Notas iniciais
Olá amores! Sei que a demora foi demasiadamente longa, mas fiquei sem meu noot, o que me impossibilitou de terminar o capítulo. Enfim, eu espero que gostem do que preparei para vocês. Semana que vêm tem o penúltimo capítulo de PFM e eu já me sinto saudosa. Sentirei saudades de escrever essa história que mexeu com todos os meus sentidos e sentirei ainda mais saudade da companhia de vocês. Enfim... Boa leitura. Ps: Como eu fiquei sem noot, não tive como responder a todos os comentários, mas eu li a todos.

Bella

Já era meio dia quando cheguei ao hospital. Recuperar-me do momento tenso e doloroso com Edward não fora nada fácil. Tive que me obrigar engolir as lágrimas e sair do quarto. Não podia deixar que a dor sufocante me dominasse. Eu precisava ser forte. Eu tinha tomado uma decisão e teria que seguir em frente.

Quando chego à sala de espera sinto meu coração apertar. Alice está sentada ao lado de Ella. Por alguma razão, ter a minha amiga aqui não parecia certo. Sua presença me fazia lembrar de Edward e pensar nele era terrivelmente doloroso.

–Bella! – Exclama Alice, quando percebe minha presença.

Forço um sorriso. Ela ergue seu pequeno corpo da cadeira e vem ao meu encontro com os braços abertos.

Lágrimas inundam meus olhos, embaçando minha visão e eu me amaldiçoo por ser tão fraca.

–Eu fiquei sabendo do seu pai. – Diz ela com doçura. Afastando-se de mim, ela segura minhas mãos. Seus olhos me avaliam com atenção e ternura. – Sinto muito, Bella. Eu queria ter estado com você antes, mas só fiquei sabendo ontem pelo Edward.

Um nó se forma em minha garganta ao ouvir o nome do único homem que eu amei e isso me faz desviar o olhar de Alice.

–Está tudo bem. Quero dizer... O meu pai está bem melhor agora. – Digo com a voz baixa.

–Você está bem? – Pergunta ela com preocupação.

Obrigo-me a olhar em seus olhos.

–Sim. –Digo sem emoção. No entanto, todo o meu ser grita que não. Eu nunca me senti tão mal em toda a minha vida e fingir que está bem... Não está funcionando.

Alice me dá um sorriso caloroso.

–Aonde está o Edward? Liguei para ele mais cedo e ele me disse que iria te buscar em casa.

–Eu...- Relembro de nossa conversa e por alguma razão desconhecida, o chão parece desaparecer debaixo dos meus pés. Respiro fundo algumas vezes, na esperança da vertigem passar.

–Você está bem, Bella? – A voz de Alice parece distante. Pisco algumas vezes, tentando espantar as manchas escuras que estão impedindo que eu veja com clareza. Sinto mãos em meus ombros, como se para me impedir de cair.

–Bella, respire. – Diz uma voz cada vez mais distante. Tento respirar, todavia, isso parece uma tarefa distante e tudo o que eu consigo lembrar, antes da escuridão tomar conta de tudo, é da voz desesperada de Alice pedindo ajuda a quem quer que fosse.

Uma luz branca ofusca meus olhos quando tento abri-los. Eu estou em um quarto desconhecido que não era o meu, e com certeza não era o de Edward. Aonde eu estava mesmo? Respiro fundo e tento me erguer da cama para olhar com mais atenção o lugar desconhecido.

–Bella! – A voz doce de Alice irrompe no quarto e em seguida ela aparece no meu campo de visão. – Você desmaiou. – Ela toca minha testa com preocupação. – O que está acontecendo com você?

Relaxo meu corpo e fecho meus olhos com força. As lembranças do que havia acontecido retomam seu lugar em minha cabeça aos poucos.

–Bella. – Insiste Alice.

Abro meus olhos e balanço a cabeça em negação.

