Perfect Kanojo - Little Puppet!
8 O assistente técnico
Notas iniciais
Antes ele estava decido a devolvê-la depois de sete dias, até porque não tinha como pagar seu preço. Mas agora ele estava hesitante.
Ela era apenas uma robô, uma máquina, mas seu destino seria horrível demais!
Sobre a dor, ele não conseguia concluir nada, mas tinha quase certeza que podia estar acontecendo a ela o mesmo que acontecera ao tal Naito. Ele precisava saber mais. Ele queria saber mais. E ele sabia exatamente com quem teria que falar: Namikiri Gaku.
Segundo Riiko, Gaku havia se desligado da Kronos Heaven depois do incidente com seu namorado. Porém, agora ele estava de volta, e essa era uma das coisas que Ruki queria saber porque.
No dia seguinte, a banda voltaria ao estúdio para terminar de gravar e não haveria tempo de folga. Aquilo precisava ser feito logo, do contrário poderia ter efeitos desastrosos. Mas ele estava tão cansado...
— Mas que bagunça você deixou aqui, hein? – Ele disse para a cyborg que corou e começou a recolher tudo rapidamente.
— Me desculpe, vou arrumar agora mesmo!
— Pra que tantas revistas do GazettE? Eu não me lembro de ter tantas assim aqui em casa – Ele perguntou fingindo que não sabia.
— Ah... ah...bem – ela começou sem graça, corando mais ainda – é que... eu queria saber mais sobre você e....daí.... – ela abriu um sorrisinho tímido, enquanto Ruki segurava para não rir.
— E conseguiu? – ele perguntou tentando fazer cara de intrigado.
— Consegui! – ela disse animada, dando um pulinho.
— Oh... – o vocalista murmurou, contendo o riso. E então resolveu mudar de assunto – Nee, agora mesmo... você estava dormindo? Não parecia estar carregando...
— Ah... é que você demorou tanto.... deu tempo de carregar a bateria e depois, como eu não tinha nada para fazer, decidi dormir... por que? – ela inclinou a cabeça para o lado.
— Não é nada... só achei estranho...
— Eu já tinha dito que posso dormir se quiser, não? – ela indagou confusa.
— É, tudo bem, esquece. É paranoia minha.
Ruki se jogou no sofá de onde Cecile havia levantado e suspirou pesadamente, enquanto ela continuou a recolher as revistas espalhadas.
— Cansado?
— Bastante...- ele respondeu com a cabeça deitada no encosto do sofá e o braço sobre os olhos. – Hoje foi um longo dia ... com muitas coisas para pensar...
Ela estreitou os olhos e pensou “Essa é a minha chance!”
— Quer que eu te faça uma massagem? – ele não viu, mas ela estava com um pequeno sorriso torto.
— Ee? Isso seria bom... você pode fazer isso?
— UHUM! Todos os cyborgs são programados com essa habilidade! – ela disse largando as revistas sobre a mesa de centro e pulando de joelhos no sofá – É como... hmmm...cortesia da empresa.
— Oh~ — foi tudo que ele disse, ao mesmo tempo que se sentava na ponta do móvel, dando espaço para que Cecile ficasse atrás, e ela pôde ver como o namorado estava abatido.
Ela estralou os dedos e colocou as mãos sobre os ombros dele. Alguns minutos se passaram com o vocalista apenas sentindo os músculos relaxarem. Ele não pôde evitar de soltar uns grunhidos, e corou um pouco por causa disso, fazendo a cyborg sorrir.
Ela ficou em silêncio por alguns segundos e então se aproximou do ouvido dele e sussurrou manhosa.
— Taka~ Será que eu posso dormir com você hoje?
— Ah, não, Cecile. Eu tô muito cansado... – ele respondeu depois de suspirar. Faltavam forças até para levantar o tom de voz.
— Por favor! Eu prometo ficar quietinha! – mas isso não era verdade.
— Olha, amanhã eu tenho um monte de coisas pra fazer, então eu preciso descansar, entende? – ele disse, começando a se irritar e levantando para ficar de frente para a namorada.
— Eu sei, mas....- ela disse aflita.
