Perdido na Neve

1 Capítulo I: Gelo e Jeans


Notas iniciais
Olá pessoal! Bem-vindos ao primeiro capítulo a fic. Optei por não fazer prólogo nessa fic, mas espero que não afete em nada. Boa leitura!

A nevasca não dava trégua. O frio castigava os pobres animais polares que procuravam refúgio segundo sua própria natureza. Não havia vegetação, não havia nem sequer a possibilidade de enxergar dois palmos a frente. Cinza-azulado era a cor que predominava naquele ambiente gélido e quase sem vida. Por mais caótico que o cenário parecia ser, o único som possível de se ouvir era o som do vento forte e impetuoso que fazia os flocos de neve dançarem até caírem por completo no seu destino final, e era nesse destino onde um urso polar se encontrava iniciando sua busca por alimento. O incrível e enorme animal cheirava o solo a procura de alguma coisa que servisse de comida para sustenta-lo naquele tempo tempestuoso que não podia ser definido entre noite ou dia.

A cerca de dez metros do urso havia um amontoado de tecidos parcialmente cobertos pela neve. De repente, desses tecidos, uma mão começa a se mexer lentamente para fora da neve, chamando a atenção do urso que começa a andar naquela direção para investigar o que era aquilo se mexendo. Ao se aproximar, os movimentos da mão cessam e o urso começa a cheirá-la em busca de um sinal de vida. Após alguns segundos, o urso desiste do que estava cheirando e parte para outro lugar na sua incessante busca por providências que possam o alimentar. Repentinamente, a mão se ergue junto ao som de um grito, relevando um rosto pálido e um corpo trêmulo que se assentava sobre a neve.

Sentindo-se castigado pelo frio, o homem de cabelos curtos e semblante assustado olhava para todos os lados, franzindo o cenho e procurando enxergar algo a sua frente. Ao apalpar a neve, ele sentiu algo rígido próximo à sua perna direita e, ao averiguar, eis que se tratava de um cetro de metal com uma haste dourada e em seu ápice havia uma pedra circular que mais parecia uma joia preciosa de cor azul-petróleo e na ponta inferior havia outra pedra, porém, afiada e triangular. O homem de pele morena dourada e lábios claramente cianóticos por conta do frio procurava pela neve ao seu redor a fim de achar mais alguma coisa como o cetro e encontrou algo. Tratava-se de um rifle de caça com 3 balas em cima do guarda mãos da arma. Ele então procurava uma forma de recarregar a arma, porém, assim que carregou a primeira bala ele sentiu algo diferente em seu rosto e parou imediatamente, era um vento quente que aquecia um pouco da sua face e por alguns segundos ele sorriu por achar que tinha encontrado algo que viesse o aquecer, ele então pôs o rifle de lado e se inclinou para frente, movimento esse que foi interrompido no mesmo instante quando o homem olhou para frente e percebeu do que se tratava. O mesmo urso que havia o cheirado anteriormente estava na sua frente, face a face, tornando a cheirá-lo, rugindo discretamente como quem não quisesse afugentar sua presa. Estático, o homem permaneceu de olhos fechados e por mais frio que estivesse, em sua testa, podiam-se ver gotas de suor emanando, ameaçando atingir a neve, assim, tanto o nervosismo quanto o frio o faziam tremer compulsivamente enquanto aguardava o urso terminar de o cheirar.