–Não quero falar sobre isso. – Digo com a voz baixa. Eu não tinha forças, nem condições de falar sobre nada. -Eu só quero sair dessa cama e ver o meu pai.

– Você desmaiou, Bella! Precisa ficar de repouso. – Repreende-me com voz firme. – E fazer alguns exames para saber se está tudo bem com você.

Sento-me na cama com muito esforço, sentindo cada fibra do meu corpo dolorido e cansado.

–Tudo o que preciso agora é ver meu pai. – As palavras saem mais altas do que eu queria. – Não estou doente, Alice. Apenas me senti mal. Com tudo o que está acontecendo é normal eu não está me sentindo bem.

Alice ergue uma sobrancelha.

–Você precisa pelo menos se alimentar. Quanto tempo faz que você não se alimenta? – Questiona-me furiosa.

Mordo o lábio, ignorando sua pergunta.

–Isabella! – Alice pronuncia meu nome com uma intensidade familiar, o que me faz lembrar-me das repreensões de Edward.

Reviro os olhos e bufo irritada.

–Eu não sei Alice. Talvez ontem... Eu não lembro. – Respiro fundo me sentindo exausta. – Eu só quero ver o meu pai... Depois podemos sair e comer alguma coisa.

Alice não parece feliz com minhas palavras e eu sei pela forma que ela me olha, que ela está pronta para me questionar.

–Por favor, Alice... Eu... Preciso muito falar com ele. – Digo com a voz baixa e calma.

Ela bufa jogando as mãos para cima num gesto de derrota.

–Tudo bem. Eu vou ficar te esperando. Você precisa se alimentar e me contar o que diabos está acontecendo.

Encontro Charlie vendo televisão. Um canal de esportes que ele adora.

–Ei! – Digo com um sorriso forçado, quando entro no quarto.

Ele sorri.

–Pensei que você não viesse.

Mordo o lábio e olho ao redor do quarto, por alguma razão, eu estava me sentindo desconfortável em olhar-lhe nos olhos.

–Você está bem, filha?

Volto meu olhar para ele por alguns segundos. Ele aparentemente está bem melhor do que estava ontem e com certeza muito melhor do que quando ele chegou aqui. Eu poderia dizer que ele já está pronto para voltar para casa.

–Eu já sei de tudo. – As palavras saem da minha boca antes mesmo que eu tente impedi-las.

Charlie baixa o olhar para as mãos.

Sinto uma dor ultrapassar meu peito. Ele havia feito de tudo para que esse dia nunca acontecesse e aqui estamos, frente a frente com a verdade. Verdade essa que ele escondeu de mim durante uma vida inteira.

–Eu a vi, Charlie... Eu falei com ela... Ela me contou tudo.

Meu pai ergue os olhos para encontrar com os meus.

–O que ela te disse? – Pergunta confuso.

–Tudo. Que ela nos abandonou... Que você deu dinheiro para que ela não me levasse para longe. – Mordo o lábio e desvio o olhar e, quando volto a encará-lo, as lágrimas queimam em meus olhos. – Sei que o Edward deu dinheiro para que ela não me procurasse. Sei que vocês têm mentido para mim durante muito tempo.

Charlie baixa o olhar novamente.

–Eu sinto muito... Filha. – Diz com a voz quebrada.

Enxugo uma lágrima que rola sobre minha face.

–Eu entendo, pai... Você fez isso porque não queria que eu soubesse a espécie de pessoa que era a minha mãe. Você só quis me proteger dela. Eu entendo o motivo que te levou a mentir. – Minha voz falha e eu luto contra o nó em minha garganta. – É doloroso saber que vocês sabiam de tudo e eu não... Mas eu entendo...

Charlie ergue os olhos para mim. Lágrimas rolam por sua face e isso me quebra.

–Você quase morreu por causa dela... Novamente...

–Bella... Eu... – Charlie morde o lábio com força e desvia o olhar. Corro até ele e o abraço forte.

