns minutos depois, mais calma, Nádia seguiu a mulher, e em um dos quartos, havia um pequeno berço e uma cama de solteiro ao lado. Ela aproximou-se de vagar. O bebezinho estava dormindo tão tranquilamente. Os cabelos eram tão cinzas quanto os da mãe, e ele tinha a bochecha dela.

- Lilian... você conseguiu... sei que está feliz.

Após algumas horas, Nádia acampou-se em um hotel próximo a Casa das Margaridas, e ficou posta ao restaurante, que tinha uma grande janela de vidro, ela aguardava Laurence passar. Ele sempre saía às cinco da tarde para dar uma caminhada com seu grande cão da raça Golden. Ao avistá-lo fazendo a curva e indo em direção à praça do chafariz, levantou-se, e deixou algum dinheiro em cima da mesa para pagar pelo café com leite que havia tomado. Caminhou rápido em direção ao homem e o abordou com tranquilidade.

- Sr. Laurence...

- Nádia... como está passando? – ele foi gentil. – Não tenho mais ido ao casarão... eu...

- Desculpe Sr. Laurence, eu jamais teria a intenção de ser mal educada em cortá-lo, mas eu preciso ter uma conversa séria com o senhor, podemos sair desse lugar, se nos virmos juntos pode dar problemas para o senhor depois.

- Não ligo para o que os outros digam, você é uma pessoa como qualquer outra, apenas não teve uma boa chance na vida, mas diga, o que há de tão urgente?

- Lilian...

- Minha musa? Onde ela está? – os olhos daquele homem se iluminaram.

- Hum... ela... pediu que eu transmitisse uma mensagem, ela quer que o senhor fique com o filho dela, e que dê seu nome à ele...

- Claro que eu o faria, eu queria tanto que... espere... – Laurence virou de frente para a moça, e o cachorro sentou-se cansado de esperar pela caminhada. – O que há de errado?

- Ela morreu Sr. Laurence, algumas horas depois de ter dado a luz, e escreveu em uma carta que queria que o senhor cuidasse do bebê... – Nádia estendeu a carta.

O homem pegou a carta maquinalmente e a abriu sem muitas cerimonias.

“Amado Laurence

Eu sei que não será impossível para o senhor, mas gostaria de pedir algo muito importante para mim. Eu sei que não passarei muito tempo aqui, e não vou poder cuidar do meu filho, eu acabei de amamentá-lo e ele está dormindo, ele é tão lindo. Estou morrendo, Laurence, eu tive uma complicação no parto e não vou viver para cuidar do meu pequeno. Sei que pode fazer isso, pois me ama, eu sinto que me ama. Cuide do meu pequeno Noah... Por favor! Dê seu nome nobre a ele, o ensine a ser o homem maravilhoso que o Sr. É. Ele está no Convento do Morro Santo. Por favor, não conte a ele que fui uma prostituta, apenas diga que eu o amava muito, mas que não pude cuidar dele... Obrigada...”

Daquela ultima palavra se entendia um profundo agradecimento, mas o restante da carta não foi escrita.

Uma das enfermeiras pegaram o papel sob o colo dela, já fria.

O menino esgoelava-se, o que chamou a atenção de uma das enfermeiras ao quarto onde eles estavam, e logo a Freira que a acompanhava naquele dia foi avisada e entregaram-lhe a carta escrita pela metade.

Laurence passou a mão pelos cabelos, e tentou não chorar diante da situação, mas seu coração estava muito ferido. Lilian era um amor que ele não podia ter, e a única oportunidade que tivera, quando ela saiu da Casa das Margaridas agora estava perdida. Ela havia morrido.

O homem não disse nada, apenas começou a caminhar em direção contrária do que vinha.

- Sr. Laurence... estou no Hotel, se quiser ir até lá, buscar o pequeno, me avise. Eu quero ajudar no que for necessário. – Nádia disse, andando para chegar mais perto, mas Laurence estendeu a mão, que estava com a carta, fazendo um sinal de que não era para ela segui-lo.

Nádia parou, e deixou que ele fosse embora.

Eram quase oito horas da noite quando um carro saiu não muito rápido da garagem da casa dos Diangillis. Um carro preto, não muito novo, de uma marca popular.

Laurence Diangillis não era um homem milionário, mas tinha seu salário de Capitão, que não era um absurdo de bom, mas era um bom salário. Era divorciado a alguns anos e não tinha filhos.

Seguiu pela estrada sem parar, e rapidamente chegou ao Convento citado pela carta de Lilian.

Chegando ao local, Laurence foi abordado por uma freira, e ele explicou a situação, mostrando a carta de Lilian.

Logo, a Madre superior estava presente, e pediu que a acompanhasse para a pequena saleta, que antes conversara com Nádia.

