Perdida Na Tempestade
64 Pode ser... Ou quem diria?
Notas iniciais
—Kagura, acalme-se. –Repetiu o Inu dai youkai enquanto aconchegava a youkai dos ventos em seu peito.
—Capitão Hideaki...? O que você está fazendo aqui? –Kagura perguntou insegura, encontrava-se de pé, com seu corpo, colado ao de Hideaki, que a apoiava pela cintura, ainda sem conseguir firmar as pernas, incomodada por estar nos braços do Youkai.
—Eu queria falar com você, por isso a segui... –Hideaki murmurou enquanto elevava delicadamente o rosto, da youkai para encará-la, com um olhar apreensivo.
—Falar... Comigo? Capitão... –Kagura desviou os olhos dos dele, corando violentamente com a proximidade.
—Kagura, eu fui muito duro com você, ontem... Meus companheiros confirmaram o que você havia dito. Eu... Me desculpe... –O youkai continuou.
—Está tudo bem... Eu fico feliz que o senhor saiba a verdade... – Kagura
—Não está tudo bem... Ontem durante a festa eu queria ter lhe dito isto, mas acho que me concentrei demais no seu vestido... –Hideaki sorriu de lado, ao perceber a youkai dos ventos estava ainda mais vermelha.
—Capitão... Creio que não seja de bom tom, que o senhor me diga tais coisas... Sou uma sacerdotisa agora, e em breve o senhor irá voltar ao seu shiro. Não alimente falsas ilusões... Nós nunca seríamos mais do que amantes, e este tipo de servidão não me interessa... – Kagura respirou fundo antes de encará-lo seriamente, sem, contudo conseguir disfarçar a desilusão que sentira.
Foi a vez de Hideaki sentir o rosto queimar. A youkai dos ventos o surpreendia mais uma vez, com sua objetividade e decência. Mas a surpresa em seus olhos amarelo-esverdeados, deu lugar à outro sentimento, ainda mais confuso e perturbador. Subitamente virou o corpo, e pressionou o corpo de Kagura contra a porta de ferro antes atrás de si. Segurou delicadamente a youkai dos ventos pela cintura com uma mão, e com a outra a pegou pelo queixo.
—Eu realmente nunca conheci uma fêmea youkai como você, Kagura. Um espírito tão livre e ao mesmo tempo, tão comedido em suas ações. Eu sempre me perguntei se encontraria uma fêmea que fosse capaz de me trazer a paz, que só a verdadeira liberdade pode proporcionar... –O Youkai murmurou enquanto a encarava intensamente.
—Cap... Capitão...Me solte, por favor...
—Entenda, Kagura... Não quero você como minha amante... Eu tenho um Harém à minha disposição, e não precisaria iludir uma fêmea para conseguir sexo.
—Então, o que você quer de mim? –Kagura sussurrou com agonia.
—Quero tudo... Quero sua inteligência, e sua sabedoria... Quero seu sorriso mais sincero, e seus sentimentos mais profundos... Quero sua liberdade e seus olhares... Todos eles! Só não quero que você olhe para mim com aquela expressão fria de ontem, nunca mais... Prefiro vê-la com seus olhos de encantamento, da expressão lívida que você demonstrou quando nos vimos pela primeira vez, naquela enfermaria... –Hideaki murmurou antes de beijar Kagura com toda a urgência que o momento pedia.
Do outro lado do shiro, Kagome acordava delicadamente, enquanto Inuyasha, sedento por sua fêmea, acariciava-lhe todo o corpo.
—Humm... Inuyasha... Bom dia meu amor... –Gemeu ela dengosamente, para o youkai, enquanto ele beijava lhe o pescoço e forçava sua ereção contra as nádegas da humana.
—Bom dia, minha Kagome... Seu cheiro, é tão bom. Me dá vontade de te beijar inteira... Eu quero você Gome... –Sussurrou ele, no ouvido de sua fêmea que sorria encantada com a situação.
O clima estava descontraído e sensual, e os dois se permitiram ficar se beijando e se tocando por alguns minutos, até que a subitamente, bateram na porta do aposento.
—Quem é? -Gritou o youkai irritado.
