Perdoe os Vícios pelo Amor

11 Embalos de um Sábado a Noite


Notas iniciais
Para compensar minha demora a vai um capítulo enorme, cheio de surpresas sutis, e olha que maravilha dois capítulos, um hoje outro amanhã.

Soprei o fio de cabelo que insistia em cair sobre os meus olhos e alisei a blusa branca que eu vestia. Havia esperado ansiosamente a chegada do sábado, segurei a maçaneta da porta e entrei naquela sala com cheiro de desinfetante.

― Brotinho, trouxe meu presente?

― Pare de cobrar a coitada Paul. ― González resmungou.

― Eu faço o que eu quiser muchacho.

Puxei o embrulho da minha bolsa e estendi para Paul Thomas. Ele merecia muito mais que filmes de fita cassete.

Assim que fiquei responsável por trabalhar um novo método de dinâmica entre os idosos pensei que seria fácil, era apenas cinco idosos e eu.

Não foi fácil.

Cada um lidou de uma maneira diferente com a minha presença ali. Juan González, de setenta e dois anos não negava suas raízes mexicanas e era conhecido como demônio pardo, e tinha com frequência lapsos de memória, e após o primeiro dia abandonou seus resmungos.

A senhora Jane Flower era cega, calma e um doce se pessoa com seus sessenta anos.

Cameron Grant era o mais velho, com setenta e oito anos, ele bem, nem mesmo me recebeu, apenas me ignorou e olhou para um ponto fixo na parede.

Richard Diaz era um tagarela viciado em esportes e torcia para todos os times locais. Em Phoenix o futebol não é o esporte principal, os principais mesmo são o baseball e futebol americano, mas eles também jogam hockey e basquete.
Os times esportivos de Phoenix são o Arizona Cardinals (futebol americano), Arizona Diamondbacks (baseball), Phoenix Suns (basquete), Phoenix Coyotes (hockey de gelo), Phoenix Mercury (basquete feminino), Arizona Rattlers (futebol americano de arena), Phoenix FC (o futebol). Torcer para esses é sofrer com o coração na mão, eles são ruinzinhos em todos os esportes, logo proibiamos Cameron de assistir grande parte dos jogos, mas não adiantava e meia hora após os jogos lá estava ele explodindo em palavras de baixo calão.

E Paul Thomas tinha uma alma rebelde, para ele não existia regras, mas eu claro, o tentava manter na linha com presentes. Eu o comprava e todos estavam cientes disso.

― Gata, você está me assustando.

Pisquei, saindo dos meus pensamentos percebendo em seguida que estava parecendo uma maluca parada no meio da sala.

― Nancy, venha me abraçar. ― Passei meus braços ao redor de Jane com cuidado e a abracei esperando que todas as suas dores fossem embora com ele.

González me monopolizou contando seus feitos heróicos contra uma gangue de bairro quando era policial. Todos os sábados ele me falava a mesma história e todos os sábados eu fingia surpresa.

― Quer me contar alguma coisa Cameron? ― Indaguei ao vê-lo me encarando.

― Humpf. ― Foi o único som que emitiu antes de virar o rosto na direção contrária.

― Você é uma bruxa.

Virei para Paul, visivelmente ofendida pelo seu comentário e ele passou o braço pelos meus ombros.

― Não me entendeu direito. ― Murmurou empurrando minhas bochechas formando um sorriso que não chegava até os meus olhos. ― Você é uma bruxa porque quando pisei nesse lugar horrível eu jurei não gostar de nenhum funcionário, mas acabei me encantando por você.

Olhei para Cameron, o único que ainda me repelia.

― Dê tempo a ele.

― Dei quatro meses. ― Rebati.

― Não espere que dores de dez anos sejam superados em quatro meses.

Touché.

Sorri com a sua tentativa de motivação. Dinossaura, Edric, Paul e González. Minha lista de domar casos impossíveis estava aumentando, teria que jogar todos os meus encantos para conquistar Cameron.

Como sempre as duas horas passaram mais rápido que eu gostaria, peguei minha bolsa e me encaminhei a diretoria. Bati duas vezes na porta e entrei.

― Estou indo. ― Avisei para a minha avó que levantou seus olhos da papelada e sorriu divertida.

