Notas iniciais
And the drama goes on~

Ruki acordou de mal humor.

De mal humor e com o corpo dolorido por ter dormido de mal jeito.

De mal humor, dolorido e totalmente indisposto.

Certamente, este seria um dia maravilhoso!

Ele levantou do sofá, se alongou e suspirou. Olhou ao redor e lembrou-se de onde estava, o que lhe fez despertar rapidamente. Ouviu vozes na direção do quarto e foi para lá.

— Ah, não, pô! – Uruha exclamou – Deixa que eu arrumo!

Ruki entrou no quarto de hóspedes do guitarrista e viu sua namorada sentada na beira da cama, enquanto Uruha brigava para ajeitar-lhe os cabelos.

— Ah... – ela murmurou ao vê-lo na porta e corou – B-bom dia, Takanori – ela cumprimentou séria. Uruha ergueu as sobrancelhas e segurou o riso. O vocalista apenas suspirou, coisa que fazia muito ultimamente. Ele já devia saber que ela ainda estaria zangada.

— Bom dia pra vocês dois – ele respondeu – Se divertindo logo cedo?

— Nah~ — disse o guitarrista – Eu só estava tentando arrumar a Cessan para quando você acordasse, mas ela não queria deixar – ele se levantou da cama e disse enquanto saia do quarto – Vou me trocar para a gente sair – e deu um tapinha no ombro do amigo.

O casal ficou sem falar nada por um tempo, com Cecile encarando o chão enquanto Ruki a olhava.

— Então... – ele começou quebrando o silêncio depois de uns minutos – como está se sentindo?

— Normal, eu acho... – ela respondeu sem tirar os olhos do assoalho.

— Hm.

Eles ficaram mais um tempo quietos, deixando impaciente o guitarrista que ouvia tudo do corredor. Ele queria empurrar Ruki na direção da cyborg para que ele pedisse desculpas, mas estava se segurando o máximo que podia para não quebrar o clima.

O vocalista reparou que Cecile mordia o lábio inferior nervosamente, e logo ela soltou um “Me desculpe!” repentino.

— Ee?! – ele exclamou confuso.

— Mesmo você estando tão cansado, eu sempre acabo piorando a situação – ela disse parecendo um tanto desesperada – Sinto muito, Taka! Na verdade, eu é que sou uma péssima namorada, não é? – ela riu sem graça.

E novamente ele teve a impressão que ela estava prestes a chorar. Ele respirou fundo e falou:

— Não...a culpa não é sua, fique tranquila – ele andou até a cama e sentou ao lado dela, encostando a testa em seu ombro – Me desculpe por ser um idiota...

— T-tudo bem... – ela murmurou, fazendo o possível para não se mexer.

No corredor, Uruha sorriu e foi para a cozinha. Desde o começo ele já estava vestido para sair.

Mais tarde, os três foram juntos para a PSC, pois o guitarrista convenceu Ruki que seria melhor ter Cecile por perto caso ela tivesse outra crise. Claro que Uruha não deixaria passar a chance de vestir a cyborg lindamente para animar o amigo. Mas mesmo assim, o vocalista parecia um tanto apático, quase como se estivesse doente.

Pelo menos a primeira parte da gravação daquele dia – que já era o 5º — correu bem, enquanto a garota ficara conversando com Sakai do lado de fora do estúdio, sem tirar os olhos do namorado um segundo sequer. Era como se ela quisesse gravar em sua memória todos os momentos que lhe restavam. Dois dias pareciam muito pouco, e ela faria de tudo para que eles fossem perfeitos.

***

— bom... – começou Sakai olhando para o relógio – acho que vou sair para comprar os lanches.

Ele se levantou e se espreguiçou, afinal já era quase hora do intervalo. O empresário lançou um olhar apreensivo para Cecile.

— Tudo bem, Sakai-san, vou ficar bem aqui~

Ele sorriu sem graça.

— Bem, então eu-BUM!

Nesse momento ele foi interrompido pelo som alto de algo estourando e os gritos de susto dos membros, que a cyborg considerou um tanto afeminados, mas isso não vem ao caso agora.

Aoi abriu a porta do estúdio e falou:

— Ei, Ryou-chin! O amplificador já era!

— Eee?! Mas como isso foi acontecer justo agora?! – o empresário perguntou retoricamente e o guitarrista olhou de soslaio para o vocalista.

