Perfect For Me
29 Capítulo 28
Notas iniciais
Bella
Sinto-me exausta quando chego a minha casa. Tudo parece grande demais. Sem a presença de Charlie tudo nesse lugar parece insignificante e vazio.
Coloco minhas chaves na pequena mesinha de centro e jogo minha bolsa no balcão.
O sol já se fora há algumas horas e o brilho da lua iluminava a pequena sala através do vidro da janela da sala.
Sento-me pesadamente no sofá ignorando a escuridão que abrange o interior da casa. Eu me sentia tão cansada e esgotada que nada parecia fazer diferença.
Arranco minhas sandálias de salto e as jogo para longe de mim. Meus pés estavam dormentes da longa caminhada que eu fiz até em casa.
Meus pensamentos conturbados e agitados por tudo o que tinha acontecido. Eu não conseguia acreditar que isso estava acontecendo comigo.
Respiro fundo e passo as mãos pelos cabelos. Minha cabeça lateja e tudo o que eu queria agora era cair na cama e dormir até esse pesadelo acabar.
Acomodo-me no sofá e puxo meus joelhos até a altura do peito e os abraço com força, fazendo pressão em meu peito como se isso fosse fazer a dor latente parar de certa forma.
Eu não podia me enganar. Nada do que eu fizesse faria essa dor ir embora. Ela estava me consumindo por inteira e já não era apenas por um motivo. Existia uma confusão de sentimentos dentro de mim e eu não sabia o que fazer.
Engulo o nó em minha garganta e as lágrimas queimam em meus olhos, ameaçando transbordar a qualquer momento e, mesmo eu tentando bloquear a conversa que eu tive com minha mãe, ela me vem à mente.
–Então você foi a responsável pelo o infarto do meu pai. – Digo sem rodeios, assim que ela se acomoda em seu lugar a minha frente.
Renée morde o lábio e desvia o olhar.
–Eu sinto muito filha... Eu não sabia que isso fosse acontecer. – Ela usa as palavras com cuidado.
–Por que voltou? O que você foi fazer na minha casa?- Disparo. Eu não quero rodeios com essa mulher. Eu apenas quero que ela vá direto ao ponto. Que diga o real motivo por ter voltado e por Deus! Eu quero que ela me diga por que foi embora.
Renée volta o olhar para mim. Seus grandes olhos azuis tão tristes e vazios quando a lembrança que eu tenho dela.
–Eu só queria te ver, Bella... Há muito tempo eu quero te ver... Mas... O Charlie sempre se negou.
Sorrio sem humor.
–Pelo amor de Deus! Renée. Só precisa dizer a verdade para mim. Eu não quero um drama familiar. Eu não quero ter de volta uma mãe. Eu só quero saber o que diabos você veio fazer aqui depois de tantos anos.
Seu rosto empalidece e seus olhos ficam úmidos.
–Eu só quero saber a verdade.
Eu ouvi toda a verdade da boca da mulher que um dia eu desejei que voltasse para minha vida. E isso foi uma das coisas mais triste que eu já ouvi em toda a vida.
Renée tinha ido embora com outro homem. Abandonou sua filha pequena e seu marido que lhe amava como louco. Alguns anos mais tarde ela voltou a procurar o meu pai. Ela queria me levar com ela. O Charlie, claro não concordou e eles fizeram um acordo.
–O Charlie me deu uma grande quantia em dinheiro, para que eu sumisse da sua vida. – Diz ela envergonhada. – Era todo o dinheiro que ele vinha guardando para quando você fosse para a faculdade.
Encarei-a pasma. Eu não conseguia acreditar no que ela estava me dizendo.
–Por isso que ele hipotecou a casa. – Digo baixinho. Recordando que quase perdemos nosso lar por que meu pai não teve como pagar a dívida com o banco depois que saiu do trabalho por estar doente.
–Eu sinto muito, Bella. – Choraminga Renée. Ela busca minha mão por sobre a mesa, no entanto sou mais rápida que ela a escondendo em meu colo.