― Mais um dia que saiu de lá inteira, grandes progressos. ― Um homem falou ao seu lado, provavelmente tinha atrapalhado alguma conversa importante. Cumprimentei o homem que retribuiu com um aceno.

― Nos vemos a noite vovó.

― O Lamartine está no refeitório. ― Disse me mandando um aviso sutil de "Dê o fora".

Rumei ao seu encontro e não me surpreendi ao encontrar meu irmão conversando com uma menina, que me lembrei de ver vagamente uma ou duas vezes ali como voluntária.

Arqueei as sobrancelhas quando nossos olhares se encontraram, o seu suplicante, enquanto a menina se aproximava perigosamente dele.

Depois não diga que não ajudei.

― Vamos amor. ― Incitei fazendo a melhor cara de namorada ciumenta, que vinha com facilidade. Não era à primeira vez que fazia algo do tipo.

A menina me olhou dos pés à cabeça e estendeu a mão com a expressão distorcida pelo puro asco.

― Ariella Blumm.

― Nancy Vougan. ― Disse segurando o riso com aquele momento constrangedor.

Edric segurou minha cintura e lhe mandou um último sorriso, eu não diria bem um sorriso, estava mais para um mostrar de dentes. Entramos no carro que não tinha um único rastro de sujeira.

― Está me devendo cinquenta pratas. ― Anunciei colocando o cinto de segurança.

― Nunca.

― Deixa de ser pão duro. ― Resmunguei. ― Tem dinheiro para apostas, mas não para recompensar sua irmã.

Ele me encarou e seus olhos ficaram translúcidos sob a luz solar.

― Bom argumento. ― Ponderou. ― Mas não o suficiente para merecer meu dinheiro.

Gargalhei e liguei o som tirando a sandália dos meus pés.

― Sua bipolaridade é contagiosa. ― Falei. ― Vai para a festa do Clark?

― As mulheres vão chorar se eu não for. E você?

― Irei também.

― Vai beber?

Fitei-o atônita.

― Talvez.

― Não use roupas curtas, não quero esses garotos que mal sairam das fraldas olhando pra você. ― Pediu simulando ser meu pai e Balancei as mãos sem interesse.

― Vai com suas amigas? ― Questionou e assenti mudando a música do carro. ― Gosto delas.

― Sei.

― Estou falando sério. Elas são divertidas, muito bonitas...e tirando a maluca da Oakley, a Anya é fofa.

― E como vão as suas amizades?

― Muito bem. O Clark é gente boa, o Pepino, enfim, até onde eu sei me dei bem com a grande maioria.

― Pepino?

Edric sorriu malicioso.

― Não vai querer saber.

― Credo. ― Murmurei.

Fiquei o resto do caminho mudando as músicas que apareciam e Edric me deixou em casa sussurrando um " até logo".

Fiz o meu jantar, Tortellini de Bolonha um tipo de massa italiana com ovos recheados, prosciutto, mortadela, queijo parmesão e noz moscada, com caldo de carne ou galinha. A dinossaura nunca teve empregados fixos exceto o seu motorista, a casa era limpa por contrato e quando eu ou ela não fazíamos a comida, pedíamos por delivery.

Eu não era uma amante de festas e preferia ficar em casa escutando música ou lendo um bom livro. No entanto, naquela noite eu queria me divertir de maneira diferente.

Olhei-me no espelho e a porta foi aberta sem nenhum aviso, mas eu estava naquela casa a tempo suficiente para saber pelas passadas que era a minha vó.

― Está muito bonita. ― Elogiou, seu rosto um pouco mais pálido que o normal.

― Obrigada.

Eu usava um vestido verde escuro um pouco folgado com a manga até os pulsos terminando acima do joelho, um sapato nude fosco e completei com uma maquiagem básica completando o visual. Optei por fazer um penteado simples no cabelo, nunca consegui deixar ele solto por muito tempo.

― Vou chegar tarde.

― Ficaria surpresa se chegasse cedo. Juízo. ― Deu um tapinha leve na minha cabeça dando ênfase na palavra.

Sem me importar se iria ou não a agradar, segurei seus ombros e plantei um beijo em sua face, mostarda que eu estava ali, com ela, e que seu sarcasmo não iria me afastar.