—Somos nós, querido, mamãe e papai! Estamos aqui para chamar você, e sua prometida, para tomarmos o desjejum conosco!Nós precisamos falar sobre a nossa união! – Disse a doce voz por traz da porta, fazendo com que Kagome pulasse da cama e corresse para se arrumar.
—Já estamos indo Izayoi sama! Só um minuto! –Respondeu Kagome enquanto corria de um lado para o outro, procurando algo adequado para vestir.
—Gome, o que está fazendo? –Inuyasha olhou para ela, incrédulo.
—Shii! Vista-se logo, Inuyasha! Vai querer deixar sua mãe esperando?
—Mas Gomee! A gente ia... Oraa, é só dizer à ela que não vamos agora! – O Inu Daí youkai disse irritadíssimo, tentando trazê-la de volta à cama.
—Quiieeto!Sua mãe, e seu pai, estão na porta de nosso quarto nos esperando para falar do nosso casamento, e você quer... Sexo? Se vista imediatamente, senão, eu não vou mais dormir com você, até o dia da nossa união, entendeu? E não se atreva a ficar descontrolado de novo, porque eu sei muito bem que o seu problema foi resolvido 3 vezes, nessa madrugada! –Kagome disse enfática e o ex hanyou teve que acatar suas ordens, mas não sem antes, bufar irritado.
Fizeram suas higienes matinais e se vestiram em tempo recorde. Ao abrirem a porta, encontraram uma Izayoi empolgadíssima, e um Ino no Taishou com a mesma expressão irritada apresentada por Inuyasha. Caminharam mais alguns metros enquanto as fêmeas conversavam animadamente e pararam em frente ao quarto de Rin. Após mais alguns minutos de espera, as três noivas humanas, estavam juntas, e caminhavam para o próximo aposento. Desta vez foi Kikyou que se juntou ao animado grupo de noivas, enquanto Raijin, de cenho fechado, juntou-se ao grupo de machos irritados que caminhava atrás delas. Embora a união de Kikyou fosse acontecer um pouco antes das outras humanas, Kagome e Rin queriam que a amiga participasse de todo o processo.
As fêmeas foram em direção à sala de desjejum, empolgadas, com seus planos, tendo dois Inu Dai youkais e um lobo da neve, de cara amarrada atrás de si.
—Humpf... Tinha que ser você, para estragar meu dia... Kikyou e eu estávamos quase... –Murmurou Raijin de maneira quase inaudível para Inuyasha.
—Não diga besteiras... Eu também tinha coisas melhores para fazer com a Kagome, do que... Ei, espera aí... Você não conseguiu? Hehehehe, talvez esse encontro de fêmeas não tenha sido tão ruim afinal... –O ex Hanyou riu divertido.
—Hehehe... Essa foi a segunda vez que eles foram interrompidos nessa manhã... –Inu no Taishou sussurrou, fazendo com que Inuyasha segurasse uma gargalhada.
—Ora lorde Inu no Taishou, o senhor não tem nada melhor para fazer do que ficar me interrompendo!?-Raijin reclamou.
—Ohh Eu não tive culpa... Pra ser bem franco, por mim eu teria ficado no meu quarto, saboreando a minha fêmea... –O Inu Dai Youkai confidenciou.
—Ei pai! Por favor, eu não preciso ouvir isso! –Inuyasha quase gritou.
—Hehehehehe... Não seja infantil, Inuyasha. Afinal se o seu pai, não “saboreasse” sua mãe, há muitos anos, você não teria nascido. –Raijin riu provocando.
—Ah sim, isso é verdade... Se bem que quando fizemos Inuyasha, nós estávamos ainda, nos conhecendo... Eu não sabia exatamente do que ela gostava, e ela estava muito nervosa, mas fizemos amor até que ela gozasse, e ...
—PAI! Por favor, não diga mais nada! – Inuyasha berrou.
—INUYASHA, pare de gritar!- Kagome esbravejou.
—Ei, do que vocês estão falando? – Izayoi perguntou enquanto erguia uma sobrancelha.
— Nada minha querida... Mas vamos andando, não esqueça que Satori Hime, está à nossa espera. –Inu no Taishou respondeu com seu sorriso mais inocente, enquanto abraçava sua fêmea e caminhava rapidamente.