— Precisamos arrumar isso para podermos terminar a gravação ainda hoje! – disse Kai abanando a fumaça e tossindo.

— Ahm... certo...Suzy! – Sakai apontou para um staff – Tire o amplificador quebrado de lá de dentro e dê um jeito nessa fumaça! Enquanto isso, vou lá em cima ver se consigo outro emprestado com o Alice Nine ou com o Screw.

O homem falou tudo tão rápido que ninguém reparou no que realmente havia sido dito.

— Eeeee... – murmurou Aoi – E quem vai comprar meu café?!

— Ee?! – Sakai fez uma cara de desespero e se voltou para Cecile que estava sentada em silêncio. Ele deu um sorrisinho sem graça e apenas disse – Por favor?

A cyborg riu e concordou com a cabeça.

Obviamente que Ruki, Reita e Uruha não tinham visto nada disso, do contrário eles teriam impedido. Mas eles estavam ocupados demais quase morrendo asfixiados.

Sakai deu um punhado de dinheiro a ela e perguntou se ela sabia o que comprar, ao que ela respondeu que sim.

Então ambos saíram, deixando a banda e Suzy lidando com a bagunça no estúdio.

***

Quando haviam se passado uns 15 minutos, e eles estavam finalmente livres da fumaça, foi que eles começaram a se dar conta de algumas coisas.

— Ué~ O Ryou-chin ainda não voltou? – perguntou Reita olhando em volta.

— Sabe que eu nem twittei hoje?! – disse Aoi já pegando seu iPad – Kazuki estava comentando que eles iam gravar aqui na empresa hoje~

— O Ryou-chin tá demorando pra quem foi na esquina comprar café... – disse Uruha.

— Ee? Mas ele foi buscar um amp emprestado com o... ah. – disse Kai, logo percebendo o que poderia estar acontecendo.

— Onde está Cecile? – perguntou Ruki.

O baterista engoliu a seco e pelo seu silêncio todos o olharam. Porém nada precisou ser dito, levou apenas um minuto para que todos entendessem, e o vocalista logo saiu batendo a porta.

***

Devia ser coisa do destino, pois a cena estava se repetindo exatamente igual a vez anterior. Mas dessa vez, se dependesse dele, a situação certamente terminaria diferente.

Como antes, ele estava esperando o elevador quando a garota mais linda que já vira parou ao seu lado, cheia de sacolas da cafeteria que ficava perto da empresa. Ela não lhe sorriu calorosamente como da última vez, parecia abatida e perdida em pensamentos.

— Deve ser algo muito importante... – ele disse.

— Ee?! – Ela respondeu confusa, finalmente notando sua presença, arregalando os olhos – O-o que disse?

— O que quer que seja que está causando essa ruga em sua testa – ele explicou, colocando o indicador entre as sobrancelhas da cyborg – deve ser importante para deixa-la assim.

Eles adentraram o elevador assim que ele se abriu.

— Ee... deixe-me ver ... certamente tem algo a ver com o Ruki-san – Byou tentou soar indiferente, coçando o queixo.

— O-o que isso tem a ver com o Ruki-san? – Ela riu nervosamente e o rapaz a olhou sério.

— Não pense que não reparei na reação dele da última vez! – Ele fez uma pausa e depois, com um olhar aflito, perguntou – Ele é seu namorado, não?

Mas Cecile não respondeu, apenas continuou encarando o carpete do elevador. O vocalista ficou a observando, até que o apito soou indicando o andar em que ela iria sair.

Só que ele estava decidido a mudar a situação a seu favor e saiu junto, logo agarrando-a com força pelo braço.

— Escuta, Cecile-san, se você está com essa cara por causa dele, eu te digo que posso te fazer muito mais feliz!

— Byou-kun, o que você está dizendo? – ela pareceu perplexa e tentou se soltar. Mas não conseguiu, sem saber o porquê – O qu.... – ela foi ficando cada vez mais desesperada.

Normalmente conseguiria desarmar Byou facilmente, como havia feito anteriormente com os homens estranhos que a abordaram na rua. Mas se sentia fraca, impotente. Seus músculos doíam. Músculos? Ela não os tinha! Até onde sabia, seu corpo todo era feito de uma liga de metal especial para que parecesse pele de verdade.