― Divirta-se. ― Falou retribuindo o abraço.

A campainha tocou e desci cuidadosamente degrau por degrau com medo de cair, e abri a porta.

― Por Vênus. ― Murmurou Leila arregalando seus olhos azuis, devidamente marcados com delineador. ― Nancy você está um arraso.

Era engraçado isso ser falado por ela, que usava um vestido prata que abraçava todas as suas curvas e como se não fosse o suficiente seu cabelo loiro estava metade trançado e caia sob o ombro de maneira impecavél. De longe seria a mais bonita naquela festa.

― Nada comparado a você. ― Falei sincera.

Rumamos até a limousine e o motorista abriu a porta para nós. Cumprimentei Anya que mergulhava um morango na calda de chocolate e sentei ao seu lado.

― Tá maluca garota? ― Leila berrou com a voz estridente e Anya se encolheu pega em flagrante. ― Esse vestido é um Channel exclusivo.

― Eu só queria provar. ― Sussurrou com um muxoxo.

― Não faça essa cara, eu me sinto uma tirana. ― Leila resmungou.

Aplaudi Anya em pensamento, que usava muito bem sua inocência para manipular a amiga. Claro que com os anos de amizade Leila já não caia em seu truque, mas um estranho seria facilmente enredado na sua armadilha invisível.

Os próprios seres celestiais pareciam ter descido á Terra e jogado seu encanto angelical sobre a garota. Anya vestia um fino vestido rosa claro com flores bordadas no corpete e a maquiagem não modificava modificava seu rosto, apenas resultava a beleza que já possuía.

Peguei um morango e mergulhei na calda apreciando o sabor sem me importar com o vestido, ainda sim tomando um cuidado pelo olhar feroz de Leila.

― Ainda não acredito que não namora. ― Anya disse me avaliando.

Entendi aquilo como um elogio e sorri despreocupada descordando com o que tinha dito, meus olhos eram castanhos quase negros assim como os meus cabelos, olhos pequenos e um nariz aceitável em um rosto comum. Ainda que tivesse minha beleza e soubesse ressalta-la não era nada memorável.

― Os homens costumam não suportar minha teimosia, e agradeço por isso muitos têm um intelecto de cavalo.

Pobre cavalo.

― Vai morrer solteirona. ― Leila provocou.

― Se esse for o preço a pagar por aproveitar a vida com boas companhias sem dar satisfação, aceito de com grado.

Anya abriu a boca escandalizada.

― Mas é o amor? ― Inquérito com pesar.

― Não estou ansiosa para esse acontecimento.

― Vocês estão me deixando depressiva. ― Leila falou assim que o carro parou. ― Esqueçam esse assusto e vamos mostrar como nos divertimos.

Desci do carro e mordi a língua. A casa do Clark era enorme e toda Phoenix parecia estar ali. Dois seguranças guardavam o portão elegante e nem ao menos piscaram com nossa presença, apenas abriram o portão, como provavelmente tinham sido ordenados.

O som reverberava por todo o ambiente e cada célula do meu corpo parecia se agitar com ele, um convite descarado me incentivando a dança. O mesmo parecia acontecer com as outras pessoas que pulavam e se moviam no ritmo da música na piscina, dentro da casa e em todos os lugares possíveis.

A medida que passávamos pelo amontoado de adolescentes recebíamos mais olhares que o necessário, a boa notícia é que a maioria não era para mim.

― Leila você está deslumbrante. ― Uma menina de cabelo enegrecido liso e curto falou andando até nós.

― Kyara que saudades. ― Respondeu com um breve sorriso, indicando que saudade foi o último sentimento que havia passado por ela. ― Pode pegar uma bebida para nós?

― Claro. ― A garota sumiu tão rápido quanto apareceu.

― Por quê fez isso com ela? ― Anya criticou. ― Kyara sempre foi tão boa pra nós.

― Eu sugeri que ela fosse buscar as beiras, e ela aceitou por que quis. ― Disse dando de ombros buscando alguém com o olhar. ― Olha só o Clark, preciso falar com ele. Nos esbarramos depois, usem proteção.

Leila tinha sido muito arrogante, mas nunca daquela forma. Era óbvio que sempre teve tudo na vida assim como eu mas isso não lhe dava o direito de pisar nos outros.