–Tudo bem pai. Eu não estou brava. Eu te amo por me proteger. – Digo entre lágrimas. Essa era a verdade. Eu era grata por ele se preocupar comigo. Eu me sentia amada por ele pensar em mim e não querer que Rennée me magoasse. Eu era grata por tudo o que ele fez... Apesar de todas as mentiras, eu era grata por tudo o que o Edward fez por mim e para mim. Ele havia mentido para me proteger, assim como o meu pai. Se seu passado não fosse tão vivo e forte entre nós... Esse seria um dos motivos que me fariam amá-lo ainda mais.

–Me perdoa filha. – Súplica Charlie, segurando meu rosto.

Sorrio e toco sua face.

–Não há motivos para lhe perdoar. Eu no seu lugar faria o mesmo. – Beijo-o na face e o abraço apertado.

–O Edward nunca quis te esconder nada. – Charlie me afasta delicadamente. – Ele sempre disse que você tinha que saber o que estava acontecendo. Ele temia que você o odiasse quando descobrisse o que ele tinha feito.

A confissão do meu pai me pega de surpresa.

–Uhu! Se ele não queria me esconder, por que ele nunca me disse nada? – Questiono-o surpresa.

Charlie passa uma das mãos na barba.

–Porque eu pedi. O fiz jurar que não lhe contaria nada.

–Oh! – Mordo o lábio. – Isso explica muita coisa. – Respiro fundo e afasto-me do meu pai. Caminho até à janela do outro lado do quarto.

–Você está magoada com ele pelo o que ele fez? – A voz de Charlie parece realmente preocupada.

Olho-o de relance.

–Existem motivos mais fortes do que essa mentira que me deixaram magoada com ele. – Digo com tristeza.

–Eu não entendo... Vocês me pareciam tão bem e felizes.

Volto-me para ele e tento me manter forte.

–E estávamos.

Charlie sorri impaciente.

–O que há de errado?

Caminho de volta para o lado do meu pai e sento-me na borda da cama.

–Eu não quero falar sobre isso. Não quero lhe aborrecer com coisas banais. O que importa é que a Rennée não vai mais voltar para nossas vidas e que você está se recuperando e, que logo vai voltar para casa.

–Bella...

–Eu estou bem, pai. – Forço um sorriso. – Só estou cansada. Os últimos acontecimentos foram desgastantes. Depois de me alimentar, tomar um banho demorado e dormir durante horas, eu vou estar revigorada.

Charlie sorri.

–O Edward te ama, filha. Não sei o que está acontecendo com vocês, mas sei que ele a ama.

Sinto meu coração apertar e as lágrimas voltam aos meus olhos.

–Seja o que for... Não deixe que isso estrague um sentimento tão belo que é o que vocês compartilham. Amor assim é raro nos dias de hoje, Bella.

Baixo o olhar para minhas mãos.

–As coisas não são assim tão simples... – Minha voz sai baixa e arrastada.

Charlie toca minha mão.

–O amor não é fácil, porém, você escolheu ele... Você escolheu amá-lo. –Charlie ergue meu queixo, para que eu possa encará-lo. – Você o escolheu... Lute por ele. Vocês precisam um do outro para enfrentar os vendavais, filha. Se vocês estiverem juntos nisso, nada nem ninguém vai conseguir destruir o que vocês sentem.

Faço que sim com a cabeça e o abraço. O meu pai sempre sabe o que me dizer, mesmo quando não sabia o que estava acontecendo.

Alice me leva em um restaurante perto do hospital, o mesmo que fomos da última vez que meu pai esteve internado. Parece uma vida desde então. Tudo havia mudado. Naquela época, Edward era apenas o meu chefe o qual eu estava perdidamente apaixonada. Agora, Edward é o meu ex-Noivo. Alguém que eu amava mais do que já pensei ser capaz de amar e que me magoou mais do que pensei que alguém fosse capaz.

–O que vai querer para comer? – A voz de Alice me traz de volta a realidade.

