Notas iniciais
Boa noite leitores. Em primeiro lugar, quero pedir desculpas pela demora. Estive doente esses dias... Pra ser bem exata esses quinze dias e não pude trabalhar em PFM, por isso não estive atualizando a fic e não respondi aos comentários. Mas, saibam que eu li todos. Obrigada por cada comentário. Queria poder ter respondido, mas como eu disse, estive doente e ainda estou. Enfim... Espero que gostem do capítulo. Vou tentar postar outro semana que vem. Boa leitora.

Bella

Agora...

Abro os olhos preguiçosamente. Meu corpo parece descansado, porém minha mente está agitada como se um turbilhão de lembranças estivesse se agitando em minha cabeça.

Como um filme passando rápido diante dos meus olhos.

Os últimos acontecimentos navegam em minha cabeça e meu coração se agita. Recordo da discussão com Tanya. Minha briga com Edward... Suas palavras... Sinto um aperto no meu peito e instintivamente olho para o lado da enorme cama de casal e noto que está vazia. Eu sabia que estava no apartamento de Edward e sei também que provavelmente não exista mais nada entre nós. Sinto as lágrimas arderem em meus olhos. Sento na cama e puxo meu joelho até a altura do peito. Suas palavras na noite passada fora cruel e mesmo que ele diga que tudo que dissera fora da boca para fora, eu não sei se serei capaz de perdoá-lo. De esquecer o quão doloroso fora ouvir aquelas coisas.

Respiro fundo, na tentativa em vão de acalmar a agitação dentro de mim.

Fecho os olhos com força e tento me lembrar do por que, que estou aqui.

–Meu pai!... – Abro os olhos e olho ao redor em busca de minhas roupas.

As lembranças retornam com tudo a minha mente, deixando-me desnorteada.

Eu preciso voltar para o hospital e me certificar que tudo está bem com o meu pai.

Ergo-me da cama e percebo que foram deixadas roupas limpas minha, em cima da poltrona. Uma calça jeans e uma regata.

Visto-me apressada e corro para o banheiro para escovar os dentes. O creme dental queima em minha boca e sinto-me como se algo tivesse me feito mal na noite anterior. Provavelmente a bebida estava fazendo efeito.

Meu estômago se revira e eu tento conter a ânsia de vomito que me invade. Curvo-me na privada e deixo que a bebida da noite anterior saia do meu organismo.

–Bella! O que há de errado? – A voz assustada de Edward me pega de surpresa. Fecho a tampa da privada e sento-me nela. Respiro fundo algumas vezes, tentando fazer o mal estar ir embora.

Sinto o calor da mão de Edward em minha testa e mesmo estando triste e magoada por tudo o que eu ele me disse na noite anterior. Sinto-me bem com seu contato, como se de alguma forma eu estivesse protegida.

–Você está gelada. – Diz com a voz baixa. Sua voz é tão suave e rouca que faz meu coração bater mais forte.

Abro os olhos e o olho por alguns segundos. Seu olhar preocupado esconde o verdadeiro sentimento por traz do cinza dos seus olhos.

–Eu estou bem.- Digo meio sem jeito. Coloco uma mecha de cabelo atrás da orelha.

Edward retira sua mão da minha testa e a coloca dentro do bolso da calça.

–Melhor você comer algo antes de irmos ao hospital. O Charlie acordou e quer muito vê-la. – Sua voz é baixa e neutra, o que me leva a acreditar que ele está me escondendo alguma coisa.

Sinto meu coração bater mais forte. Levanto-me com dificuldade e me seguro na pia que parece um tanto distante de mim agora.

–Aconteceu alguma coisa que você não quer me dizer?

Edward desvia o olhar por alguns segundos antes de voltar-se para mim novamente.

–O quadro dele não é dos melhores. Ontem depois que você saiu, ele teve outro infarto... Por sorte os médicos conseguiram trazê-lo de volta.

Sinto-me tonta por suas palavras.

–Deus! –Respiro fundo à medida que o mundo parece dar voltas diante dos meus olhos.

Sinto as mãos de Edward em torno de mim.