― Quero dançar. ― Anya sentenciou. ― Quer vir comigo Nancy?

― Se a Vougan não quiser dançar com você eu quero. ― Edric apareceu a alguns passos de nós e tomou a mão de Anya entre as suas. ― Così belle, sono tentato di rapire a me. ( Tão linda que estou tentado a sequestrar você para mim.)

Anya corou violentamente e um sorriso maldoso se insinuou pelo rosto do meu irmão.

― Não entendi. ― Anya balbuciou puxando suas mãos e tratou logo de acrescentar. ― Mas prefiro permanecer assim.

Edric colocou as mãos nos bolsos da sua calça e me analisou, fazendo uma vistoria com o olhar no tamanho do meu vestido, e pareceu um pouco satisfeito.

― Vou procurar outra para dançar então. ― Falou girando os calcanhares e sendo interceptado por uma loira, sem precisar procurar.

― Ele gosta de me deixar envergonhada. ― Minha amiga falou recomposta quando nos encaminhamos para a enorme pista de dança implantada na sala de estar da casa, grande como uma quadra de basquete.

― Ele adora fazer isso com qualquer um, mas pelo que parece você virou seu alvo favorito. ― Resmunguei.

Kyara apareceu com as bebidas e eu aceitei bebendo o conteúdo, deixando o álcool descer rasgando pela minha garganta.

― Dance com a gente. ― Ofereci e seu rosto se iluminou.

― Você é demais Nancy.

Deixei a música me dominar e Balancei meu corpo conforme as batidas, as vezes Anya e Kyara criavam passos novos e riam de si mesmas. No final eu estava suada e um pouco agitada pelos drinks que tinha tomado.

Sai da pista de dança para me acalmar e ignorei a dor aguda que subia pelo meu corpo todas as vezes que meus pés tocavam o chão. Um suspiro involuntário saiu da minha boca quando vi um imenso sofá em um canto afastado da sala que a música possivelmente estaria mais baixa.

E soltei um xingamento ao ver quem estava sentado nele também.

A minha perdição...de controle.

Tinha que valer a pena. Andei até o sofá sob o seu olhar constante

Calma Nancy.

Sentei-me na ponta mais afastada possível dele, uma distância insignificante de um palmo nos separava. Olhei ao redor tentando desviar meus pensamentos dele e encontrar algo mais interessante.

Anya tinha saído da pista também, e nela só estava uma Violet que dançava de maneira depravada em cima do Scott que se afastava de tempos em tempos. Os saltos pesaram sobre os meus pés.

O que aconteceria se eu os tirasse e arremessasse na cabeça dela?

Seria maravilhoso, meus pés ficariam aliviados e o mundo também.

― Se fizer exatamente o que seus olhos estão denunciando eu vou agradecer.

Acenei concordando com o que Alex tinha dito.

Espera.

Congelei ao perceber que ele realmente tinha falado comigo e embora não estivesse sorrindo (coisa que eu duvidava que soubesse fazer), seus olhos azuis intransponíveis brilhavam divertidos.

Na verdade, ele inteiro parecia estar se divertindo de maneira taciturna, encostado no sofá com as penas cruzadas e de tempos tem tempos levava a boca o copo que guardava um líquido que supus ser vodca.

― Não gosto dela. ― Admiti me forçando a não desviar meu olhar do seu. ― E posso ser franca?

Ele abriu a boca para falar algo, e fechou respondendo resignado.

― Claro.

― Também não gosto muito do seu amigo. ― Soltei selecionando as palavras.

Alex se remexeu ao meu lado claramente desconfortável e passou a mão pelos cabelos e pousando- a na nuca.

― Entendo.

O silêncio se instalou incomodo entre nós e evitei levar a mão a boca para roer as unhas, um hábito irritante e quase impossível de controlar quando estou nervosa. Fitei Alex de soslaio. Ele também me olhava,mas especificamente para as minhas mãos que se remexia sobre o meu colo. Fechei-a em punho.

Eu detestava me intimidar, mas estava do mesmo jeito de quando ele me dera carona, o que gerava meu nervosismo, e então eu roía as unhas e ficava mais nervosa por estar nervosa com algo tão bobo.