Olho o cardápio na minha mão e nada do que está escrito naquelas folhas me parece apetitoso. Sinto um cheiro de algum alimento na mesa ao lado e meu estômago revira algumas vezes.

–Bella? – A voz de Alice chama minha atenção.

Engulo a bile em minha garganta e tento me concentrar em sua voz.

–O que você pedir está bom. – Digo com dificuldade.

–Deus! – Exclamo cobrindo a boca. Eu não estava me sentindo bem.

–Você está bem?

Olho aflita para Alice. O cheio de comida estava fazendo meu estômago entrar em conflito.

Faço que não com a cabeça e saio da mesa às pressas, quase esbarrando em um garçom que está com uma bandeja de comida e, corro até o banheiro.

Meu estômago dá voltas e mais voltas e tudo o que eu consigo fazer é ficar inclinada sobre a privada, tentando colocar para fora o que ainda não estava no meu organismo. Essa com toda certeza era a pior sensação que eu já tive nos últimos tempos.

─Bella, você está bem? ─ Pergunta Alice preocupada, do outro lado da porta.

Respiro fundo algumas vezes, tentando controlar a ânsia de vômito que me invade.

─ Eu não sei... – Sussurro, antes de ser tomada por aquela vontade súbita de colocar tudo para fora.

─Bella!

Fecho a tampa da privada e dou a descarga. Respiro fundo e fecho os olhos. O que estava acontecendo comigo? Esse desiquilíbrio está me matando!

Uma leve batida na porta me traz de volta.

─Bella?

Passo as mãos pelos cabelos.

–Eu estou bem... Eu acho. – Digo com a voz rouca e cansada. Todo aquele esforço esgotou todas as minhas forças. Eu me sentia fraca e sonolenta.

Abro a porta da cabine e dou de cara com uma Alice com feições retorcidas de preocupação. Abro a boca para lhe dizer que eu estou bem, que tudo aquilo era apenas um sinal que eu precisava me alimentar e descansar. Que aquele mal-Estar era por causa de todo aquele estresse que eu estava passando, todavia, antes que eu sequer possa dizer uma palavra, Alice dispara:

–Bella, você por um acaso está grávida?

Sua pergunta me pega de surpresa. Seguro-me na pia para não cair. Alice está louca!

–De onde você tirou isso? Claro que eu não estou. – Digo de imediato. É claro que eu não estava grávida. Eu saberia se estivesse grávida.

Alice me analisa como se não tivesse ouvido nada do que eu acabara de falar.

–Qual foi a última vez que você menstruou? – Questiona-me ela.

Sorrio sem entender.

–Alice, eu não estou grávida. – Digo enfatizando cada palavra.

Alice franze o cenho.

– Você desmaiou e colocou tudo o que não tinha para fora. – Diz ela como se fosse algo óbvio. Ela me olha como se esperando que eu fosse acordar e concordar com a loucura que ela estava falando.

–Eu não estou grávida. Seja o que for que esteja acontecendo comigo... Não é gravidez. – Respiro fundo.

–Bella?

Volto-me para encará-la. Alice fica me encarando, como se esperando que eu aceitasse a possibilidade de que ela esteja certa. A quem eu quero enganar?

–Deus! – Exclamo com a voz baixa. Cubro o rosto com as mãos e tomo longas respirações.

–Quanto tempo? – Pergunta ela novamente.

Faço as contas mentalmente. Minha menstruação nunca fora regular, no entanto nunca sofri com a falta dela. Até agora. – Umas três semanas, eu acho. – Minha voz vacila no final da frase. Baixo os olhos para meus pés. Estava tão eufórica com minha volta com o Edward e com o noivado, que eu tinha esquecido completamente desse pequeno detalhe. Como eu pude ser tão desatenta? Quando eu esqueci de tomar minha pílula? Ela deveria funcionar, certo? Deus! O que eu faria agora?

Respiro fundo, repetidas vezes. Isso não estava acontecendo. Não agora.