–Como conheceu o Edward? – Disparo, lembrando-me das palavras furiosas que ele usou com ela momentos atrás.
–Há alguns meses eu voltei a procurar o Charlie. Eu estava sem dinheiro e com problemas. Só que o Charlie estava doente e não tinha nada para me oferecer. Fiquei sabendo que você estava trabalhando para um homem rico e disse ao Charlie que procuraria você.
–Você não procurou. – Concluo sem emoção.
Renée passa as mãos nos cabelos como se estivesse em conflito consigo mesma.
–Não, não procurei. Esse cara... O Cullen, ele me procurou e me deu dinheiro para que eu fosse embora e não procurasse você.
Sento-me como se uma lâmina afiada tivesse ultrapassando meu peito. Ele não faria isso comigo.
Sento as lágrimas queimarem em meus olhos e me esforço para que elas não rolem por minha face. Não agora. Não na frente da mulher que tinha acabado com toda a minha vida.
Respiro fundo e me forço a ser forte.
– Eu ouvi você dizendo que não queria o dinheiro dele. Ele voltou a te procurar? – As palavras saem arrastada da minha boca e eu me amaldiçoou por isso.
–Sim. Hoje mais cedo. Não sei como ele conseguiu me encontrar... Ele me ofereceu mais dinheiro para ir embora. Só que eu recusei. Eu não tinha vindo atrás de dinheiro dessa vez. – Renée foca seu olhar em mim. – Eu vi no jornal que vocês estavam noivos... – Um pequeno sorriso nasceu em seus lábios. Eu estremeci. – Eu fiquei tão feliz... Minha princesinha... Noiva. – Ela usa as palavras com emoção... Talvez emoção fingida. Eu não tinha ideia de como interpretar suas palavras. – Eu só queria poder está presente nesse momento. Eu já havia perdido tantos.
Mordo o lábio com força, enquanto processo suas palavras.
–Claro que você não queria perder isso por nada. Está perto da filha que vai se casar com um CEO milionário era bem melhor do que receber uma quantia grande para fugir. – Digo friamente.
Renée arregala os olhos surpresa.
–Não filha. Você está enganada! Eu não quero seu dinheiro...
–Não? – Grito, sem me importar se estamos em um hospital. – Você foi embora. Você me trocou por dinheiro. Você me vendeu. Não diga que está voltando porque simplesmente queria participar do casamento multimilionário da sua filha por nada mais nada menos do que apenas compartilhar esse momento lindo comigo. – Sinto as lágrimas rolarem quentes em minha face e eu não me importo, eu estava me libertando de toda mentira que estava me prendendo. –Isso é mentira. Você só está interessada no dinheiro do meu respectivo marido. Você acha que eu vou te aceitar de volta na minha vida por causa desse teatrinho seu e assim deixar você desfrutar do dinheiro do meu futuro marido.
–Não filha...
–Não sou sua filha! – Grito, levantando-me e batendo as mãos na mesa com força. Renée assusta-se encolhendo os ombros. – Eu a quero longe de mim e do meu pai. Não volte a aparecer aqui novamente. Eu não quero voltar a vê-la. –Digo friamente sem deixar de fitá-la.
–Isabella, por favor. – Suplica ela, com a voz baixa e chorosa.
–A partir de agora você está morta para mim. Espero não voltar a vê-la nunca mais.
Renée abre a boca para falar, no entanto eu simplesmente a deixo sozinha na cantina e sigo de volta para a sala de espera.
A conversa que eu tive com Renée não me deixou melhor ou mais tranqüila. A conversa abriu feridas em mim que nunca existiram.
Todos haviam mentido para mim.
Fechando meus olhos com força me obrigo a respirar. Essa pequena atividade parece complicada demais. As lágrimas rolam sobre minha face sem intervalos. É como se toda a minha dor estivesse querendo sair de dentro de mim, através dessas pequenas gotas que rolavam sob minha pele. No entanto, quanto mais eu chorava e soluçava a dor persistente continuava presa em meu peito. E tudo o que eu conseguia pensar era em como tudo parecia terrivelmente injusto. Eu não merecia isso.
