Perfect For Me
27 Capítulo 26
Notas iniciais
Edward
Antes...
Tomo umas duas doses de uísque com o meu pai no escritório e falamos sobre o trabalho na empresa.
Carlisle está feliz que eu esteja dando a volta por cima e enfim esteja seguindo minha vida.
Quando voltamos para a festa, a fim de encontrar com Isabella e lhe apresentar a alguns amigos, acabo esbarrando em Sasha, que conversa com alguns amigos da nossa família.
–Querido. – Ela diz sorrindo e estende a mão em minha direção.
Sorrio e seguro sua mão.
–Sabe, estou muito feliz que você esteja dando a volta por cima. – Ela usa seu melhor tom de voz.
Caminhamos de braços dados por entre as pessoas até um lugar um pouco mais reservado. Eu sabia que ela queria me dizer alguma coisa.
–A sua noiva parece ser uma pessoa adorável. – Diz ela forçando um sorriso.
Vejo em seus olhos que apesar de suas palavras serem gentis, ela não está confortável com o que está dizendo.
Sinto-me desconfortável por essa situação. Eu não imaginava que minha relação com a Bella afetasse tanto assim a família Denalli.
–A Isabella é uma boa moça. Ela é uma pessoa especial. – Tento parecer normal diante de minha confissão, todavia o olhar que ela lança em minha direção, me faz sentir-me como se eu estivesse traindo a memória de Irina. – Sasha, eu amei a Irina. Ela foi muito importante para mim e eu vou lembrar-me dela para sempre. No entanto, eu estou vivo e eu preciso viver minha vida. Não posso ficar preso a lembrança dela para sempre. – Dizer tais palavras, não fora fácil, porém era necessário dizer a verdade sobre meus sentimentos sobre Isabella. – Eu amo a Bella. Ela me faz feliz.
Sasha engole em seco e olha em todas as direções, como se estivesse procurando as palavras certas para me dizer.
–A Tanya me disse que ela era sua secretária particular... Que ela é uma pessoa com o nível inferior ao nosso...
–A classe social da Isabella não importa. Eu a amo do mesmo jeito.
Um pequeno sorriso nasce nos lábios de Sasha.
–Ela não serve para você, Edward. Ela não chega aos pés da Irina. Até a Rosalie que é uma vadia é mais apresentável do que aquela garotinha.
Sinto todo o meu sangue ferver em minhas veias.
–Sasha eu respeito muito você. Por tudo o que sua filha representou na minha vida. Mas, não permito que você fale assim da minha noiva, tampouco permito que você se intrometa em minha vida desse jeito.
Sasha ergue o queixo de um jeito superior, parecendo nem um pouco abalada com minhas palavras.
–A Tanya tinha razão quando disse que você está enfeitiçado por essa mulherzinha. Eu sei que você não é um homem burro, Edward. Logo você perceberá que Isabella não é essa pessoa que você pensa. Ela não serve para você. Ela vai te envergonhar diante de seus amigos.
–Isso não é da sua conta Sasha. Da minha vida cuido eu. – Digo por entre dentes, e dou-lhe as costas deixando-a sozinha.
Ela não tinha o direito de me dizer essas coisas a respeito de Isabella. Ela jamais me envergonharia. Ela pode não ter nascido em berço de ouro como a Irina, porém ela tinha educação e caráter.
Caminho por entre as pessoas. Eu precisava encontrar Isabella. Não queria deixá-la sozinha.
–Até que enfim o encontrei. – Diz Emmett, colocando-se a minha frente.
Forço um sorriso e passo as mãos pelos cabelos.
–Preciso encontrar a Bella.
Emmett revira os olhos.
–Primeiro vamos tomar uma bebida juntos, depois você pode ser um marica apaixonado.
Sorrio. Emmett não tinha mesmo jeito.
Um garçom passa por nós carregados de uísque. Cada um pega um copo.
–Ainda não tive a honra de parabenizar sua noiva pelo noivado. – Diz ele, erguendo o copo de uísque. Ele toma um bom gole.
–Você terá tempo. Minha mãe estava apresentando ela a alguns amigos.
–Hmm! Espero que o Riley, não esteja por aqui. – Diz ele com um sorriso nos lábios.
Fuzilo com os olhos e viro minha dose de uma só vez. A ideia de Isabella falando com aquele idiota não me agrada.
–Falando em Isabella... O que ela e a Tanya estão fazendo juntas? Pensei que você tinha dito que a Tanya estava se jogando em cima de você. – Diz Emmett, olhando por sobre meu ombro.
Sigo seu olhar a tempo de ver Isabella esbofeteando Tanya.
–Deus! – Exclamo baixinho. Entrego meu copo vazio ao Emmett e saio marchando em direção a Isabella. Nesse meio tempo todos os olhares estão voltados para Isabella e aquela cena degradante.
