Perfect!
31 A Soma de Todos os Medos part I
Notas iniciais
“May the angels protect you trouble neglect you;
And heaven accept you when it’s time to go home;
May you always have plenty your glass never empty;
Know in your belly you’re never alone..”
Never Alone
Lady Antebellum
Apartamento Ray Palmer
Sarah
Sento na cama cruzando minhas pernas, deixando de lado momentaneamente o fato de estar sem calcinha (ainda sinto vontade de esganar Ray por tê-la tirado, na boa, não vi a necessidade!) absorvendo o que acabara de ouvir do moreno (ainda de toalha ) sentado a minha frente em uma cadeira. Não que tenha sido alguma novidade. Na verdade, já conhecia a história e os personagens. Os nomes pelo menos.
—Quer dizer que o Ronnie que Cait largou no altar era o seu Ronnie?- pergunto, encarando Ray, que ergue os olhos, corando ao encontrar os meus visto que o flagrei olhando para...Deixa pra lá!
—Meu Ronnie não — diz, fazendo uma careta gozada – Meu Irmão Ronnie – corrige-me e ergo a sobrancelha – É que da forma como falou parece que somos... Namorados! – argumenta, fazendo outra careta ainda mais engraçada e não consigo evitar o riso – Sério Sara. Se alguém te ouvisse dizer “o seu Ronnie” e não soubesse do que se tratava iria achar que somos um casal e não irmãos! – resmunga, cruzando os braços a frente do peito, chamando minha atenção... ”Porra Ray, desde quando você ficou tão gostoso assim??!”,me questiono, mordendo o lábio – O que eu disse?- pergunto, empertigando o corpo ao vê-lo rir com o canto da boca.
—Nada – responde rápido –Não disse nada não.
—Então por que esse risinho de canto de boca?.. ”E que boca!!”, penso, sacudindo a cabeça.
“O que diabos está acontecendo com você Sara Lance? É o Ray Palmer, merda! O namorado ( ou ex, sei lá) de sua irmã! Você conhece o cara a anos. Já o viu em roupas mínimas antes e até sem roupa antes de agora a pouco. Por acidente mas viu! Por que essa tara toda agora? ”, reflito, só me dando conta que o estava secando descaradamente quando o escuto pigarrear antes de falar.
—Hum,hum! Acho que vai querer suas roupas- diz, levantando-se, coçando a cabeça sem graça.
—É uma ótima idéia! – concordo, sentando-me na beirada da cama – Não acha melhor se vestir antes?- indago ao vê-lo caminhar em direção a porta.
—Certamente! – fecha a porta, voltando-se, parando indeciso, caminhando em seguida até o guarda roupas onde escolhe uma camisa de cachemira azul escura, uma calça jeans no mesmo tom além de uma box clara.
Observo-o mover-se pelo quarto indo do móvel para o banheiro, onde entra fechando a porta.
—Como se fosse fazer alguma diferença! — murmuro, rindo comigo mesma, deitando-me – O que foi que aconteceu noite passada pra te deixar com tanto tesão mulher? — questiono-me, fechando os olhos – Não tenho motivos pra duvidar do que ele disse. Não transamos! É fato! ..Mas e se .. – mordo o lábio, pensativa, erguendo-me sobre os cotovelos ao escutar a porta ser aberta- Ray nos beijamos? –pergunto direta.
—Sim – admite, levantando a manga da camisa.
—E depois? – inquiro.
—Depois nada – afirma, mas percebo uma leve hesitação em sua voz.
—Tem certeza? – insisto, dobrando os joelhos, balançando as pernas, provocando-o, fazendo-o engolir em seco – Acho que não está me contando toda a verdade Palmer! – afirmo, levantando-me rápido e caminhando até ele – Porque eu tenho uma breve lembrança de sua boca em meu corpo em algum momento— digo, aproximando-me dele, deslizando as mãos pela gola em V-- E como acho que não precisei de respiração boca a boca!... – deixo a insinuação no ar, ficando na ponta dos pés, encostando o nariz em seu pescoço, cheirando-o – E esse cheiro também não me é estranho..
—Ok, admito – começa, afastando-se devagar – Nos beijamos, nos despimos.. Eu...nós...-limpa a garganta novamente – Nós começamos a trocar caricias mais intimas... Mas ai você apagou e parei- diz, suspirando – Juro que não toquei em você depois que adormeceu Sara – assegura, olhando dentro de meus olhos, seu jeito de menino me desarmando por completo.
