Notas iniciais
Meus amores, como prometido, mais um capítulo fresquinho para vocês saborearem. Como já disse antes, a fic está na reta final e eu estava com planos de finaliza-la essa semana, só que aconteceu algo que eu estava esperando há algum tempo e por isso eu terei que parar as postagens de Perfect for Me durando uns quinze dias. Prometo voltar em breve. Espero que compreendam que só vou me afastar por motivos maiores que não posso dizer agora. Enfim, vejo vocês em breve com muitas novidades. Beijos e boa leitura. PS: Se por um acaso eu não conseguir responder todos os comentários, saibam que foi porque não tive tempo, no entanto prometo ler todos e agradecer no próximo capítulo.

Bella

Após ser apresentada a algumas pessoas do qual não recordo todos os nomes, passar um tempo com Alice, Jasper e alguns de seus amigos decido que já está na hora de procurar por Edward.

Faz quase uma hora que o deixei para sair com Esme. Ela queria que seus amigos conhecessem sua futura nora. A forma como ela falava de mim como noiva de Edward, deixava transparecer seu orgulho e sua felicidade por seu filho está enfim, seguindo em frente.

Não posso deixar de sentir orgulho dele também. Ele havia perdido alguém que ela amara e imagino o quão difícil tem sido desde então seguir em frente.

Com esse pensamento recordo dos pais de Irina. A forma que eles me olharam quando Edward lhes disse que era sua noiva, me fez sentir-me desconfortável, como se de alguma forma eu estivesse usurpando um lugar que não me pertence.

Eu sei que isso é bobagem. Irina está morta e Edward me ama.

Respiro fundo, sentindo-me um pouco tonta. Havia tomando quase três taças de champanhe e minhas pernas pareciam um pouco moles. Acho que eu preciso me sentar um pouco.

Caminho pelo jardim passando por pessoas aglomeradas perto das mesas. No centro do jardim perto da piscina que está enfeitada com pétalas de rosas de todas as cores, tem uma pista de dança com e um palco grande com um grupo de homens, cantando algumas músicas clássicas.

Alguns casais estão dançando agarradinhos ao som de uma música romântica e muito linda.

Se eu soubesse dançar e não estivesse tão tonta, talvez eu gostasse de dançar com Edward.

Sorrio com esse pensamento e continuou andando a esmo procurando por Edward.

Ao longe o vejo conversando com Emmett. Edward está de costas para mim. Tão lindo e elegante com seu terno preto. Eu nem consigo acreditar que ele é meu e que em breve estaremos casados.

Sorrio entorpecida e percebo que estou parada olhando fixamente para Edward.

Devo está sobre efeito do álcool já que nem percebi que havia parado.

Obrigo minhas pernas se moverem, quanto mais rápido chegasse até Edward, mais rápido eu poderia sentar-me e ver se essa maldita tontura me deixa em paz.

–Isabella.

Volto-me para a voz musical atrás de mim e surpreendo com o que vejo.

Tanya está parada olhando-me com um sorriso irônico nos lábios. Ela está trajando um lindo vestido esmeralda e seus cabelos estão presos em um coque elegante. Tanya era uma mulher linda. Agora entendo o porquê sempre achei ela tão parecida com Irina. Elas eram irmãs. Como não percebi isso antes?

–Você está adorável esta noite. – Diz ela, olhando-me de cima a baixo.

Sinto um desconforto tomar conta de mim. Eu era muito grata por ela ter cuidado do meu pai quando ela estava doente, no entanto eu sabia dos sentimentos dela por Edward e isso me fazia sentir um pouco de raiva da cópia da mulher que meu noivo amou.

–Obrigada. – Digo com a voz seca.

Seus olhos dourados tão familiares, me fitam com um toque de desprezo.

–Fiquei sabendo do noivado. – Ela diz amargamente.

Olho por sobre o ombro em direção de Edward, afim de um pedido de socorro. Não queria ficar perto de Tanya, não depois de tê-la visto beijar Edward. Não depois de saber que ela é irmã de Irina e que também o ama. No entanto, Edward continua distraído em sua conversa e eu não vejo outra solução a não forçar simpatia. Não podia bancar a ciumenta e acabar fazendo algo que eu possa vir a me arrepender mais tarde.