Seu olhar deslizou das minhas mãos para o meu rosto sem pressa e me encolhi sobre o sofá com sua análise fria.

― Alex aqui está a bebida que me pediu. ― Escutei mas não ousei olhar para o lado e ver quem era.

Arrumei a saia do vestido e me preparei para sair dali.

― Aceita? ― Sua voz grave interrompeu minha atitude e encarei o copo que estendia para mim. ― É uma bebida como qualquer outra, a única diferença é que essa te deixa viva.

― Eu não quero ficar chapada.

― Apenas beba.

O azul dos seus olhos não desgrudaram dos meus em nenhum segundo, e me perguntei quando ele era pior: ríspido ou mandão.

Aproximei-me dele para pegar o copo da sua mão, conciente demais da nossa próximidade e de curiosos nos observando e mesmo assim virei o copo.

― Água? ― Questionei incrédula e pensei ter visto os cantos dos seus boca repuxado para cima, como...como um sorriso. Atribui aquilo ao efeito do álcool.

― Eu disse te deixa viva.

― Você não presta.

Ele deu de ombros.

― Geralmente vem incluso na minha reputação.

Sorri para ele e deixei que ele ficasse no meu rosto assim como me permiti ficar ao seu lado.

― Por quê água?

― Faço muita merda sóbrio, mas não se compara com o que eu faço bêbado.

― Nem consigo imaginar.

A minha ironia pareceu o agradar, e aproveitei aquele momento em que ele parecia estar diferente.

Seria mais fácil lidar com ele se fosse sempre assim.

― Nancy saia daí agora. ― Bambino.

Movi minha cabeça e encontrei meu irmão furioso parado a beira do sofá. Ele não podia simplesmente usar seus poderes sobrenaturais, brotar do nada e mandar em mim.

― O que está fazendo? ― Foi Alex que perguntou se levantando com a voz calma.

Edric riu irônico e cruzou os braços, os olhos faiscando parecendo um céu nublado.

― Eu que pergunto. ― Rebateu e me fuzilou em seguida. ― Imagina a minha surpresa em te encontrar justo com ele. Será que não escuta nada que eu digo.

Foi a minha vez me levantar e me aproximar dele enfrentando sua raiva ridícula.

― Você não me disse nada.

Era verdade.

Ele sabia disso. O que só lhe restou esfregar o rosto impaciente.

― Anya. ― Resmungou entredentes.

Um estalo na minha cabeça me fez ligar os pontos e me senti instantaneamente culpada, e pior...Violet e Scott também não estavam na pista.

― É bem além disso.

― Preciso ir. ― Alex falou subitamente em alerta e se retirou congelando meu irmão com o olhar antes de sair, e Edric não ficou muito atrás.

― Fique longe dele. Está me entendendo? Se for preciso mude de direção quando ele estiver vindo na sua.

― Anya precisa de mim, deixe o drama pra depois.

― Vou avisando logo que é bem provável que nunca mais seja a mesma depois disso.

Duvidei.

E mais uma vez, errei feio.

Pisquei os olhos três vezes para me assegurar que aquilo não era um pesadelo, mas a cena era verdadeira.
Anya dançava sensualmente em cima da mesa de vidro do Clark, disposta na cozinha balançando os cabelos soltos com aplausos da multidão.

― Temos que tirar ela de lá. ― Arei quando começou começou a baixar o zíper lateral do seu vestido e começei a abrir caminho pelas pessoas empurrando quem não me dava espaço com Edric a meu encalço.

Kyara estava perto da mesa berrando junto com Leila para que ela descesse, sem obter êxito.

― Edric quando ela de aproximar dela a segure.

Ele negou com a cabeça.

― Ela vai se machucar.

Anya abaixou ainda mais o vestido.

― Edric faça sua mágica, por favor.

― Quero que você e Leila fiquem do outro lado da mesa e empurrem quando eu mandar. ― Explicou. ― Calculado a força média de vocês duas e a altura da mesa pela distância dos pés dela da borda...vai cair aqui. ― Se posicionou no lugar indicado e sorriu lascivo. ― Diretamente nos meus braços.

Leila tinha parado de gritar e o olhou admirada.

― O que você é?

― Uma pessoa um pouco inteligente. ― Resmungou. ― Agora vão.

Andamos até o lado oposto da mesa e seguramos a borda.

