Notas iniciais
OLaaa meus amigos queridosss demorei né? Mas foi por uma boa causa! Eeeis que retorno, com notícias dos shiros, e é claro uma revelação bombástica sobre nosso amigo Inuyasha e sua querida fêmea Kagome! Será que deu ruim??? Bora lá ver!

Já era alta madrugada quando a caravana de Hikaru, chegou ao Daí ni no shiro. As fêmeas dormiam pesadamente na carruagem, e sequer viram o momento em que chegavam.

O Daí ni no shiro, ficava em cima de um encosta exatamente como os outros shiros. Mas dentre todos era o único que ficava realmente próximo ao mar à ponto de tê-lo em vista.

Depois da morte de seu pai e o desaparecimento de Lily, Hikaru decidiu empenhar-se em uma reforma do shiro, pois desejava esquecer certas lembranças que aquele Shiro possuía.

Uma de sua maiores decisões foi destruir a torre onde ficava o quarto de seu pai, e onde ele havia se enforcado. Os quartos foram aumentados, assim como todo o shiro, que fui “puxado”, para ficar mais próximo da encosta. Em cada lado do shiro, jardins em degraus sinuosos, e duas largas escadarias que levavam até próximo à facha de areia foram construídas pois Hikaru apreciava caminhar junto ao mar. Cerca de 100 metros ao lado oposto de cada escada, foram construídos os palacetes dos capitães, tendo o shiro bem ao centro. Há cerca de 1800 metros de distância à medir do lado de fora de cada palacete, corriam muralhas de pedras brutas, que subiam desde o oceano, com uma torre sentinela em cada ponta, fechando assim, a praia no perímetro entre as muralhas, os palacetes, as escadas, e o shiro.

As duas pontas da muralha, fechavam-se cerca de 8 quilômetros à frente, na decida da encosta, que se inclinava ligeiramente para a direita, em um grandioso portão, junto ao pequenino vilarejo de pescadores, pequenos agricultores, e pecuaristas, humanos. Alguns poucos quilômetros à extrema esquerda do portão de entrada, próximo à uma floresta alagada, havia uma outra vila, maior, de youkais, que viviam nas árvores, e que aproveitando-se do bom solo, plantavam e obtinham boas colheitas, e comercializavam produtos de quase todo reino.

A frente do shiro, antes compacta, agora possuía mais 30 metros de comprimento, para proporcionar mais conforto ao salão, que ainda contava com varandas.

O estilo da nova construção lembrava bastante os palácios Babilônicos, com fachadas grandiosas, arejados, cercados de plantas e objetos brutos e bem detalhados como a enorme e pesada porta de metal dourado, e madeira bege.

Ao contrário dos demais capitães, Hikaru não tinha um mordomo, já que Agláia costumava fiscalizar as servas e comandar todo o andamento do Shiro.

A própria Agláia, saiu primeiro da carruagem, e foi em direção aos servos, que avisados pelos sentinelas, aguardavam seus senhores. Mas ao invés de dar-lhes as ordens a coruja branca, apenas passou pela entrada, e foi direto para seu palacete, sem sequer lhes dirigir o olhar, sob a justificativa de estar exausta.

Realmente, para aqueles que a conheciam, o semblante de Agláia, estava visivelmente diferente, com um ar cansado, como se ela não dormisse ou se alimentasse por dias consecutivos. Entretanto, ao virem Hikaru trazendo sua fêmea nos braços, não foi difícil para eles julgarem ser este o motivo para o abatimento de Agláia.

Claire acordou no momento em que a carruagem parou, e surpreendeu-se com nova imagem do Daí ni no shiro. Saiu da carruagem e ajudou a Masato, Teigure e Hikaru pegarem respectivamente Naelle, Igraine, e Minara.

Ao pegar Naelle nos braços, Masato usou sua forma de névoa para chegar mais rápido ao seu palacete. Seus servos que também o aguardavam, o viram entrar pela janela do segundo andar, e foram imediatamente até a carruagem buscar os pertences de seu senhor.

Estavam já chegando ao local, quando Masato retornou e parou diante deles para avisá-los sobre as bagagens de sua fêmea recém-tomada.

