Perdoe os Vícios pelo Amor
6 Muito mais que um amigo
Notas iniciais
Eu não tinha conseguido dormir direito por três dias. Os pesadelos me faziam lembrar das coisas que mais queria esquecer. Tudo por causa de uma maldita mensagem.
― Credo, você está horrível.
― Obrigada Leila, pela sua maravilhosa sinceridade. ― Disse revirando os olhos.
― Não dormiu direito de novo? ― Foi a vez de Anya falar.
Movi a cabeça em negativa.
― Passei a noite assistindo The Walking Dead e garanto até os zumbis estão melhor que você. ― Leila soltou.
Coloquei as mãos sobre o coração como se tivesse levado um tiro.
Essa doeu.
― Leila você está demais hoje. ― Anya resmungou, olhando ao redor da escola.
― Eu sou demais.
― Você tem sérios problemas mentais ou fumou alguma droga pesada. ― Retruquei.
No final das contas hoje era o dia em que as duas iriam para a minha casa,
depois de tanto adiar. E por questões
de segurança escondi absolutamente
todos os objetos pontiagudos e de vidro do meu quarto.
Vai que Leila dá a louca.
― Vejo vocês no almoço. ― Ela saiu após alguns minutos de conversa, me deixando sozinha com Anya.
Caminhamos até a sala, onde nossa primeira aula era Química, só que dessa vez sentei na primeira fileira a pedido de Anya.
― Odeio sentar nos primeiros lugares. ― Admiti.
― Por quê? ― Ela perguntou arrumando metodicamente seu material em cima da mesa.
― Sinto uma sensação ruim, como se estivesse exposta. ― Expliquei. ― Talvez seja só comigo.
― O que vai fazer no final de semana?
― Vou ser voluntário no asilo e domingo estava pensando em ler alguma coisa, ou talvez assistir pela milionésima vez Orgulho e Preconceito. ― Disse, passando um dos meus cachos pelo dedo. ― E você?
― Nesse domingo pretendo assistir Cawboy Bebop agora que terminei Fairy Tail.
Anya Campbell com todo o jeito de romântica e inoacente era na verdade uma apaixonada por animes e doramas, além de uma insistência enorme de me fazer assistir com ela, e admito que gostei.
Arqueei as sobrancelhas com seu comentário.
― Pretende?
― Pretendo. ― Ela deu um sorriso brincalhão. ― Não significa que Leila vai deixar.
É bem a cara dela mesmo.
― Não entendo por que ainda não visitou os pontos turísticos daqui. ― Suspirou. ― Certo que Phoenix não é uma cidade turística mas há alguns atrativos divertidos.
Sou preguiçosa.
― Quem sabe. ― Retruquei dando de ombros.
Eu realmente pretendia passear pela cidade com calma, tinha até me arriscado uma vez mas a experiência não foi tão boa como quando tinha ido com meu pai.
Pouco tempo depois o professor Carl chegou iniciando seu conteúdo. Química não era tão ruim.
― Então usamos os princípios para aplica-los nas questões. ― Carl falou enquanto anotava tudo no quadro com uma rapidez espantosa. ― Primeiro temos um raio atômico que... ― Alguém bateu na porta cortando a explicação, fazendo o professor abrir a porta e sair.
― O que será que aconteceu? ― Anya indagou curiosa.
― Pode ser um aluno novo. ― Sugeri.
E eu não poderia estar mais correta.
Quando a porta se abriu e o professor entrou dando espaço para o aluno passar eu estava bem. Até reconhecer o aluno.
Impossível.
Senti a cor sumir do meu rosto e arregalei os olhos, meu coração acelerou tão rápido que pensei que teria uma síncope na frente de todos.
Isso não pode estar acontecendo.
Eu estava assustada demais para sequer disfarçar a surpresa e os olhares nada sutis de Anya me deixavam ainda mais nervosa.