— Nada de mas! E amanhã você vai ficar em casa de novo! – ele disse, apontando. Cecile arregalou os olhos e falou aumentando o tom de voz:
— Não vou, não! – dessa vez foi Ruki quem ficou surpreso. Ele não a tinha programado para ser uma namorada teimosa!
— Como não?! Claro que vai! Eu tô dizendo que vai, então vai! – ele franziu as sobrancelhas se sentindo desafiado. A cyborg levantou do sofá e praticamente gritou, batendo o pé no chão.
— Amanhã é o quinto dia! E você quer me afastar de você de novo?? Eu não quero! Eu quero ir com você! Não quero perder mais um dia! Eu vou de qualquer jeito!! Não vou ficar sozinha de novo! – e ela continuou, sem dar tempo de Ruki discutir – Você é um péssimo namorado, Takanori, só querendo me afastar de você!
Nesse momento, Ruki teve a impressão de ver lágrimas se formando nos olhos de Cecile, mas isso não era possível, porque cyborgs não tem lágrimas. Tem? De qualquer maneira, ele se sentia cansado demais para aquilo. Apesar da expressão dela ter lhe dado uma pontinha de dor no coração, ele não pôde evitar de responder mal-humorado.
— Bem, se eu sou um namorado tão ruim, você não vai se importar se eu te devolver daqui a 3 dias, né? – disse com olhar indiferente. Ela abriu a boca sem ter o que falar e o vocalista foi em direção ao quarto, entrou e bateu a porta, que acertou no focinho do pobre Koron que vinha atrás.
Cecile não sabia se estava sentindo raiva, frustração ou desespero, só sabia que algo doía muito. Algo que não deveria doer, pois não deveria existir. A única certeza que ela teve naquele momento, era que não aguentaria ficar nem mais um segundo naquela casa. A casa da pessoa que acabara de rejeitá-la. E sem pensar duas vezes, saiu.
Ruki ouviu a porta bater e pensou “Essa não!”. Ele correu até a sala, olhou para os lados e soltou um sonoro “Droga!”.
***
A cabeça parecia que ia explodir. Era como se queimasse de dentro para fora. Ela estava vagando pela rua, sem saber para onde ir, pois não tinha a quem recorrer, mas sentia suas forças se esvaindo.
Então se lembrou de alguém em quem podia confiar, e com a visão já ficando turva, usou todos seus esforços para se dirigir para lá.
— Por favor... por favor... só mais um pouco... – ela suplicava para ninguém em especial. A dor era tamanha que nem reparava naqueles fluidos estranhos que lhe molhavam o rosto.
Ela realmente era um produto inútil, incapaz de fazer seu namorado e dono feliz, a única pessoa no mundo a quem tinha que agradar, para quem tinha sido criada. Não era à toa que ele a retornaria para empresa.
Em sua cabeça, não entendia o motivo que a fez falar com ele daquele jeito. Sabia que era uma ação que ia contra toda sua programação, mas então por que? Por que não conseguia evitar aquele tipo de coisa? Provavelmente algum defeito. Mais um motivo para Ruki manda-la para o desmanche, se tornar parte de algo melhor, que cumprisse seu propósito.
Depois de um tempo que pareceu infinito, já cambaleante, Cecile avistou o lugar para onde estava indo. Quase sentiu um alívio, mas a dor não passara.
Subiu as escadas do lugar, usando todas as suas forças a cada degrau que deixava para trás. Subindo, subindo e subindo, uma escada que parecia não ter fim, mas que para quem olhasse não tinha mais do que 10 degraus.
Finalmente chegou a porta que buscava e bateu levemente, do modo que conseguiu, e graças a deus, ela não demorou para se abrir.
E então, ela apagou.
***
Desde que Cecile havia chegado, isso era algo que ele vinha repetindo muito: “Droga”. Ele nunca a havia visto daquela maneira e estava preocupado que ela fosse fazer alguma besteira.
Mas ele também estava cansado e, em consequência disso, mal-humorado. Ele tinha razão em tudo o que dissera e não ia sair atrás dela! Ela que voltasse sozinha quando precisasse recarregar a bateria. Pensando bem, ela não precisava voltar para casa para fazer isso....