Sorrio, mas nada digo. Eu tenho certeza que qualquer coisa que saia de minha boca, soará irônico e amargo.

Tanya pega minha mão e analisa meu anel de noivado.

–É um anel muito bonito. Edward deve ter gastado uma pequena fortuna. – Ela fala casualmente, como se ela realmente se importasse com isso.

Tiro minha mão da sua sem me importar em ser gentil.

–O que você quer? – As palavras escorregam de minha boca e elas soam mais raivosas do que eu imaginava. Sinto meu sangue ferver. Tanya sorri ironicamente.

–Fico me perguntando o que um homem como Edward Cullen, viu em uma mulherzinha como você.

Sinto meu rosto queimar de raiva por suas palavras. No entanto tento manter minha língua presa. Sei que ela está tentando me provocar e eu não posso cair nessa. Não aqui no meio de uma festa.

–Olhe para você, Isabella. Acha mesmo que o Edward está falando sério? Acha mesmo que ele te ama? – Ela sorri. – Acha que ele vai casar com você?

Contraio a mandíbula e serro os punhos.

–Tanya, eu me garanto em relação ao Edward. Sei que ele me ama e que seremos muito felizes juntos. – Digo com a voz firme.

Ela solta uma gargalhada contida.

–Você é tão iludida. – Diz ainda sorrindo.

–E você é tão venenosa. – Digo com ironia. – Isso se chama inveja, querida. – Tanya ergue o queixo e desfaz o sorriso. — Inveja, porque ele escolheu a mim e não a você.

–Você é uma idiota que pensa que só porque ele colocou um anel em seu dedo ele te ama. – Tanya ergue uma sobrancelha. – Ele nunca te amará como amou a minha irmã. Ele nunca vai olhar para você como olhou para ela. E por mais que ele goste de comer você sua vadiazinha, ele nunca vai deixar de pensar na Irina. Sabe por quê? Porque você nunca será ela. Nunca chegará aos pés dela, e quando ele perceber isso, ele vai te deixar. – Ela sorri de forma maldosa. – Ele vai te deixar assim como deixou tantas outras, porque você não passa de mais uma das vagabundas que ele usou para tentar suprir a falta que Irina faz.

Sinto uma raiva incontrolável dentro de mim e tudo o que eu quero, é fazer com que ela engula suas palavras. Ergo minha mão e antes que consiga pensar no que estou fazendo, lhe esbofeteio a face com toda a minha força.

–Isso é para você manter sua boca fechada. – Digo por entre dentes e as palavras saem altas demais.

Tanya olha-me perplexa e coloca a mão sobre a face vermelha.

Sinto olhos em cima de mim e caio em mim. Eu acabara de perder minha cabeça na festa de aniversário de casamento de Esme.

–Bella! – A voz grave de Edward, soa como uma repreensão. Sinto minha visão ficar turva e eu tento lutar contra o nó que se formou em minha garganta.

Pisco algumas vezes e encontro olhos conhecidos me olhando, assustados. Alice, Jasper, Esme e Carlisle, me olham com interrogação e surpresa.

Eu quero pedir desculpas, no entanto as palavras ficam presas em minha garganta. Sinto-me tão envergonhada que tudo o que eu quero fazer é sair desse lugar o mais rápido possível.

Sinto uma mão no meu ombro e não preciso olhar para saber que é Edward. Esquivo-me dele e saio com passos largos em direção a saída.

–Isabella, espere! – Grita Edward atrás de mim.

O estacionamento da mansão está quase deserto e eu agradeço aos céus por isso. Tudo o que menos preciso no momento é de outra cena.

Paro e volto-me para ele. Edward me olha confuso, no entanto, seus olhos cinzentos estão escuros de raiva.

–O que diabos aconteceu, lá dentro? – Questiona-me ele. – A onde estava com a cabeça quando fez aquilo?

Sinto as lágrimas queimarem em meus olhos e as palavras têm dificuldades para saírem.

–Eu sinto muito. – Balbucio com a voz trêmula. – Eu perdi a cabeça... Eu sinto muito.