O vocalista então segurou-a pelos ombros, se aproximando ainda mais da cyborg.

— Por favor, Cecile-san, me dê uma chance! Eu já lhe disse que gosto muito de você! – disse apertando os ombros dela com mais força.

— E-eu não posso! Ruki-san... – ela começou a dizer com voz trêmula de nervosismo.

— NÃO! – Ele gritou assustando-a – Eu não vou perder mais nada pra ele! – ele exclamou.

Essa frase fez Cecile hesitar por um breve momento, mas que foi tempo suficiente para que o rapaz a puxasse para sim, a fim de beijá-la.

Mas ela sabia que não podia, sabia que não devia beijar ninguém além de seu namorado. O que era aquilo? Medo? Sua cabeça já começada a doer novamente, mas com todas as suas forças ela conseguiu virar o rosto no último segundo, e Byou apenas beijou sua bochecha.

Infelizmente, não parecia apenas isso de onde Ruki estava vendo. Ele havia acabado de chegar, apenas a tempo de ver os dois “se beijando”.

Então finalmente tinha acontecido novamente. O motivo pelo qual ele não se relacionara com ninguém profundamente nos últimos anos. A dor da qual vinha tentando se guardar a tanto tempo.

Sentiu seus olhos arderem e trincou os dentes. Não, as coisas não terminariam assim. Diversas emoções se misturavam em seu corpo: dor, angústia, tristeza, mas principalmente raiva.

O vocalista avançou na direção do outro ferozmente e o puxou pelo ombro para afastá-lo daquilo que era seu. Sim, aquela mulher era sua, e ele não permitiria questionamentos ou recusas.

Byou só soube o que estava acontecendo quando sentiu a dor do soco em seu rosto e caiu. Ao ser solta, Cecile caiu de joelhos no chão, se sentindo fraca, ou talvez porque suas pernas tremiam.

Ela olhou para seu namorado e se assustou com o olhar que ele lançava a ela.

— Taka, eu... – ela começou com a voz chorosa, mas não pôde terminar, pois o rapaz a agarrou pelo braço, forçando-a a se levantar.

— Some da minha frente – ele disse de modo ríspido, ainda trincando os dentes e sem olhá-la nos olhos. E jogou-a em direção ao elevador.

— Taka, eu sinto muito, eu não... – ela tentou explicar, agarrando na manga da blusa dele.

— EU DISSE PRA SUMIR! – ele gritou com as veias de sua testa e de seu pescoço saltando, tamanho o ódio que sentia naquele momento.

Dessa vez foi Cecile que sentiu seus olhos arderem, principalmente ao notar que os olhos do namorado estavam marejados.

— Me perdoa, Taka, eu não queria, mas ele me...

— EU NÃO QUERO SABER DAS SUAS DESCULPAS! Vai dizer que não podia afastá-lo como aquele dia na rua?!

Ela sentiu uma pontada em seu coração e uma sensação estranha em seu rosto, uma coisa úmida. Mas ela nem prestou atenção no fato de lágrimas impossíveis estarem lhe escorrendo pela face.

— Eu tentei, mas não consegui – ela murmurou entre soluços, encolhendo os ombros. Como poderia explicar essa súbita fraqueza?

— Eu estou cansado – ele disse secamente e em um tom de voz baixo que fez a espinha dela se arrepiar inteira – Cansado de você! Cansado dessa falta de criatividade! Cansado de mim! Cansado de sentir! – ele exclamou num tom agora desesperado, ainda sem se virar para ela.

— Eu sei qu- — ela tentou dizer que sabia que era um fardo, mas o namorado não a deixou terminar.

— NÃO! VOCÊ NÃO SABE! Não sabe de nada! Você é apenas um robô! – ele respirou fundo e se virou para a cyborg com olhar de desprezo – É impossível para você entender como eu me sinto.

E saiu. Foi em direção ao estúdio chutando e socando tudo o que ficava em seu caminho, deixando uma Cecile totalmente desolada para trás. E ela chorou. Chorou como uma criança, sem nem saber o que era aquilo que estava fazendo. Mas ela não poderia ficar mais ali. Ele havia dito que sumisse, e esse era o último pedido dele que ela iria realizar. Pois ela sabia que esse seria o último. Ela sabia que havia terminado.