O urso-polar analisava cada centímetro do corpo e das roupas do homem que se resumiam a uma camiseta branca de manga longa que destacava seus músculos definidos, uma calça jeans preta e um sapatênis tão branco quanto a neve que o cobria, roupas claramente não adequadas para aquele clima. O urso colocava seu nariz por todo o corpo do homem, atrevendo-se a dar lambidas na testa lubrificada no suor que cheirava a medo. O homem então abriu os olhos quando viu que o urso havia ido até suas costas e ao olhar para frente, a pouquíssimos centímetros de seus joelhos, viu uma bainha de couro guardando o que parecia ser um facão. Ele então começou a levar sua mão lentamente até o facão, o que chamou a atenção do urso que percebeu a ação e começou a rugir com muita intensidade, assustando o homem que, num movimento impensado rolou para frente pegando o facão, porém, ao virar-se para trás, o urso encontrava-se em duas patas, jogando seu pesado corpo em cima do homem que, enfraquecido e pego desprevenidamente, caiu com a pata esquerda o urso rasgando sua camisa e, consequentemente, seu tórax. Após exclamar de dor e se deparando com o maior carnívoro do mundo o dominando, ele retirou o facão da bainha e esfaqueou o urso no pescoço, banhando-se no sangue do animal que sujava tanto seu rosto e suas vestes quanto a neve na qual tentava rastejar para longe do animal. Ao conseguir se distanciar, ele foi até o rifle, recarregou as outras duas balas e ao virar de frente para o animal, o urso bateu no rifle e se jogou novamente para cima do homem que havia deixado o facão no chão após abrir um buraco no pescoço do animal que ia enfraquecendo cada vez mais, porém, não a ponto de ser derrotado facilmente, muito pelo contrário, sua agressividade era evidenciada pelas tentativas de morder o pescoço do homem que resistia empurrando o pescoço do animal com seu antebraço direito que acabou sendo mordido em um determinado momento. Ao se deparar sangrando, fraco e na desvantagem contra um animal muito mais forte e pesado que ele, o homem então procurava uma forma de pegar seu rifle, porém ele havia parado muito longe, nesse momento o desespero já estava tomando conta do homem que não tinha mais forças para resistir.

O animal estava próximo a morder o pescoço do seu oponente que mal conseguia conter as mandíbulas do urso que não dava trégua e deu um rasgão, dessa vez, no braço do homem. Foi quando ele se lembrou do cetro, o que seria sua última opção visto que aquilo mal poderia ser usado para conter a boca do animal. Mesmo assim, ele começou a olhar ao seu redor até ver que o cetro estava perto do seu pé esquerdo. Vagarosamente ele ia puxando o objeto metálico para próximo de sua mão esquerda que permanecia esticada para tentar pegar o cetro que parecia brilhar intermitentemente nas pedras do ápice e da ponta inferior. Quando finalmente conseguir tomar posse do cetro, o homem o colocou contra o tórax do animal, empurrando-o conseguia um pouco de espaço. Porém, o homem percebeu que a ponta do cetro estava queimando e derretendo a pele do animal como um ácido, ele então pressionou o cetro contra o corpo do animal que, após brilhar intensamente, gerou uma energia que implodiu o corpo do animal, jogando suas vísceras sobre o homem que, assustado, se afastou enquanto limpava o sangue de seu rosto.

Seu olhar assustado fitou nas vísceras do animal e logo em seguida no cetro, do qual jogou e se afastou com medo de que aquilo acontecesse consigo também. Porém, ao perceber que ao redor do cetro a neve derretia por conta do calor que ele emanava, o homem se atreveu a pegá-lo novamente. A energia que havia no cetro era suficiente para aquecê-lo, então ele decidiu correr o risco, foi quando lembrou do que aconteceu com o urso, pois, assim que a energia foi liberada, uma luz forte havia se propagado por toda a neve, iluminando-a revelando construções semelhantes a prédios. Ele então estendeu vagarosamente o cetro para frente e o bateu na neve. Ao bater o cetro no solo, de seu ápice, foi liberada uma luz que permitia ver muitas unidades a frente e, da sua ponta inferior, a neve do chão se derreteu em centenas de metros ao redor do cetro.

Intrigado, desorientado e com dor o homem só conseguiu abrir sua boca para expressar sua confusão:

— O que está acontecendo aqui?

Notas finais
E aí, o que achou?! Deixe seu comentário, vamos lá, são só 60 segundos ♥. Obrigado por ler, nos vemos na próxima, até mais!
BEIJOS DO THE!