― Podemos confiar? ― Leila perguntou mordendo os lábios.

Edric parecia tão preucupada quanto nós, mas seguro, seus cálculos nunca falhavam.

― Podemos.

Meu irmão acenou assim que Anya descia rebolando na mesa e empurramos esperando que desse tudo certo. Como esperado, ela se desequilibrou caindo em cima de Edric, que a segurou de maneira que seu vestido não descesse mostrando o resto do sutiã azul rendado.

Ele a colocou no chão, arrumando sua roupa e fechando o zíper fulminando qualquer garoto que olhasse com malícia para ela, passando o braço por seus ombros.

― Edric está muito extremado. ― Leila comentou com uma pergunta silenciosa.

― Ele faria isso por você também.

― Estava divertido. ― Anya resmungou e em seguida agitou a cabeça.

Bêbados, um tipo a ser estudado.

― Amanhã você vai se arrepender. ― Falei. ― Pelo menos terminou melhor do que eu imaginei.

Rumamos para fora da casa enquanto Leila discava para o motorista ir nos buscar. Me encostei na parede observando Edric cuidando de Anya que falava coisas sem nexo e ele pacientemente fingia entender.

― Merda. ― Leila praguejou.

Scott vinha literalmente bufando com Alex a seu encalço, com um semblante sombrio. Violet não estava com eles.

Deve ter voltado para o inferno de onde não deveria ter saído.

― Tira as mãos dela. ― Scott rugiu para o meu irmão que gargalhou colocando Anya atrás de si, bêbada até para reconhecer quem estava lá.

― Está um pouco tarde para isso, príncipe encantado. ― Retrucou sorrindo ácido.

― Edric. ― Alertei e olhei para Scott fora de si, felizmente Alex segurava com força o seu braço, em uma troca rápida de olhares tínhamos um mesmo pensamento. Aquela não era hora e nem lugar para uma conversa daquelas. Mas se Scott fosse pra briga e meu irmão o machucasse...Alex tomaria partido, e defenderia o amigo.

― Ele tem razão. ― Alex puxou Scott que nem se moveu, determinado a ficar.

― Não pode ficar com as duas. ― Scott se aproximou e ele emanava o puro álcool. Demorei um segundo pra perceber que ele pensava que Edric ele eu éramos ...céus não.

Edric desmanchou seu sorriso.

― Eu não posso ficar com as duas, mas escolho proteger as três. Sugiro que saia daqui antes que ele um me irrite e nem seu amigo vai me segurar.

― Não ia fazer nem esforço. ― Alex retrucou.

Leila suspirou aliviada quando a limousine chegou e guardou o celular na carteira com as mãos trêmulas.

― Você não merece ela. ― Scott murmurou perdido, como se não acreditasse no que estava acontecendo.

Edric colocou Anya no carro ao lado de Leila e entrei em seguida torcendo para que ele fosse conosco. De maneira alguma eu ia deixá-lo ali.

― Verdade. ― Ouvi Edric responder Scott depois de aceitar meu pedido. ― E você também não merece ela, porque garotas como ela são maravilhosas demais para qualquer babaca como nós. E sinceramente, acho difícil que alguém a mereça de verdade.

Scott não ficou furioso, na verdade pareceu conformado, dando conta da merda que tinha feito até aquele momento. Cabisbaixo e abatido se virou e deixou ser levado por Alex. Scott afinal parecia ser uma boa pessoa, algo em sua expressão passava tanta dor e arrependimento que eu me senti com vontade de conforta-lo.

― Foi... ― Leila balbuciou quando meu irmão entrou no carro. ― Obrigada.

― Não foi nada.

Segurei sua mão e ele se permitiu fechar os olhos parecendo dez anos mais velho que eu, enquanto era apenas um. Lorenzo e Cassandra Lamartine tinham grandes planos para Edric, e meu irmão queria apenas se formar em Matemática e se especializar em Probabilidade e Estatística, ter uma família, viajar pelo mundo e ser independente.

Olhei para Leila que sorriu fazendo um cafuné em Anya que cochichava profundamente no seu ombro.

― Ela vai matar ou morrer segunda feira?

― Morrer. Com certeza morrer.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Deixem seus comentário. Abraço de urso.