O outro vocalista ameaçou ir atrás dela, meio sem entender exatamente o que estava acontecendo, mas a expressão de dor que ela exibia o impediu. E é claro que ele estava confuso por Ruki tê-la chamado de robô...

***

Ela não tinha para onde ir. Onde poderia ir se tudo o que conhecia estava relacionado a Ruki? E ele realmente a odiava agora, não é? Era isso. Apesar dos sete dias ainda não terem terminado, o namorado a estava mandando embora, a estava devolvendo. E o motivo óbvio era que ela conseguira fazer o exato oposto do que era seu objetivo. Fez com que ele a odiasse ao invés de amá-la.

A única opção agora era voltar para a Kronos Heaven e ser enviada para o desmanche. Ela não tinha mais nada para fazer ali, mas então por que sentia tanta dor em seu coração? Nem sabia que tinha um.

Mais uma vez suas pernas fraquejaram e ela se viu obrigada a sentar no banco mais próximo. Suas lágrimas não paravam de rolar e sua cabeça já estava para explodir. Ela afundou o rosto nas mãos, sem saber o que fazer.

— Ei, dia difícil? – disse uma voz amigável. Ela levantou os olhos chorosos e o nariz escorrendo e viu a expressão de Gaku ficar horrorizada.

— Oh, meu deus... o que...v-você está chorando?! – Ele disse sentando ao lado dela imediatamente e tirando um lenço do bolso para limpar o nariz dela – Como?!

— E-eu não sei... – ela realmente não sabia agora que parava para pensar nisso, mas suas lágrimas eram de menos importância agora – Gaku-san... será que você poderia me levar de volta para a Kronos Heaven e me desativar...?

— AHN?! – ele ficou surpreso com o pedido – Mas por que?! – perguntou segurando suas mãos.

— Eu sou ainda mais inútil do que pensei... – E deu uma risada sarcástica – Meu namorado chegou a me dizer que é impossível que eu o entenda... – Ela tirou suas mãos das do homem que não sabia o que dizer e ficou apenas calado observando-a. Ela soluçou dolorosamente e continuou – Por que, Gaku-san? Por que não posso entende-lo? Eu não deveria ser a namorada perfeita? Como posso ser perfeita se nem ao menos posso entender a dor dos humanos? – Ela voltou a chorar continuamente – E além de tudo, um produto com defeito que perde as forças na hora H...

— ahn?

— ... com lágrimas impossíveis e com dores imaginárias – ela estava chorando desesperadamente agora e o homem ao seu lado não sabia o que fazer – Por que...? Por que dói tanto, Gaku-san?!

— O que dói, 001? Sua cabeça de novo? – perguntou acariciando a cabeça da garota.

A cyborg sacudiu a cabeça negando e então colocou a mão sobre o lado esquerdo do peito. Os olhos de Namikiri Gaku se encheram de lágrimas, mas ele logo as secou e abraçou a menina pelos ombros, consolando-a.

— Eu acho que você acabou de entender os humanos um pouco.... – murmurou.

Eles ficaram ali por um bom tempo, e o céu já estava escurecendo quando ela se acalmou.

— O que eu posso fazer, Gaku-san? E-eu...- ela disse com a voz rouca de tanto chorar – Eu estou com medo... Não quero sumir, não quero ir pro desmanche... – e soluçou.

— Então, o que você quer? – ele perguntou gentilmente. Ela se virou pra ele com olhos desesperados.

— Eu...quero ficar com Ruki! Quero ficar ao lado dele! Mas... – ela se interrompeu, ficando cabisbaixa e diminuindo o tom de voz – ele provavelmente me odeia agora...

— Vai ficar tudo bem! – O homem exclamou segurando-a pelos ombros – Você... você realmente quer ficar junto dele, não é? – ela concordou – Eu tenho um plano! Mas você tem que fazer tudo o que eu disser, certo?

— Certo... – ela o olhava confusa

— As coisas podem ficar difíceis... mesmo assim? – ela concordou novamente – Certo! Então venha comigo! – ele exclamou se levantando rapidamente e puxando-a junto.

Notas finais
Waahh~~~T^T Esse capítulo foi mto dramático pra mim. Sério. Mas então, qual será o tal plano?! Será que Gaku conseguirá reunir Cecile e Ruki novamente, mesmo depois do trauma horrível que o vocalista sofreu. E o que fará Byou?!? Não esqueçam de deixar reviews ;D