–Bella, respire. – Ordena ele. E eu tento, tento respirar, no entanto o nó que formou-se em minhas garganta me impede de obedecê-lo.

Sinto meu corpo chacoalhar e eu demoro alguns segundos para perceber que o tremor em meu corpo é causado pelos soluços histéricos que escapam de minha garganta.

–Eu não posso perdê-lo. –Digo entre soluços.

–Você não vai. –Diz Edward, segurando meu rosto com as mãos. – Eu prometo que tudo ficará bem. – Diz com a voz doce e eu quero acreditar nele. Quero acreditar em suas palavras e em seu amor, porém eu não posso. Ele já me magoou demais. Suas promessas de me fazerem feliz fora um fracasso e eu não podia voltar a acreditar nele. Entretanto esse não era o momento para discutir nossa relação. Há coisas mais importantes no momento do que minha vida pessoal com o Edward.

–Eu preciso ver o meu pai. Me leve agora. – Digo com a voz baixa.

Edward morde o lábio e toca minha face.

–Primeiro alimente-se e depois te levarei ao hospital. – Diz de forma autoritária.

Faço que sim com a cabeça e o deixo me guiar para fora do banheiro.

Quando chegamos ao hospital, encontramos Ella sentada na sala de espera. Suas feições estavam abatida. Sinal que ela passara a noite toda aqui.

–Ella, como está meu pai? – Solto-me do braço de Edward e me sento ao lado dela.

Ella me dá um sorriso cansado.

–Estive com ele há pouco. Ele está melhor.

Sinto o alivio tomar conta de mim.

–Eu quero vê-lo. –Digo segurando as mãos de Ella.

Ela olha por sobre meu ombro. Seu olhar parece preocupado e triste ao fitar Edward, que está parado bem ao meu lado.

–Ella...

Ela volta-se para mim e força um sorriso.

–Ele está a sua espera, Bella. – Ela toca minha face com carinho e aperta minha mão. – Você precisa ser forte... Não se sabe ainda se ele... Se ele está ou não fora de perigo. – Suas palavras fazem com que todo o meu mundo se agite. Sinto meu coração bater mais forte e um tremor de puro medo ultrapassa meu corpo. Respiro fundo e luto contra as lágrimas que queimam em meus olhos. Eu precisava ser forte. Por mim e pelo meu pai.

–Tudo bem. – Digo com a voz firme e me ergo da cadeira. Sinto as mãos de Edward em minhas costas, como se eu a qualquer momento fosse cair. Na noite anterior quando eu o vi aqui eu senti como se estivesse segura, todavia agora, é como se sua presença fosse errada. Sinto-me desconfortável com o seu toque e a forma como ele age. Como se tudo o que ele me dissera tivesse sido esquecido.

Olho-o por sobre meus ombros.

–Eu estou bem. Eu prefiro ir sozinha. – Desvio meus olhos dos seus antes que eu me sinta culpada demais por não querê-lo por perto e caminho pelo corredor, sozinha e pedindo a Deus que ele não leve minha única família embora.

–Ei! Você chegou. – Diz Charlie com a voz um pouco arrastada quando entro no quarto. Sua aparência não está das melhores, mas pelo menos ele ainda está vivo e consciente. Forço um sorriso e caminho até a poltrona ao lado de sua cama.

–Não. – Ele diz antes que eu me sente e bate ao lado da sua cama. – Sente-se aqui comigo. — Sorrio e faço o que ele pede.

Charlie segura minha mão e a leva aos lábios depositando um beijo suave.

Sinto meu coração ficar apertado e as lágrimas queimam em meus olhos.

–Como você está?

Charlie franze o cenho e sorri.

–Acho que o cara lá de cima não me quer com ele agora... Então, acho que considerando que ainda estou falando... Eu estou bem. – Ele tenta ser engraçado, no entanto suas palavras fazem com que um soluço escape de minha garganta.

–Ei... – Charlie toca minha face capturando uma lágrima. – Está tudo bem. – Sua voz é fraca e ao mesmo tempo firme, como se ele estivesse tentando acalmar meu coração.

Fungo e fecho os olhos com força, buscando no fundo da minha alma uma forma de tornar aquele momento melhor, menos desesperador.