–Bella! – Chamo seu nome com a voz mais alto do que eu desejava.
Seu corpo fica rígido, porém ela não me olha. Seus olhos estão vidrados em Alice e minha mãe que a olham confusa com o que ela acabara de fazer.
Ignoro o desconforto de estar sendo o centro das atenções e toco seu ombro. Todavia ela apenas se esquiva de minha mão e saí praticamente correndo em direção a saída.
Fico parado feito uma estátua no meu lugar olhando ela ir embora.
–Edward. Vá atrás dela. – A voz de Alice me traz de volta. – Vá. – Ordena com a voz baixa.
Olho para todos que estão petrificados, me olhando como se eu fosse responsável pelo espetáculo, e saio com passos largos em direção à saída.
Por sorte o estacionamento está vazio quando consigo alcançá-la.
–Isabella, espere! – Grito mais alto para que ela me escute.
Ela para e volta-se para mim, com seus grandes olhos cor de chocolates, arregalados e marejados.
Ela parecia assustada e eu queria abraçá-la, no entanto as malditas palavras que Sasha me disse ecoam em minha cabeça, tirando meu foco principal.
–O que diabos aconteceu, lá dentro? – Questiono-a me sentindo confuso e furioso. – A onde estava com a cabeça quando fez aquilo?
As lágrimas queimam em seus olhos e ela parece ter dificuldades para falar.
–Eu sinto muito. – Balbucia com a voz trêmula. – Eu perdi a cabeça... Eu sinto muito.
–Perdeu a cabeça? – Grito, fuzilando-a com os olhos. – Chama aquilo de perder a cabeça? Você esbofeteou uma convidada, uma amiga da família...
–A irmã de sua amada, Irina. – Concluiu ela com a voz irônica.
Passo as mãos nos cabelos e sorrio sem humor.
–Não coloque Irina nessa conversa. – Ordeno com a voz fria.
Eu poderia amar Isabella, mas não permitiria que ela colocasse Irina no meio dessa confusão. Ela estava morta. Isabella tem que respeitar sua lembrança.
Isabella maneia a cabeça enquanto as lágrimas rolam por sua face.
–Eu não sou como ela, Edward. Nasci e cresci numa família humilde. Meu pai fez de tudo para que tivesse uma educação boa, todavia sou humana... Eu sei que eu errei, sei que passei dos limites e não devia ter deixado que ela me tirasse do sério... Mas, aconteceu... Aconteceu e eu sinto muito... Não sou perfeita... E nunca, nunca serei como ela.
Ela estava gritando e as palavras pareciam engasgadas em sua garganta.
–Do que está falando? – Pergunto confuso, então me dou conta que ela deve ter bebido demais. Isabella não tem costume de beber. – Você deve ter bebido demais. Eu deveria ter ficado de olho em você.
Ela me olha chocada, como se eu estivesse falando alguma coisa que a tivesse ofendido.
–Ela tem razão. – Diz com a voz baixa. – Você só me vê como algo que pode aplacar sua dor... Você sabe que nunca daremos certo e mesmo assim insiste nesse erro. – As palavras parecem entorpecidas e débeis em sua boca. Como se ela estivesse falando, não para mim, mas para ela mesma.
–Do que você está falando?
As palavras saem como uma repreensão e de fato, é exatamente isso. Isabella estava passando dos limites.
Ela ergue os olhos em minha direção e há tanta dor neles que me faz estremecer.
–Você não me ama e nunca vai deixar de amar a Irina. – Diz com desgosto e desespero.
–Não fale bobagens, Bella. Eu te amo. – Digo, dando um passo em sua minha direção, instintivamente ela dá um passo para trás.
–Me ama? – Questiona-me cética. – Se me amasse teria ficado do meu lado, ao invés de ficar gritando comigo porque eu bati naquela vaca. – Grita. – Você não me ama, Edward. Você está tão preso em seu mundo, que você nem consegue enxergar as coisas. É tão fácil para você me julgar por ter cometido um erro... Eu perdi a cabeça pelas coisas que ela me disse.
–E precisava fazer barraco como se fosse uma pessoa de baixo nível e logo na festa dos meus pais? Provavelmente esse incidente acabará com a festa. E não se trata do seu drama de insegurança. Trata-se de você ter passado dos limites.
–Dramas de insegurança? – Ela sorri sem humor. — Talvez eu seja mesmo insegura... Eu não posso competir com um fantasma Edward e isso está me enlouquecendo.
–Competindo? A Irina não está mais aqui... Ela se foi há anos. – Sibilo por entre dentes. – Não a coloque no meio dessa história. – Ordeno, sentindo a fúria tomar conta de mim.
Ela morde o lábio e fecha os olhos. As lágrimas rolam por sua face. Quando ela volta a abri-los ela parece exausta.
–Sabe de uma coisa... Eu estou farta de sua vida e estou farta do seu drama... – Ela engasga com as lágrimas. – Eu pensei que conseguisse suportar seu passado, mas não dá.