- Eu não sei qual ligação vocês tinham, — ela olhou desconfiada para ele, mas continuou. – eu sei que ela pediu para que você tomasse conta dele, e eu espero sinceramente que você faça isso direito! – ela foi enérgica nas ultimas palavras.

- Eu serei... – ele viu-a levantar-se, e a seguiu.

- Esteve hoje aqui uma moça, Nádia, você a conhece?

- Sim, ela era a melhor amiga de Lilian, pelo menos era até ela fugir do mundo.

- Você sabe porque ela fugiu? – a senhora perguntou-o, mas já sabia a resposta.

- É, eu diria que sim... a cafetina do lugar onde ela trabalhava a expulsou por ela se recusar a abortar a criança que esperava...

- Sim, exatamente, e é por esse motivo, por esse amor que Lilian tinha por esse bebe que eu lhe peço que cuide dele tão bem quanto cuidaria de um filhou seu... essa criança é especial de alguma forma. – ela completou, deixando Laurence um pouco desperto.

- Mas ele tem alguma coisa diferente? – ele perguntou com um meio sorriso, um pouco incrédulo.

- Eu poderia muito bem dizer que ele é um anjo, mas eu sei que pela incredulidade de suas palavras, seria inútil. Ele tem uma marca de nascença, duas marcas na verdade, é como se fosse um vê de cabeça pra baixo nas costas, parece que arrancaram duas tiras de pele das costas dele, mas é só uma marca, não uma cicatriz...

- Anjo é? Claro, ele é um anjo, e será até ter maldades no coração, como qualquer ser humano.

Mas as palavras cessaram dos lábios de Laurence na hora em que ele bateu os olhos no bebê. Os olhos dele ainda estavam semicerrados, mas a cor era incrivelmente linda, e os cabelos eram um tom acinzentado, como os de Lilian.

A madre o pegou no berço, e o entregou a Laurence... a criança parecia tão calma.

Minutos depois, Laurence, após várias dicas para cuidar da criança, saiu do local, mas não sabia como ia levar, ele sozinho o bebê. Ele encostou-se no carro, olhou para a criança por alguns minutos.

- Sr. Laurence? — A voz conhecida o fez suspirar aliviado. – Eu disse para o senhor me chamar...

- Como veio parar aqui? Como sabia que eu estava aqui?!

- Bem... eu olhei pela fresta de sua garagem e não vi o carro do senhor, imaginei que estivesse aqui e peguei um taxi... gastei meu último centavo...

- Pode me ajudar com ele? – Ele pediu, acabando de cair na realidade, ele não sabia como cuidar de uma criança.

- Sim... – ela começou a falar, mas Laurence a interrompeu.

- Mas não será só por hoje, eu pagarei um salário justo para ser a babá dele, vai morar lá em casa... tenho dois quartos sobrando, posso reformar um para ele e o outro será seu...

- Isso... está sendo rápido demais, não acha? E o que os outros vão pensar?

- Não me importa, Lilian ficaria muito feliz, e depois, nos mudaremos assim que a situação estacionar. Eu fui pego de surpresa.

- Entendo... ela pegou o bebe, e Laurence abriu a porta do carro. E este saiu pela estrada, a caminho de casa.

Alguns relâmpagos clarearam o céu naquela noite...

Continua...

Notas finais
Olá o/
Aqui fala a autora mais sumida que tem aqui, eu acho!
Bem me desculpe, mas eu ando bastante ocupada, e além disso, alguns problemas pessoais ajudaram no meu desanimo, e eu não estava tendo nenhuma inspiração para escrever. Mas agora eu resolvi, que não só por mim, tenho que voltar a ativa e terminar as fics interminadas e postar novas!
Bem estou de volta! E com novidades!
Recentemente, a mais ou menos 1 ano e meio atrás eu comecei a colecionar BJDs, e essas maravilhosas criaturinhas me deixaram mais criativa e eu consegui por fim, criar meus próprios personagens.
Resolvi compartilhar com vocês algumas das minhas histórias originais.
Bem, deixo em nota que, esta história tem o mesmo nome de uma que eu postava antigamente aqui, mas o desfecho é totalmente diferente e com mais detalhes e vidas em jogo. Eu deixei uma sinopse bastante pobre, é verdade, mas é porque eu ainda não tenho uma história completa, ela está surgindo e eu estou escrevendo, creio que terá muitos capítulos, pois minhas idéias estão bastante aguçadas.
Peço novamente desculpas e atualizarei Reencontro o mais rápido possível e também Duelo de Emoções, que já está terminada, só falta revisar e postar!
Tentarei postar mais rápido!
Espero que curtam essa nova história!