O dia caminhou tranquilamente, para os convidados do shiro. O mais tranquilamente possível por assim dizer. A noite começava a chegar e a inquietação tomou conta de alguns deles.
Kaede era uma destes. A humana se arrumava para seu encontro forçado com Hokuto. Naquele momento, estava sendo encorajada por Kagura, que havia passado praticamente o dia todo ao lado da miko, desde o incidente da manhã, quando a miko, que retornava aos túneis com a chave, encontrara a youkai dos ventos, aos beijos com um dos capitães.
—Vamos Logo velha Kaede! Está se vestindo como uma tartaruga!
—Ora Kagura, se está com tanta pressa, porque não sai você, com o general?!
—Não diga besteiras! Não é a mim que o general Hokuto quer!
—Ora, mas o capitão quer você, e pelo que vi quer muito...
—N... Não diga isso! O capitão Hideaki só estava me ajudando a respirar melhor, já te disse!E vamos parar com toda essa conversa e vamos andando! Senão você perde seu encontro e eu perco o festival e eu prometi levar a Kanna! – Cortou a youkai sentindo o rosto queimando de vergonha.
Se arrumaram finalmente e passaram no aposento de Kagura onde buscaram Kanna, antes de irem em direção à saída. Kaede quase perdeu o fôlego, quando chegou ao fim da escadaria, e deu de cara com o youkai griffo, com seu quimono cor de chumbo, de peito aberto, e cabelos soltos com seu sorriso mais encantador.
—Bem pontual Tomoko... Eu ia dizer que você está linda, mas acho que seria óbvio, já que você é linda de qualquer maneira... –O youkai gracejou enquanto estendia o braço para Kaede.
—Muito obrigada, general... –A miko, disse desconcertada, antes de pegar o braço estendido do youkai e caminharem juntos para a porta principal do shiro.
Kagura que estava com Kanna, mais atrás, sorriu satisfeita. As duas saíram igualmente, mas foram em uma direção diferente do casal. Kanna queria ver as barracas de doces. E além disso, havia marcado com uma nova colega de escola de se encontrarem. Ao ouvir as palavras animadas da pequena, Kagura sentiu-se imensamente feliz. Kanna estava fazendo amizades e começava a levar uma vida quase normal. Apenas dois dias, haviam se passado, e suas vidas já estavam cheias de planos. A youkai se encontrava absorta em seus pensamentos, quando a pequena saiu em disparada.
—Vemm Kaguraaa! Ela está aqui! Vem logo! –Gritou a youkai branca apontando em uma direção enquanto corria.
A youkai dos ventos apressou-se para alcançá-la, e na demorou muito para fazê-lo. Assim que se aproximou de Kanna, percebeu que havia outros seres com ela. A pequena youkai branca apressou-se em apresentá-la.
—Kaguraa, essa é a minha amiga, a Áureael! E esta é a mãe dela, Leodora, e os irmãos Ângelus, e Azrael. E esta é a Kagura! –Disse apressada a pequena youkai branca.
—Kagura? Não sabia que você tinha uma filha!-Leodora exclamou surpresa, com Ângelus nos braços.
—Leodora! Bem, ela não é beemm minha filha... Mas enfim! Seus filhos são lindos! –Elogiou a youkai dos ventos.
—Ora, vocês já se conhecem? –Perguntou Kanna curiosa.
—Sim, Kanna, nos conhecemos ontem na festa... Não é só você que faz amigos... –Disse Kagura arrancando risadas da youkai branca.
As duas fêmeas ficaram juntas conversando por algum tempo, enquanto os três pequenos brincavam juntos. Neste momento Kagura notou que era observada ao longe, e aquele olhar a estremecia. O incomodo foi tão forte que ela não conseguiu disfarçar. Leodora olhou na direção para onde Kagura olhava e percebeu do que se tratava.
— Você está bem, Kagura? –Leodora perguntou com cuidado.
—Está... Só que... Acho que é melhor irmos embora... –A youkai dos ventos murmurou tentando se recompor.
— Aquele é o capitão Hideaki, não? Ele está fazendo algo de ruim com você? SE estiver, pode me dizer que eu posso ajudar você! –Leodora murmurou seriamente.