Os olhos caleidoscópicos do novo aluno pousaram em mim divertidos ao me ver naquele estado. Edric Lamartine estava diferente, com o cabelo ruivo mais curto e o corpo mais definido. Mas era ele sim.
Desviei meu olhar para o caderno e eu sabia que ele iria se sentar no meu lado. Esperei que ele se acomodar se na cadeira para escrever no canto do meu caderno com minha letra disforme. O que está fazendo aqui?
Inclinei o caderno e fingi prestar atenção na aula. Edric leu a anotação e limitou-se a pegar o seu e escrever assim como eu. Vendo você, não entendo a sua surpresa, te mandei uma mensagem. E aliás, agiu como uma criança fugindo de mim.
Bufei diante de tanta hipocrisia.
Eu não fugi, você que me enganou e forçou a vir pra cá. Rabisquei e apaguei em seguida. Dessa vez me conceito eu na aula, ignorando tanto seu olhar insistente quanto o de Anya. Eu esplicaria depois.
Ainda estava furiosa com ele, mas sua presença ali me deixava feliz, e apagava lentamente a minha mágoa.
― Alunos não esquecem de fazer todos os exercícios do capítulo. ― O professor avisou saindo da sala. ― Tenham um bom dia.
Larguei a caneta e me levantei. Era hora de encarar.
― Quem é ela? E você conhece ele de onde? ― Anya perguntou baixinho.
Edric levantou da mesa e andou até nossa direção e sorriu. O mais forçado dos sorrisos.
― É bom ver que já fez novas amizades Vougan. ― Falou com uma ironia velada se encostando na minha mesa e dirigindo-se a Anya. ― Prazer, meu nome é Edric Lamartine, sou o...
Merda.
― O meu melhor amigo. ― Cortei rápida tirando seu braço dos meus ombros. ― Pena que fez burrada.
Anya desviava seu olhar entre ele e eu, como se estivesse assistindo um jogo interessantíssimo e por fim parou no ruivo.
― Anya Campbell. ― Se apresentou.
Edric a analisou atentamente com seus olhos sagazes e pareceu aprovar a minha companhia me confirmando que poderia confiar nela.
― Bem, meu próximo horário é Biologia. ― Soltou. ― Espero acompanhar vocês no almoço. Sarà splendida pista così belle signore. ― Sussurrou em italiano depositando um beijo na minha testa e sorrindo para Anya como despedida antes de passar pela porta.
― Caramba. ― Ela suspirou. ― Metade das garotas vão cair em cima dele. Mas o que será que ele disse?
Galanteador barato, roubou até a Anya.
― Não tenho a menor idéia. ― Resmunguei.
― Fala a verdade, ele fez uma burrada muito grande pra te deixar tão nervosa.
Pois é.
― Explico tudo hoje na minha casa.
― Estou ansiosa. ― Admitiu. ― Vai ser o dia das fofocas.
Não consigui controlar a risada.
― Imagino, eu também estou. ― Olhei para a porta agradecendo mentalmente ter a mesma aula que ela. ― Finalmente filosofia.
― Você é a única pessoa que eu conheço que gosta tanto de uma matéria.
― Provavelmente. ― Confirmei. ― Gosto de atletismo também.
― Você já fez? ― Indagou surpresa.
― Já.
E fiz muitas outras que vou me arrepender amargamente.
― Alunos. ― O professor cumprimentou fazendo todos os alunos se sentarem. ― Meu nome é Óscar Carter, mas podem me chamar de Oz.
― Como o mágico? ― Uma voz feminina perguntou.
Oz sorriu, provavelmente acostumado com a pergunta, subindo em cima da mesa. Ele é maluco.
― Sim. ― Respondeu ainda sorrindo no stand o o contraste entre seus sorriso perfeito e é a pele negra. ― Como o mágico, e vim resgatar vocês das aulas entediantes. Nas minhas aulas se sintam livres.
― Livres? ― Uma voz estridente perguntou e me dei conta ser da Violet.
Automaticamente olhei para Anya que retribuiu serena.