Enquanto Teigure levava Igraine para dentro, Claire caminhou ao redor do shiro, observando atentamente à todos os detalhes. Ao se aproximar dos servos, uma voz conhecida por ela a chamou, fazendo com que ela corresse para abraçar a portadora da voz.

—Hanami! Setsuka! Vocês, não tem ideia do quanto estou feliz em vê-las! –Disse Claire ao abraçar suas duas servas antigas, trazidas de volta à vida, pelo mesmo feitiço de Minara que trouxera Claire e Teigure.

—Lady Claire! Também é muito revê-la! Quando retornamos, o shiro havia mudado... Mas está ainda mais luxuoso, e nós preparamos um aposento à altura da senhora e de sua cria! –Disse Hanami a antiga serva pessoal de Claire.

—Sim milady, nós a vimos entrar com o general Teigure! Ela é tão linda quanto a senhora! –Disse Setsuka, animada em conhecer Igraine.

—Eu agradeço por todo o carinho! É realmente muito bom, encontrar vocês duas! Não sei se conseguiria viver neste shiro tão diferente! Nem de longe lembra a nossa casa. Pelo menos com vocês aqui vou me sentir melhor! –Claire disse sinceramente, antes de ser surpreendida por Teigure que a pegou nos braços antes de transformar-se em sua forma energética e sair voando para dentro do Shiro, mais precisamente para dentro de um aposento.

—Ahh Teigure! O que está fazendo? –A miko ruiva disse sorrindo quando finalmente ele a colocou no chão.

—Não se lembra da primeira vez que entrou em nosso shiro? Foi nos meus braços... E desde aquele dia, nunca mais nos separamos... Até o triste incidente... Mas temos uma nova chance, e quero aproveitá-la por muitos séculos, minha querida fêmea... –Disse Teigure com seu sorriso mais apaixonado.

—É claro que me sim, meu amor... Não se preocupe! Vamos ficar muito tempo juntos... Mas se me lembro bem, quando chegamos, você me estuprou... –Claire disse com uma sobrancelha erguida.

—Ahhh minha querida... Nós dois sabemos que você estava gostando muito... –Sussurrou o youkai tigre antes de beijar ardentemente sua fêmea.

—Eu gostei muito... E quero mais... –Murmurou a miko, sorrindo, entre os beijos calorosos de Seu macho, que prontamente a despiu para dar-lhe aquilo que ela desejava.

A noite seguiu tranquila para todos, menos para Sesshoumaru. Seu pai, sua mãe e sua madrasta, já haviam chegado e estavam devidamente instalados em seus aposentos.

Felizmente Kurome estava cumprindo sua palavra e permanecia na torre, nos jardins secretos da parte traseira do shiro, longe dos olhos e do olfato de seu pai. Contudo, tal situação não poderia ser contida por muito tempo. Faltava menos de 20 dias para sua união com Rin, e ele não fazia ideia do que fazer.

Sentado em seu escritório, Sesshoumaru continuava tentando concentrar-se em seus pergaminhos, e documentos, que necessitavam de sua atenção. Mas a saudade de Rin, e o medo de que ela se decepcionasse consigo, não o permitiam.

Suspirou pesadamente, para colocar a tensão para fora de si, e neste momento notou uma presença familiar.

—Pelo que vejo, você perdeu o sono. Ou será que há tanto assim para se fazer à ponto de você não poder dormir? –Perguntou Inu no Taishou com certa desconfiança, ao adentrar no aposento.

—Posso dizer o mesmo do senhor, meu pai. Desde que retornou, percebo que tens tentado me pegar à sós... O que o Incomoda tanto, afinal? –Sesshoumaru perguntou friamente, encarando seu pai, com o mesmo tom desconfiado.

—Temos assuntos à resolver... Muitos assuntos. Desde a relação gélida que nutrimos, até coisas mais recentes, como por exemplo a confissão de sua mãe no caso do desaparecimento de Arina, passando por outros segredos que você, como novo lorde das terras do oeste deve saber. –Inu no Taishou disse incisivo.

—Então as suas desconfianças com relação à minha mãe, afinal tinham motivo... –Sesshoumaru murmurou com um pequeno tom de sarcasmo.