—N-Não... Eu... Ele só quer... Se aproximar de mim... Ele mexe comigo de alguma forma, e sabe muito bem usar isso à seu favor... –Kagura murmurou enquanto virava seu rosto na direção de Leodora, e cobria sua boca com seu leque, para que ele não lesse seus lábios.
—Hum... Então é sinal de que você também sente algo por ele... –Leodora sorriu.
—Bem... Eu não sei! Apenas... Tenho muito medo...
—Eu sei o que está passando... Eu também nunca me apaixonei, mas há alguém que também mexe muito comigo, e ao mesmo tempo, me faz sentir muito medo... – A hanma morena murmurou, enquanto baixava seus olhos.
—É verdade Leodora? Bem... Fico feliz que alguém possa me compreender... Eu tive medo de estar ficando maluca! –Kagura disse arrancando um sorriso da hanma.
Do lado oposto delas, Hideaki, Yuko, Shuhei, Kazuiya e Nagato, estavam bebendo saquê em uma barraca aberta, e conversando sobre trivialidades. Quando Hideaki parou subitamente de falar Yuko e os demais estranharam, e não foi difícil para eles perceberem do que se tratava.
—Ora, Ora... A tal youkai dos ventos te pegou de jeito, não é mesmo Hideaki? Kazuyia disse com certo deboche.
—Ela me fascina de muitas maneiras... Não posso negar isso... –Respondeu Hideaki calmamente sem tirar seus olhos plácidos de Kagura.
— Olha... Eu esperava ouvir isso do Shuhei e até mesmo do Nagato, mas nunca de você! –Continuou Kazuyia, levemente surpreso.
—Eu sou obrigado a concordar com o Kazuyia, Hideaki... Você sempre esteve envolvido com fêmeas nobres e eruditas. Não consigo imaginar o que uma simples youkai dos ventos pode ter de tão atrativo para você! –Nagato disse antes de sorver sua bebida.
— Hideaki, não me surpreende mais do que Isamu. Vocês esqueceram o quanto ele era devotado à Yukina? E ele se apaixonou e se uniu à uma simples Usage, em pouco mais de dois dias! –Shuhei comentou.
—Meu irmão mudou drasticamente... Mas me parece estar infinitamente mais feliz! Além disso, Ritorirï é uma fêmea de muita classe. Não vai ser difícil para ela se adaptar à nobreza. –Hideaki comentou e todos concordaram.
Alguns segundos de silêncio de passaram, até que Ryotaro se aproximou das jovens fêmeas e dos filhotes. Yuko observou em silêncio o Youkai fênix, conversando com a serva que mantinha a cabeça coberta por um lenço. Entretanto, o raposa dourada, não foi o único que reparou na estranha proximidade que envolvia o casal.
—Olhem só... Parece que o lorde Ryotaro, está se entendendo com aquela serva suspeita, Yuko. -Nagato sussurrou, estreitando os olhos para o youkai raposa.
— Ei, ela é aquela morena que dançou com Fauno ontem! Eu não a reconheci de imediato, mas olhando agora... É a mesma bunda de ontem! –Kazuyia disse sorrindo de lado.
—Kazuyia, pare com isso! É desrespeitoso! Ela é mãe, sabia? Hideaki, disse com um tom de revolta na voz.
—Ahhh, vai me dizer que não ficou de pau duro, ao vê-la dançar ontem? Eu fiquei! Ela balança aqueles quadris de um jeito delicioso! –Kazuyia lambeu os lábios enquanto falava.
—Todas as fêmeas dançaram deliciosamente ontem. Até mesmo a Aika estava rebolando como uma gatinha no cio... –Yuko disse de maneira displicente, mas, consciente de que atingiria Kazuyia.
—Aika? Eu não a vi dançando com você ontem!-Kazuyia disse contrariado.
—E porque você teria que ver? Ao que me consta, Aika não tem nenhum compromisso...
—É claro, que não. Quem iria querer ter qualquer coisa com uma fêmea desengonçada e esquisita como ela?-Kazuyia desdenhou.
—Olha Kazuyia, eu sinceramente nunca achei a Aika desengonçada. Mas convenhamos que ela esteja muitíssimo melhor ultimamente. Eu acho difícil ela ficar solteira por muito tempo... –Nagato colocou mais lenha na fogueira.
