Perdoe os Vícios pelo Amor

2 Educação não é de Família


Notas iniciais
Olá fofinhos, só para esclarecer, o prólogo é apenas um dos raros momentos que vamos ver meu amor (Alex) narrando. E esse é oficialmente o primeiro capítulo, em águas mansas. Preparem os corações a partir dos próximos capítulos teremos uma revelação após a outra. Não esqueçam de ler as notas finais com o poema dedicado para esse capítulo e lembrando que eles são meus em parceria com um amigo, então sem plágio. Abraço de urso!

VÍCIO NÚMERO 2 — Orgulho: Achar-se melhor que os outros, nunca aceitar que precisa dos outros.

O calor vinha de forma intensa, provocando em mim uma forte tontura. Estou no inferno, pensei, amarrando meu cabelo em um coque mal feito. Há mais de uma hora e meia eu esperava a minha avó do lado de fora do aeroporto. Já estava a beira do desespero quando um Alfa Romeu branco parou na minha frente.

Abri a porta do carro eufórica por um ar gelado, mas quando reparei no rosto do motorista já era tarde demais.

― Quem diabos é você?― O homem perguntou como se eu fosse uma aberração.

Merda, que vergonha.

― Desculpe, carro errado.― Dei um sorriso envergonhado e fechei a porta o mais rápido possível.

Olhei para os lados e vi um carro igual ao do homem, mas dessa vez precisava ter certeza que era o carro certo. O vidro fosco não permitia ver quem estava de dentro, mas a buzina ecoou com força e eu sorri, finalmente iria para a casa.

―Pensei em quando você iria entrar? ― Minha avó resmungou assim que coloquei os pés no carro.

Que ótima recepção.

― Liguei dez vezes! ― Exclamei de olhos fechados aproveitando o vento frio no meu rosto. ― Porque não me atendeu?

― Estava em uma reunião do St. Domingos, não que isso seja da sua conta.

Com seu tom de voz cortante senti vontade de pegar um vôo de volta para a casa da minha mãe, mas eu não podia. Era óbvio que Dinah Vougan não me queria com ela, além disso nossa relação nunca havia sido boa.

Respirei fundo me sentindo mais calma e abri os olhos, percebendo o motorista no banco da frente, que tinha escutado toda discussão, eu já o conhecia e sorri com sinceridade.

―Bom dia senhor Mark. ― Cumprimentei-o esperando soar mais educada. Mark Farber, era o motorista da minha avó desde que vinha aqui para as férias de verão quando meus pais ainda estavam juntos. Era um senhor barrigudo, de pele bronzeada e com sobrancelhas grossas encaixadas em um rosto carrancudo, que escondia um amor de pessoa. Saudades do tempo que ele me dava algodão doce escondido.

―Bom dia Nancy Vougan. ― Ele me olhou pelo retrovisor. ― Mal a reconheci, bem vinda novamente.

― Obrigada.

Quase escutei minha avó falando que eu não era uma Vougan. O clima ficou tão esquisito, que coloquei o fone de ouvido tentando ignorar a presença da mulher ao meu lado, mas não funcionou, olhei para ela de soslaio. Dinah tinha um ar irônico em tudo o que fazia, era de uma pele branca e bem cuidada e cabelos brancos curtos, completamente o oposto de mim.

Eu a tinha visto dois anos atrás, ela sempre tinha me tratado de forma indiferente e sempre criticando o modo como me expressava com as pessoas, não era uma avó carinhosa mas a sua responsabilidade isso eu não podia negar.

― Não estamos em casa. ― Constatei ao sair do carro.

― Jura? ― Dinah desceu do carro e pude reparar das suas roupas extremamente formais para o lugar que havia escolhido. ― Vai entrar no restaurante ou prefere ficar sorrindo igual uma demente?

Ignorei seu comentário e entrei no estabelecimento. Pela primeira vez durante esse tempo juntas trocamos olhares que resumiram o assunto. Pelo visto esse lanche vai ser longo.

***

Nosso combinado era de um ano, mas eu estava disposta a passar menos tempo que isso.

― Como bem sabe, saio às manhãs bem cedo e irei te colocar na melhor escola da cidade. ― Ela disse bebericando o suco. ― Mas antes compre roupas novas, não quero uma pessoa ligada a mim usando esses trapos.