— Sim... Ela usou a paixão platônica que Katashi sentia por Arina, para ajudá-la a separá-la de Hokuto, e conseguiu. Mas o plano deu errado, e Arina acabou fugindo, prenhe... Ela morreu ao dar à luz ao filhote, que mais tarde, nós resgatamos. Hideaki, é, portanto filho dela e de Hokuto, e um genuíno herdeiro do nosso clã Inukami. – Inu no Taishou respondeu ignorando completamente a pequena provocação anterior de Sesshoumaru.

—Humm... Sorte de Hideaki, o senhor ter se apagado tanto à ele. Por certo, ele continuará tendo o mesmo prestígio que sempre tivera, quando ainda não sabíamos do laço de sangue. –Sesshoumaru foi prático ao responder.

—Sim... Sorte à dele e a minha. Jamais me perdoaria se ele não tivesse tido tudo aquilo que ele merecia, e merecer ter. Isso me leva ao outros assuntos que temos que deliberar...

—E quais seriam esses assuntos?

—Temos que falar sobre o seu êxito no teste que preparei para você... Sobre Rin... E sobre o filhote que Kurome carrega no ventre... –Inu no Taishou falou com seriedade.

—Como o senhor soube...? Não me diga que aquela maldita veio procurá-lo! –Disse Sesshoumaru apertando os punhos.

—Eu fui andar um pouco, para pensar no que fazer com sua mãe, agora que ela confessou ser indiretamente culpada pela morte de Arina... Após alguns minutos, dentro dos jardins, vi que havia uma luz acesa na Torre. Quando encontrei Kurome, ela me contou o resto... Ela parece estar muito segura de que você irá tomá-la. Mesmo quando eu lhe disse que você já tem a sua fêmea, e que vai tomá-la diante de todos daqui há alguns dias. Mas a pergunta certa a ser feita, diante de tudo isso, é: Porque tentou esconder isso de mim, Sesshoumaru?Porque não me contou sobre algo que é tão pertinente à você? Você sempre tentou mentir para mim. Sempre desconfiou de minhas palavras e escondeu de mim todos os seus propósitos! E o pior de tudo isso, é que eu não lhe culpo... Fui um pai muito distante de você. Eu poderia lhe dar todas as razões que eu tive para agir desta forma com meu próprio filho, mas isso, não mudaria nada... Ou será que mudaria? –O Inu Daí youkai questionou encarando seu filho com seus olhos estreitados.

—Não... Não mudaria. E acho melhor terminarmos esta conversa por aqui, já que ela se revela ser completamente inútil... –Respondeu friamente Sesshoumaru.

—Ainda não, Sesshoumaru. Está na hora de esclarecermos tudo... Sua mãe e eu, tínhamos uma relação construída através da confiança e na admiração que tínhamos um pelo outro. Mas esta confiança foi abalada, no momento em que eu descobri o caso secreto que ela teve com Hokuto, e todo o ódio que ela nutria por Arina. Era uma época complicada, e este reino ainda estava sendo construído. E foi nesta época que você nasceu. Eu viajava com frequência, e cada vez que eu via você, você estava mais crescido, e mais distante de mim. E quanto mais crescia mais orgulhoso e frio, você se tornava, e mais me parecia que você era unicamente um Inuzuki, ardiloso e inconsequente, muito diferente de um Inukami, que tem a honra e a compaixão como parte de seu caráter. Eu tentei, me aproximar quando tive chance. Tentei fazê-lo ser um macho piedoso, mas você não gostava disso... Você só pensava em ser mais poderoso... Só almejava ser o lorde das terras do oeste, sem se preocupar na responsabilidade que nós os fortes, temos para com os mais fracos! Você desprezava as outras raças! Eu via o seu olhar de desprezo para os hanyous e humanos que frequentavam este castelo! Eu vi como você tinha prazer em humilhá-los... E foi por isso, que quando hime de Meikakuna mün, a hanyou Brunhilde, veio para este shiro, e eu percebi seu interesse nela, eu a mandei para longe sob a custódia do meu mais confiável general na época... –Inu no Taishou murmurou encarando seu filho, com resignação.

—Eu já disse que não importa mais... Chega de falar de coisas que não me interessam! –Sesshoumaru se irritou.