Ruki começou a morder nervosamente os cantos das unhas e sentou-se no sofá, cruzando as pernas. Koron só conseguia olhar para o dono com pena, mas sabia que ele era orgulhoso demais para sair atrás da mamãe. Então ele subiu no sofá e deu uma cabeçadinha amigável na mão livre do vocalista, como se dissesse: “Tudo bem, papai, eu estou aqui com você”.
Passaram-se 10, 15, 20 minutos e nada da cyborg voltar. Ruki estava tão desesperado que já havia comido um pacote inteiro de biscoitos. E ele já tinha perdido totalmente a esperança de que ela viesse para casa naquela noite, afinal, ela parecia bem indignada. Mas ainda assim, ele não conseguia simplesmente dormir... era como um pressentimento ruim.
Foi quando o telefone tocou.
— moshi moshi – ele atendeu desanimado.
— TAKANORI! – gritou Uruha desesperado.
— O que foi, Kouyou? – Ruki suspirou e desatou a falar – Esqueceu a chave da sua casa de novo? Escuta, eu tenho mais o qu...
— Deixa eu falar, porra!
— . . .
— É a Cessan! Ela chegou aqui agora a pouco e....
— A Cecile tá aí?!
— Ela parecia estar com muita dor! Logo que eu abri a porta, ela despencou!
— O QUE?!
— Ficou alguns segundos gemendo e depois apagou! Ela parecia estar com mais dor do que daquela vez! E ela não quer acordar! Eu não sei o número daquele cara que faz cosplay de VK, mas liga pra ele e vem pra cá correndo, Takanori!
— Tá, tudo bem! Valeu por ligar, Kouyou! – e desligou, praticamente já discando o número de Gaku, ao mesmo tempo que calçava seus sapatos e pegava seu casaco.
— moshi moshi~♪ — o homem atendeu animado.
— Namikiri-san! É Matsumoto! – ele falava rapidamente, como se pudesse adiantar a conversa.
— Oh! Matsumoto-san~ — cantarolou o outro – O que se passa?
— A Cecile teve outra daquelas crises! – Ruki já estava na rua, começando a correr para casa de Uruha que era a apenas alguns quarteirões de distância – e ela apagou e não acorda mais! Por favor, vá depressa até onde ela está!
— Tudo bem, me passe o endereço – Mais uma vez, a voz dele se tornou séria e o vocalista reparou bem nisso dessa vez. Definitivamente havia algo errado.
O rapaz não era dessas pessoas fisicamente ativas, que fazem exercícios regularmente. Fora o que fazia nos shows, a única coisa que ele treinava era sua voz. Em seu quarto ele até colocara o filtro de água próximo a cama para não ter que se levantar quando sentisse sede.
Mas agora ele estava correndo, como nunca correra antes. Então, quando chegou na casa de Uruha e este lhe abriu a porta, Ruki não conseguia nem falar. Entrou e olhou ao redor procurando a namorada. Vendo o desespero do amigo, o guitarrista logo lhe disse que a havia levado para o quarto de hóspedes.
O vocalista correu para lá e se deparou com Cecile deitada como se estivesse dormindo, porém com uma expressão de dor no rosto.
Eles ouviram a campainha tocar e enquanto Uruha foi abrir a porta, Ruki se aproximou da cama. Provavelmente inconscientemente, ele também fazia cara de dor e engoliu a seco, ainda ofegante, ao se abaixar ao lado dela.
— Cheguei! – anunciou Gaku ao entrar no quarto, imediatamente ligando seu laptop.
O homem colocou sua mão na testa da cyborg e por um momento pareceu analisar sua expressão, deixando escapar apenas um “tsc” e então conectando um cabo na nuca dela.
O homem começou a digitar incrivelmente rápido enquanto os outros dois observavam o modo como ele franzia as sobrancelhas, deixando-os preocupados.
Uruha olhava da cyborg para o amigo e vice-versa.
— Takanori... O que foi que aconteceu? Por que ela apareceu aqui desse jeito? – ele perguntou desconfiado
O vocalista pareceu se retesar por um momento e então relaxar.