Ofegando e me sentindo exausta, deixo meu corpo cair sobre o sofá e me encolho feito uma bola. Encolhi-me o quando pude, como se de certa forma isso fosse parar a dor que me consumia. Deixei que as lágrimas fossem derramadas e não me impedi de chorar por horas, até que o sono me venceu e eu adormeci.
Abro os olhos, sentindo-me incomodada com os primeiros raios de sol que entra pela janela.
Havia pegado no sono no sofá da sala. Eu me sentia exausta demais para me arrastar para minha cama. Na verdade, a pequena casa que eu dividia com o meu pai, parecia grande e sombria ontem à noite e, a tristeza dos últimos acontecimentos havia esgotado todas as minhas forças. Meu corpo parecia dormente, tinha dormido durante horas na mesma posição. Mexo-me no sofá e meu corpo responde de imediato. Ele não estava assim tão dormente. Meu pescoço doía e minha coluna estava um fiasco. Minha cabeça está latejando e meu estômago... Bem... Digamos que ele também não está bem... Acho que não ter me alimentado direito ontem, fez com que a ressaca que eu havia sentido piorasse.
Exalando uma respiração profunda, me ergo do sofá. Eu não sei que horas são. Havia desligado meu celular ontem. Não queria que ninguém me procurasse. Não queria que Edward, me procurasse.
Eu sei que tinha muito que resolver hoje. Eu preciso encontrar forças para conseguir encará-lo novamente. Eu não sei se serei capaz de fazer isso. Não depois de todas as coisas que ele me disse na casa de seus pais e não depois de saber que ele estava me escondendo coisas há meses.
Olho para a delicada aliança em meu dedo. Ele havia me dito tantas coisas. Eu tinha me apaixonado por ele e entregado meu coração em suas mãos. Houve momentos nesse curto espaço de tempo que eu pensei que ele também havia me entregado o seu. Eu estava errada. Edward Cullen não tinha coração. Ele havia perdido sua alma quando sua noiva morreu. Ele havia prometido não voltar a amar novamente e mesmo ele dizendo que me ama... Eu sei... Eu sei que não é verdade. Um homem sem coração e sem alma não conhece o significado do amor.
Eu sei o que tenho que fazer. Mesmo sabendo que meu coração seja destroçado em mil pedaços, eu sei que estou tomando a decisão certa.
Não posso levar adiante uma relação assim. Edward não me ama. Ele nunca media palavras quando quer me machucar. Ele não se importa com o que eu sinto.
Por mais que eu o ame... Eu simplesmente não posso fazer isso sozinha.
Após tomar um banho demorado, onde eu pude de certa forma organizar todas as minhas informações no lugar. Visto uma roupa confortável e amarro meus cabelos em um rabo de cavalo. Olhando minha imagem através do espelho me sinto mais velha do que eu me sentia há dois dias. Meus olhos estão cansados e com olheiras e eu definitivamente não me sentia bem. Ignorando o embrulho em meu estômago, certamente reclamando pela falta de comida. Passo uma leve camada de base ao redor dos meus olhos. Eu não precisava mostrar para o mundo que os últimos acontecimentos estavam acabando comigo. Eu não preciso baixar minha cabeça para mostrar a todos que eu estava sofrendo. Eu fui criada por um homem que lutou para me dar de tudo. Ele me ensinou a não desistir e a não ser fraca... E mesmo sabendo que todo o seu esforço de me tornar uma pessoa forte tinha sido de certa forma em vão... Eu sei que os últimos meses tinham me fortalecido. E eu não precisava ser a garotinha triste que chorava por tudo. Não, eu não precisava ser uma pessoa fraca e vulnerável. A convivência com Edward me fez enxergar que eu poderia ser bem mais do que uma simples garota humilde que se apaixonou por seu chefe arrogante. Eu dou conta agora que eu posso ser forte. Eu posso mostrar ao mundo que eu estou bem, mesmo que todo o meu mundo esteja em pedaços. Edward tinha me dado tudo o que eu queria, no entanto, ele também havia destruído meu castelo de sonhos. Tinha pisado em meu coração como se ele não fosse nada. Ele tinha me usado e me humilhado. Mesmo assim ele me ensinou a confiar... E eu confiei. Ele me ensinou a amar e eu amei... Amei cegamente. Entreguei-me a ele como nunca havia me entregado a alguém... Para no final eu simplesmente descobrir que toda a nossa história não passou de uma grande mentira.