–Perdeu a cabeça? – Ele grita, fuzilando-me com seus olhos. – Chama aquilo de perder a cabeça? Você esbofeteou uma convidada, uma amiga da família...

–A irmã de sua amada, Irina. – Concluo com a voz irônica.

Edward passa as mãos nos cabelos e sorri sem humor.

–Não coloque Irina nessa conversa. – Ordena ele com a voz fria.

Sinto um aperto no peito. A forma como ele fala o nome dela é como se ela fosse algo sagrado, intocado. Eu sinto ciúmes dela e sinto raiva por talvez Tanya esteja certa. Talvez ele nunca me ame como um dia a amou.

–Eu não sou como ela, Edward. Nasci e cresci numa família humilde. Meu pai fez de tudo para que tivesse uma educação boa, Todavia sou humana... Eu sei que eu errei, sei que passei dos limites e não devia ter deixado que ela me tirasse do sério... Mas, aconteceu... Aconteceu e eu sinto muito... Não sou perfeita... E nunca, nunca serei como ela.

Eu estava gritando e engasgando com as lágrimas e já não sabia ao certo o que estava dizendo.

–Do que está falando? – Pergunta-me com arrogância. – Você deve ter bebido demais. Eu deveria ter ficado de olho em você.

Fico chocada com suas palavras. Ele achava que eu estava bêbada? Que eu era do tipo de pessoa que deveria ser supervisionada para não fazer besteiras?

Sinto-me tonta e sei que não é por causa do álcool.

–Ela tem razão. – Digo com a voz baixa. – Você só me vê como algo que pode aplacar sua dor... Você sabe que nunca daremos certo e mesmo assim insiste nesse erro. – As palavras parecem entorpecidas e débeis em minha boca e, a impressão que eu tenho é que, Edward não está me ouvindo. É como se eu estivesse falando para mim mesma. Como se eu estivesse tentando aceitar o que de fato é verdade.

–Do que você está falando?

Ergo meus olhos para ele. Ele não parece tão furioso como estava há segundos atrás.

–Você não me ama e nunca vai deixar de amar a Irina. – Digo com desgosto. O peso da verdade faz meu coração doer

–Não fale bobagens Bella, eu te amo. – Diz ele, dando um passo na minha direção, instintivamente dou um passo para trás.

–Me ama? – Questiono-o cética. – Se me amasse teria ficado do meu lado, ao invés de ficar gritando comigo porque eu bati naquela vaca. – Grito. – Você não me ama, Edward. Você está tão preso em seu mundo, que você nem consegue enxergar as coisas. É tão fácil para você me julgar por ter cometido um erro... Eu perdi a cabeça pelas coisas que ela me disse.

–E precisava fazer barraco como se fosse uma pessoa de baixo nível e logo na festa dos meus pais? Provavelmente esse incidente acabara com a festa. E não se trata do seu drama de insegurança. Trata-se de você ter passado dos limites.

–Dramas de insegurança? – Sorrio sem humor, mal acreditando em suas palavras. -Talvez eu seja mesmo insegura... Eu não posso competir com um fantasma Edward e isso está me enlouquecendo

–Competindo? A Irina não está mais aqui... Ela se foi há anos. – Sibila por entre dentes. – Não a coloque no meio dessa história. – Ordena novamente.

Mordo o lábio e me sinto cansada.

–Sabe de uma coisa... Eu estou farta de sua vida e estou farta do seu drama... – Engasgo com as lágrimas. – Eu pensei que conseguisse suportar seu passado, mas não dá.

Edward passa as mãos nos cabelos e respira fundo.

–Isabella, estamos alterados. É melhor conversarmos quando esfriarmos a cabeça.

Faço que não com a cabeça.

–Não. Eu não posso mais... Eu não posso competir com alguém que apesar de morta continua viva em cada canto de sua vida. Eu não posso viver com isso... Com esse passado que você nunca se liberta.

–Pelo amor de Deus, Bella. Você está falando bobagem. Não há com o que competir. Eu estou seguindo em frente por você.

–Não está não. Você pode me amar, pode realmente querer ficar comigo, mas não diga que está seguindo em frente... Você está preso a cada lembrança dela... E eu sinto como se eu estivesse ocupando o seu lugar.