—É claro que interessam... Lembro-me bem, de quando ela chegou ainda desacordada nos braços de Küro Ookami... Você também deve se lembrar... Ela foi a única capaz de se aproximar de você. Mas eu sabia... Eu sempre soube que sua intenção era usá-la para seus propósitos egoístas! Você tem que concordar que eu fiz a coisa certa, afastando-a de você! Mesmo que isso tenha custado o único fio de relação que tivemos, você tem que me perdoar Sesshoumaru, por que estava certo! –Inu no Taishou vociferou ao filho.

—NÃO ESTAVA! Por mais que eu fosse contra toda e qualquer relação impura... Por mais que eu realmente ambicionasse o poder dela, eu... Eu me envolvi de uma maneira como nunca havia me envolvido... Eu a amava... Mas... O senhor não acreditou em mim... O senhor sempre esperou o pior de mim! Sequer me ouviu, quando teve chance... –Sesshoumaru disse enraivecido, antes de murmurarar encarando seu pai.

—Eu me arrependo muito por tudo isso, Sesshoumaru... Nesta época, a própria Izanami, consciente de meu coração contrito, teve uma visão, e disse que você me perdoaria, por todos os meus erros para com você, no dia em que se visse, na mesma situação que eu vivi, e ainda vivo... Neste momento, você entende, o que é ser unido à uma fêmea, e ter um filho com outra... –O inu youkai disse resignado.

—Eu... Começo a entender... –Sesshoumaru murmurou após alguns segundos de silêncio.

—Se você agora, finalmente sente-se no meu lugar, e eu finalmente consigo conceber que estava errado, ao julgá-lo mal, é muito tarde, para tentarmos uma reaproximação? Você vai ser pai, meu filho... Permita-me, ao menos desta vez, estar perto de você, e do meu neto... –Inu no Taishou murmurou com seus olhos marejados.

Sesshoumaru o encarou por alguns minutos, sério, enquanto sua mente divagava sobre todas as lembranças que lhe acometiam. Muitos sentimentos o invadiam, mas o maior deles, talvez fosse o de redenção.

Por fim, acenou a cabeça e sorriu levemente para seu pai, que o abraçou fortemente, pegando-o de surpresa, e fazendo outra lembrança lhe invadir: a visão que Minara lhe dera. Na visão, ele e Rin, haviam construído uma família. Mas ele não reparara que seu filho mais velho, era um youkai puro como ele, e não um hanyou. Aquele menino, que o abraçara tão fortemente quanto seu pai, naquele momento, era o filhote que Kurome, lhe dera. Sem se dar conta, sorriu e quando seu pai se afastou e notou o sorriso aparvalhado nos lábios dele, Sesshoumaru sussurrou.

—Será um macho, meu pai... Seu neto, o meu filho, será macho, e seu nome, será Daisuke... –Disse Sesshoumaru, sorrindo enquanto Inu no Taishou gargalhava de orgulho e surpresa.

Já era alta madrugada no Dai san no shiro, e como a maioria de seus habitantes, Rin dormia pesadamente. Seu corpo estava cansado pela viagem, mesmo que ainda breve. Estava em sono profundo, quando a imagem de dois olhos verdes como esmeraldas, a fez saltar-se apavorada.

Ao se dar conta de que estava sozinha em seu aposento a humana suspirou alto, e colocou a mão sobre o peito, angustiado, para tentar se acalmar. O despertar violento secou sua boca, e ela decidiu se levantar para beber um pouco de água. A humana caminhou até uma ânfora que ficava sobre um carrinho de bebidas, e bebeu o suficiente para saciar-se. Em seguida foi até as grandes janelas e as fechou por completo, por conta do vento frio que passava sobre elas, antes de voltar ao seu leito. Lembrou-se imediatamente de Sesshoumaru, e do quanto ele ficaria bravo se ela esquecesse novamente as portas ou janelas abertas. Quando finalmente deitou-se, seus pensamentos , focaram-se, todos, em Sesshoumaru e na saudade que sentia dele. Até que o sono finalmente a venceu.

O dia chegou depressa, e com ele, o início de novas rotinas de vida. No Dai Go no shiro, Isamu e Ritorirï começavam seu dia, fazem amor.