Enxugando uma lágrima traiçoeira da minha bochecha, dou uma última olhada no espero e saio do quarto. Eu não precisava está bonita para o que eu iria fazer... Tudo o que eu precisava era ser simplesmente forte.
Meu celular continuava sem vida em minha bolsa. A essa altura tenho certeza que Edward já tinha deixado muitos recados para mim. Não havíamos nos falado desde aquele momento no hospital e partes de mim queria desesperadamente não vê-lo por muito tempo.
Descendo as escadas corro em direção à porta. E quando eu pensava que o destino estava de certa forma do meu lado, eu percebo o quão enganada eu estava. Em pé na minha porta, usando apenas uma calça social preta e camisa de linho branca de botões. Edward me encarava com lindos olhos cinzentos que pareciam tão cansados e esgotados quantos os meus. Seus cabelos estavam terrivelmente desgrenhados e por mais que eu estive magoada com ele... Sua presença me fez estremecer. Ele era lindo e o efeito que ele tinha sobre mim era inexplicável.
Seus olhos estudaram meu rosto com cuidado e mesmo sabendo que não existia nenhum vestígio de paixão na forma como ele estava me olhando, eu me senti quente por dentro. Edward sempre teria tal efeito sobre mim.
Ficamos nos olhando pelo o que pareceu uma eternidade e quando resolvemos falar, acabamos falando ao mesmo tempo.
Um pequeno sorriso torto nasce nos seus lábios.
–Precisamos conversar. – Diz com a voz rouca e baixa.
Dou um passo para o lado deixando espaço o suficiente para que ele possa entrar.
Seu corpo roça no meu quando ele passa pela porta e Deus! Ele tinha o cheiro incrível. Fechando meus olhos com força, na tentativa de me manter focada no que realmente importava, fecho a porta e espero até que ele se acomode na pequena sala.
De repente, aquele lugar parece pequeno demais para que fosse ocupado por nós dois e eu queria sair correndo desesperadamente desse lugar.
Caminho lentamente para sala. Edward está de costas para mim. Sua postura ereta e tensa.
–Bella eu sinto muito. – Murmura, com a voz quebrada. Sinto todo o sangue correr por minhas veias. –Sinto muito por ter mentido para você sobre sua mãe... E sinto muito por ter te falado todas aquelas coisas na festa dos meus pais. – Ele volta-se para mim. Seus olhos sombrios e nebulosos. – Eu sinto muito... Por tudo o que eu tenho feito você passar. – Ele engole em seco algumas vezes. Seus olhos presos nos meus. – Eu sei que não tenho sido a pessoa que você quer... Que não tenho sido alguém que merece seu amor... – Sua voz falha e ele desvia o olhar por um segundo. Uma lágrima silenciosa rola por sua face e eu quero abraçá-lo e dizer que está tudo bem. Por mais que eu estivesse sofrendo e sangrando... Ver a dor em seus olhos era muito pior. – Eu menti durante meses... Menti porque era a única forma de te proteger... Eu menti e falei coisas feias... Coisas que eu sei que te magoaram mais do que qualquer outra coisa que eu já fiz... – Ele dá um passo em minha direção e segura meu rosto com as mãos. – Eu sei que não sou perfeito... Mas, eu te amo. Eu sei que... Que talvez você não acredite em mim... Mas eu te amo.
Seus dedos roçam em minha bochecha capturando uma lágrima. Seu toque é tão suave que faz minha pele arder. Um soluço escapa de meus lábios e eu já não posso mais suportar sua a proximidade. Dou um passo para trás ignorando a carência do meu corpo por seu toque. Tudo o que eu queria era acreditar em suas palavras. Tudo o que eu queria era acordar desse pesadelo e perceber que ainda estamos envoltos em seus lençóis em sua cama. No entanto, isso era tão real. Existe tanta dor em seus olhos e eu não suporto mais olhá-lo. Fecho os olhos e cubro a boca na tentativa de abafar outro soluço.