― Estou bem. ― Sussurrou, roendo as unhas.
― O que as senhoritas estão cochichando? ― Oz perguntou tão próximo de nós que dei um pulo na cedeira.
Esse homem brotou?
― Estava falando com minha amiga que estou ansiosa para ver os ideais Maquiavélicos. ― Menti.
― Senhorita temos um gosto em comum. ― Falou admirado, e voltando sua atenção para Violet em seguida. ― E respondendo seu questionamento, sim são livres para se expressar.
Oz continuou com sua apresentação mostrando o conteúdo de todo o ano letivo, e por incrível que pareça Violet não ficou mandando olhares tortos para Anya.
Talvez ela tenha entendido o recado.
― Anya que aula maravilhosa. ― Exclamei ao sair da sala.
― Eu te falei. ― Retrucou prendendo seu cabelo em uma trança frouxa.
Seu olhar parou em alguém atrás de nós e vi Edric andando tranquilamente em nossa direção, enquanto conversava com uma garota que sorria abobalhada para ele.
― Meredith, foi muito bom conversar com você. ― Ele disse segurando sua mão quando chegou a poucos passos de onde eu estava com minha amiga. ― Nos vemos por aí.
Um risinho saiu dos meus lábios sem que eu desse conta, acompanhado prontamente dele.
Edric passou os braços pela minha cintura e depositou um beijo na minha testa. Senti sua falta apostador.
― Vamos almoçar? ― Ele perguntou para Anya segurando meu braço.
― Sim. ― Concordou me fitando em desconfiança.
Ele não é meu namorado.
Quase falei, mas preferi esperar.
― Estou perdoado? ― Ele indagou apreensivo e busquei sua mão ao meu lado.
― Sempre esteve. ― Fui sincera e um sorriso brotou em seu rosto, de maneira quase infantil. ― Soltei sua mão e me concentrei a localizar Leila entre as pessoas que iam passando.
― Onde ela está?
― Leila sempre se atraza, deve estar conversando com alguém por aí. ― Anya resmungou impaciente. ― Vamos procurar uma mesa, ela nos encontra depois.
Edric encarou Anya divertido, inclinando a cabeça para o lado quando ela me puxou guiando-me pelo refeitório.
Edric ficou em uma cadeira na minha frente, vez ou outra sorrindo para as pessoas que iam passando, as cumprimentando pelo nome. Ele era muito bom em cativar as pessoas.
E Anya permaneceu ao meu lado e com uma rápida análise percebi olheiras escondidas parcialmente pela maquiagem.
― Você está bem?
Ela ficou surpresa com a pergunta.
― Maratona de séries. ― Disse. ― Olha a louca vindo ali.
Leila andava pelas pessoas desfilando impecável, se tocasse Crazy Love eu não ia me espantar. Talvez fosse inconciente.
― Caralho. ― Edric exclamou hipnotizado por ela.
― Meninas descobri uma festa maravilhosa para esse sábado. E nós vamos. ― Falou eufórica sem perceber a presença do ruivo.
Ele pigarreou e ela pareceu finalmente o notar. E ficou imóvel. Eu daria tudo para saber o que se passava em sua cabeça.
― Muito prazer, sou Edric Lamartine, amigo da Nancy.
Ela se recompôs e olhou para a mão estendida dele e a segurou estreitando os olhos desconfiada.
Leila não é suas nega idiota. Ela se dizia livre, que ficava com vários sem se envolver mas eu sabia que não era bem assim.
― Leila Oakley. ― Resmungou soltando a mão de Edric, como se ela estivesse pegando fogo. E sentou na cadeira ao seu lado.
Chutei com toda a força a perna dele que arregalou os olhos prendendo um gemido de dor.
Controla teu fogo falei com o olhar e ele entendeu a mensagem concordando com a cabeça relutante.
Anya também percebeu o desconforto de Leila e mudou o assunto.
― Continue sobre a festa.
― Vai ser na casa do Clark, e você sabe, são quase as melhores. ― Leila retomou com sua típica animação.