A paixão entre os dois só aumentava, a cada vez que se tocavam, e a pequena Usagi não podia estar mais feliz. Em contra partida, Emi, chorou a madrugada inteira, por conta de sua separação. No iníco da manhã, no entanto, a gentil youkai, colocou sua dor de lado, para ficar um pouco com Kanna, e ajudá-la a se adaptar à nova rotina.

Kagura e a pequena haviam ficado no palacete de Hideaki, contudo, a youkai dos ventos, não dividiu o leito com o inu youkai. Ao contrário, foi instalada em um aposento, ao lado oposto do de Hideaki, para que ela ficasse à vontade, e não se sentisse coagida a fazer nada que não quisesse. Apesar de esculpido na montanha, o palacete era luxuoso e arejado, com grandes janelas sem muitos detalhes além do vidro para garantir a luminosidade.

A youkai dos ventos estava ainda ressabiada com a criadagem, tendo em vista que jamais tivera criados, e, portanto não sabia se portar com eles. Após fazer sua higiene e vestir-se, a youkai desceu para tomar seu desjejum, entretanto antes mesmo de fazê-lo, uma música melodiosa já lhe chamava a atenção.

A youkai dos ventos desceu as escadas sendo guiada por uma serva, e percebeu que estava indo de encontro à tal música.

O desjejum, fora servido, na varanda lateral composta de um pequeno jardim, uma mesa redonda e seis cadeiras de madeira, além de alguns outros móveis e luminárias. Ao chegar lá, Kagura surpreendeu-se ao vir, que a bela música era cantada e tocada pelo próprio Hideaki, com sua Biwa (Espécie de alaúde japonês). Ao vê-la, o youkai continuou cantando, com sua voz grave e inebriante, olhando-a, dentro de seus olhos, o que a constrangeu imediatamente.

Ao vê-la inteiramente corada, Hideaki sorriu, e parou a música.

—Bom dia Kagura... Você dormiu bem? –Perguntou o inu youkai, aproximando-se da mesa já posta.

—D-dormi... Dormi sim... Ah... É uma bela música essa... –Murmurou a youkai dos ventos, sem voltar o olhar para Hideaki.

—Que bom que gostou, fui eu mesmo quem compus... A música é uma das minhas paixões... –Disse ele enquanto ajudava Kagura a se sentar e sentava-se à sua frente.

—Uma delas? –Perguntou a youykai dos ventos curiosa.

—Sim... Eu também gosto muito de caligrafia, e de pintar. Todas as gravuras de minha casa, e do Shiro, são minhas. –Disse ele com um sorriso de satisfação nos lábios, enquanto era servido por um serviçal.

—Nossa... Você me parece mesmo ser muito talentoso. É surpreendente, que você goste dessas coisas. É um pouco distante do que se espera de um capitão... –Kagura revelou com sinceridade antes de sorver um pouco de chá.

—Eu não posso evitar gostar dessas coisas. E, além disso, a arte da guerra me é igualmente prazerosa. –Ele completou enquanto comia uma espécie de caldo vermelho e espesso.

—Entendo... –Murmurou Kagura antes de começar a comer. No entanto na primeira garfada deu-se conta de que na comida, além de frutas vermelhas, havia uma alta dose de sangue humano, mais do que ela estava acostumada a comer.

—O que foi, Kagura? Não aprecia a comida? –Perguntou ele ao notar o desconforto dela.

—Não é isso... Só... Tem muito sangue... – ela sussurrou antes de sorver mais chá.

—Ah sim... Perdoe-me... Como vivo sozinho, meus servos, estão acostumados à minha dieta. Eu sempre prefiro minha primeira refeição mais “forte”. Eu me esqueci de avisá-los que você não está acostumada com isto... – Hideaki desculpou-se.

—Está tudo bem... Não precisa se desculpar. Nossa isso é mesmo muito forte... Meus sentidos... Estão à flor da pele! –Disse a youkai dos ventos surpresa.

— Então não chega a ser tão ruim, imagino... –Hideaki sorriu de lado, após limpar os lábios com um guardanapo.

—N-Não... Só diferente... –Murmurou nela, tentando manter o controle sobre o calor que lhe subia pelo corpo.