–Você não está. – Diz ele com a voz baixa.

Balanço a cabeça algumas vezes.

–Eu nunca serei como ela, então pare de tentar encontrar alguma coisa dela em mim. – Suplico entre lágrimas. – Eu não suporto isso... Você sempre irá amá-la e desejar que ela não tivesse ido... Eu não sou nada comparada a ela.

–Isabella... Não faça isso. – Sua voz agora é baixa e assustada. – É claro que eu sempre vou amar a Irina. Ela foi muito importante para mim, entretanto eu também te amo. É claro que eu queria que ela estivesse viva... Mas, não é possível isso e nós sabemos que essa discussão não vai nos levar a lugar algum. Ela não vai voltar e isso é fato.

Sinto meu coração bater dolorosamente em meu peito.

–Essa sua devoção por uma pessoa morta é doentia.

Suas feições se contorcem como se eu tivesse lhe dado um tapa.

–Não repita isso novamente. – Rosna com a voz baixa. – Você não sabe o quanto eu a amei... O quanto eu sofri... O que eu sinto não é uma doença, é amor. – Suas palavras são como lâminas ultrapassando meu peito.

–Você nunca vai me amar como ama ela. – Era para ser uma pergunta.

–Não vou mesmo. – Diz ele com a voz baixa.

Mordo o lábio na tentativa de conter o tremor.

–É melhor eu ir embora. – Digo sem olhá-lo.

–Vou pedir ao Emmett para levá-la em casa. – Diz friamente e sai dando-me as costas.

Sinto um desespero tomar conta de mim. Meu coração dói e minha alma está destruída. E tudo o que eu consigo pensar é que eu acabei de perder o homem que eu amo.

Emmett me leva de volta para casa em silêncio. Não trocamos nenhuma palavra desde que ele me encontrou no estacionamento e disse que me levaria embora.

Edward não tinha voltado com ele o que me fazia ter certeza do meu pressentimento.

As lágrimas rolam por minha face e eu tento controlar os soluços que teimam em escapar de minha garganta.

Meu celular vibra em minha bolsa e eu luto com o tremor de minhas mãos para pescá-lo lá de dentro.

Talvez seja Edward. – Penso. Todavia o número que aparece no visor tem outro nome, Ella.

Sinto um aperto no peito e me preparo para o que ela diz a seguir.

–Bella? – Sua voz é baixa e triste.

Sinto como se o mundo estivesse se abrindo embaixo dos meus pés. Aperto o celular com força contra o ouvido e tento usar as palavras de forma coerente.

–O que aconteceu com o meu pai?

Um pequeno soluço irrompe do outro lado da linha e eu temo que o pior tenha acontecido.

Ella me conta que meu pai sofreu um ataque cardíaco há pouco menos de uma hora. Ela não me conta detalhes, diz que é melhor conversarmos pessoalmente. Ela me diz que hospital meu pai está e desliga.

Uma mão grande toca meu ombro, assustando-me.

Ergo o olhar e encontro Emmett me encarando. Eu havia esquecido que estava no carro com ele.

–Acalme-se. Tudo ficará bem. – Diz gentilmente.

Faço que sim com a cabeça, enquanto as lágrimas rolam violentamente por minha face. Deus, não permita que ele morra. Oro mentalmente, enquanto Emmett me leva até o hospital.

O caminho parece longo e a cada segundo que passa me sinto desesperada e sozinha. Charlie é minha única família. Ele não pode morrer. Choro baixinho encolhida no banco do carro, me sentindo perdida.

Eu queria tanto Edward ao meu lado, para me dar forças. Esse pensamento me faz sentir-me ainda pior. Eu havia lhe perdido e se Charlie me deixar, eu estarei sozinha para sempre.

Encontro Ella na sala de espera. Quando me vê, ela ergue-se da cadeira e vem ao meu encontro. Seu rosto está pálido e seus olhos estão inchados. Sinal que ela andou chorando.

–Ella como está o meu pai? – Pergunto apreensiva e temerosa.

Ela segura minhas mãos.

