Perdida Na Tempestade

76 União e Desespero...


Notas iniciais
OLá meus queridos! Tava tudo muito lindo e muito bom, mas sabe como é né? Tem que ter um ruim pra estragar tudo! E assim segue a união dos três Inu youkais! Teve gente que esperou esse dia apenas para se revelar, o olha que eles estão investigando tudo.... Mas... Pera! Aquela alí sendo sequestrada é... Ai mô pai, bora lá ver!

O dia da união dos três Inu youkais, amanheceu ameno, com um templo cinzento e frio, e apesar disto, sem chuvas. Ainda bem cedo, quando a escuridão da noite persistia em não deixar a luz do dia chegar, os machos do Mikadzuki no shiro, abandonaram os corpos quentes de suas amadas fêmeas, para se reunirem secretamente.

A grande sala que ficava no porão da grande construção, possuía uma enorme mesa, onde os generais antigos e novos, estavam sentados juntamente com alguns convidados ilustres, pertinentes ao assunto que estavam à tratar: a segurança do reino, que já estivera ameaçada em duas ocasiões, todas elas, festivas.

À ponta da mesa, Sesshoumaru estava sentado, e não escondia sua preocupação com os tais eventos, e sabia que todas as informações seriam valiosas.

—Lorde Sesshoumaru, eu o general de meikakuna mün, liderei uma investigação, junto à guarda de elite para esclarecer o que houve realmente com Minara Hime no dia de sua união, e com a Miko, fêmea do general Raijin, também em sua união. –Hokuto se pronunciou primeiramente após as primeiras deliberações.

—Sim, general, e a que conclusões chegaram? –Questionou Inu no Taishou, enquanto Sesshoumaru apenas o encarava absorto, nas informações.

Hokuto olhou para trás, e um dos guardas com armaduras brancas, que o acompanhavam, e que estavam de pé afastados deles, aproximou-se, trazendo consigo vários pergaminhos em uma bandeja. O mesmo guarda entregou um pergaminho para cada macho sentado, e assim que o guarda terminou, afastou-se novamente para juntar-se ao colega na entrada do aposento.

—Como podem ver, os dois eventos, tem uma leve correlação, apesar de serem muito diferentes um do outro. –Hokuto, avaliou.

—Leve correlação, você diz, pelo fato de usarem magia negra em ambos os casos? –O jovem príncipe Kedrik que estava com seu irmão e seu pai, perguntou descrente.

—Não apenas por isso, mas o tipo de magia negra foi usado em ambos os casos... Apenas a maneira de executar cada ataque, foi diferente. –Ryouko corrigiu o filho que compreendeu perfeitamente.

—Sim, Lorde Ryouko. O ataque ao general Hikaru, e a Miko, foi muito mais elaborado. Eu diria que tratou-se de um golpe muito bem planejado. –Hokuto declarou.

—O ataque à Minara foi mal estruturado, apesar de quase, ter sido bem sucedido. Aquela criatura estava desesperada para conseguir levar as hanmas... –Ìcaro, que era a única testemunha do ataque, presente, declarou.

—O que eu não entendo é por que?! Sequestrar à Minara, eu consigo entender, por conta de seus poderes. Mas levar Kikyou, e tentar nos fazer crer que ela e Hikaru, haviam nos traído... Porque tudo isso? Para que? –Raijin desabafou questionando.

—Minara não era o único alvo da criatura... Não é mesmo Katashi? –Susanoo declarou com seus olhos estreitados para o Karasu.

—Do que, quer me acusar agora Susanoo? Eu não tive culpa de nada... –Katashi cuja uma aura de tristeza pairava em seu redor, murmurou entre os dentes.

—Isto é verdade, Susanoo. Ele só fez o que eu pedi para que fizesse... Nossas crias não estavam preparadas... –Inu no Taishou ponderou.

—Do que estão falando? O que estão querendo dizer com isto? –Sesshoumaru questionou com desconfiança.

—Eles estão falando das chaves do destino... Cinco Hanmas escolhidas pelos deuses para proteger a raça dos meio celestiais. Cada chave do destino representa uma arma poderosa e mortal. As chaves são protegidas por guardiões que podem pressentir-lhes o mal, e que possuem uma marca especial, que o mantém próximo as suas protegidas. Diz à lenda que se o sangue das cinco chaves for reunido, aquele que o fizer, alcançará a imortalidade... –Teigure se pronunciou de maneira fatídica.