Abro os olhos e respiro fundo.

–Eu não posso te perder... – Digo com a voz engasgada e outro soluço escapa de minha garganta, dessa vez, mais alto. – Você é tudo o que eu tenho pai. Você é minha única família.

–Não, Bella... Você tem o Edward agora. – Charlie segura minha mão e seus olhos me avaliam com atenção.

Sinto uma dor ultrapassar meu peito com a menção do nome de Edward. Como eu diria a ele que isso já não era verdade? Que eu já não podia mais contar com ele? Edward havia chegado a uma linha perigosa e delicada em nossa relação. A noite passada me fizera enxergar que eu não podia depositar minha confiança em seu amor. Tudo estava errado e eu deveria consertar esse erro, mesmo que isso significasse perdê-lo para sempre.

–O que foi? – Sua voz preocupada me fez voltar à realidade. Eu não podia me abrir com o meu pai. Ele não precisava se preocupar com meus “dramas” pessoais. Ele era minha prioridade agora.

–Nada... Só não quero perder você. Eu... Não suportaria. – Digo com a voz engasgada e Charlie me puxa para seus braços. O abraço, tendo cuidado com os fios que estão presos as suas veias e me aninho em seu peito.

Charlie cuidadosamente afaga meus cabelos com uma mão e a outra tenta apertar-me forte contra seu peito.

–Tudo vai ficar bem... – Diz ele num sussurro.

Mordo o lábio a fim de abafar um soluço. Tarde demais. As lágrimas jorram de meus olhos e já não posso conter os soluços. A dor e o medo são tão intensos que fazem com que meu coração bata forte em meu peito.

Tudo o que eu consigo pensar é que talvez esse seja o fim... Meu coração não aceitava essa possibilidade. Eu não estava pronta para ficar sozinha.

Depois de um tempo demasiadamente longo, minhas lágrimas e meus soluços cessam. O silêncio torturante paira no quarto e a única coisa que consigo ouvir nitidamente é o som do coração do meu pai, que vem da máquina ao lado de sua cama.

Afasto-me dele cuidadosamente.

Seus olhos estão marejados e úmidos.

–Preciso lhe contar uma coisa e preciso que você me entenda. – Diz Charlie com dificuldade. Ele abre a boca para continuar, no entanto nesse exato momento a única pessoa nessa terra que eu desejava nunca mais voltar a ver, entra no quarto com um sorriso nos lábios como se nada tivesse acontecido.

–Como se sente, senhor Swan? – Pergunta Tanya, diretamente ao meu pai. Ela me olha de canto de olho, quando se aproxima da cama para verificar as máquinas que estão ligadas ao meu pai.

–Estou me sentindo bem melhor doutora. – Diz ele com um meio sorriso.

–Se não se importa, Isabella, seu pai precisa descansar. Ele já teve visitas demais por hoje. – Diz ela sem me olhar.

Engulo em seco e olho para meu pai.

–Eu volto amanhã pai. – Sorrio e aperto sua mão.

–Por favor, fique apenas mais um minuto... Eu realmente preciso lhe dizer uma coisa. – Insiste ele.

–O senhor tem que descansar. Seja o que for, pode esperar até amanhã. – Diz Tanya com uma voz doce e enjoativa. Respiro fundo e tento bloquear a vontade que sinto de esbofeteá-la novamente.

–Descanse pai. Prometo que estarei aqui amanhã. Assim você poderá me contar o que quiser. Mas, por hora... Apenas descanse e trate de melhorar. – Digo docemente. Ignoro Tanya bem ao meu lado e me inclino para beijar a testa do meu pai. – Eu te amo. – Digo baixinho.

Charlie aperta minha mão e força um sorriso.

–Certo, então. – Diz carrancudo. – Eu te amo, filha. – Diz com a voz baixa.

Sorrio e lhe beijo novamente antes de sair do quarto.

Quando fecho a porta do quarto aonde deixei o meu pai e a vaca oxigenada de jaleco, escoro-me na parece e respiro algumas vezes. As últimas vinte e quatro horas foram exaustivas e eu não sabia ao certo como lidar com toda essa montanha-russa de emoções.