—Sério que apaguei? – pergunto, sentindo a frustração tomar conta de mim quando confirma com um aceno – Caramba, eu devia estar muito chapada mesmo!- sentencio.
—Um pouco, sim – diz, rindo de leve, corrigindo-se ao me ver erguer a sobrancelha – Muito. Muito chapada mesmo!
—Desculpe Ray – peço – Por agora a pouco e por ontem à noite. Não costumo começar algo que não pretenda terminar! — afirmo, umedecendo meus lábios com a ponta da língua, atraindo seu olhar e antes que me dê conta sua boca está sobre a minha enquanto as mãos me envolvem pela cintura, prendendo-me, erguendo-me do chão.
O beijo é ávido, urgente, sua língua aproveitando meu suspiro para invadir minha boca, explorando, provocando. Meu corpo inteiro incendeia-se quando sinto sua ereção se pronunciar por sob a calça, tocando minha cintura, o cheiro inebriante de sua colônia mesclado ao de sabonete invadindo minhas narinas, me deixando zonza.
—Isso é loucura Ray! – exclamo de olhos fechados, os dedos entre os cabelos negros, puxando-os, tomando sua boca em um novo beijo ainda mais sedento que o primeiro _Loucura! –repito quando me deita sobre o colchão, seu corpo encaixando-se ao meu.
—Loucura! – balbucia, repetindo-me ao mesmo tempo em que segura a barra da camiseta que usava, erguendo-a até retirá-la totalmente – Loucura!- repete num fio de voz, descendo a boca por meu pescoço até meu seio, sugando-o, a traçando o contorno do mamilo com a língua, mordendo o bico rijo – Quer que eu pare? – pergunta, cessando o contato.
Minha resposta vem em forma de um grunhido rouco que emito, enfiando os dedos em seus cabelos, segurando sua cabeça onde estava ao mesmo tempo que envolvo sua cintura com as pernas, sentindo a aspereza do tecido contra minha pele.
—Esta usando roupas demais Ray! – resmungo, puxando sua camisa, impaciente – Por que raio tinha que se vestir?- resmungo novamente, ajudando-o a despir-se o mais rápido possível, gemendo ao sentir seu membro ereto roçar minha cintura quando deita-se sobre mim e abro as pernas, encaixando-o a meu corpo – Não! – o seguro pelos ombros, cravando-lhe as unhas ao senti-lo tentar afastar-se.
—Preservativo! – sussurra e o libero, apoiando-me nos cotovelos, seguindo-o com os olhos, prendendo o ar quando volta-se para a cama ..”Ele é maior do que lembrava!”, surpreendo-me.. “Se bem que naquela época éramos adolescentes ainda.”.... relembro.
A única vez que havia visto Ray nu antes de hoje fora quando invadi o vestiário masculino do clube tentando pegar Tommy, que tentara arrancar meu biquíni. Tinha saído correndo atrás dele e não me detive quando entrou lá para se esconder de mim.
—Sara??- escuto-o chamar e ergo os olhos, uma pergunta muda esperando resposta.
Sorrio, engatinhando até a beirada da cama, pegando o preservativo que segurava, abrindo-o e colocando-o eu mesma, aproveitando para instigá-lo mais um pouco, deslizando as mãos por seu membro, apertando-o de leve, fazendo-o gemer.
Ray inclina-se, as mãos em meu quadril, erguendo-o e enlaço sua cintura mais uma vez, apoiando os cotovelos no colchão. Mordo o lábio ao senti-lo começar a me penetrar devagar, parando, dando-me tempo para acostumar com sua presença dentro de mim. Jogo a cabeça para trás quando recomeça a mover-se, segurando firme meu quadril, afundando-se cada vez mais dentro de mim. Fecho meus olhos deixando-me levar, sentindo meu corpo estremecer em espasmos cada vez mais fortes a medida que aumenta o ritmo de suas investidas até que me liberto, gozando em meio a espasmos que fazem meu corpo amolecer. Me deixo cair sobre o colchão enquanto Ray investe mais algumas vezes antes de gozar em jato quente dentro de mim, deitando-se parcialmente sobre meu corpo.
—Laurel vai me matar! -solta, completando em seguida – Mas vai ter valido a pena! – exclama, apoiando-se em um dos braços – Vai ter valido muito a pena!- reitera, me beijando- Pelo menos pra mim... Espero que pra você também porque...
—Palmer, cala essa boca! – o interrompo, cruzando as pernas as suas costas, começando a mexer meu quadril lentamente.
—Espero que desta vez termine o que está começando Sara – diz, ofegante, posicionando-se sobre mim.
—Pode ter certeza que vou!- asseguro.