Os dois continuaram a tomar o desjejum, e assim que terminaram, Hideaki decidiu mostrar o vilarejo para a youkai dos ventos.

Com alguma relutância Kagura aceitou, e lá se foram os dois, sob o olhar de Emi, que sorria feliz pela união que começava a nascer entre os dois.

15 dias haviam se passado. No daí san no shiro, Kagome e Inuyasha e alguns amigos, estavam sentados, esperando serem servidos, do almoço, enquanto conversavam sobre banalidades.

Os dias haviam passado rápido para eles, mas não para Rin. Para amenizar a saudade que sentia de seu amado Sesshoumaru, e de Igraine, sua melhor amiga, Kohako, Souten e Shippöu eram o remédio mais eficaz.

Naquele momento, Kaede e Hokuto, haviam se juntado à eles, e conversavam animadamente.

Para Shippöu as coisas também estavam mudando depressa. Souten decidira se mudar para o seu palacete embora não concordasse em manter relações sexuais com ele.

Por conta do enorme sentimento que os unia, ambos dormiam juntos, e isso apesar de satisfazer sua carência por afeto, o estava levando à loucura.

A nova Kaede por sua vez, havia chegado acompanhada de Hokuto, apenas para buscar suas coisas, e visitar o vilarejo para despedir-se apropriadamente. Quando tudo ficou esclarecido, no entanto, Sango, a melhor amiga da antiga miko, a incentivara a voltar para o reino, pois se alegrara imensamente em saber que Kaede agora tinha um pretendente.

O agora Daí youkai já conseguia controlar-se muito bem, e podia-se dizer que apesar de não terem se unido oficialmente, Kagome e ele, estavam mais unidos do que nunca.

Kagome ainda estava tendo algumas dificuldades, em comandar o serviço no enorme shiro, especialmente porque a antiga “governanta” Kaede, decidira viver em meikakuna mun, o que já era esperado.

O clima descontraído seguia, e não demorou muito para que o almoço fosse servido. Na ponta da mesa Inuyasha, sorria, tendo Kagome ao seu lado, direito e Rin ao esquerdo.

Quando a comida chegou, o cheiro forte da comida youkai de Inuyasha mexeu com o estômago de Kagome de uma maneira inesperada.

—Ai Inuyasha! Esse cheiro é forte!O que você está comendo? –A humana perguntou curiosa.

—Ora, comida youkai, Kagome... Sinto muito, eu sei que você não gosta do cheiro, então acho melhor você se afastar um pouco... –O Inu disse tentando ajudá-la.

—Kagome, sente-se aqui ao meu lado! O Hokuto não se importaria de trocar com você, já que eu também não gosto muito desse cheiro... –Kaede argumentou e Hokuto assentiu com a cabeça.

—Ah não! Tudo bem, Kaede, obrigada... Mas é que, na verdade... Não está tão fedorenta hoje! Na verdade... Será que... –A humana murmurou ligeiramente envergonhada.

— O que há com você Gome? Você quer alguma coisa? –Perguntou Inuyasha, ao vê-la corada.

—Inuyasha... Eu... Posso... Eu quero provar sua comida! –Disse ela finalmente parecendo tão assustada quanto o inu youkai e os demais convidados.

—Kagome?? Está falando Sério? –Rin perguntou descrente.

—Estou! O cheiro está tão agradável, vocês não estão sentindo? –Kagome argumentou sem jeito.

—Na verdade... À mim parece sim, mas acho que não deveria parecer à você, Kagome! –Souten disse, com certo desconforto.

—Para mim, parece a mesma comida youkai de sempre... –Kohako afirmou com certo desdém.

—Hahaha... –Gargalhou Hokuto.

—O que foi general, o que é tão engraçado? – Shippöu perguntou estranhando o comportamento do youkai grifo.

—Vocês saberão já, já... Mas, agora, Inuyasha, porque não deixa sua fêmea provar um pouco da sua comida? Talvez ela esteja somente curiosa... –Hokuto disse sorrindo animado.

—M-Mas! Nesta comida tem sangue humano! –ele afirmou surpreso, e ligeiramente intrigado com as palavras do general.

