Notas iniciais
Olá leitores, essa não é a primeira história que escrevo, porém é o meu primeiro projeto na área romântica. Espero que se identifiquem com os personagens. Abraço de urso.

VÍCIO NÚMERO 1 — Indiferença : Ignorar as pessoas completamente.

Após mais um dia cansativo de aula eu finalmente estava encostado no capô do carro esperando Scott, meu amigo mais próximo, embora eu realmente não tivesse muitos. O calor estava tão grande que eu sentia um cheiro de queimado, talvez fosse algum incêndio na vizinhança ou o meu cérebro fritando esperando esse filho da puta sair dessa maldita escola.

Já estava considerando a possibilidade dele ir andando pra casa, quando apareceu acompanhando da namorada Violet Rost, que eu tinha que admitir era gata, com seus cabelos castanhos e olhos expressivos, contanto que ficasse com a boca calada.

― Pensei que iam esperar pra se agarrarem, da próxima vez deixarei os pombinhos aqui. ― Resmunguei.

― Alex, eu sabia que você era gay, mas não sabia que a sua queda era por mim. ― Scott debochou fingindo surpresa, eu me limitei a dar o dedo do meio pra ele enquanto entrava no carro.

― Não vai falar comigo? ― Violet indagou, me fazendo escutar sua voz estridente. Me erra garota.

― Sou obrigado a aturar o Scott, não você.

Scott me lançou um olhar frio. Eu sabia que ele odiava quando a tratava assim, não por ser sua namorada, mas por que saber que eu estava certo ao mostrar que ela não valia nada, ao contrário de outras garotas que já fizeram de tudo por ele. O real motivo de continuar com ela, porra, é um mistério até mesmo pra mim.

Dirigi o mais rápido possível, ao som de Bon Jovi para abafar o barulho dos beijos, demorando apenas cinco minutos. Esse era o lado bom de morar em Phoenix, se você circular uma hora em volta da cidade, é o suficiente para conhecer as principais ruas da cidade. Estava tão inerte em meus devaneios, que nem me dei conta que Scott e Violet tinham descido do carro e entrado na casa ao lado da minha. É...o imbecil ainda era meu vizinho.

Scott e eu éramos vizinhos desde que me conheço por projeto de cão, palavras dele não minhas, e esse era o motivo de sermos amigos à tanto tempo, a realidade é que eu o considerava um irmão mais novo, e meu pai parecia vê-lo da mesma forma.

Abri a porta da minha casa e vi uma mulher baixa de cabelos grisalhos que eu conhecia bem, aproveitei sua distração para lhe abraçar por trás depositando um beijo em sua bochecha. Vera Harmon era a governanta da minha casa, mas estava lá há tanto tempo que eu já lhe considerava da família, ou melhor, como uma mãe, já que eu não cheguei a ver a minha.

Sempre que pensava nela me sentia vazio angustiante, que se esgueirava inconveniente em todos os momentos.

― Que bom que chegou pequeno, estava demorando. ― Vera Harmon disse com um sorriso que me deixava em paz, poucas pessoas tinham a capacidade de me deixar feliz com um sorriso, e eu lhe concedia os meus.

― Alguma novidade?

― Seu pai está te esperando no escritório.― Olhei para ela assustado.

― Merda... ― Ela estendeu os braços e esfregou minha boca enquanto saia resmungando algo sobre não ter me criado direito.

O escritório do meu pai era ao no corredor do meu quarto, abri a porta descaradamente sem me importar se estava atrapalhando ou não seu trabalho, assimilando o seu olhar rígido.

― Vai ficar em pé? ― Questionou. Analisei a sua postura e decidi que estava muito fodido.

Não pretendo ficar aqui muito tempo.

― Não. ― Puxei a cadeira me preparando para o assunto. ― Pode falar.

Meu pai suspirou pesadamente e assim Max Devens deu uma prévia do assunto.

― Filho, além de suas notas estarem em código binário a escola me liga todos os dias reclamando do seu comportamento. ― Até agora nenhuma novidade. ― Fora as queixas de agressão que eu estou tendo dificuldade em retirar do seu histórico, principalmente o soco que você deu no filho do meu futuro sócio, Ethan Mattew.

― Ele era um babaca. ― Dei de ombros tentando disfarçar a raiva que eu ainda sentia daquele sem noção, que estava agredindo verbalmente Vera em um jantar aqui em casa. Devia ter batido mais.

― Embora tenha sido um soco bem dado. ― Nesse momento um leve sorriso se insinuou no rosto do meu pai. ― Você tem que entender que ninguém é seu saco de pancadas, e preciso de você limpo de queixas para me ajudar, somos só nós dois e eu não tenho cabeça pra lidar com você bancando o rebelde sem causa.

― Eu não...―Tentei me defender mas ele gritou cortando minha fala.

― Cale a maldita boca e fale somente quando eu terminar. Da próxima vez que você receber uma queixa eu não vou poder te ajudar, ou você vai ser preso, ou vai prestar serviços comunitários.

Fiquei calado tentando entender tudo, não sei quanto tempo passou enquanto eu olhava para o chão do seu escritório fingindo que ele era mais interessante que aquele assunto, ou como o porta retrato era subitamente merecedor da minha atenção, mas meu pai tinha razão e eu tinha por enquanto a oportunidade de mudar. Dei o assunto por encerrado e sai sem dizer uma palavra.

Desde que meu pai veio para cá, passava a maior parte do tempo cuidado de uma das muitas filiais da nossa empresa. Essa era a favorita dele. Foi aqui que conheceu a minha mãe. Além disso era aqui que tirávamos a maior parte da matéria prima para a produção de eletrônicos em San Diego. Pai responsável, marido exemplar.

O completo oposto de mim.

Pensei amargurado me trancando no quarto.

Notas finais
Continuarei postando mesmo sem comentários, mas eles são bem vindos. Aceito críticas e sugestões (embora dificilmente mude a ordem do enredo).