O chão começa a girar em meus pés e eu tento me segurar no balcão de mármore com toda a minha força.

–Bella, respire. Vai ficar tudo bem. – A voz de Alice me traz de volta. Sinto suas pequenas mãos em meus ombros e eu sou obrigada a voltar meu olhar para ela.

Seus olhos me avaliam com atenção. Um sorriso gentil e caloroso nasce em seus lábios.

–Vai ficar tudo bem. – Repete ela, como se esse fosse seu mantra. Como se ela quisesse acreditar em suas próprias palavras. Eu queria desesperadamente acreditar nela.

Em vez de almoçarmos como tínhamos combinado, Alice me arrastou para fora do restaurante e me levou a uma farmácia, onde compramos oito tipos diferentes de testes de gravidez.

Eu não tinha certeza se queria realmente fazer aquilo. A ideia de estar grávida era assustadora. Tudo estava um caos na minha vida. Meu pai estava doente, eu tinha rompido com o Edward e tudo estava de cabeça para baixo. Eu não tinha certeza se esse era realmente um bom momento para se ter um bebê.

Em casa, trancada no pequeno banheiro, enquanto espero o resultado que mudará para sempre minha vida, penso em tudo o que aconteceu até esse momento. Eu tinha sido abandonada por uma mulher que se dizia ser minha mãe. Fui criada por um homem que me deu tudo. Um homem que deu tudo de si para que eu pudesse ser feliz.

Eu tinha me apaixonado perdidamente por um homem que tirara tudo de mim. E agora eu provavelmente estava grávida.

Grávida de um filho do Edward.

Sinto as lágrimas queimarem em meus olhos ao pensar nele. Eu o amava tanto. Havia sonhado com um futuro para nós durante todos os dias desde a nossa volta. Esse deveria ser um momento compartilhado por nós dois. Um momento do qual estaríamos sorrindo, felizes com a possibilidade de termos um filho.

Eu não podia fazer isso sozinha. Pouso minhas mãos sobre o meu ventre. As lágrimas rolam por minha face. A dor da perda e do medo tomam conta de mim.

Fecho os olhos com força, incapaz de olhar o resultado nos testes.

–Bella, qual o resultado? – A voz impaciente de Alice me tira do meu devaneio.

Abro os olhos e respiro fundo.

–Eu não consigo, Alice. – Digo com a voz trêmula. Cubro a maçaneta com a mão trêmula e abro a porta.

Alice está parada ao pé da porta, como uma expressão eufórica e esperançosa, como se estivesse esperando que eu lhe dissesse que havia descoberto a cura do câncer. Como ela não podia ver o quão assustador aquilo era para mim?

–Eu não posso Alice... Eu não... – Minha voz engasga. Eu não sabia o que dizer. Alice envolve-me em seus braços.

–Está tudo bem. – Diz com a voz doce.

Balanço a cabeça em negação. Não estava tudo bem e provavelmente não ficaria depois do resultado.

–Não precisamos nos desesperar agora, ok? – Ela afasta-me com cuidado. – Pode ser que você esteja certa. Pode ser estresse. Foram tantas coisas nos últimos dias.

Dou-lhe um sorriso fraco e agradecido. Ela toca minha face capturando uma lágrima.

–Vamos olhar logo esse resultado e vamos comer. Você deve está morta de fome.

Faço que sim com a cabeça e volto para o banheiro.

Hesitante, me obrigo pôr fim nessa tortura. Meus olhos não acreditam no que estão vendo. Isso realmente não estava acontecendo comigo.

–Qual a probabilidade desses oito testes estarem errados? – Olho de relance para Alice, que continua em pé na porta esperando pelo veredito.

–Como? -Pergunta surpresa. Alice invade o banheiro, me empurrando para o lado. – Ah meu Deus! – Exclama ela voltando-se para mim.

Engulo em seco.

–Devem estar errados. — Digo com um sorriso fraco e assustado.