Suas palavras me pegam de surpresa. Não podíamos continuar com essa discussão.
Respiro fundo e passo as mãos pelos cabelos.
–Isabella, estamos alterados. É melhor conversarmos quando esfriarmos a cabeça.
Ela faz que não com a cabeça.
–Não. Eu não posso mais... Eu não posso competir com alguém que apesar de morta continua viva em cada canto de sua vida. Eu não posso viver com isso... Com esse passado que você nunca vai se libertar.
–Pelo amor de Deus, Bella. Você está falando bobagem. Não há com quem competir. Eu estou seguindo em frente por você.
–Não está não. Você pode me amar, pode realmente querer ficar comigo, mas não diga que está seguindo em frente... Você está preso a cada lembrança dela... E eu sinto como se eu estivesse ocupando o seu lugar.
–Você não está. – Digo com voz baixa.
Fecho os olhos com força e tento arrancar do meu coração a sensação de que tudo o que ela acabara de dizer é verdade. Eu estou seguindo em frente. Eu me libertei do meu passado, certo?
Isabella balança a cabeça algumas vezes.
–Eu nunca serei como ela, então pare de tentar encontrar alguma coisa dela em mim. – Suplica entre lágrimas. – Eu não suporto isso... Você sempre irá amá-la e desejar que ela não tivesse ido... Eu não sou nada comparada a ela.
–Isabella... Não faça isso. – Minha voz é um misto de dor e medo. Eu sabia exatamente onde está discussão iria nos levar e eu temo por sua decisão. – É claro que eu sempre vou amar a Irina. Ela foi muito importante para mim, entretanto eu também te amo. É claro que eu queria que ela estivesse viva... Mas, não é possível isso e nós sabemos que essa discussão não vai nos levar a lugar algum. Ela não vai voltar e isso é fato.
–Essa sua devoção por uma pessoa morta é doentia.
Levo alguns segundos para processar suas palavras. A sensação que tenho é que acabei de levar um soco no estômago.
–Não repita isso novamente. – Rosno com a voz baixa. – Você não sabe o quanto eu a amei... O quanto eu sofri... O que eu sinto não é uma doença, é amor. – Dou ênfase a cada uma das palavras. Eu sei que dizê-las em voz alta só deixaria a situação pior. Todavia a raiva falou mais alto do que qualquer pensamento racional que eu poderia ter.
O rosto de Isabella perde totalmente a cor. A impressão que tenho é que ela pode desmaiar a qualquer momento. Seus olhos úmidos das lagrimas transparecem algo além da dor e da mágoa.
–Você nunca vai me amar como ama ela. – Suas palavras saem arrastadas, porém chega até mim com uma velocidade iminente, devastando toda a minha alma.
–Não vou mesmo. – As palavras saem antes que eu possa impedir.
Isabella morde o lábio e desvia o olhar.
–É melhor eu ir embora. –Sua voz é baixa e trêmula.
–Vou pedir ao Emmett para levá-la em casa. – Digo friamente, e saio dando-lhe as costas, deixando-a sozinha no estacionamento.
Sinto-me sujo pelo o que acabara de fazer. É claro que eu amava Isabella. Claro que eu a amava muito mais do que eu podia imaginar, todavia eu não consegui dizer isso a ela. Deixei a raiva e a mágoa falarem mais alto e agora eu tenho certeza que joguei fora a única chance que me restava para ser feliz.
A dor em seu olhar ao ouvir minhas palavras ocupa minha mente, fazendo com que minha visão fique embaçada.
–Você está bem? – A voz de Emmett me traz de volta.
Ergo meus olhos para encontrar com os seus e pela sua expressão sei que devo está com a cara péssima.
–Preciso que você leve a Isabella em casa. – Digo com a voz baixa e fria.
Emmett olha-me atentamente antes de força um sorriso.
–Tudo bem. Eu volto para conversarmos.
Faço que sim com a cabeça e saiu antes que ele possa dizer mais alguma coisa. A verdade é que eu preciso ficar sozinho. Eu preciso entender o por quê que agi daquela forma com Isabella.
Estamos noivos e eu prometi que cuidaria e amaria ela. Não deveria ter deixado as coisas saírem do controle. Não podia ter deixado esse sentimento me dominar. Isabella era meu futuro agora. Ela quem deveria importar. Apenas ela.
Talvez as coisas estejam indo rápido demais. Meu relacionamento com Isabella está andando numa velocidade incontrolável e isso é culpa minha. Eu deveria ter sido mais paciente. Agora é tarde demais. Mesmo se eu quiser levar tudo adiante, eu sei que Isabella jamais me perdoará pelo o que eu disse. Ela jamais irá esquecer minhas palavras e por mais que eu a ame, eu sei que terei que respeitar sua decisão.
Continua...
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