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Tommy
Estou terminando de fechar minha camisa quando escuto meu celular tocar.
—Amor, viu onde deixei meu telefone? – pergunto, procurando-o, encontrando-o quando toca mais uma vez – Achei! -aviso, atendendo-o – Merlyn.
< Oi, desculpe ligar tão cedo mas não quis esperar um minuto sequer>, escuto a voz de Ray Palmer e fico alerta < Ele está aqui. Ronnie chegou Thomas. > avisa.
—Ok. Obrigado Ray. Nos falamos mais tarde – agradeço, desligando logo depois.
Coloco o aparelho sobre a cama, voltando a abotoar o punho de minha camisa, distraído.
—Deixe que eu fecho --ouço Cait dizer segurando meu pulso – O que houve? Algum problema na empresa? -pergunta, preocupada – Quem era no telefone?
—Ray – respondo e a ela paralisa, erguendo os olhos – Ronnie chegou antes do previsto – revelo, encarando-a – Tudo bem?
—Por que não estaria? -rebate, terminando de fechar o botão, ajustando minha gola e gravata.
—Tudo bem mesmo Cait?- reforço.
—Está Tommy – garante, espalmando a mão em meu peito – Ronald Palmer não me assusta há muito tempo. Nunca me assustou, aliás. Ainda mais agora que tenho você a meu lado! – afirma, envolvendo meu pescoço com os braços, beijando-me -Hora de trabalhar senhor Merlyn!- brinca, sorrindo.
Sorrio de volta. Termino de me arrumar, tomamos nosso café da manhã e seguimos para a empresa, a maior parte do caminho em silêncio.
Na hora do almoço, Ray nos encontra em um restaurante próximo a Global e nos conta o que havia conversado com o irmão até agora, revelando que meu pai estava certo ao supor que Ronnie retornara para tentar reaver o controle da PT não fazendo a menor questão de esconder o fato do próprio irmão.
—Ronnie só está preocupado, por enquanto, em como me tirar o controle da PT. Não faz a mínima ideia de que Cait esteja morando em Starling e muito menos que seja sua noiva-- assegura.
—Mas será questão de dias para que descubra – afirmo, passando a mão em meu queixo- Espero que seu irmão não se intrometa em nossa vida Ray.
—Infelizmente é exatamente isto que ele irá fazer assim que descobrir- diz, fazendo uma pausa antes de prosseguir – Ronnie é rancoroso. Não é apenas por ambição que quer me tirar da PT. É por vingança também. Ele sabe que ajudei Cait na época e nunca escondeu que se vingaria de mim na primeira chance que tivesse. Muito embora ele já tenha feito isto, de certa forma, na época, me dando uma surra...Mas acho que não ficou satisfeito! – revela.
—Ele te bateu? -- Cait pergunta, parecendo surpresa.
—E não foi a primeira vez que o fez – digo – Conhecemos os dois, eu Oliver e Eddie , por conta de uma briga no colégio. Um grupo de garotos, três ou quatro, não lembro, espancava dois outros.
—Você e Ronnie?- questiona ela, olhando para Ray.
—Sim e não – começa – Eu era um dos que estava apanhando... De Ronnie e seus amigos, e eram quatro – confirma, deixando-a surpresa – Meu irmão não gostava de ficar em segundo plano e foi assim que se sentiu quando nasci- revela, tomando o resto de sua bebida de um só gole.
—Nós também ficamos surpresos na época- afirmo – Foi um dos motivos que ele nunca foi incluído em nosso círculo de amizades e Ray sim.
—Outra coisa que o irritava profundamente -- Ray completa, fazendo uma careta ao ouvir o toque de seu celular, careta essa que aumenta ao ver o visor do mesmo- Meu pai. No mínimo meu irmão já começou a mexer seus pauzinhos para assumir a PT- suspira, jogando o aparelho sobre a mesa – Às vezes, só as vezes, tenho vontade de jogar tudo para o ar e sumir! Se Ronnie quer tanto assim a PT a ponto de largar a vida que levava em Portland que fique com ela! – desabafa, rejeitando mais uma ligação do pai.
—Não acho que deva fazer isso Ray-- digo -- Fez por merecer o controle da empresa. Se dedicou, fez melhorias, aumentou os lucros.. Se a PT é o que é hoje deve grande parte disso a você. Não acho de deva entregar tudo de bandeja só porque seu irmão assim deseja.
—Também penso assim Ray- Cait corrobora minha opinião – Você é o CEO da PT por mérito.