–Eu... Eu não posso. – Digo com a voz estrangulada. Abro os olhos e a imagem que eu vejo faz com quê todo o meu coração se estilhace. Edward parece destruído. Seus olhos estão escuros e úmidos.
–Bella. –Ele dá um passo em minha direção e eu dou outro para trás.
–Por favor, Edward, não. Eu não posso mais fazer isso. – Digo exausta.
–Se foi pelo o que eu fiz... Por sua mãe... Eu fiz por eu que tinha que proteger você... Eu não tinha a intenção de mentir para você... Mas, o Charlie não queria que você soubesse dela. – Edward sorri entre lágrimas. – Eu queria te proteger de se magoar.
–Que ironia. A pessoa que estava me protegendo para não ser magoada foi exatamente a pessoa que mais me magoou. – Digo friamente.
Edward congela no lugar, como se eu tivesse acabado de lhe dá um soco no estômago.
–Edward você não me ama.
Ele balança a cabeça em negação.
–Tudo o que você fez... Tudo o que me disse... Essas malditas palavras estão gravadas em minha cabeça... Eu fico repassando o filme a cada cinco segundos... E não é apenas por você ter me escondido sobre a minha mãe... Apesar de ser doloroso... Apesar de doer o fato de você e meu pai terem escondido isso de mim... Eu acho que eu entendo... Eu preferia nunca tê-la encontrado novamente...
–Bella...
–É você Edward. Você e seu passado. –Exalo uma respiração profunda. – Não adianta o quão longe eu e você vamos... Não importa o quanto à gente diga que se ama. Não adianta todos os planos para o futuro... Seu passado sempre te trás de volta. Teu passado sempre te rouba de mim.
–Isso não é verdade. – Protesta num murmúrio.
–Você sabe que sim. – Baixo o olhar para a aliança em meu dedo. Ela representava tantos planos e promessas que nunca seriam cumpridas.
–Você não pode fazer isso Bella. Não pode me deixar... Você disse que nunca me deixaria. – Ergo meus olhos para Edward. Sentindo meu coração pesado mais do que a delicada aliança em meu dedo anelar parecia pesar e eu simplesmente deixo as palavras saírem.
–E você disse que nunca me amaria como amou a Irina. Você disse que me protegeria e que sempre cuidaria de mim. – Digo com desgosto.
–Bella. – Diz ele dando um passo em minha direção.
–Você disse que me amava. – Grito. – Você disse que queria um futuro comigo. – Sinto toda a raiva invadir o meu corpo. Eu não conseguia mais parar de falar e eu sabia que eu não seria a única a sair machucada dessa casa. – Eu confiei em você. Eu me entreguei a você. Eu deixei que você entrasse na minha vida... Eu te amei... Eu te amei como nunca pensei que pudesse amar alguém... – Minha voz falha e eu luto contra o nó em minha garganta. – Eu confiei em você, Edward. Eu acreditei que você me amava... Não me peça para manter nenhuma de minhas palavras... Você não manteve nenhuma das suas.
–Eu... – Edward passa as mãos pelos cabelos puxando-os um pouco. Ele parecia em conflito consigo mesmo. Respirando fundo algumas vezes ele finalmente olha em meus olhos. Ele abre a boca algumas vezes, no entanto nada diz. Eu sabia que havia nada a dizer. Ele estava de certa forma concordando comigo... Ele sabia que eu estava certa.
–Acabou Edward. – Digo. Minha voz não soa forte. Ela está trêmula e destruída.
Edward arregala os olhos em choque.
–Não. – Ele anda até mim e segura meu rosto. – Não, Bella. – Sua respiração quente em meu rosto faz meu coração acelerar. – Eu te amo... Você está errada. Eu a amo mais que tudo... O passado não importa. – Diz ele exasperado.