–Eu não sei, Bella. – Ela força um sorriso. – Não me deixaram acompanhá-lo, mesmo sendo sua enfermeira. – Sua voz engasga e ela pigarreia. – Mas, quando o socorro chegou a sua casa, ele estava muito mal.

Sinto minhas pernas fraquejarem e por um segundo tenho certeza que o chão está rodando.

Sinto mãos fortes segurando meus ombros e me conduzindo até a cadeira.

–Ele não pode morrer. – Digo com a voz trêmula. As lágrimas rolam por minha face e os soluços estão presos em minha garganta.

–Você precisa se acalmar. – A voz grave de Emmett me traz de volta. Volto-me para ele. – Obrigada... Por tudo. – Digo entre lágrimas.

Ele sorri e coloca seu paletó em volta dos meus ombros.

Eu não sabia que estava com frio até sentir o calor do tecido em minha pele.

Abraço meu corpo, agarrando-me ao pano do paletó para aquecer minha pele. Eu estava tremendo e eu não sabia que não era apenas pelo frio. O medo causava reações estranhas a nosso corpo.

Fecho os olhos e rezo baixinho para que Deus tenha piedade de mim. Peço para que ele não leve meu pai. Eu não sei o que seria de mim se o perdesse. Ele era tudo para mim. Ele era minha única família agora.

–Você quer beber alguma coisa? – A voz de Emmett me desperta das minhas orações. Não sei exatamente quanto tempo estou sentada sem notícias. Talvez uma hora ou apenas vinte minutos, a única coisa que eu sei é que estou ficando desesperada. Ella anda de um lado para o outro no corredor e Emmett está sentado a duas cadeiras de mim.

–Não obrigada. – Digo, olhando-o por apenas um segundo.

Ele sorri e ergue-se da cadeira. Espreguiça-se e coça a nuca.

–Emmett. -Ele volta-se para mim. – Você não precisa ficar aqui... Sabe... Você já fez demais por mim hoje.

Ele sorri.

–Quando um amigo precisa de ajuda, todo esforço do mundo é pouco... Então, não diga que já fiz demais por você hoje... Eu não fiz nada.

Sinto as lágrimas queimando meus olhos. Eu queria tanto que o Edward estivesse aqui.

–Tudo vai ficar bem... E quando eu digo tudo... Eu falo do lance com o Edward também.

Faço que sim com a cabeça, no entanto eu sabia que as coisas não eram assim tão simples. Talvez não existisse mais um futuro para mim e Edward... Talvez essa noite tenha sido o fim de tudo.

Por mais que eu queira acreditar nas palavras do Emmett, eu sei que apenas um milagre poderia trazer Edward de volta para mim.

–Obrigada.

Uma hora e meia se passou desde que cheguei ao hospital e a única coisa que soube sobre meu pai é que ele está na UTI e está em observação.

–Posso pelo menos ver ele? – Pergunto a enfermeira de cabelos ruivos.

–Pode, mas é por apenas alguns minutos. Ele está sedado e precisa descansar. – Diz ela com a voz melodiosa.

Faço que sim com a cabeça e a sigo pelo corredor.

Charlie parece está dormindo. Suas feições estão tranqüilas e apesar do seu corpo está ligado por fios a algumas máquinas, ele parece está apenas descansando.

Sinto uma onda de pânico me invadir. Eu odeio ver o meu pai assim. Nesse estado tão vulnerável. Estou acostumado com o homem forte que costumava me carregar nos ombros quando eu era pequena. Estou acostumado com o homem cheio de vidas que ama caçar e pescar e não com esse homem que parece tão frágil que uma pena poderia lhe partir ao meio.

Aproximo-me da cama e seguro sua mão, tomando cuidado com o soro induzido em sua veia.

–Tudo ficará bem. – Sussurro, mas para mim do que para ele. –Tudo ficará bem. – Apoio minha testa em sua mão com cuidado e respiro fundo. – Você não pode me deixar. – Minha voz engasga e eu não me importo com as lágrimas que rolam violentamente por minha face e molham o lençol. – Por favor, não var embora... Não me deixe papai... – Um soluço irrompe da minha garganta, deixando-me com dificuldade para respirar. Meu coração bate forte contra meu peito e uma angústia avassaladora toma conta da minha alma. Por mais que eu queira que tudo dê certo, algo me diz para está preparada para o pior. No entanto eu não quero está preparada para o pior. Eu não quero perder o meu pai. Eu quero apenas que ele fique bom e que volte para casa comigo. – Por favor, pai... Você é minha única família agora. Fique... Eu te suplico.