A porta abre-se, dando-me um susto.

–Isabella. – A voz de Tanya faz com que eu dê um sobressalto. –Eu gostaria mesmo de falar com você. – Diz com o tom azedo.

Volto-me para ela. Tento deixar meu rosto livre de emoções.

–Eu não tenho nada para falar com você. – Digo simplesmente e dou-lhe as costas. Começo a caminhar, no entanto Tanya segura meu braço fazendo-me girar.

–Você acha que depois do seu showzinho de ontem, o Edward vai levar essa loucura de casar-se com você adiante? – Questiona-me com sarcasmo.

Sorrio de forma fria para ela e me solto da sua pecada.

–E por um acaso você acha que ele vai querer alguma coisa com você? – Sorrio e balanço a cabeça em negação. – Posso não ser tudo o que o Edward quer. Posso não ser perfeita para ele. Posso até não ser a mulher que ele ama... No entanto, de uma coisa eu estou certa... Ele preferiria passar o resto de seus dias sozinho a ficar com a cópia imperfeita da mulher que um dia fora sua vida. – O rosto perfeito de Tanya empalidece por um segundo. Ela respira fundo e ergue o queixo em ar de superioridade. – Ele nunca te olhará como um dia olhou para Irina... Você não é ela... Então pare de tentar ser... Ele não a ver da mesma forma que você o ver.

Forço um sorrio e saio sem olhar para trás. Dizer tais palavras fora libertador, no entanto a realidade de cada uma delas deixava meu coração demasiadamente dolorido. Eu também não podia competir com o amor que ele sentia por Irina... Ele jamais me olhará como um dia olhou para ela, nem tampouco me amará como um dia a amou.

Enxugo uma lágrima do meu rosto antes de chegar ao corredor de espera, onde Edward e Ella estão me esperando. Paro subitamente quando ouço a voz de Ella quase aflita.

–Ele me pediu que não dissesse nada a Bella... Ele mesmo quer falar com ela sobre o que aconteceu ontem. – Diz ela, tentando manter a voz controlada. Dou uma espiada cuidadosamente e vejo as feições de Edward se retorcer.

–Eu não acredito que depois de tudo ela teve a coragem de voltar! – Exclama Edward exasperado.

Sinto um nó na garganta. De quem eles estavam falando?

–O que você está fazendo aqui? – A voz fria e cortante de Edward me pega de surpresa e por um segundo penso que ele me pegou literalmente ouvindo sua conversa escondida, no entanto outra voz se justifica e eu percebo que eles ainda estão alheios a minha presença.

–Quero saber como o Charlie está... Quero ver a minha filha! – Diz uma voz familiar.

Meu coração para de bater por alguns segundos e eu sinto como se a qualquer momento eu possa desabar no chão. Respiro fundo algumas vezes e digo a mim mesmo que isso não é real. Não pode ser real.

–Por favor, esse não é o lugar e nem à hora de você aparecer aqui. – Diz Edward com a voz feroz. Seja o que quer que tenha acontecido ele parecia... Zangado?

–Eu disse que não aceitaria nada seu... Eu preciso ver a minha filha. – Diz ela com a voz alta o suficiente para todos a sua volta escutar.

O mundo gira algumas vezes diante dos meus olhos e eu tenho dificuldade para respirar. O que diabos esta acontecendo? Forço-me a caminhar até o corredor, no entanto minhas pernas não me obedecem... Fico travada no mesmo lugar como se meus pés tivessem colado no chão.

–Você não acha que já não fez o suficiente? O Charlie poderia ter morrido com sua aparição repentina. – Rosna Edward. Não precisei olhar para seu rosto para saber o quão furioso ele estava. Suas palavras chegaram até mim, deixando-me entorpecida e confusa. O que ele estava falando? Por que eu não conseguia me mover?

–Eu só quero vê-la... Depois eu vou embora. – Diz ela depois de uma longa pausa.

–Não vou permitir que você se aproxime dela. Não permito que você se aproxime da Bella. – O tom de voz que Edward usa é ameaçadoramente assustador.

–Isso não é algo que você tem que decidir. – Diz ela por fim. A voz dura e firme como se Edward não lhe colocasse medo algum.