—Mas isso não passa de uma lenda, não é mesmo? –Isamu perguntou levemente descrente.

—Não, general Isamu... As chaves são reais... Ao ajudar-me à construir este reino, Izanami me impôs uma única condição: encontrar e proteger os hanmas, e sobretudo, as chaves do destino. E assim foi feito. O respeito que desenvolvi por outras raças se deve em muito à esta condição. Junto com Izanami, eu estive nos quatro cantos do mundo para encontrá-las, e reuni-las. E deste modo encontrei alguns dos meus aliados, como por exemplo, Kurö Ookami, e Teigure. –Inu no Taishou ponderou.

—Então as fêmeas que estavam com Minara... –Murmurou Inuyasha.

—São hanmas, e mais precisamente, chaves do destino... Minha filha Naelle, é uma delas, e tem como seu protetor, o capitão Masato. -Ryouko se pronunciou, trazendo surpresa aos dois filhos.

—Janis, a prometida de meu irmão, também é uma delas, e pelo que sei, Ícaro é seu guardião. –Tatsuo, revelou com placidez.

—Quantas chaves já foram encontradas? –Sesshoumaru perguntou curioso.

—Quatro, até agora. E das quatro chaves, três guardiões se revelaram... Yukina, a filha de Susanoo, a guardiã de Minara, Masato, guardião de Naelle, e Ícaro, guardião de Janis. Esperamos encontrar os demais guardiões o mais breve possível, para assim, encontrar a quinta chave... Naelle, Minara, Janis, e Leodora, fazem parte da sociedade dos Oito, uma espécie de instituição, que foi criada por Izanami, para proteger as chaves e suas identidades, além de procurá-las. Atualmente, a Sociedade é liderada por Leodora, a hanma morena que dançou junto com as feiticeiras do destino. –Hokuto concluiu.

—E que morena, não podemos deixar de citar... O pobre Ryotaro, caiu de quatro por ela, e com toda a razão! –Susanoo completou sorrindo de lado descontraindo o ambiente tenso.

—Pelo que fiquei sabendo, eles devem anunciar a união deles em breve... –Hokuto respondeu sorrindo com discrição.

—Isso, não é um problema? Uma das chaves deixará as terras do oeste! –Katashi disse com desconfiança, enquanto mantinha seus braços cruzados á frente do corpo.

—Não... Kyuura não é mais o senhor das terras do leste. O novo Lorde é nosso aliado há anos, e tem muita simpatia pelos humanos... A tal, chave, deverá estar segura com ele... General Hokuto, podemos concluir, então, que quem atacou Minara, e as outras hanmas, queria as chaves, certo? -–Sesshoumaru completou, tentando encerrar o assunto.

— A criatura era um espectro demoníaco que tomou o corpo de uma andarilha humana. A fêmea logicamente morreu, já que seu corpo foi destroçado. Algumas substâncias alucinógenas e calmantes foram encontradas no cadáver, além é claro de vestígios de magia negra... –Hokuto continuou se reportando.

—As mesmas substâncias usadas pera dopar, Hikaru, Masato e Kikyou. –Raijin, murmurou, lendo atentamente as informações no pergaminho.

—Sim... Novamente os dois casos se cruzam, já que o conhecimento de ervas, e substâncias, é observado em ambos os casos, bem como suas aplicações segundo a Fisiologia do ente a ser atingido. –Hokuto continuou.

—Como assim, general Hokuto? –Inuyasha perguntou confuso.

—A criatura usou uma névoa, de veneno e magia para imobilizar Minara Hime. A mesma coisa foi usada para dopar à Kikyou. Já o veneno usado para imobilizar os guardas youkais do shiro, e para “apagar” o capitão Masato, e o General Hikaru, foram ingeridos, ou injetados, na corrente sanguínea. Isso prova que a criatura conhece as diferenças entre o corpo humano, hanma e youkai. Como podem ver nos pergaminhos, não há registros de uma criatura como esta nas terras do oeste, e sua aparição em meikakuna mün, foi tramada às pressas, já que, alguns dias antes, não havia sequer notícias sobre a hime. –Hokuto explicou.

—Uma invocação... –Hikaru murmurou quase sem perceber, enquanto assimilava as informações.

—Sim... Acreditamos que alguém invocou esta criatura, no dia da sua união com Minara, Hikaru. Mais precisamente, algumas horas antes... Alguém com grande conhecimento de magia negra, e que além de querer as chaves, também tinha interesse em separar você de sua princesa, e o general Raijin de sua Miko. –Kurö Ookami foi enfático, e imparcial.