― Soube que perde para as suas festas. ― Edric comentou tranquilo fazendo ela arquear as sobrancelhas descrente.
― Lamartine, os caras estão te chamando. ― Encarei Edric surpresa, era o próprio Clark o gritando. Ele tinha aulas de Física comigo.
― Foi bom conversar com vocês garotas. ― Edric murmurou levando- se sob nossos olhares perplexos. ― Nany, te vejo na saída. ― E saiu indo até a mesa de um bando de garotos barulhentos, mas não sem antes mandar uma piscadela para Leila.
― Que garoto metido. ― Soltou. ― Me diz que essa cenoura ambulante não vai andar com a gente.
Anya balançou a cabeça descrente.
― Se você falar assim, ele vai com certeza grudar em nós. ― Admiti. ― Ou melhor, em você.
― Em mim não. ― Ela quase gritou. ― Vamos pegar um suco, é a única coisa que presta nessa escola.
Deixamos a mesa e agradeci quando a funcionária me entregou o suco de morango. Edric parecia estar sinceramente alegre com aqueles arruaceiros.
Bem a cara dele.
O seu olhar encontrou com o meu e me lançou em Beijo no ar, fazendo todos em sua mesa gargalhar em audívelmente.
― A Vougan é sua garota Lamartine? ― Um garoto que eu não conhecia perguntou jogando uma batata frita em sua cabeça.
― Experiemente se meter com ela. ― Ele respondeu gargalhando, mas seu tom de voz era sério.
Revirei os olhos e limitei- me a tomar o suco e comer os biscoitos caseiros que trouxe de casa. Belo almoço.
― Não temos nenhuma aula juntas. ― Resmunguei quando o sinal tocou. ― Encontro vocês na saída.
― Tudo bem, se cuide.
― Eu sei me cuidar mais que você Leila.
― Vai pro inferno Vougan.
Sorri da sua reação exagerada.
― Até Anya. ― Ela sussurrou um "tchau" tão baixo que fiquei em dúvida se ela realmente tinha dito.
***
― Desembucha. ― Falei impaciente colocando a última caixa para a mudança na sala de estar. ― Estou apressada Edric.
― Eu sei que não gosta de mim. ― Começou sentando-se em uma cadeira cruzando os braços sobre o peito. ― Mas descobri que temos algo em comum.
― Enlouqueceu? ― Questionei estupefata. ― O que nós temos em comum?
Edric me encarou e sorriu amargo com seu olhar transbordando ódio.
― Um belo par de chifres.
***
Arrumei meu material e liguei meu celular saindo da sala, e me surpreendi com as mensagens que recebi.
Leila: Anya passou mal, fui embora mais cedo com ela. Não se precursor, de tarde iremos para sua casa.
Pisquei preocupada.
Vou para a casa de Anya primeiro, depois volto com elas para casa.
Leila: Se o Scott, aquele garoto do refeitório perguntar por ela, mande ele tomar no cú.
Maluca essa garota. Ri alto diante dessa mensagem chamando atenção de alguns alunos que passavam perto de mim.
― Anda muito feliz ultimamente. ― Edric constatou quando cheguei perto dele.
― E você também. ― Rebati bagunçando seus cabelos, que no sol parecia estar pegando fogo. ― Preciso de uma carona.
― Eu sou teu fratello, não sei motorista. ― Debochou da minha cara indignada.
― Então volte para San Diego, que eu pego carona com um dos seus novos amigos.
Sua mão segurou meu rosto e seu sorriso morreu.
― Nem pense nisso.
― Você é meu fratello não meu dono.
― Seja compreensiva. Me mudei muito rápido, tenho uma reunião com Lorenzo agora.
― Tudo bem. ― Suspirei derrotada. ― Com sua mudança repentina devia ter realmente muita coisa pra resolver. ― Mas me dê o dinheiro do metrô.
― Ladra.
― Aprendi com o melhor.