— Ela... Ela ficou brava porque eu disse que ela não poderia ir na PSC amanhã...
— Ee?! Por que não? – perguntou o guitarrista confuso.
Ruki se levantou e ficou de frente para ele.
— Eu tô cansado, Kouyou, entende? – ele disse impaciente – Todo o nosso trabalho está atrasado por minha causa! Eu não preciso de mais distrações!
— Eu entendo que você esteja cansado e frustrado, Takanori, mas isso não te dá motivos para descontar nela. E de qualquer maneira eu não acho que isso a afetaria tanto... o que aconteceu depois?
— Ela disse que sou um péssimo namorado e então eu... – ele franziu as sobrancelhas e Uruha notou que ele deveria se arrepender do que havia feito – eu disse a ela que... já que ela me acha um namorado tão ruim, não ligaria de... eu devolvê-la ao fim dos sete dias.
Uruha revirou os olhos.
— Você é um idiota, Takanori! Hoje mesmo o Sakai te contou o que vai acontecer se você devolvê-la e que ela tinha tido dor da outra vez que eles estavam falando sobre isso, e ainda assim você fala uma merda dessas! Insensível! Coração peludo!
— Tá bom, Kouyou! Já chega! Já tô me sentindo culpado o suficiente! Foi involuntário, ok? Eu estava cansado e de mal humor e com a cabeça cheia de... – e então ele parou de falar quando se lembrou o que estava pensando naquela hora. Ele se virou para Gaku com um olhar tão sombriu que fez Uruha erguer as sobrancelhas – Namikiri-san... – ele chamou sério e o homem o olhou – Eu encontrei uma velha conhecida sua ontem na rua...
— Minha?
— ... e ela me contou umas coisas realmente interessantes...
— Ué~ Mas isso é imp-
— Izawa Riiko.
Imediatamente Gaku arregalou os olhos e escancarou a boca. Mas isso durou apenas um segundo, por ele logo retomou a expressão habitual.
— Não conheço – ele falou, voltando-se ao computador em sua frente, deixando Uruha confuso.
— Ora, seu...- começou Ruki – Ela me contou tudo sobre o Naito! Sobre o problema que ele teve quando VOCÊ era responsável por ele! – disse enfurecido. Uruha teve que segurá-lo pelo braço para que não atacasse o homem – Você não vai me enganar mais, Namikiri! Eu quero que me diga se a Cecile tem o mesmo que o Naito! E porque você voltou para a Kronos Heaven! – ele se esquivou do guitarrista e foi até a porta, parando ali e cruzando os braços – E você não vai sar daqui até eu estar convencido de tudo o que disser!
Uruha engoliu a seco e se voltou para o assistente técnico no computador, que agora havia parado de digitar e parecia ponderar sobre o que fazer. Gaku suspirou pesadamente e se levantou, tirando o chapéu esquisito. Ele encarou os outros dois, depois olhou para a cyborg deitada, e voltou a olhar para Ruki.
— Escute, Matsumoto-san... – ele começou tristemente – Você parece pensar que eu sou o vilão dessa história, mas eu não sou. Mesmo na época do 01... quero dizer, do Naito... eu sempre tentei ajuda-lo, e a Riiko também. Eu realmente me importava e por isso não aguentei continuar na empresa quando tudo aconteceu...
O vocalista mantinha o olhar sério, e o guitarrista não sabia do que eles estavam falando, mas fez uma nota mental para pedir a Ruki que lhe contasse tudo depois. E o homem continuou a falar depois de mais um suspiro.
— Quando eu fiquei sabendo que a Kronos Heaven tinha criado uma nova tecnologia para a nova leva de cyborgs femininos, eu fiquei desconfiado... foi por isso que resolvi voltar a empresa e ter certeza que não cometeriam os mesmos erros de antes, mas...
— Mas? – perguntou Ruki.
— Bem... não se preocupe, a 001, er... Cecile... não tem o mesmo problema que o Naito tinha... – Ruki soltou um suspiro aliviado – Mas eu também não tenho a menor ideia do que seja.