Alice olha para os testes como se cogitando a minha hipótese sem cabimento e volta-se para mim.

–Todos positivos, Bella. Você está grávida.

Dou um passo para trás e colido com a parede fria.

–Ah meu Deus! – As lágrimas banham meu rosto. Levo as mãos novamente até o ventre em um ato totalmente protetor. Eu estou grávida! Grávida de um filho do único homem que eu amei. Uma criança fruto do imenso amor que eu sinto pelo Edward. Todo medo que eu sentia a pouco se transforma em um sentimento muito maior. Um sentimento inexplicável. Claro que eu estava ciente do quanto minha vida mudaria a partir de então, no entanto isso não importava. Eu teria esse filho mesmo em meio a tantos conflitos e cuidaria dele. Eu daria o meu melhor e mesmo que eu estivesse sozinha nessa, eu iria lutar por essa criança – Eu vou ter um filho! – Balbucio entre lágrimas.

Alice sorri emocionada.

–Eu vou ser tia! – Exclama eufórica e me abraça. – Parabéns, Bella. – Ela afasta-se de mim ainda sorrindo. – Eu estou tão feliz.

Sorrio em êxtase. Eu também estava feliz. Sempre sonhara em ser mãe e mesmo no meio de todo esse caos e morrendo de medo do que viria a seguir, eu estava feliz. Eu faria de tudo para que esse bebê fosse feliz.

–O Edward vai ficar louco quando souber. – Diz Alice sorrindo.

Desfaço meu sorriso.

–O Edward não pode saber disso. – Digo com a voz firme. Por mais que ele fosse o pai, eu deveria decidir o que aconteceria de agora em diante. Não estávamos mais juntos e eu não queria que ele se sentisse ligado a mim apenas por causa do bebê, por mais que esse fosse um laço que nenhum de nós poderia quebrar agora. Estaremos unidos para sempre, mesmo que não estejamos juntos.

Alice ergue uma sobrancelha esperando por uma explicação. Com toda confusão das últimas horas, eu esqueci de lhe dizer que eu e o Edward tínhamos terminado.

–Eu e o seu irmão não estamos mais juntos. – Digo com indiferença forçada.

–Como assim, não estão mais juntos?

Respiro fundo e sorrio sem humor.

–Se vamos mesmo ter essa conversa, podemos pelo menos sair do banheiro? Esse lugar é muito pequeno para nós duas.

Alice permanece quieta enquanto escuta minha história. Conto-lhe tudo. Desde suas palavras na festa dos seus pais, como o fato do seu passado sempre está entre nós e o fato dele ter mentido para mim sobre minha mãe.

Falar de tudo para ela me fez perceber que tudo realmente era real. Cada momento que eu havia descrevido para ela nessa curta conversa, tinha mesmo acontecido e com uma intensidade que nem eu mesma podia explicar.

–Eu sei que ele te magoou, Bella, mas sei também que ele te ama. Tenho certeza que há uma explicação para o que ele fez e disse.

Respiro fundo e passo as mãos nos cabelos.

–Eu estou exausta de todas as explicações que ele já me deu. Não quero e não posso acreditar que haja uma explicação para suas atitudes. Ele me disse coisas horríveis. Palavras que ficam se repetindo diversas e diversas vezes em minha cabeça. – Enxugo uma lágrima e ergo-me do sofá. – Eu não posso viver uma vida ao lado do seu irmão, sabendo que sempre haverá alguém mais importante do que eu na vida dele. Que ele sempre amará mais a ela do que a mim. –Caminho até a janela e me perco por alguns segundos no tempo. Eu tinha algo mais importante no momento para pensar. Eu estava esperando um filho e ficar me desgastando era prejudicial a criança. Por mais doloroso que fosse, eu teria que seguir em frente e ser forte. Essa criança precisa exclusivamente de mim e eu teria que dar o meu melhor para ele. –Foi melhor assim. Temos vidas diferentes e pensamentos diferentes. Não seríamos felizes. Eu não sou a Irina. – Volto-me para Alice que me olha com olhos arregalados. – É ela que ele ama. É ela que ele procura em mim. – Sorrio tristemente. – Eu não posso ser ela e ele não pode me amar do jeito que sou.