—Eu... Não faço ideia de quem poderia fazer tal coisa... –Raijin afirmou preocupado.

—Também não... –Hikaru murmurou igualmente.

— A criatura continuou sendo vista alguns dias depois, no shiro de Meikakuna Mun, entretanto, há alguns dias, reestabelecemos a barreira mágica do reino, e ela simplesmente desapareceu. Os dois ataques, foram arquitetados pela mesma pessoa. Embora o segundo ataque tenha sido, muito mais elaborado, o que prova que quem quer que tenha tido todo o trabalho para libertar aquela criatura, está bem perto de nós, e não vai parar até conseguir seu propósito. Desconfiem de todos, até mesmo de seus capitães... A última pista que temos, ainda está sendo analisada, e trata-se da memória de Yuuko, o general que foi usado no segundo ataque. Infelizmente ainda estamos progredindo lentamente, já que sua mente foi quase destruída. Mas é o que temos de mais exato, no momento... Minha recomendação para o lorde Sesshoumaru é dobrar as atenções quanto à segurança das chaves, e das mikos. E claro, fazer isto de maneira discreta... –Hokuto disse, ao concluir sua investigação.

—Compreendo... Eu vou acatar sua recomendação, General. A partir de agora, estaremos em alerta contra a invasão deste monstro, ou qualquer outro ataque. Coloquem as fêmeas e chaves, à vista, e de maneira alguma confiem demais em seus subordinados. Estamos entendidos? -Sesshoumaru declarou ao ficar de pé.

Ao que todos responderam positivamente. Ao confirmar isto, o jovem lorde respirou fundo, para dar conta de outro grande aviso.

—Eu devo... Deixá-los a par de outra situação. Kurome do ramo secundário do Inuzuki usou de suas artimanhas, e está prenhe... De um filhote meu. Ela está alocada na torre das quatro luas, aqui mesmo no shiro, até que o filhote nasça, mas por conta de estar frustrada com o desfecho negativo de seu plano de me obrigar a unir-me à ela, eu imagino que ela não deixará barato. Portanto, fiquem atentos à qualquer Akuma no Inu. Já deixei claro que não vou tolerar nenhum tipo de represália, e qualquer ato desrespeitoso, deverá ser punido com a morte. –Sesshoumaru enfatizou deixando sua angustia transparecer levemente.

Após sua fala, a reunião foi encerrada, e todos foram cumprimentar o lorde pela notícia. Hokuto foi o primeiro, pois ainda queria mandar ordens aos soldados do palácio de Meikakuna mun que ficassem de vigília na casa de Leodora para mantê-la segura.

Um à um, os generais foram deixando a sala, e voltando da maneira mais discreta possível para suas fêmeas. Inu yasha esperou sua vez para cumprimentar seu irmão pela notícia, e quando finalmente teve sua chance quase todos já haviam deixado o aposento.

Os dois se encararam por alguns minutos seriamente, e foi de Sesshoumaru a atitude de falar.

—Eu queria cumprimentá-lo ontem... Mas não achei um momento adequado para fazê-lo. Parabéns por seu filhote... – O lorde disse com a mesma expressão fria de sempre.

—Obrigado... Mas não precisa fingir para mim Sesshoumaru. Sei que você não está nada contente com sua situação... Você devia ter me contado antes, pois assim Kagome e eu poderíamos preparar Rin para esta notícia...–Inuyasha afirmou solidário.

—Eu... Não tive a intenção de mentir para ela, ou para você. Só não tive ânimo para fazê-lo... –Sesshoumaru tentou se explicar.

—Eu entendo... Mas sou seu irmão... Não me agrada em nada saber que você está infeliz... Por isso, conte logo à Rin, sobre o que está acontecendo. Ela não vai perdoá-lo tão facilmente se descobrir sozinha, ou pior, por outra pessoa, que não seja você... –Inuyasha disse ao irmão antes de ir na direção da saída.

—Farei isso agora mesmo... –Murmurou Sesshoumaru.

—Sim, faça... E apesar de tudo isto... Aproveite a paternidade, Sesshoumaru. Esse filhote é meu sobrinho não importa o que aconteça... –Disse-lhe Inuyasha, antes de subir definitivamente na escada e sair do campo de visão do inu youkai. No entanto quando o fez Sesshoumaru o chamou pelo nome, e ele desceu alguns degraus para encará-lo.