—Háhahaha... Pois é, quem sabe? Sempre há alguém desesperado... Bom se me dão licença eu vou para o meu quarto... –Kazuyia riu-se para disfarçar o máximo que possível seu incômodo com o assunto.
—Mas já Kazuyia? Não é muito cedo para você se recolher? –Yuko alfinetou.
—É que eu pretendo ver algumas fêmeas antes que fique tarde... Sabem como eu sou, não? Preciso de sexo, e com urgência! –Respondeu o youkai com seu orgulho, antes de se retirar.
— Rs... Vocês são terríveis... –Hideaki riu enquanto se referia a Yuko e Nagato.
—Eu não entendi porque Kazuyia ficou tão incomodado! Espera um pouco... Kazuyia, está interessado na Aika?- Shuhei, exclamou surpreso.
—Isso mesmo gênio... E pelo que vejo, está mais interessado do que ele mesmo gostaria de estar. – Yuko, disse com um ar de surpresa.
Neste momento uma bela youkai de cabelos lilazes e olhos de um azul profundo, se aproximou timidamente, e cumprimentou a todos antes de voltar-se para Shuhei.
—Boa noite Shuhei... Eu demorei muito? –Disse Kara, com sua face corada.
—Não demorou nada... Você está ainda mais linda esta noite, Kara... Vamos? –Shuhei se derreteu em elogios antes de pegar as mãos da youkai. E diante da afirmativa dela, saíram os dois de mãos dadas.
Logo após isso, Hideaki viu quando Kagura se despediu de Leodora e foi na direção do Shiro com Kanna ao seu lado. E decidiu que era a sua deixa.
—Bem, meus amigos, está na minha hora. Boa noite e até amanhã. -Disse o Inu dai youkai antes de se levantar e ir discretamente atrás de Kagura.
—É Yuko, parece que só restamos nós... –Disse Nagato, propondo um brinde prontamente aceito por Yuko.
—Haha... Parece que sim, amigo!-Riu o kitsune dourado. No entanto mudou drasticamente sua expressão quando viu Kikyou passar de braços dados com Raijin. O casal parou justamente na barraca à frente.
—Ahh não, Yuko... Por favor me diga que não está interessado na fêmea do Raijin!-Nagato murmurou estreitando os olhos.
—Como eu posso não estar? Aquela humana... O desgraçado só a marcou por capricho... –O Kitsune estreitou os olhos, visivelmente irritado.
—Yuko... Somos amigos, e eu sempre o respeitei. Não vou dizer que está errado, afinal Raijin não é o tipo de youkai que quer constituir família. Mas mesmo assim, a humana se deixou marcar por ele. Ela o quer, ao lado dela de alguma maneira. Talvez isso represente alguma coisa. –Nagato tentou argumentar.
—Não significa nada para mim... Ela é só uma humana que foi iludida por um youkai. Já vimos muitas fêmeas humanas nesta situação. Eu não sei por que, mas... Sinto-me preso à ela, desde a primeira vez que a vi... Isso não é algo comum para mim, como você mesmo sabe... Não sei se é mesmo sentimento que os outros chamam de amor, ou paixão. Mas é algo que eu nunca senti por uma humana. Especialmente uma que nunca foi possuída por mim... –Yuko concluiu antes de tomar outra dose.
—Talvez seja apenas isso... Ela é uma fêmea humana virgem, apesar de dormir com um dos youkais mais pervertidos que você conhece, e a possibilidade de tê-la antes dele, te excita mais do que você consegue admitir. –Nagato encarou-o com seus olhos estreitados.
—Pode ser... Quem sabe o que se passa nessa minha cabeça, indecente? De qualquer forma, por ela, eu também deixaria de ser solteiro, meu amigo... –Yuko admitiu sorrindo.
—Vamos beber à isso! A nossa solteirice incontestável! –Nagato propôs outro brinde e prontamente foi correspondido pelo Kitsune dourado.
—À nós! –Disse Yuko, enquanto brindava para em seguida sorver sua bebida até o fim.
Longe dali, após passar todo o dia voando em Arurun, e economizar o tempo equivalente à muitos dias de viagem à pé, Sesshoumaru, finalmente chegava ao shiro da lua crescente. Apesar de todo o desgaste causado pela viagem, o Inu Dai Youkai, se encontrava determinado a resolver suas pendências. E foi por conta disso, que logo ao chegar, entregou o animal a um guarda e encaminhou-se diretamente para a torre das quatro luas, que se encontrava no meio de um imenso jardim trancado, na parte traseira da propriedade.