–Mesmo assim... Ele tem direito de saber que será pai. – Alice ergue-se do sofá e caminha até mim. Sua postura está ereta e confiante. Ela se parece muito com o irmão as vezes. – Por mais babaca que o Edward tenha sido com você... Ele tem direito de saber de sua gravidez. Você deve isso a ele, Bella.

Penso nos últimos acontecimentos. Eu não devia isso a ele.

–Isso é uma escolha minha. Só cabe a mim decidir se ele saberá ou não.

Alice franze o cenho. Seus olhos me avaliam com acusação.

–Ele é o pai, Bella!

–E eu sou a mãe, Alice! – Grito. – Esse filho é meu. Ele já me tirou tudo. Eu... Eu não posso dar esse presente a ele agora. Não depois dele ter me destruído. Ele brincou comigo... Você tem ideia do quanto eu estou sofrendo?

Alice respira fundo.

–Você está certa. Cabe a você decidir se ele deve ou não saber.

Fungo, enxugando as lágrimas com as costas das mãos.

–Não estou dizendo que ele nunca saberá. Só estou dizendo que... Eu só não quero que ele saiba agora. Eu preciso de um tempo para assimilar tudo. A gravidez, o nosso término. Tudo. Estou tão confusa, triste e feliz. Deus sabe o quanto eu queria está compartilhando esse momento com ele. O quanto eu queria que estivéssemos bem. – Mordo o lábio para controlar o tremor. – Eu só não sei como lidar com tudo isso que eu estou sentindo. Eu não estou pronta para dividir esse momento com ele. Não depois de tudo o que ele me disse e não depois de tudo o que eu disse a ele.

Alice assente com a cabeça e segura minhas mãos.

–Eu não fazia ideia que isso estava acontecendo... O Edward te ama tanto... Eu nunca o vi tão feliz. Eu sinto tanto que ele tenha estragado tudo. – Ela toca minha face. – Você foi um milagre na vida dele. Há anos que não o via tão vivo. Seja o que for que esteja acontecendo... Tenho certeza Bella, que ele não teve a intenção de te ferir. Eu estou sendo sincera... Eu o conheço. Sei o quanto a morte da Irina o afetou e sei também o quanto ele te ama.

Afasto-me de Alice dando-lhe as costas.

–Eu não quero mais falar disso. Cada vez que tento entender o seu irmão tudo fica mais embolado. Reviver suas palavras doem muito. – Volto-me para ela. – Eu o amo, Alice. Só que não posso ceder dessa vez, por mais que a possibilidade de nunca mais estar com ele seja dolorosamente perturbadora. Eu não posso ceder e também não posso viver com o fantasma do passado entre mim e ele.

Alice força um sorriso. Eu sabia o quanto era difícil para ela escolher um lado. Ela me amava, todavia ela amava ainda mais o irmão e ela lutava para protegê-lo. Por alguma razão ela acreditava no que ele dizia sentir por mim. Ela acreditava que tudo tinha uma explicação. Eu gostaria de acreditar também. Gostaria de ter a mesma fé nele e no amor que ele sente por mim, assim como ela tinha.

Eu não tinha mais fé. Eu não precisava disso no momento. Tudo o que eu precisava era de força. Força para erguer minha cabeça e seguir em frente.

Por mais doloroso que fosse essa nossa separação, essa era a minha realidade agora e eu tinha que enfrentá-la de cabeça erguida.

Continua...

Notas finais
Edward meu filho, prevejo grandes lutas para você reconquistar o coração e a confiança da Bellinha. To torcendo por você. Espero que tenham gostado. Comentem. beijinhos e até mais.