—Eu lhe digo o mesmo... –Disse lhe Sesshoumaru com um discreto sorriso sincero. Que foi correspondido por Inuyasha, antes dele retomar seu caminho.

Emi não havia conseguido dormir sequer um minuto naquela noite. Ela havia decidido que apenas iria para a união dos inu youkais algumas horas antes, pois não sentia vontade alguma de socializar com ninguém.

E m seu quarto, a youkai estava sentada em uma confortável poltrona de frente para a lareira acessa, tricotando para passar o tempo, e manter seus pensamentos em ordem.

Atrás de si, estava sua magnífica cama de ébano e ferro, onde Kanna dormia pesadamente. Emi parou por alguns segundos e pousou o olhar sobre a pequena. Se não fosse por aquela criança youkai e sua energia, possivelmente ela estaria à beira do abismo da tristeza.

Seu coração ainda estava profundamente ferido por causa da traição de Katashi. Sua marca latejava o tempo todo a deixando, exaurida, de tanto sentir dor.

O aposento estava cheio de lembranças e ás vezes ela sentia a presença de Katashi, como se ele continuasse naquele quarto de alguma forma.

A cada doce lembrança que lhe ocorria, mais lágrimas amargas lhe desciam pela face, e apesar da imensa dor da traição o que mais desesperava a youkai era saber que talvez esta mágoa jamais cicatrizasse.

O grande youkai corvo, por sua vez, não se sentia melhor com tudo o que estava acontecendo. A falta de Emi o consumia como nunca. O corpo quente dela, e o cheiro adocicado de seu perfume, lhe eram agora uma lembrança pertinente e dolorida, muito difícil de suportar.

Às vezes ele costumava voar até os portões de seu antigo shiro, apenas para olhar para as janelas de seu antigo quarto para buscar a silhueta de Emi. Logicamente ele quase nunca conseguia vê-la, mas, mesmo assim, isso lhe acalmava.

Coincidentemente Katashi também escolhera chegar ao Mikadzuki no shiro, no dia da união, e por conta de um aviso da reunião, chegara ainda de madrugada. Naquele momento a reunião havia sido encerrada, e ele acabara de chegar à biblioteca do shiro, buscando ficar sozinho. Caminhou até uma das poltronas que estavam em frente à lareira, já acesa, e deixou-se cair sentado, buscando aquecer seu coração frio.

Sua vida havia mudado drasticamente, por conta de um erro do seu passado e desde que ficara sozinho Katashi pensava incessantemente no quanto havia sido cego, e orgulhoso. E a maior prova disto, era que sua paixão por Arina, não o fizera sofrer sequer um terço do que a rejeição de Emi lhe fazia.

Tudo o que ele podia fazer, era tentar reconquistar o perdão, da fêmea cujo coração ele magoara, mas o Karasu não fazia ideia de como conseguiria fazer isto.

Com este pensamento, Katashi ergue-se da poltrona e caminhou até a janela, para observar o fim da madrugada. Sua mente fervilhava em pensamentos e simulações, que sempre davam errado, e seu coração doído e amargurado tomado de agonia, não via uma chance de fazer cessar aquele sofrimento. Lágrimas quentes lhe desceram pelo rosto, enquanto ele trincava os dentes na tentativa desesperada de se controlar.

—Como eu pude perder você Emi....? O que será de mim agora, sem você ao meu lado? Como eu poderia reconquistar seu amor, minha fêmea? Como? Se ao menos eu... Soubesse como... –Sussurrou ele, quase inaudível, de olhos cerrados.

—Talvez eu possa ajudar... –Murmurou a voz da youkai que se escondeu para não ser vista por Katashi, mas que não conseguiu deixá-lo sozinho.

—Kagura...? O que está fazendo aqui?–Murmurou Katashi surpreso ao se dar conta de que não tinha percebido a presença dela ali. Subitamente ele recuperou sua postura e encarou-a surpreso, mas altivo.

—Eu não consegui dormir esta noite... Estou pensando muito em uma amiga que conheci em Meikakuna Mün... Acho que estou ansiosa para revê-la apenas isso... –Murmurou Kagura tentando dissimular sua crescente e inexplicada preocupação com Leodora.

—Entendo... Bom, eu não vou incomodá-la mais... –Katashi preparava para sair quando Kagura segurou-o pelo pulso.