Já ao chegar na entrada da torre Sesshoumaru sentiu o cheiro de vinho e unguentos. O que provavelmente queria dizer que ela estava à sua espera. Sua suspeita foi confirmada poucos segundos depois ao ouvir a voz macia e rouca da Youkai.
—Suba Sesshoumaru... Estou bem aqui, na cama... –Disse ela de maneira sensual.
Sesshoumaru não respondeu. Apenas subiu as escadas em espiral. Após chegar ao andar superior, abriu a porta sem reservas e encontrou a recostada na cama, com uma taça de vinho das mãos.
—Meu lorde... Como é bom vê-lo... Eu senti tanta saudades... –Sussurrou ela antes de se levantar para tentar abraçá-lo. Sesshoumaru no entanto esquivou-se dela.
—Pare com isso Kurome. Eu vim aqui apenas para dispensá-la. –Disse o Youkai friamente.
—Dispensar-me? Você não pode estar no seu juízo perfeito! Eu sou sua prometida! A única fêmea que pode manter a sua linhagem pura! Como ousa querer me “dispensar” como se eu fosse uma qualquer? –Kurome vociferou, orgulhosa.
—Minha prometida? Não me faça rir! Eu nunca disse que me uniria a você! Não tenho culpa se você fantasiou as coisas entre nós. Você era “uma” de minhas amantes. E o fez porque quis! Nunca lhe obriguei a estar no meu harém!Agora me diga o que você quer para sumir da minha vida! –Sesshoumaru continuava falando calmamente mas a irritação já começava a mostrar-se em suas palavras.
—O que eu quero? Hahahaha... Eu quero você! Quero ser sua fêmea marcada! –Kurome riu debochada.
—Isso não vai acontecer Kurome... –Sesshoumaru disse encarando-a.
—Ah vai... Você não pode escolher outra Sesshoumaru! O que deu em você para querer acabar com seu harém? O que aconteceu para que você não me queira, ao seu lado? Justa a única que pode te dar um filho legítimo de sangue puro! Eu sou uma Inuzuki, pertencente a família de sua mãe!Diga-me o que aconteceu para que você quisesse desistir de sua raça? –Kurome insistiu.
—Eu não lhe devo satisfações, Kurome. Não lhe devo nada... Vá embora de meu shiro... –Vociferou Sesshoumaru.
—Eu não vou sair daqui de maneira alguma... Você não pode me obrigar! Não, estando eu, no meu estad...–Kurome elevou a voz e sequer conseguiu terminar a frase, pois a paciência de Sesshoumaru se esvaiu.
O Inu Dai youkai a agarrou pelo pescoço e aproximou seu rosto do dela para encará-la.
—Eu sou o lorde das terras do oeste e você não é ninguém Kurome! Eu disse para ir embora e se você não vai por bem, vai por mal!
—Sess...Sesshoumaru.. Eu... Eu... –A Youkai tentava falar mas era impedida pela alta de oxigênio. Quando estava prestes a perder a consciência no entanto, foi solta por Sesshoumaru que permanecia na mesma posição com seus olhos arregalados.
—Não pode ser... Esse cheiro... -Balbuciou ele. Parecendo estar em choque.
—Você sentiu meu cheiro... Eu estava escondendo isso, por que queria que você fosse o primeiro a saber... – Murmurou Kurome enquanto se levantava do chão, e colocava a mão sobre o ventre.
—Você... Está... Maldita Kurome... Você está prenhe!Diga-me que isso é um engano! –Sesshoumaru vociferou afastando-se dela, enquanto olhava para sua mão. Instintivamente levou a mão que segurou Kurome até o rosto, e voltou a afastá-la.
—É isso mesmo, Sesshoumaru... Eu escondi meu cheiro com meus unguentos, mas minha pele já o exala de maneira incontrolável... Mas isso é no normal ao fim dos três meses de gestação... Eu vou dar a luz ao SEU filho... Ainda quer que eu vá embora? –Disse a youkai com um pequeno sorriso de satisfação no rosto.
Kurome

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