Sinto as lágrimas arderem em meus olhos. Sua voz parecia tão família e ao mesmo tempo tão estranha. Eu provavelmente estava dormindo.

–Você teve tudo o que pediu. Agora a deixe em paz. – Rosna Edward, dando ênfase a cada palavra.

O que eu havia perdido?

–Você disse certo... Tive. Agora já não é mais o suficiente. – Diz ela com a voz fria e confiante.

Fecho os olhos e respiro fundo algumas vezes. Não podia sair correndo sem que eles saibam que eu estava ouvindo toda a conversa e também não poderia voltar para o quarto do meu pai. Eu estava encurralada e teria que enfrentar esse pesadelo.

Abro os olhos e forço meus pés a saírem do lugar e quando enfim saio do meu esconderijo, seis pares de olhos me encaram surpresos e assustados.

O cabelo castanho claro ondulado da mulher de pele pálida, que me olhava com grandes olhos azuis, parecia tão familiar. Ela era bem mais velha do que eu conseguia recordar, no entanto, existia algo familiar na forma como ela me olhava. Algo como uma lembrança perdida no tempo, das poucas noites em que ela me colocava na cama e me contava histórias para que eu pudesse dormir. Algo familiar como uma lembrança dos raros momentos em que ela fazia nosso café da manhã e cantava alegremente.

Sua voz ao me dizer que me amava enquanto me segurava em seus braços, após eu cair de bicicleta.

Sinto as lágrimas queimarem em meus olhos. Há anos que essas lembranças foram esquecidas. Ela havia ido embora quando eu tinha apenas cinco anos. Ela tinha abandonado um excelente marido e sua filha pequena. Ela tinha ido embora e agora... Depois de anos, ela resolveu voltar.

–Bella! – Exclama Renée, a voz quase num sussurro. Ela dá um passo na minha direção, todavia Edward é mais rápido se colocando a minha frente, como se estivesse me protegendo de algo.

–Já disse para você ficar longe dela. – Diz ferozmente. Sua voz furiosa dando-me calafrios.

–E eu já lhe disse que isso não é decisão sua. – Vocifera Renée, com a voz firme, dando mais um passo na minha direção.

Edward enlaça seu braço na minha cintura me puxando para mais perto.

–Estamos em um hospital. É melhor mantermos a calma. É da vida do Charlie que estamos falando. – Repreende Ella. Ela havia se mantido calada durante toda a discussão de Edward e minha mãe. Entretanto ela estava certa, não podia continuar com isso aqui. Se o que o Edward disse for verdade. O meu pai está naquela cama por causa de algo que Renée disse.

Por sobre o ombro de Edward consigo ver o olhar decidido da minha mãe.

–Eu só quero falar com você, Bella. – Diz ela com a voz suave.

Edward gira a cabeça para me olhar nos olhos.

–Você não precisa fazer isso. – Diz ele cauteloso. – Você não deve nada a ela. – Suas palavras me pegam de surpresa e trechos da conversa que eu acabei escutando volta com tudo.

–Você sabia... Sabia que ela estava aqui? – Minha voz saí arrastada e baixa demais.

Edward franze o cenho e volta-se completamente para mim. Seu corpo grande bloqueando a visão de minha mãe. Ele segura meus ombros com cuidado.

–Conversaremos sobre isso em casa. – Ele diz suavemente.

“Eu já disse que não quero nada de você” – As palavras de Renée ecoam na minha cabeça e eu o olho incrédula.

–Ofereceu dinheiro a ela? – Questiono-o confusa.

Edward me olha sem entender.

–Você ouviu nossa conversa? – Sua voz é dura.

Sinto-me encolher por dentro.

Faço que sim com a cabeça, incapaz de pronuncias qualquer coisa. As últimas horas haviam sido demais para mim. E agora, quando eu pensava que nada poderia ficar pior, o destino me mostra o quão inocente eu sou. Já deveria entender que quando se trata da minha vida o pior nunca é o bastante. Parece que nunca nada é o bastante.

–Bella...

–O que mais é uma mentira, Edward? – Pergunto antes que ele possa concluir o que começou a dizer.