—Espere, senhor Katashi... Eu... Ouvi seu lamento. Percebo que está mesmo muito magoado com tudo o que houve, do mesmo modo que a senhora Emi. Ela... O ama, muito senhor Katashi... Mas está decidida a esquecê-lo, e isto tem que ser revertido. –Kagura afirmou com seriedade.

—Eu não posso obrigá-la a viver comigo, Kagura... Emi fez sua escolha e eu só posso acatá-la... –Katashi sussurrou sem olhá-la nos olhos.

—Ela tem sentido dores fortes na marca, todos os dias, Senhor Katashi... Já chegamos a pegá-la desacordada, por causa disso... Sinceramente, acho que a senhora Emi, só precisa de tempo, mas do jeito que as coisas estão... Tempo parece ser um privilégio que não temos... –Kagura insistiu com sincera preocupação.

—Ah Emi... Estou entendo o que você quer dizer Kagura... Mas... Realmente acho que não há nada que eu possa fazer para fazê-la mudar de ideia... Mesmo que eu queira muito, Emi não aceitará minhas desculpas... Eu temo feri-la ainda mais...

—Senhor Katashi, ela o ama! A senhora Emi está sim, muito magoada, mas ela precisa ver como o senhor está arrependido com tudo isto! Isso com certeza irá fazê-la voltar atrás...

—Eu... Não sei como... –Katashi sussurrou trincando seus dentes, para segurar uma lágrima inutilmente.

—Senhor Katashi...

—Eu, não consigo... Não sei viver sem Emi... Eu sei que errei muito com ela. Eu a usei como escudo para meu orgulho ferido, mas depois de todos esses anos, meu coração pertence à ela... Meu coração, meus pensamentos, minha alma... Tudo em mim pertence à Emi... Mas nunca fui macho o suficiente para dizer isto à ela antes... Também não vou ser para fazê-lo agora que minha vida ao lado dela acabou... –Katashi disse, dando novamente às costas à Kagura, que mordeu o lábio, emocionada com as palavras sinceramente doloridas do youkai corvo.

—Não... A vida de vocês não vai terminar desse jeito... Eu me nego a aceitar que um amor tão forte seja partido por um erro do passado. Senhor Katashi... Por favor, eu estarei ao seu lado... Eu vou ajudá-lo, a reconquistar a senhora Emi, eu lhe juro! –Kagura murmurou abraçando o youkai pelas costas, para que ele sentisse o seu calor, e a sua vontade de ajudá-lo.

O youkai corvo por sua vez, se viu surpreso, com o toque de Kagura, mas sentia-se tão perdido que não esboçou reação. Apenas permitiu-se sentir o calor de Kagura e em seu coração um lampejo de esperança se acendeu. Como aquela jovem youkai, poderia entender tão bem um coração ferido? Era o questionamento que ele se fazia. Especialmente porque o próprio Katashi não lhe dedicara nenhum pouco de confiança ou carinho. Mesmo assim, a youkai dos ventos se compadecia de seu sofrimento, e estava mesmo disposta a ajudá-lo a retratar seus erros do passado.

Após alguns minutos imóvel, Katashi secou os olhos, voltou-se para Kagura e pegou-a pelas mãos para encará-la.

—Obrigado, Kagura... Eu realmente não sou digno de sua benevolência, mas de bom grado aceito a sua oferta. –Katashi disse, antes de reverenciá-la.

—Senhor Katashi, não sabe como isso me faz feliz! –Kagura disse com um sorriso de alivio.

—A mim também de certa forma... Mas... E então, qual é o seu plano? –Katashi respondeu um pouco sem graça.

—Vamos reconquistá-la aos poucos... Tudo o que o senhor precisa, é de uma boa caligrafia, e de um bom disfarce, e é claro, da ajuda de seus filhos! Não é mesmo Hideaki, Isamu? –Kagura disse alto, antes de voltar-se para os corredores frontais da biblioteca de onde os dois filhos de Katashi saíram discretamente.

—Hideaki, Isamu? Porque foi que eu não vi vocês, quando cheguei? Eu... –Katashi murmurou surpreso, antes de ser abraçado por Isamu de maneira tão terna que o deixou sem fala.

—Oi Pai... Desculpe não termos falado corretamente com você na reunião. Eu havia prometido à Hideaki que o encontraria aqui, para conversarmos com o senhor. Estávamos nós três aqui, quando o senhor entrou, e a Kagura segurou o nosso cheiro, para que o senhor não se sentisse coagido por nossa presença. Nós não queríamos constrangê-lo. –Isamu explicou-se.