—Sara me disse a mesma coisa hoje cedo – solta, corando ao perceber que falou demais — Quando nos despedimos... quando fui deixa-la em casa... mais cedo.... Não tão cedo.... Nem tão tarde também.... Quer dizer – cala-se, ficando ainda mais sem graça e vermelho.
—Entendo – assinto, olhando Cait , que sorri discreta – O que prova que temos razão – afirmo, empurrando o aparelho que começara a tocar novamente – Comece atendendo – sugiro e ele, após hesitar um pouco o faz, descobrindo que o irmão convocara uma reunião em família para logo mais à noite.
Nos despedimos de Ray e retornamos para a Global de onde saímos apenas no final do expediente, indo até a casa de meus pais pegar as crianças e seu mini zoo particular.
—Quanto tempo acha que Ronnie vai levar pra descobrir sobre mim, sobre nós? – Cait pergunta, deitando-se na cama a meu lado.
—Dias, uma ou duas semanas talvez – presumo, dando de ombros – Enquanto estiver concentrado em derrubar o irmão não dará atenção a mais nada.... “Assim espero! ” — penso – Preocupada? – questiono, desligando o notebook, colocando-o de lado.
—Nem um pouco – assegura, aninhando-se em meus braços – Como Ethan disse certa vez: ‘”papai te defende Cait!” – diz, imitando a voz de meu filho e sorrio.
—Pode ter certeza disso! – garanto, beijando sua cabeça – Se aquele cretino se atrever a encostar um dedo sequer em você, faço com que se arrependa de ter saído do buraco onde estava!
—Não diga isso Tommy – pede, sentando-se, segurando meu rosto entre suas mãos – Não vou deixar que faça nada insensato por minha causa ouviu?!
—Quem disse que vai ser insensato?! – rebato.
—Tommy!
—Não se preocupe meu amor. Minha resposta será equivalente a atitude dele! – asseguro, deitando-a em meu colo – Mas vamos deixar esse sujeito fora de nosso quarto. Ou melhor, de nossa casa. Aqui dentro só eu, você e nossos filhos- enumero.
—Nossos?? – questiona.
—Nossos- repito, beijando-a – E três intrusos peludos! – acrescento, fazendo-a rir.
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Duas semanas depois
Cait
Conforme Tommy previra, passaram-se duas semanas para que Ronnie descobrisse que eu estava vivendo em Starling. E não porque o estivéssemos evitando. Ao contrário. Não alteramos nossa rotina em nada.
O encontro que me preocupou por dias, passando a segundo plano a medida que o tempo corria, acabou acontecendo de forma natural e inesperada. Ronnie acabou descobrindo não apenas minha presença em Starling mas também meu noivado com Tommy. Tudo na mesma ocasião.
Era uma sexta à noite. Tínhamos acabado de pegar as crianças na casa dos pais dele e, a pedido delas, fomos ao Big Belly.
Quando chegamos, encontramos também Thea, Eddie, Felicity, Oliver, Jay, Anitta, Sara, Ray e Maxx todos juntos em um canto da lanchonete. Nos juntamos a eles, comendo e conversando distraidamente.
A certa altura, Tommy levantou-se para ir ao banheiro com Ethan e fiquei na mesa com Maddie e os demais.
A primeira coisa que me chamou atenção de que algo estava errado foram as atitudes de Ray , Sara e Eddie, que estavam de frente para a entrada da lanchonete. Vi a fisionomia dos três ficar tensas e senti, antes mesmo que falasse, a presença de Ronnie as minhas costas.
—Nada mudou por aqui, pelo que vejo! -escuto sua voz e fecho os olhos, tensa – Nem pra me convidar para um lanche com seus amigos irmãozinho? – ironiza – Estou decepcionado com você meu car.... – começa a dizer, parando de repente – Caitlin?? – escuto-o e fecho as mãos, cerrando os punhos – Caitlin Snow? – repete, parando ao lado de Sara, de frente para mim. Ergo os olhos encontrando os seus, vendo seu rosto lívido de raiva – O que essa vagabunda está fazendo aqui? – braveja e antes que qualquer um na mesa pudesse dizer qualquer coisa, a voz de Tommy se faz ouvir, forte e controlada.
—Isso meu caro, não é da sua conta! – exclama, fazendo Ronnie voltar-se para ele – E no futuro espero, ou melhor, exijo que tenha mais respeito ao se referir a Minha Esposa!
Continua
"... May your tears come from laughing;
You find friends worth having;
As every year passes;
They mean more than gold;
May you win and stay humble;
Smile more than grumble;
And know when you stumble;
You're never alone..."
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