— Ee?! – exclamaram os outros dois ao mesmo tempo.
— Como assim, Namikiri-san? – perguntou o guitarrista – Você estava agora mesmo digitando ferozmente!
— Sim... eu tenho tentado analisar melhor o sistema dela, mas aparentemente ela tem um firewall muito avançado e potente que sempre me bloqueia em certo ponto. Provavelmente a empresa que instalou... E ainda devem estar desconfiados de mim, pois não me deram acesso a essa parte mais profunda do sistema...
— Isso quer dizer que seja qual for o problema dela, deve estar escondido nessa parte que você não consegue acessar? – perguntou Ruki aflito.
— Exato. E tenho a impressão que não é apenas um erro bobo no sistema.
— Aah~ — Ruki suspirou choroso e sentou no chão, sentindo-se totalmente exausto.
— Ei, Takanori, você tá bem? – perguntou Uruha agachando ao seu lado, com uma mão em seu ombro.
— E agora? – perguntou o vocalista – O que vai acontecer com ela?
— Bom... por enquanto eu vou tentar fazer uma limpeza no sistema que parece sobrecarregado e depois...
— Depois? – os outros dois perguntaram e Gaku respirou fundo antes de responder.
— Terei que fazer algo que eu realmente esperava não precisar fazer tão cedo... Mas o que quer que seja que a 001 tem, está evoluindo rápido, então terei que agir.
— E o que seria? – perguntou o guitarrista curioso.
— Terei que ir até a sede da Kronos Heaven para pesquisar mais a fundo. – ele disse voltando ao laptop e começando a digitar novamente – Sem eles saberem, é claro – concluiu apenas para si.
Ruki se recostou no batente da porta e murmurou um “droga...”. Já era bem tarde e as coisas se complicavam cada vez mais. Uruha o olhou preocupado e disse:
— Ei, cara, tudo bem você passar a noite aqui, se quiser... você tá parecendo um lixo.
— É, eu tô me sentindo como um...
— Por que você não vai descansar um pouco lá no sofá? Eu fico aqui de olho na Cessan pra você, tudo bem?
O vocalista o olhou por um momento. Estava exausto demais para entender o que o outro estava falando e sua mente – já tão cheia de problemas – demorou um pouco para processar a informação. Agora ele entendia como se sentia um cyborg com defeito.
— Certo – ele concluiu levantando, e vagou até a sala da casa do amigo.
Ele primeiro se sentou. Mas logo seu corpo estava pesado demais e ele despencou para a direita. Quando Uruha foi até lá para checar o vocalista mais tarde, ele estava dormindo numa posição incômoda, meio sentado, meio deitado. Certamente acordaria dolorido.
O guitarrista colocou suas pernas para cima do sofá e o cobriu, logo voltando para o quarto, onde se deparou com Gaku se preparando para sair.
— Já fiz o que era possível – ele disse – ela deve acordar em breve.
Uruha olhou para a cyborg e notou que sua expressão havia amenizado.
— Obrigado, Namikiri-san...
— Não foi nada. Qualquer coisa me ligue e virei imediatamente – disse já seguindo em direção à porta.
— Certo – Uruha pensou um pouco e continuou – Ei, Namikiri-san...
— Sim? – ele se virou
— Pode me contar a história desse tal Naito?
O homem hesitou um pouco, mas ao ver o olhar preocupado do loiro, não pôde recusar. Eles se sentaram à mesa da cozinha e, enquanto tomavam um café quente e bem forte, Gaku contou a Uruha toda a história que no dia anterior Riiko contara a Ruki.
Ao fim de tudo, o guitarrista entendeu o porquê do vocalista ter passado o dia todo irritado, com os nervos à flor da pele.
Quando fechou a porta após o outro homem sair, Uruha olhou para o amigo que dormia profundamente em seu sofá. O dia seguinte seria cheio, então ele mesmo logo foi se preparar para dormir, não sem antes checar Cecile que agora parecia estar somente adormecida. Mas ele tinha esse pressentimento de que as coisas ainda iam piorar, e sabem como é, pressentimento de Uruha não falha.
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