—Sim, meu pai, a Kagura estava conosco e quando decidimos deixar o senhor sozinho, ela teimou e veio aqui para convencê-lo a não desistir. –Hideaki continuou abraçando o pai, e segurando-o pelo outro lado, oposto ao que Isamu estava.

—Entendo... Meus filhos... Eu sei que não é meu costume, mas... Eu sinto muito à falta de vocês... –Katashi murmurou com certa dificuldade, já que expressar sentimentos não lhe era algo inerente.

—Nós também sentimos pai... Mas de todos quem mais sente é a mamãe... Nós vamos ajudá-lo meu pai... Em breve toda essa tristeza terá passado, e dias de alegria vão chegar até nós... –Isamu disse ao pai com um sorriso que foi prontamente retribuído por Katashi com uma lágrima de alegria.

O dia amanheceu lentamente para Leodora e Ryotaro. Os dois dormiram nus, e exaustos, após a intensa noite de amor que tiveram e quando os apaixonados, finalmente despertaram, a manhã chuvosa e cinzenta, estava quase no fim.

Por mais que quisessem ficar mais um pouco, a preocupação com os filhotes falava mais alto para os dois, e enquanto se vestiam ambos se perguntavam por que não haviam sido acordados pelos servos da instância, ou por vontade deles, ou por perceberem suas presenças, pois o café da manhã ainda fumegando, estava servido na mesinha da antessala.

Os dois se serviram de um chá quente para se preparem para a viagem de volta, e o apetite de Leodora estava nitidamente maior, por conta da atividade exercida à noite, e esta observação fez Ryotaro, sorrir satisfeito.

Quando os dois finalmente saíram da cabana, e tomaram o caminho de pedras de mãos dadas, para retornar à casa principal, a chuva fina, havia criado uma névoa espessa, e o casal, apressou-se para chegar ao seu destino, apenas preocupados em não se molharem muito.

Ao chegarem finalmente à recepção, não havia ninguém à espera deles, o que aguçou os sentidos do youkai, deixando-o em alerta. Após alguns minutos de silêncio e tensão a pequena figura da Tannuki, fêmea que os atendera apareceu.

—Oh Bom dia meus mestres! Espero que tenham tido uma boa estadia aqui na nossa instância. Os senhores vão mesmo partir tão cedo? Parece que o tempo está piorando... – Disse a Tannuki, sorrindo animada. Um sorriso, que apesar de não transparecer nada anormal, chamou a atenção de Ryotaro.

—Sim, infelizmente não podemos ficar mais. Mas agradecemos por toda a atenção que você e seu irmão nos destinaram. –Disse Leodora sorrindo, sinceramente.

—Sim, estamos realmente gratos, e por falar no seu irmão, onde ele está? –Ryotaro perguntou, ainda desconfiado.

—Meu irmão? Ah ele está limpando as cabanas por dentro! Imagino que deve ser por isso, que vocês não o viram... Mas me digam, o que acharam do café da manhã? O chá estava de seu agrado senhora? –Continuou falando normalmente a tanuki, embora Ryotaro continuasse ainda mais contrariado.

—Ah sim, estava uma delícia... E... AHHH... –Leodora disse, antes de colocar as mãos sobre o peito, e gritar por conta de uma estranha dor que lhe invadiu subitamente, enquanto seus olhos começaram a perder o foco.

—LEO? Fale comigo, Leo, o que houve? Você.... Ahhh... O que é... Isso? –Grunhiu Ryotaro, ao tentar acudir Leodora e ser acometido pela mesma estranha dor em seu peito.

—Há há há há... Que bobinha você, ventre fecundo da terra, em achar que eu desistiria de te encontrar... –Disse a voz primeiramente doce da tanuki, depois esganiçada e gutural.

Quando o casal, a encarou, surpreenderam-se com a transformação da pequena youkai tanuki, em um monstro de olhos verdes faiscantes e cabelos brancos fantasmagóricos.

Tanto Leodora quanto Ryotaro não podiam se mexer, mas conseguiam ver com seus próprios olhos os círculos de magia negra de cor verde escura que os rodeava e os prendia como cordas malditas.

—Quem... Quem é você sua maldita... Deixe-nos em paz! –Disse Ryotaro esforçando-se para manter-se consciente.