–Não? – Pergunto incrédula.
Ele balança a cabeça, repetidas vezes.
–Não amor. Tudo o que importa é você... Nós...
–Não é verdade, Edward. Você sabe disso. – Tento me afastar de suas mãos, porém ele me mantém firme. Suas mãos na lateral do meu rosto. Sua face próxima ao meu rosto. Seu corpo quase pressionado ao meu. Deus! Isso era uma tortura.
–Eu a amo. – Diz, com a boca quase roçando na minha.
Fecho os olhos com força e luto contra a eletricidade em torno de nós.
–Não. – Balanço a cabeça e o emburro para longe. – Você ama a Irina. – Grito. – Foi o que você disse.
Edward passa as mãos no rosto parecendo derrotado.
–Ela está morta, Bella. – Diz entre lágrimas.
Um pequeno soluço escapa da minha garganta.
–Então a deixe ir. – Digo com a voz engasgada. – Não podemos ter uma vida juntos se ela estiver sempre em primeiro lugar.
Edward ergue uma mão.
–Não faça isso, Bella. Isso não tem nada a ver com ela.
Fecho os olhos com força.
–Não existe e nunca vai existir um futuro para nós, enquanto você tiver ligado ao seu passado... Nunca... Nunca haverá uma chance para nós. – Engolindo em seco travo meus olhos na aliança. – Eu estou cansada de ser seu suporte. Eu te amo e preciso que você me ame.
–Mas eu te amo. – Grita ele em desespero.
Ergo meus olhos para encontrar com os seus no mesmo instante que tiro a aliança do meu dedo.
–O que você está me oferecendo não é o suficiente. Preciso que você me ame por inteiro. Sem reservas e sem pedaços destroçados. –Dessa vez eu caminho até ele. – Eu pensei que pudesse juntar seus pedaços e deixar você inteiro. – Sorrio entre lágrimas. – O que você precisa eu não posso oferecer. Você também não pode me dar o que eu quero. Você não pode me dar o que eu preciso.
Seguro sua mão e coloco a pequena aliança em sua palma.
Um pequeno tremor passa por seu corpo e eu posso jurar que eu ouvi um soluço abafado.
–Eu não posso continuar. Não posso dividir você com o seu passado.
Edward morde o lábio com força e desvia o olhar. Seu corpo tenso parece prestes a cair na minha pequena sala. Ele aperta a aliança com força em sua mão e eu temo que ele acabe se machucando.
Depois de alguns segundos ele volta a olhar em minha direção. Os olhos sombrios e úmidos.
–É isso que você quer? Terminar?
Meu coração bate forte em meu peito. Isso não era o que eu queria.
–Não. Você é o que eu quero. – Digo dando de ombros.
Edward sorri e seu olhar se ilumina por uma fração de segundos.
–Então fique comigo! – Exclama com um suspiro cansado.
–Não posso ficar com você sabendo que seu coração não é meu. – Mordo o lábio e desvio o olhar. –Eu não posso... – Respirando com dificuldade e sabendo que eu iria desmoronar, dou-lhe as costas e me afasto. – Eu tenho que ver o meu pai... Preciso fazer algumas coisas e... Só feche a porta antes de sair. – Eu não podia continuar naquela sala. Eu não podia me permitir vê-lo indo embora. Eu não suportaria isso. Apesar de tudo eu o amava. Obrigando minhas pernas trêmulas a andarem e subir as escadas, corro em direção ao meu quarto.
Quando fecho a porta do meu quarto, sinto como se eu fosse vomitar a qualquer momento. Meu estômago estava agitado assim como todas as minhas emoções.
Chorando em silêncio eu peço a Deus que ele vá embora. Eu não sei se o deixaria partir se ele subisse até meu quarto.
Depois de alguns segundos, enfim ouvi a porta abrir-se e se fechar. Dor e desespero tomam conta de mim. Estava tudo acabado e dessa vez era definitivo.
A única coisa que eu sabia e tinha plena certeza: Era que minha vida jamais seria a mesma depois dessa decisão.
Continua...
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