Revirei os olhos.

― Terminou? ― Perguntei retoricamente. ― Está gastando saliva o meu pai já me falou sobre isso. Tenho um pedido para fazer e suponho que já saiba o motivo.

Dinah me encarou assentindo com a cabeça, enquanto seus olhos estamparam divertimento.

― Não estou surpresa por isso, e realmente estamos precisando de novos voluntários. ― Minha avó gerenciava um asilo, era irônico, mas ela virava outra pessoa dentro do St. Domingos e defendia aqueles idosos com unhas e dentes.

Quando passava as férias aqui, ficava as manhãs naquele lugar, esperando um sorriso daquelas pessoas.

― É muito estranha essa situação. ― Sorri triste. ― Nunca fomos exatamente avó e neta, e agora entendo o por que.

― Nada disso estaria acontecendo se não fosse a estúpida da sua mãe. ― Sabe o que mais doeu? Ver que ela tinha razão.

― Eu sei. Podemos não falar sobre isso? ? Minha voz saiu num fio.

― Tudo bem. ― Dinah me encarou e por um momento vi algo diferente no seu olhar. ― Mas não espere que eu minta, vou falar verdades que você precisa ouvir.

― Espero ter uma convivência tolerável com você. ― Comentei olhando para o meu suco que a tempos tinha perdido o sabor.

― Eu também espero.

***

― Agora sim, estamos em casa. ― Dinah anunciou assim que saímos do carro. ― Seja bem vinda Nancy.

Escondi minha surpresa ao escutá-la me dando boas vindas. Esperava um: Agora que está aqui mova essa bunda para o quarto garota estúpida e não saia de lá!. Isso me fez considerar que ela realmente estava tentando uma relação pacífica comigo.

O lugar era o mesmo, uma casa grande decorada com um belo jardim, com várias espécies de flores, mas eu tinha a sensação que algo tinha mudado. Talvez a mudança tenha sido em mim.

Internamente, não havia nenhuma mudança na casa, exceto a falta dos retratos da família Vougan, e minha curiosidade foi maior.

― Onde estão as fotografias? ― Perguntei.

― É mais fácil pensar que eu não tenho uma família quando moro sozinha. ― Dinah abanou as mãos como não se importasse e qualquer palavra de afeto que eu dissesse ela iria voltar aos três muros de sarcasmo, então subi ao meu antigo quarto.

Sabe o que eu fiz assim que entrei? Me joguei na cama, rogando aos céus para que eu e minha avó não nos matássemos na primeira semana juntas e que nosso acordo realmente desse certo.

***FLASHBACK***

― Está em casa princesa. ― Nathan falou assim que estacionou o carro na frente da minha casa e tentei não parecer nervosa. Todas as vezes que eu estava ao lado dele achava que meu coração ia sair pela boca.

― Obrigada Nathan. ― No mesmo instante percebi que as portas do carro estavam travadas.

Confusa, me virei para falar com ele mas as palavras morreram na minha boca. Seu rosto estava muito próximo do meu. Senti sua respiração descompassada e não consegui tirar meus olhos do seus, era como se fossem dois imãs. Ele levantou sua mão e tocou o meu rosto com os dedos admirando meu rosto enquanto eu observava seu rosto perto do meu. Ele era tão lindo.

― Estou louco por você Vougan. ― Ele estava me torturando ao roçar seus lábios nos meus, acabei com aquela pequena distância e selei-os de uma vez, mas foi ele que conduziu o beijo e o aprofundou. A sensação era maravilhosa, eu queria ficar ali para sempre, puxei seu cabelo trazendo Nathan para mais perto se mim (como se isso fosse possível), me envolvendo naquele sentimento.

O ar se fez necessário e ficamos olhando um para o outro sorrindo, eu estava boba, mas não me importava, ele estava comigo.

― Posso ir agora? ― Perguntei brincalhona e ele destravou as portas sorrindo mas antes de sair segurou meu braço.

― Se soubesse que era só travar o carro para conseguir um beijo seu, tinha feito isso no momento que te conheci.

Notas finais
Até o próximo capítulo! Beijos.