Passei os braços pelo seu pescoço e me enterrei no seu peito, sentindo seu perfume amadeirado. Edric tocou meu rosto me fazendo olha-lo, naquele instante seus olhos pareciam verdes.
― Me prometa que não vai mais apostar e se meter em confusão.
― Esse assunto agora? ― Sua expressão endureceu.
― Lembre do motivo de eu ter ido embora. Você me quer longe de você de novo?
Ele me puxou para um abraço apertado me deixando sufocada, mas não o afastei.
― Nunca. ― Respondeu decidido. ― Vou tentar por você e pelo papai.
Já era um começo.
― Me ligue. ― Falei saindo do seus braços. ― Quero lhe ver depois.
― Eu sei. ― Provocou convencido.
Começei a andar com um sol escaldante sobre a minha cabeça. Onde está um táxi quando a gente precisa? Era relativamente distante a plataforma para pegar o metrô.
Se eu continuasse nesse ritmo, as meninas chegariam na minha casa e eu não chegaria na de Anya antes.
Uma lesma paraplégica seria mais rápida.
O único vento que vinha era dos carros que passavam rápidos ao meu lado. O suor estava escorrendo pela minha testa quando percebi um carro desacelerando, e não era qualquer carro. Era uma BMW preta.
― Precisa de carona? ― Fixei meu olhar na última pessoa que eu achava que podia me oferecer uma carona.
― Estou bem. ― Respondi firme.
Droga de orgulho.
Alex me olhou irritado.
― Anda logo. ― Resmungou. ― Quer morrer de calor?
Não.
Ele tinha razão, mas eu nem o conhecia, tirando nosso desagradável encontro na aula de Biologia. Aliás eu nunca o via no refeitório, percebi.
― Não conheço você.
― Você é desconfiada demais. ― Mrurmurou cruzando os braços impaciente. ― Não vou oferecer uma segunda vez.
Engoli meu orgulho, eu faria tudo pelo ar condicionado, nem que fosse pra morrer depois. Puxei a maçaneta e entrei no carro.
Seja o que Deus quiser.
Me acomodei no banco e percebi de soslaio a estranha satisfação do Devens.
― Preciso ir pra casa de uma amiga. ― Sentenciei. ― É perto da principal.
― Anya. Estou certo?
― Sim. ― Respondi franzindo a testa me perguntando como ele sabia.
Fiquei calada, usando o silêncio desconfortável e a presença intimidadora de Alex para acalmar minha curiosidade. Ele sempre parecia estar dois passos à minha frente.
― Posso ligar o som? ― Pedi no automático.
Alex desviou ligeiro seu olhar do trânsito com seu habitual semblante carrancudo.
― Tanto faz.
Meus dedos se moveram pelo painel e liguei o som. Os acordes daquela música que eu conhecia tão bem invadiram meus ouvidos e arquejei surpresa.
― Gosta da música? ― Sua voz rouca me tirou da pequena bolha que eu tinha criado.
― Sim, gosto muito. ― Snap out of it era de longe uma das músicas que eu mais escutava.
― Qual o motivo da carona? ― Perguntei depois de alguns minutos de mais silêncio.
Alex deu de ombros.
― Me pareceu certo. ― Falou simples. ― Chegamos.
Ele estacionou o carro é um frente a um condomínio luxuoso e soltei o cinto de segurança agarrando minha mochila com força. Por que estou assim?
― Obrigada pela carona. Foi muito gentil da sua parte. ― Sorri olhando diretamente em seus olhos, azuis como um mar revolto, capaz de destruir milhares de embarcações.
Leila estava certa, ele é mesmo o caos.
Sai do carro sem esperar que ele dissesse algo, aturdida com a intensidade do seu olhar. E pior, eu não sabia quanto tempo tinha se passado enquanto ficávamos daquela maneira.
O que diabos aconteceu comigo?
Apertei o botão do interfone e olhei para trás, me permitindo respirar aliviada por ele ter ido embora.
Tudo bem. Vai ficar tudo bem.
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