Quando volto para a sala de espera encontro Edward para minha surpresa. Ele está em pé de costas para mim, conversando com Emmett.

Sinto que meu coração vai explodir. Ele está aqui. Ele veio por mim.

Ele volta-se para mim. Seus olhos cinzentos encontram-se com os meus e há tanta tristeza, amor, arrependimento e dor em seu olhar que me faz fraquejar.

Fecho os olhos e mordo o lábio tentando evitar que um soluço escape por meus lábios, no entanto isso é em vão, quando os braços fortes e acolhedores de Edward, me envolvem em um abraço apertado.

Agarro-me a ele como se ele fosse um bote salva-vidas e deixo que aquele abraço que eu senti tanta falta na última hora, arranque de mim um pouco da dor, medo e insegurança que eu estou sentindo.

–Eu estou aqui. – Sussurra ele apertando-me ainda com mais força. – Sinto muito, amor. Perdoe-me. – Ele segara meu rosto forçando-me a encará-lo. – Eu sinto muito... Por tudo. – Ele diz com a voz baixa e atormentada.

Faço que sim a cabeça, incapaz de formular uma palavra sequer. Volto a enterrar meu rosto em seu peito. Embriagando-me do calor do seu corpo e do seu perfume.

–O que importa é que você está aqui. – Digo baixinho e tenho quase certeza que ele não ouviu.

Edward beija o topo da minha cabeça.

–Eu sempre vou está ao seu lado. Sempre.

Sorrio e o abraço com força. Era tão bom poder tê-lo comigo nesse momento. É tão bom sentir todo o seu amor. Isso me dava forças para me manter firme e não me deixar abater. Está com ele aqui, me faz entender que não estou sozinha.

Quando a enfermeira nos diz que Charlie está fora de perigo, sinto como se toda tensão deixasse meu corpo e até consigo sentir um pouco de fome.

Há horas que o Edward está insistindo que tenho que comer e descansar, no entanto, apenas quando soube que Charlie não me deixaria que percebi que estava faminta e exausta.

Emmett fora embora pouco depois que Edward chegou. Ella continuou comigo até a hora que resolvi ceder aos pedidos de Edward e ir para casa descansar um pouco.

Ella disse que iria a sua casa tomar um banho, mas que voltaria para o hospital para o caso de Charlie acordar.

Não tinha perguntado a ela o levará meu pai a enfartar. Ele me parecia muito bem nos últimos meses e tenho certeza que algo deve ter acontecido para que ele tivesse passado mal.

Ella deve ter alguma coisa a me dizer. Assim que voltar para o hospital eu irei ter minhas respostas.

Edward me leva para seu apartamento. Tomo um banho demorado e logo em seguida, como um sanduíche com suco de laranja.

Eu estava cansada e tudo o que o meu corpo queria era descansar um pouco, no entanto há algo que eu precisava fazer antes de ceder ao meu cansaço.

Obrigo meus olhos a permanecerem abertos. Edward estava no banho e eu precisava conversar com ele antes de qualquer outra coisa.

Não havíamos conversado sobre o que acontecerá na casa de seus pais e eu precisava saber se estava tudo bem entre nós, ou se ele estava apenas sendo gentil comigo pelo o que aconteceu ao meu pai.

Ouço a água do chuveiro desligar-se e o silêncio toma conta do quarto.

O silêncio era tão reconfortante que tudo o que eu quero é mergulhar nele. O quarto está com as cortinas fechadas, dando ao quarto a impressão que é noite.

Minhas pálpebras estão pesadas e quanto mais luto para mantê-las abertas, mais elas se fecham, fico nessa luta até que cedo ao cansaço e meu sono vence.

Continua...

Notas finais
Capítulo tenso... Espero que vocês não infartem também na minha ausência. Beijinhos. Comentem e recomendem também.