—É... Eu sei, meu amor! Mas é que o cheiro me parece tão bom! –Kagome afirmou quase duvidando de suas próprias palavras.

—O-ok Gome, se você está com vontade, eu não vejo problema... Sinta –se à vontade... –O youkai entregou o hashi ,ainda um pouco desconfiado, à humana e observou-a comer com vontade um pouco da comida, após alguns minutos, Kagome sentiu algo pulsar em seu ventre, e ânsias de vômito lhe acometeram, e ela saiu correndo como uma louca.

Inuyasha e os demais convidados se levantaram preocupados, e foram para o salão em seguida, para tentar encontrar, para onde Kagome fora.

Encontraram na no lavabo que ficava do outro lado do salão.

Por sugestão de Hokuto, apenas as fêmeas humanas foram até lá, para ajudá-la.

— Kagome, abra a porta... Somos nós! –Ordenou Kaede, calmamente, enquanto batia com os nós dos dedos. Rin, e ela aguardaram por alguns minutos, antes de ouvirem barulhos de água corrente. A porta se abriu, e a humana saiu com o rosto lavado. O cheiro no ar, não deixava mais dúvidas de que ela havia vomitado.

—Kagome? O que está acontecendo? Você está abatida! –Rin murmurou enquanto a amparava.

—Acho que são as minhas regras... Na ultima semana, eu comecei a me sentir enfraquecida... Eu sempre fico meio enjoada, e cansada nesta época, você sabe... –Kagome argumentou, enquanto Kaede continuava desconfiada.

—As suas regras, estão normais Kagome? –Kaede perguntou.

—Oh sim... Na verdade elas nunca foram muito certinhas... Pelos meus cálculos, estão atrasadas alguns dias, mas isso é comum! –Kagome disse sorrindo, enquanto caminhava de volta para o salão.

As três não demoraram em chegar ao salão, e assim que o fizeram, todos os youkais pareciam perplexos ao vê-las.

Hokuto sorria triunfante, e o Inu youkai, tinha os olhos marejados, enquanto sorria para Kagome.

—Meu amor? Inuyasha se acalme, eu estou bem... Você não precisa ficar deste jeito, foi só um mal estar, esquisito... Deve ser porque minhas regras estão próximas... –Kagome disse carinhosamente, enquanto o abraçava, ao perceber que ele tinha os olhos cheios de lágrimas.

—Kagome... Suas regras, não são as responsáveis... Aliás, elas sequer virão... –Murmurou Shippöu, igualmente emocionado.

—O que quer dizer com isso? Inuyasha? Eu... Tem alguma coisa errada comigo? –Kagome questionou preocupada.

—Não, Gome... Você está perfeita... Vocês estão... –Murmurou ele, ajoelhando-se na frente da humana para beijar-lhe a barriga.

—Inuyasha... Está me dizendo, que eu... EU... –Sussurrou a humana surpresa e feliz ao mesmo tempo.

—Sim, meu amor... Você está grávida, Kagome. Nós vamos ter um filhote! –Murmurou Inuyasha, antes de erguer-se para beijá-la apaixonadamente e ser correspondido com a mesma emoção.

—GRÁVIDA? Oh, então esse cheiro que ela está exalando agora, é de prenhez?! Eu realmente não sabia... Parabéns Kagome! –Disse Souten aproximando-se para cumprimentar a humana.

—Hokuto, você já sabia, não é? Mas como? –Kaede questionou-o curiosa.

—A vontade súbita dela, me deixou intrigado. Por isso sugeri que ela comesse. O cheiro da prenhez de um bebê com sangue youkai, em uma humana demora um pouco mais para aparecer. Entretanto, a comida youkai pode fortalecer o bebê, de modo a fazer com que sua presença seja mais facilmente detectada. Foi o que aconteceu com Kagome. Ao ingerir a comida de Inuyasha, o bebê se fortaleceu e o cheiro se tornou evidente... –Hokuto explicou.

—AH kagome, Inuyasha, meus parabéns! Eu vou ser titia, estou tão feliz! –Rin disse abraçando os dois, ainda mais emocionada.

—Sim, Parabéns! Que este filhotinho, venha com muita saúde! –Hokuto disse por fim, abraçando o casal.