Minhas palavras lhe pegam de surpresa. Ele passa as mãos pelos cabelos, perdido e confuso. Seus olhos desviam dos meus por um momento.

–Eu sinto muito. – Diz voltando a olhar-me nos olhos. – Eu não queria mentir para você...

–E por que mentiu? – Grito. – Eu... Eu não quero mais te ouvir.

–Bella...

–Não. Edward, não. Só... Só vá embora. – Digo dando um passo para longe de suas mãos. – Eu não quero te ver ou te ouvir... Não agora... Não hoje... – Engasgo e fecho os olhos com força. Tudo estava tão confuso. Haviam sido tantas coisas. Nossas brigas, reconciliações. Seu pedido de casamento, festa dos seus pais. A maldita briga com a Tanya. Suas palavras ao me dizer que nunca me amará como amou a Irina. Seu olhar frio ao meu deixar sozinha no estacionamento. Seus braços acolhedores me apoiando depois do enfarte do meu pai. Tudo girando na minha cabeça... E agora a volta da minha mãe e ele mentindo para mim. Ele sempre me escondendo alguma coisa. Sempre me magoando com seus segredos. – Eu não consigo lidar com você agora... Não depois de ontem e... – Abro os olhos e o encaro. Seu olhar cinzento escurece ao encontrar com os meus olhos. – Só vá para casa... Não estou pronta para ouvir ou falar com você. – Digo com a voz trêmula.

Edward passa as mãos pelos cabelos e maneia a cabeça. Seus olhos parecem desesperados, como se eles estivessem gritando para mim, palavras que eu já não consigo decifrar.

–Eu realmente sinto muito... Por tudo. – Ele morde o lábio e ergue a mão para tocar minha face. Instintivamente dou um passo para longe do seu toque.

Seus olhos se arregalam como se eu tivesse acabado de lhe dá um tapa na cara. Sua mão caí pesadamente na lateral do seu corpo.

–Eu estarei te esperado quando você quiser falar sobre isso. – Diz ele com a voz quebrada.

Sinto todo o meu corpo doer com a intensidade de seu olhar. Eu estava ferida. Ele havia me ferido, no entanto ele me olhava como se eu tivesse causado a ferida em seu peito.

Ele espera alguns segundos, como se esperasse que eu lhe dissesse alguma coisa. Nada digo. Edward absorve meu silêncio com tristeza e então vai embora.

Depois de alguns segundos que parecem uma eternidade, olhando para o corredor vazio por onde Edward desapareceu. Respiro fundo e volto-me para a mulher que deveria significar alguma coisa para mim, além de uma gaveta rasa de lembranças retorcidas.

–O que faz aqui? – Pergunto com a voz firme.

Renée parece desconcertada com minhas palavras.

–Eu só queria te ver, minha filha. – sua voz é um murmúrio baixo.

–Eu não sou sua filha. – Digo friamente. – Agora vá embora.

–Não sem antes falar com você.

Sorrio sem humor.

–Não tenho nada para falar com você.

Renée morde o lábio e uma lágrima rola sobre sua face.

–Por favor, Bella, só um minuto. Depois eu prometo que vou embora e nunca mais voltarei. – Sua voz é triste e com um toque de dor.

Olho de relance para Ella que parece perdida. Ela força um sorriso para mim como se estivesse dizendo que está tudo bem. Então dou conta que ela também sabia... Todos sabiam sobre Renée, menos eu.

Olho novamente para a figura destorcida da lembrança que tenho da minha mãe. Há muito tempo eu desejei que ela voltasse. Eu sonhava que ela me diria que havia se arrependido por ter ido embora e me pediria perdão por todos esses anos. No entanto esses foram desejos esquecidos com o tempo. Eu já não quero ver a minha mãe há anos. Eu não quero uma explicação para seu abandono e não quero ouvi-la. Contudo, se essa era a única forma de fazê-la ir embora para sempre dessa vez, eu iria lhe ouvir.

–Seja breve. – Digo friamente e saiu com passos largos pelo corredor.

Continua...

Notas finais
... Essa conversa promete... Não deixem de comentar. Beijos e até a próxima.