—Eu sou uma rainha, pequeno pássaro de fogo... Uma rainha, que vai ter as chaves do destino custe o que custar! E agora, passarinho... Descanse em paz! –Gritou novamente a criatura, antes de desferir um golpe na direção de Ryotaro, que provavelmente o partiria ao meio se ele não tivesse conseguido desviar.

Aproveitando-se que a criatura ficara com a mão direita presa na parede, o youkai fênix jogou duas bolas de fogo, nos olhos da mesma, queimando-os completamente. Enquanto o monstro gritava e se sacudia tentando se libertar, Ryotaro pegou Leodora já semi-inconsciente nos braços, e em um esforço sobre-humano, abriu suas asas e voou o mais alto e rápido que pôde.

—Leo... Aguente... Aguente firme... –Ryotaro murmurou para a hanma, mas não demorou muito para que suas forças se esvaíssem enquanto a magia negra ao seu redor se tornava mais forte.

O Youkai voou o máximo que pode, cerca de cinco quilômetros da estância. O pouso foi em uma área de mata e Ryotaro já chegou ao solo vencido pela inconsciência.

Ao vê-lo naquele estado, a hanma sabia que não demoraria para a criatura encontrá-los, e quando o fizesse, mataria o youkai fênix. Com suas últimas forças, Leodora colocou Ryotaro nas raízes de uma grandiosa árvore,e com seu poder, fez com a árvore erguesse o youkai e o escondesse por entre os galhos e folhas. Depois disso, ela produziu algumas rosas para seu cabelo, e caminhou até a direção onde a criatura estava. Após alguns minutos andando, Leodora deixou-se cair, já sem forças e sem consciência. Seu corpo ainda conseguiu sentir a vibração dos passos da monstra que lamentou não encontrar Ryotaro, mas ficou satisfeita de levar Leodora consigo. A criatura fez o corpo de Leodora levitar e a levou por entre a floresta para uma direção diferente da onde estava anteriormente, e não se deu conta que do arranjo de Leodora, algumas pétalas de rosa caíam pelo caminho.

Quando a hanma abriu os olhos, mal podia acreditar no que via. Estava acorrentada, dentro de uma caverna escura iluminada por algumas tochas, e com centenas de soldados fantasmas. À sua frente havia uma espécie de altar com cinco leitos colocados em um semicírculo. Cada um deles tinha ao seu lado canaletas por onde algum tipo de líquido deveria correr, para escorrer, e cair em caldeirão fervente que estava logo abaixo, afastado.

Ainda assustada com o que via, Leodora ouviu uma voz, melodiosa voz, feminina lhe chamar pelo nome.

—Leodora! Que bom que você despertou! –Disse animada uma fêmea youkai loura que se aproximou. Quando ela chegou perto, Leodora percebeu que metade de seu rosto, estava destruído, mas a outra metade, vigorava beleza. Seus cabelos eram compridos, e lisos, louros como o trigo, e com de seus olhos verdes, vivos e brilhantes como uma planta nova.

—Quem é você? –Perguntou Leodora ainda um pouco confusa.

—Ora, querida Leodora, não se lembra de mim? Eu estou mudada não é mesmo? É porque este é o meu verdadeiro corpo, sabe? Graças a seu sangue, eu não preciso mais possuir corpos! Isso não é ótimo? –A fêmea respondeu com sarcasmo e vaidade.

—Meu sangue? Por quê? –Leodora questionou tentando assimilar o que ela dizia.

—Ora Leodora! Agora que você e aquele passarinho se entregaram ao desejo carnal, você é quase uma celestial! E seus poderes de chave do destino, chegaram ao ápice... Um pouquinho do seu sangue já me fez muuito beem... Imagine só quando todas as suas amiguinhas chaves vierem para cá? Eu vou me recuperar ainda mais, e chegar ao MEU ÁPICE... E depois disso, vou beber o sangue da sexta chave e me tornar imortal, finalmente! -Vociferou a agora youkai sorrindo macabramente para Leodora.

Leodora aprisionada.

Notas finais
Pesssoal, eu estou escrevendo uma nova fic, e gostaria muito que vcs me ajudassem tanto quanto me ajudam nesta! Por enquanto eu estou preparando o primeiro cap, com muito cuidado, porque a temática é Saint Seyia (CDZ) portanto tem muitas diferenças com a daqui. Então obrigada por todos os comentários e todo carinho! Nos veremos em breve no próximo cap!